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Correr virou cultura e o mercado percebeu ismo.mov

Peço desculpas aos colegas por trazer um texto meio ruim e com o viés do marketing e à Thaiz Alvarenga, que assina o tal texto. O que me chamou a atenção aqui é o diagnóstico que bate com a convivência que tenho em alguns círculos de pessoas: o da transformação da corrida, de uma prática simples e democrática, em (mais) um mercado de consumo, ostentação e pretensão a estilo de vida. Dá preguiça, né?

Alguém mais notou? Alguém aqui embarcou nesse “rebranding” da corrida?

21 comentários

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21 comentários

  1. Sinto isso bastante no meu entorno sim. Corro há alguns anos com uma assessoria de corrida, e muita gente entra numa pira danada de ter o relógio x, o tênis y, suplemento disso e daquilo, mesmo tendo acabado de começar…
    Sem contar a performance midiática (motivacional e inspiracional, pavoroso) em torno de rede social, parece que sou o único corredor que não tem. Vou correr minha primeira maratona esse final de semana e teve quem ficasse indignado que eu não tenho um Instagram pra postar o meu processo e as pessoas acompanharem, só de pensar nisso me dá preguiça.
    Eu sigo com o mesmo relógio de quando comecei, o Garmin mais barato, um tênis adequado, e só comecei a fazer dieta e tomar gel de carboidrato depois de fazer meia maratona, quando comecei a treinar pra maratona.

  2. O que me pareceu é o que chamávamos, antigamente, de “síndrome do fundador”. A tradução seria algo como os mais experientes, “raiz”, incomodados com entusiastas novatos deturpando um suposto “sentimento puro”. Às vezes até é legítimo… só não entendi onde está a novidade disso tudo. E com relação ao interesse mercadológico, menos novidade ainda.

  3. Pelo menos aqui na minha cidade e no meio onde vivo, já faz bastante tempo que correr deixou de ser um mero exercício físico. Essa apropriação do capitalismo não é novidade, mas o caso da corrida acho que tem uma característica particular. Não é só gourmetização, parece que tem uma vibe meio Linkedin. A lógica de produtividade e auto-promoção que as pessoas levam no trabalho é transportada pro hobbie e pro cuidado com a saúde.

  4. Acho que essa apropriação do mercado é natural no sistema em que vivemos, e nem vejo muita maldade nisso. Acompanho algumas assessorias pequenas aqui da minha cidade que estão crescendo bastante nos últimos 5 anos, obviamente eles tentam vender alguns produtos além dos próprios planos (desde camisetas e meias aos géis de carbo), mas não é nada do tipo “você precisa disso ou não vai conseguir correr”, é aquele comércio local que gira em torno de um hobbie em comum.

    Tem gente que vai correr junto com a galera e nem paga plano nenhum, ficam pela amizade mesmo e correm por conta própria aproveitando as dicas das conversas que surgem. Acho que é um tipo de atividade que por mais que seja gourmetizada sempre será democrática.

    Pelo menos as pessoas estão se exercitando e se importando mais com a saúde.
    É muito legal ver gente com 60, 70+ participando das provas, interagindo na assessoria. Coisa que seria difícil de imaginar uns 30 anos atrás em que os médicos recomendavam “repouso” para idosos. Tem gente com sobrepeso superando os primeiros km, tem gente deficiência (na minha acessoria tem um cara que só tem uma perna e corre com ajuda de muleta).

    Enfim, há um ou outro que entra nessa pra ostentar um estilo de vida fabricado? Sim, tem. Mas no que eu percebi, é uma minoria e que poderia estar fazendo isso em qualquer outra atividade. Na minha experiência a maior parte corre pelo prazer de correr mesmo e pelo contato social que se forma em torno desta atividade.

    1. Realmente é muito legal ver o envolvimento do público mais velho. Tem gente que começa caminhando de bermuda jeans e camisa polo e com tempo passar a correr usando material esportivo. Além dos cumprimentos com acenos e sorrisos.

  5. Acho que embarquei um pouco na onda, mas somente porque passou a ser de longe um dos hobbies que eu mais me dedico, com dieta, fortalecimento e bastante volume de treinos toda semana, tendo começado em 2014. Mas acho meio desproposital “vender” isso para todo mundo como se fosse a coisa mais normal (eu não me acho nem um pouco normal rs). Um tênis confortável, uma roupa leve e acesso um parque ou rua mais tranquila permite a qualquer um adotar o esporte e usufruir dos benefícios. Continua sendo um esporte muito fácil de entrar. O mercado só criou a ilusão de que você precisa comprar um passe e entrar para um “culto” para participar.

  6. Pratico corrida há mais de dez anos e desde do começo percebo diferentes comportamentos dos praticantes. Da turma mais simples a galera da ostentação.

  7. Como bem falado nos demais comentários, esse é um movimento comum em qualquer área (hobbie, atividade esportiva, etc), ainda mais com o fetichismo do ‘eu’ na era das redes sociais.

    Enquanto isso, comecei a correr há cerca de 2 anos, e minha única preocupação é não me lesionar, não ter uma canelite, etc. Não tenho a menor intenção de participar de qualquer competição.

    Meu investimento?
    – Um relógio Amazfit GTS 4 Mini New (menos de R$ 500), que tem um bom GPS independente do celular.
    – Dois pares de tênis barefoot (da Vita Minimalista), que custaram menos de R$ 400 cada, e que são os mesmos tênis que uso para trabalhar, malhar, pedalar, sair, etc.

    Para mim, correndo entre 4km a 5km duas vezes na semana, está ótimo.

  8. Estranho quando vejo essa crítica, porque seguindo o que já comentaram: é o Capitalismo sendo Capitalismo, já ocorre há muito tempo e também é uma faceta da gourmetização.

    Como muita coisa no Brasil, é impulsionada por Instagram: vai comer, tira foto do prato; vai estudar, mostra uma mesa com cadernos bonitos na diagonal e canetas Stabilo; no caso da corrida, camisetas de equipes/assessorias, Garmins, medalhas e afins.

    Nos ambientes mais progressistas, acho que o ranço se dá pela associação da corrida com coaches, como um ex-candidato à Prefeitura de SP e todos os desdobramentos trágicos/tóxicos advindos dele.

    Como ex-praticante (parei por causa do calor excessivo e de não ter onde praticar de forma segura), acho bem-vindos equipamentos que usam GPS próprio ou do smarpthone para calcular distância percorrida, assim como marcar tempo, ritmo e calorias gastas. Era um saco contar voltas e fazer contas de cabeça durante a atividade, hahaha.

    Já na parte dos tênis caros, não fazem diferença real a atletas que não são de alto rendimento. Depois que descobri o Kalenji Ekiden One da Decathlon, um tênis levíssimo (180 g) e mais barato do que qualquer outro, nunca mais pesquisei sobre o assunto. Só entro na loja, vejo se tem meu número e vou embora.

    Em suma: acho que a “culpa” é das redes sociais como Instagram, que fomentam o narcisismo e ditam modismos.

  9. Vamos pro clichê.

    O Capitalismo, sendo o Capitalismo.

    Mas no final é isso mesmo, todo hobby deve se tornar uma forma de lucro ou até mesmo devemos transformá-lo em algo que podemos colocar algumas valor que não seja a mera diversão.

    1. o pessoal fica buscando resposta, mas é simples mesmo: capitalismo

      o mercado de bike é assim faz décadas!

  10. Cara, mas esse movimento é antigo e não acontece só com corrida.
    O povo chama de “gourmetização”, não gosto dessa palavra porque dá impressão de que algo foi melhorado, e não é isso que acontece.
    Hoje tentam lançar tênis “Bamba” como sendo grife, quando eu era criança era o tênis mais barato, ninguém queria ser visto usando um.

    1. Meia preta no meio da canela.

      Tinha um amigo que sempre era zombado por isso, agora é uniforme padrão de corrida.

  11. Dois fenômenos relacionados:

    Corro em uma avenida movimentada de São Paulo algumas vezes por semana, e dias atrás tinha um fotógrafo profissional fazendo fotos das pessoas correndo e anunciando o serviço de venda de fotos. Você precisa carregar uma foto sua no site (para reconhecimento facial) e comprar as suas fotos. Não comprei nem fiz reconhecimento facial. Ninguém fica bonito em foto correndo.

    No Bumble, a quantidade de gente que coloca fotos suas correndo é impressionante. Virou um signo de ostentação/sedução, sem dúvida.

    1. Eu acho isso um absurdo imenso. Ser fotografado sem consentimento e monetizarem a sua imagem. Fora a exposição. Perdemos completamente nossa privacidade e escolha.

      1. Acho que não há necessidade (legal) de consentimento pra ser fotografado em público no Brasil. A não ser que sua imagem seja usada para fins comerciais.

        (Também não gosto de ser fotografada em público sem consentimento.)

      1. Como normalmente corro em um circuito de 2km, sou fotografado umas 3 vezes por cada 3 fotógrafos. Com auto-disparo devo gerar umas 100 fotos por semana. Queria que tivesse uma pulseirinha pra bloquear ou que fosse uma convenção/código para não ser fotografado. Ainda assim tem fotos que saio como background de outras pessoas…

    2. nossa, isso das fotos me incomoda tbm. Eu só ando de bike, então tiram poucas fotos minhas. Eu acho bem esquisito. Eu me incomodei de ter q colocar meu reconhecimento, mas a curiosidade foi maior. No fim eu tava feia msm.
      Tbm me incomoda as pessoas individualmente se filmando/fotografando sem se preocupar com as outras.
      Na minha yoga tem um cara q se filma toda aula, eu não fico mais perto dele pq não quero estar no video dos outros. Pra q isso?