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Onde e como assistir a filmes ou documentários ativistas?

Olá!
Aqui é kamira. Um dos meus interesses é não violência. Encontrei um site onde é possível assistir a documentários que abordam o tema, mas ele só permite que pessoas de determinadas regiões do planeta assistam a um doc que me interessou. Gostaria de saber como vocês agiriam diante de um problema semelhante. Vocês utilizariam VPN? Nunca usei…
O site é esse: https://watch.eventive.org/

Outra coisa que gostaria de saber é onde vocês assistem documentários (sem ser em grandes plataformas). Se for em uma plataforma que não vise somente lucro, melhor ainda. Aqui no BR conheço a Libreflix. https://libreflix.org/

31 comentários

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  1. https://bombozila.com/
    “Bombozila é uma plataforma colaborativa de streaming fundada no Rio de Janeiro em 2016 por documentaristas independentes e educadores sociais, que acreditam no papel do audiovisual como ferramenta de transformação social.
    Nosso catálogo é dedicado exclusivamente aos documentários de impacto que promovem discussões relevantes e mudam realidades. Nossa curadoria é realizada mediante critérios de diversidade para garantir multiplicidade de territórios, olhares e vozes.
    Você encontrará filmes exclusivos da Bombozila e de diversos realizadores independentes da nossa rede, que contam histórias que importam para a justiça social no Brasil e América Latina.”

    1. Olá, Ines! Muito obrigada por ter recomendado esse streaming brasileiro de documentários “Bombozila”.

    1. Thiago, esse não conhecia ainda! Agradeço a recomendação!

    1. Não conhecia o Retina Latina, bem interessante, obrigado!

      1. Escreva link
        Tire os pontos antes dos as (coloquei só pra ficar visível o código). Onde está “url” você coloca a url do site e onde está “link” você troca pela palavra que você quer.
        Exemplo: Mubi (mas sem os pontos)

        1. Não apareceu aff. Reescrevendo aqui:

          1. Escreva:

          a href=”URL”>link</a

          2. Coloque um no fim. (não coloquei para não sumir o código que nem no comentário anterior. vamos ver se vai funcionar)
          Onde está “url” você coloca a url do site e onde está “link” você troca pela palavra que você quer.
          Exemplo a href=”https://mubi.com/”>Mubi</a

          1. Bom, quase deu certo, só sumiu os símbolos mas é só fechar os “>”. Um no início e um no final.

    2. Daniela, agradeço as recomendações! Não conhecia esse Retina Latina. Muito bom!

  2. O Making Off tem um acervo bem rico de documentários. São não sei se tem alguma coisa relacionada a esse tema especificamente.

    1. Nossa! Faz mais de dez anos que não ouço falar nesse site. Para entrar precisa de indicação?

      1. Eu acredito que sim 😅 infelizmente.

        Mas vez ou outra eles liberam a entrada de novos membros sem convite. Foi assim que eu entrei!

  3. Poderia falar mais disso de não violência, por favor? Gostaria de saber se é algo como o que imagino.

    1. Olá, nerd nóia. Como está? Essa é uma boa pergunta. Vou responder a partir da minha perspectiva, ok (na verdade, do que eu gosto hehe)?

      Não violência, para mim, é um modo político e ético de viver. Por “político” quero dizer não somente o macro político (planos e decisões governamentais e como eles interferem nas vidas das pessoas), mas também micro político, ou seja, observar como o poder é definido, exercido e por quem (Riane Eisler em O cálice e a espada em tradução de Tônia Van Acker, 2017). Por “ético”, estou me referindo a um conjunto de ideias e ações relacionadas à valorização da vida. Tais ideias podem ser expressas sob diferentes nomes, tais como não violência*, satyagraha (“firmeza na verdade”)4, “oferecer dignidade”5, “firmeza permanente” (utilizada pelo movimento brasileiro Queixadas de Perus-SP que realizou a greve não violenta mais longa da nossa história), entre outros.

      Há autores que podem ter sua obra considerada como parte da ética não violenta mesmo que não utilizem o termo. É o caso do Paulo Freire. Acho que qualquer um ou uma que persista lutando por sua autonomia de uma maneira que considere também as necessidades de seu “inimigo” pode ser visto como tal. Porém, isso não significa passividade, aceitar ações que te machuquem, mas num conflito observar o outro procurando qual seria a nossa humanidade compartilhada, o que temos em comum, apesar das palavras diferentes.

      Meus autores de maior interesse são o Marshall Rosenberg, que criou a Comunicação Não Violenta, e o Dominic Barter, que trouxe ela para o Brasil. O trabalho do Marshall acabou praticamente sendo transformado numa coisa de burguês, mas se você tiver paciência e tempo, pediria que desse uma olhada nos vídeos que tem dele no YT…
      O Dominic não tem livro, mas costumava postar no instagram. Os encontros de aprendizado com ele incluíam estratégias para cuidar de todos como: oferecer espaço para pedir carona, oferecer cuidado comunitário das crianças (pois muitos cuidadores de crianças deixem de ir a cursos por não terem com quem deixar), abrir a possibilidade de que quem não possa pagar não pague e não precise ficar pedindo desconto ou bolsa (ao final do evento são recolhidas contribuições de quem pode dar). Esse tipo de atitude me interessa, pois ajuda a repensar a realidade que nos é dada, uma realidade em que há mais competição do que cooperação…

      E, claro, tem o Gandhi, Martin Luther King, que são os maiores exemplos. Mas vendo eles, a gente pode acabar achando que é impossível fazer algo parecido, então é preciso ter cuidado para não mistificá-los e observar que eles tinham apoio de muita gente.
      Tem uma pesquisadora chamada Erica Chenoweth que pesquisa outros movimentos não violentos além desses citados. Recomendo o TED dela ou palestras mais longas como essa: https://www.youtube.com/watch?v=EHkzgDOMtYs
      No Brasil, temos a professora Lia Diskin, que dá aulas de meditação, ética e Cultura de Paz, também uma influência na minha vida.
      Mas de qualquer forma, acho que a não violência é mais feita por anônimos, através de pequenos gestos de cooperação que não são baseados na coerção de um “superior”, mas numa vontade interior…
      Ah, tem a bell hooks também, que fala muito sobre o amor (não o romântico) e como nossa capacidade de amar é configurada pelo sistema de dominação…

      *O termo “não violência” vem da palavra sânscrita ahimsa, porém é considerado uma tradução limitada deste conceito, pois o prefixo de negação no sânscrito tem um sentido mais positivo do que em inglês ou português. Por exemplo, a palavra abhaya, se traduzida literalmente, significa “não medo”, porém na verdade ela denota a noção de coragem. O que melhor define ahimsa é “amor em ação” ou “a força liberada quando o desejo de machucar é erradicado”. (Essa definição do é Michael Nagler no livro A terceira harmonia – a não violência e a nova narrativa humana traduzido pela Tônia van Acker.

      1. Ah, gostaria de ressaltar que o Gandhi, o Marshall, o Martin, a Simone Weil e outros não são contra o uso da força quando ela é necessária para proteger a vida…

      2. Amei a explicação, vou anotar as referências! Estou lendo o livro “Conversas Corajosas”, da Elisama Santos, sobre aplicar a não-violência nas relações e conversas, e tô gostando bastante, leitura leve, com vários exemplos e até resumos de cada capítulo ao final.

        1. Que bom que foi útil, Arthur!
          A minha trajetória nessa pesquisa é a partir das referências que citei, mas tem outras, muitas outras e haverão mais.
          A não violência as vezes parece uma utopia, e precisamos reconhecer que não é algo que se faz sozinho, mas que demanda disciplina. Pessoas como a Elisama ajudam a desmitificar a ideia de utopia e trazem uma leveza para essa questão árdua do exercício cotidiano do respeito. Li o livro Educação Não-Violenta dela e gostei, ela é bem didática inclusive mobilizando exemplos da própria vida. O Marshall Rosenberg também fez algo semelhante no livro Comunicação Não-Violenta: uma Linguagem da Vida. Eu gostaria de recomendar esse livro para você, mas a edição brasileira dessa obra não me agrada muito, colocaram um subtítulo na capa diferente do original e tiraram uma piada que o Marshall faz com as palavras “but” (mas) e “butt” (bunda) da língua inglesa. Ele diz que quando você está numa situação com alguém que está bravo nunca é bom colocar um “but/butt” na cara dessa pessoa.
          Creio que o desejo pela liberdade e auto-determinação e pela colaboração para com sua comunidade e seu meio seja algo comum a todos nós, sendo diferente apenas as maneiras que adotamos para cuidar disso. Maneiras ora cooperativas, ora destrutivas.
          Quando paro para refletir, percebo que a não violência pode ser encontrada em diversas manifestações humanas. Ela está na música de Bob Marley e Bob Dylan, na literatura de Tolstoi e P.Shelley e Thoreau. Como disse Violeta Parra: “Lo que puede el sentimiento/ No lo ha podido el saber…

    1. Pelo recorte eu também logo pensei na Ecofalante; no site já adiantaram a data da próxima edição (29 de maio a 12 de junho de 2024), que costuma ser presencial e gratuita, mas desde a pandemia continuam oferecendo parte da programação online. Além de outros já citados, sugiro também a plataforma do Sesc (https://sesc.digital/colecao/cinema-em-casa-com-sesc). Não tem só documentário, mas tem bastante. Dando uma olhada agora, 40% dos filmes disponíveis são docs, todos na área de direitos humanos, sociedade etc.

      1. Poxa, obrigado pela dica! Não conhecia esse streaming do Sesc.

        1. De nada. Eles começaram durante a pandemia (foi o que me salvou, até então não tinha nenhum streaming) e mantiveram. Tem muito filme clássico e atuais também.

        1. De nada. Também agradeço as dicas que conheci a partir do seu tópico. Aproveitando, ontem descobri que a Mostra Ecofalante também tem uma plataforma digital com os filmes, mas direcionada a educadores. Se for o seu caso (ou de mais alguém por aqui que possa se interessar), segue o link: https://play.ecofalante.org.br/