Quais as chances desse “Dia D da Soberania Digital” em parceria com a China (?) ser uma bobajada enorme?
(Pergunta retórica. Tem tudo para ser uma bobajada enorme.)
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Quais as chances desse “Dia D da Soberania Digital” em parceria com a China (?) ser uma bobajada enorme?
(Pergunta retórica. Tem tudo para ser uma bobajada enorme.)
Já fiz dois comentários aqui, mas agora sobre o texto em si.
1) Não gosto do Eduardo Moreira exatamente por esse tom “Rodolfo Botini” dele de vender.
2) O texto da Iara não faz sentido interno (ele não nos carrega sobre um fio condutor (aka concretude) que nos mostre um problema, uma discussão e uma conclusão, em resumo, o texto é vago e cheio de clichês de esquerda (coletividade, civismo, discussões etc). Não é um texto útil fora de um escopo militante. Mas é um texto bem escrito que cria a crítica necessária ao modelo de se apresentar as questões dentro do ICL (que tem bons cursos introdutórios ao turma da esquerda progressistas/reformista).
3) Não sei ainda como é e o que vai ser essa tal soberania digital, mas eu sei que sem esse alarde ninguém fala nada sobre isso e ninguém dá bola. Por exemplo, existe um modelo de IA feito no Brasil que nasceu na Unicamp. Esse é um bom exemplo de como podemos mos focar nessa soberania (controle de dados, legislacão, transferência de tecnologia, independência tecnologica e estimulo a pesquisa e a inovação) sem o espetaculo; mas daí, quem conhece a Maritaca.ai?
O texto é bom pra colar no servidor do Discord da Soberana e começar uma discussão que vai do nada ao lugar nenhum. A jornalista tem um ponto forte (o marketing agressivo e o estilo 011140meia do Eduardo Moreira e o fato de que até hoje ele não entregou nada, absolutamente nada, mesmo sempre se vendeu mjito bem; mas ele não avança em nada relevante, só joga no vento diversos clichês para captar pessoas progressistas (ela mesmo se coloca assim, em uma quase-oposição ao termo esquerda) que apenas irão concordar com o texto dela.
Finalizando, ela diz que provavelmente é uma joint-venture com alguma empresa privada da China. Isso não existe no mesmo molde ocidental. Todas as empresas, mesmo as 100% privadas, são reguladas e só tomam decisões estratégicas que estejam em conformidade com o governo chinês. Ou seja, qualquer parceria precisa passar e ser aprovada pelo governo chinês, ainda mais se envolve empresas de outro país e não apenas expansão.
Achei muito pertinente a crítica, mas também com suas contradições: escreve no substack. Pelo menos demonstra que soberania digital é realmente urgente, kkkk. Eu não gosto do estilo vendedor do Eduardo Moreira, mas ele tem feito um serviço de informação bem importante, e se está dando certo e chegando a mais pessoas, continue assim. Tem coisa pior.
[Insira aquele meme do camponês]
Acho o “flerte” com a China tão curioso, como se pq é chinês e não norte americano é eticamente melhor, acho tão trocar 6 por meia dúzia (não vi o doc tá, só tou impactada pelo flood de gente de rolê na China pago pelo puro suco do ~capital~ cof cof comunismo chinês)
Uma civilização de mais 5000 anos não é comparável com EUA, começa por aqui as diferenças, que são muitas. Talvez, justamente, por ser tão diferente a gente tem dificuldade (ou preguiça) de entender o que se passa por lá.
Nesse aspecto, não são comparáveis mesmo, mas isso foge à questão. No que importa — a soberania digital do Brasil —, qual a diferença entre ter como “parceiro” uma nação estrangeira? Soberania pressupõe independência e autodeterminação.
Usualmente a China tem contratos de subvenção bastante distintos dos que ocorrem com Big techs americanas, normalmente resultando em patentes para o país que recebeu o fomento (no caso o Brasil) e o compromisso com legislações ambientais vigentes, manutenção das legislações e da decisão final com o board brasileiro e uma série de outros pormenores que, no final do dia, evitam que o pais com menor poderio econômico seja subjugado de fato.
Tam bastante literarura pra gente sair do achismo e ter uma opinião mais embasada sobre essas parcerias com o governo chines.
Claro que jamais vai ser uma parceria como era na URSS. Só oa URSS era internacionalista e tinha o coração grande. A China é capitalista social-democrata com economia planificada e governo centralizado, bem longe do socialismo internacionalista soviético. Mas ainda assim é muito melhor ter uma parceria com a China do que com os EUA (que por onde passou destruiu os locais, ao contrário da China).
A grande diferença aqui é perceber que a China não é internacionalista.
Isso não é uma crítica pessoal, mas, o grupo e pessoas que formam o Manual do Usuário é um grupo de reformistas-democráticos que crê na reforma do capitalismo para que esse mantenha as suas bases (justiça burguesa + democracia burguesa) para nos levar à uma sociedade semelhante a que temos hoje na UE (que é insustentável sem uma enorme base de países para serem explorados). Nada contra (nem a favor), mas essa sociedade não é factível e apenas serve como um band-aid no capitalismo, não rompe e não muda nada no cenário futuro para quem não tem acesso a educação, moradia, renda e alimentação.
Não que um acordo com a China vá mudar isso, mas, temos mais a ganhar com a CHina do que com os EUA. Não é a mesma coisa. Assim como não seria a mesma coisa um acordo com a Rússia.
Vou esperar ver o que vão anunciar pra meter o bedelho. Vi que adiaram o anúncio. Eu imagino que é uma joint venture com alguma empresa chinesa, pra desenvolver modelos aqui, as vezes até meter uma infra aqui mesmo também etc.
Se for isso, eles estão usando uma definição extremamente limitada de “soberania digital”, similar à que as big techs estadunidenses adotam ao vender “nuvem soberana” ao governo brasileiro.