Um trecho do livro “Blood in The Machine – The Origins of The Rebellion Against Big Tech” (2025), que desmistifica a narrativa predominante — como sempre, disseminada pelos vencedores — de que luditas seriam contra a tecnologia e o avanço (na verdade, eram contra o abuso), conectando com a atual dominação e exploração big tech.
O autor argumenta que o sentimento de revolta contra essas corporações e seus bilionários hoje não difere daquilo que motivou o movimento no século 19.
8 comentários
Boa partilha, caro sol2070.
O mundo já ta mais do que precisando de um novo movimento Ludista.
Umas semanas atrás ouvi um podcast onde entrevistavam uns integrantes de um grupo chamado Luddites Club (nos EUA). São adolescentes que se saturaram dessas tecnologias e estão formando grupos voltados a uma vida mais “terrestre” (viver sem ou com pouca tecnologia, com especial recusa às “smart-techs”).
Se esse grupo fosse aqui no bairro, eu me juntava a eles. Tenho sido praticante da vida terrestre há tempos, com períodos de fracasso e de sucesso.
Estou trabalhando num projeto pessoal que chamo de “Telecomunicador”: um celular Android com ROM modificada de tal forma que no final, emula um Nokia antigo: um celular que apenas permite chamadas, SMS, email e algumas outras funções essenciais como mapas, notepad, etc. Não tem loja de aplicativos, não dá pra instalar nada por impulso. Não permite navegação na Web, exceto para alguns sites permitidos.
Isso tá na fase bem inicial ainda e admito, anda a passo de lesma, pois tenho tempo limitado pra essas coisas. Quem gostar da ideia e quiser contribuir, manda msg.
Não bastaria instalar uma ROM “degoogled”, como o LineageOS, sem microG e sem outras lojas alternativas?
Antes de chegar na etapa da ROM modificada, estou explorando soluções que modificam uma versão comum do Android, bloqueando tudo. Parece menos “puro” que uma ROM degoogled, mas o objetivo é que seja algo mais partilhável com usuários não técnicos — se a coisa funcionar bem pra mim, por que não compartilhar isso com o resto do mundo?
Se eu seguir o caminho de instalar uma ROM, seria algo tão técnico que tipo, se meu amigo “ludista” que mora em Portugal quiser um também… sem chance.
Ah, saquei. Como você está fazendo isso? Imagino que com um “debloater”?
Uso debloater tambem, mas isso é mais para fazer uma limpeza. A ferramenta chave pra remover/desabilitar funções é o adb (Android Debug Bridge), utilitario de linha de comando open-source usado para auxílio no desenvolvimento Android. Roda no PC com o celular conectado via USB.
Com isso da pra desinstalar loja de apps, remover o modulo “package instaler” o que impede instalação de APK (sideloading), e remover/desabilitar varias outras coisas que torna o sistema praticamente tão rígido quanto o velho Nokia. Nem mesmo um usuário avançado consegue burlar tais bloqueios apenas mexendo no celular — só mesmo em casa, conectado no PC, na linha de comando.
Boa. Eu tava até pensando também em comprar um cel daqueles antigos, só pra ligação. Na gringa que tem umas coisas legais do tipo. Vi um com tela de e-ink de bateria de uma semana.
Teve uma reflexão interessante sobre um celular “semi-dumbphone” recentemente aqui pelo Alberto Barbosa: https://manualdousuario.net/celular-alberto-barbosa/
Ele inclusive escreveu no blog dele sobre a experiência de passar 1 ano com esse aparelho.
Interessante. Obrigada por compartilhar. Estou lendo com atenção.