O “problema” de software da Apple e como “corrigi-lo”

iPhone X no braço do sofá

Nota do editor: Steven Sinofsky trabalhou na Microsoft por 23 anos. Lá, passou a maior parte na equipe do Office e supervisionou todas as versões entre o Office 2000 e 2007. Posteriormente, liderou o desenvolvimento do Windows 7 e, em 2009, assumiu a presidência da divisão Windows. Saiu da Microsoft no último dia de 2012 e, hoje, é conselheiro da Box, da a16z e escreve regularmente sobre a indústria em seu blog no Medium, Learning by Shipping.


1/ “A Apple tem um problema de software. Veja como ela planeja corrigi-lo”. Vamos dar um passo atrás e falar sobre o contexto mais amplo e o desenvolvimento de produtos em escala.

2/ Vários pontos importantes estão combinados na ampla discussão sobre a Apple e software:

  • Qualidade;
  • Ritmo de mudança;
  • Funcionalidades “versus” Qualidade;
  • Inovação.

3/ Analisando o todo, é importante reconhecer que, no geral, o trabalho que a Apple vem fazendo em hardware, software, serviços e até mesmo inteligência artificial/aprendizagem de máquina é impressionante e sem precedentes em escopo, escala e qualidade. Não digo isso por mera gentileza ou ironicamente. Apenas é.

4/ Poucas empresas fizeram tanto por tanto tempo em um nível alto de consistência. Tudo isso se baseia na aposta feita na base do código da NeXT e a mudança para a Intel no macOS, além do iPod, que começou a jornada em que estamos até hoje.

5/ O ritmo de mudanças tem sido notável. Nos dez anos posteriores à aquisição da NeXT pela Apple, o OS X foi reinventado em uma arquitetura completamente moderna. E na década seguinte, o iPhone evoluiu daquele código para onde estamos hoje.

6/ Deve-se considerar que, naqueles 20 anos, houve lançamentos a cada 12-18 meses por todo o período. Embora alguns tenham sido maiores ou menores, não havia nada muito comparável em lugar algum e certamente nada sem grandes lacunas. Havia algumas grandes apostas em arquitetura que se desenrolavam ao longo de anos.

7/ O Microsoft Office ganhou novas versões de 18 a 30 meses no período aproximado de 1990-2010, mas teve um início instável, então pode-se dizer que a partir de 1995 ele manteve essa cadência. Hoje, porém, ele recebe meio que só recebe mudanças visuais modestas para ser uma espécie de SaaS (software como serviço).

8/ O ritmo, o escopo e a qualidade da mudança não tem precedente na indústria. Isso é mérito de toda a equipe, especialmente da liderança com Jobs e Forstall (e das pessoas que estão no comando agora). A Apple estava causando uma disrupção no mercado de PCs com uma abordagem única, mas ninguém percebia.

9/ O único projeto comparável seria o IBM System/360 — a criação do hardware e software IBM 360. E o PC, é claro, mas a escala (mesmo na época) era muito menor. O Windows NT claramente tinha o escopo/escala do software, mas tinha sido feito antes (VMS) e construído em cima do hardware de PC.

10/ Uma fantástica leitura sobre a história do IBM 360 pode ser encontrada aqui — uma leitura obrigatória para quem pensa estar criando um monte de coisas novas em escala. A IBM inventou tanto. Excelente livro!

11/ O que se ignora em toda essa discussão recente é a nuance entre recursos, cronograma e qualidade. É como debater com um consultor financeiro a respeito de renda, risco e crescimento. Você não simplesmente aparece, diz que quer todos os três e recebe como resposta um “ok”.

12/ Por outro lado, é precisamente isso o que a Apple fez de forma tão confiável por mais de 20 anos. Mas, nos bastidores, há uma discussão constante sobre equilibrar essas três pernas do tripé. Você tem que ter todos eles, mas você “não pode”, mas você precisa. É por isso que eles são muito bem pagos.

13/ Na prática, ao criar o Office (e, mais tarde, o Windows), sempre que alguém da equipe entrava em pânico e perguntava “trabalhamos com prazos, orientados a funcionalidades ou pela qualidade?”, nós suspirávamos e pegávamos uma cadeira… Isso era tão comum que apenas dizíamos ser a “conversa #37” e seguíamos em frente.

14/ Um projeto maciço como um sistema operacional (somado ao hardware e à nuvem) é como uma grande carteira de investimentos. Algumas coisas funcionarão (no mercado) e outras não, algumas coisas são projetadas para dar retorno imediato, algumas são apostas seguras, algumas são investimentos de longo prazo. E há alguns erros…

15/ Os clientes não se importam com nada disso e está tudo bem. Eles apenas buscam o que lhes importa. Cada um avalia através de seus próprios critérios. O brilho da Apple está em focar basicamente em dois públicos — usuários finais e desenvolvedores —, tendendo a dar menos atenção ao mais geek, mesmo os de tecnologia da informação (TI).

16/ Quando você olha para um recurso como o Face ID e e refaz todo o caminho até o Keychain [gerenciador de senhas da Apple] — repare o tempo que um pensamento de longo prazo pode levar [para fazer sentido] em um recurso e o tanto de bom trabalho que pode passar despercebido (ou mesmo “fracassar”) por anos antes de emergir como uma grande vantagem. Isso é visão a longo prazo e foco.

17/ Essa abordagem é bastante única em comparação a outras empresas de tecnologia, que tendem a desenvolver coisas novas quase independentes de todo o resto. Então novas coisas surgem e se parecem mais destacadas ao lado do que já existe. (A Apple é capaz de fazer isso, mas não é comum).

18/ O tempo todo, enquanto as coisas estão sendo construídas, a equipe é apenas uma equipe de desenvolvimento tentando chegar a um cronograma confiável e corrigir erros. Isso é apenas desenvolvimento de software.

19/ Não há nada de mágico aí. Voltamos a um ato de equilíbrio. Empresas maduras gerenciam isso o tempo todo. Existem processos e abordagens que você usa para que nunca enfrente a noção absurda de que se trata de um jogo de soma zero entre qualidade, cronograma, recursos.

20/ O que acontece com um projeto crescente ao longo do tempo é que processos e abordagens precisam ser repensados. Isso significa apenas que as coisas uma vez dimensionadas — ferramentas como a decisão de funcionalidades, prioridades, estimativas de prazos, teste de integração, etc. — já não estão sendo dimensionados tão bem. Acontece ¯ \ _ (ツ) _ / ¯

21/ O que acho que está acontecendo na Apple agora não é nada mais dramático que isso. O que eles estavam fazendo chegou a um ponto em que precisa ser ajustado. A realidade é que, para muitos na Apple parece algo dramático porque pode ser a primeira vez que eles passam por uma mudança de “sistemas” substancial.

22/ De fora, parece mais dramático. As pessoas procuram por causa e efeito. Como no Windows: as pessoas diziam que “precisa de uma grande mudança ‘por causa’ do Vista”, quando, na realidade, o sistema só precisava amadurecer. O Office teve uma grande mudança de sistema em 1998, mas ninguém falou sobre isso fora ter sido um “momento” de ausência.

23/ Na minha opinião, o “momento” está sendo construído um pouco agora por causa da percepção de que os produtos da Apple se tornaram menos estáveis ​​ou… mais “bugados”. Aqui é onde os “sinais” sobre o estado do mundo podem ficar confusos.

24/ Em qualquer sentido absoluto, a qualidade do iOS/macOS e do hardware está em níveis nunca antes vistos na nossa área. Pense na escala do lançamento do iPhone X. De zero a 30 milhões de unidades em questão de meses. Isso é loucura. E funciona melhor/é mais confiável do que qualquer outra coisa que eu possa comprar.

25/ Como isso explica o sentimento geral de “bugados” que muitas pessoas super inteligentes/qualificadas dizem ser o caso desses produtos? É por causa da profundidade e escala de uso que vêm com sucesso. Uma responsabilidade.

26/ Veja, erros existem. Você (e a Apple) pode fazer uma lista deles. Mas, principalmente, isso é sobre mudanças. Eu sei que as pessoas dizem que não é o caso, mas é. Em qualquer escala de números absolutos, os erros — algo que não funciona, perda de dados, erros de suspensão — no iOS/macOS ocorrem hoje em menor número hoje do que em qualquer momento anterior.

27/ Eu não posso provar isso, mas também trabalhei em alguns projetos realmente grandes, onde as pessoas diziam o mesmo e nós tínhamos toneladas de dados. A Apple tem os mesmos dados. O que é diferente é que, na escala, um bug que ocorre com 0,01% das pessoas é um monte de gente. Um estádio cheio ou mais.

28/ Ninguém em lugar algum entregou um produto de propósito geral de software+hardware em escala de um bilhão [de usuários] oferecendo uma experiência tão ampla, robusta e consistente. Não temos uma medida para o que significa “alta qualidade”. Posso dizer que, em qualquer sentido absoluto, a Apple ultrapassou todos os outros.

29/ Quando um produto é muito usado, as pessoas mais sensíveis sacam como ele funciona. O cérebro humano é extraordinário na forma como reconhece até mesmo as menores mudanças na capacidade de responsividade, desempenho e sequência das operações.

30/ É incrível como as menores mudanças podem desorientar. Costumávamos dizer como isso está enraizado em instintos primordiais de sobrevivência — a capacidade de detectar um tigre na grama que poderia saltar para nos comer. A mesma habilidade para detectar pequenas mudanças nos deixa irritados com computadores.

31/ Mas o que acontece com uma equipe à medida que a complexidade evolui é simplesmente o desafio da coordenação e, mais importante, a consistência ou o nivelamento das decisões em um sistema complexo. Isto é particularmente agudo se a maior parte da equipe só conhece os últimos anos de sucesso.

32/ Então, a Apple apenas renovará o processo de engenharia. Significa pensar sobre como o risco é analisado, como os esquemas são construídos, como as prioridades são definidas. Isto é literalmente o que significa executar um projeto e o que todos nós estamos pagando para [ela] fazer.

33/ A Apple tem mais dados e compreensão para fazer ajustes do que qualquer um. A única coisa que penso que é justo dizer do lado de fora é que isso não é tão dramático quanto se está tentando fazer que pareça…

34/ Tenha certeza de que isso tem sido feito durante alguns ciclos. Especialmente nas pontas da empresa, onde provavelmente se teve a sensação de “nossa, está ficando mais difícil fazer as coisas” ou no topo dela, onde provavelmente a sensação era de “hmmm, isso deveria estar mais adiantado”.

35/ A ideia, porém, de que esta é uma mudança enorme para se concentrar em uma dimensão do processo geral do produto — qualidade OU funcionalidades OU prazos — é simplesmente absurda. Nada em escala é pensado ou executado dessa forma.

36/ Você inicia um projeto com aspirações. Você começa com um conjunto conhecido de funcionalidades. Você tem um prazo. Construir um plano é iterar em todas essas limitações. Pessoas diferentes na equipe/empresa fazem contribuições diferentes. É um processo iterativo.

37/ Grandes projetos mal executados são “orientados a prazo” ou do tipo “estamos fazendo todo esse negócio” (a famosa “síndrome do segundo sistema”). Os projetos enfadonhos são “estamos corrigindo bugs” (costumava chamar isso de “reindentar todo o código-fonte”).

38/ Grandes projetos bem executados observam todos os sistemas e têm uma visão de longo prazo e desenvolvem um portfólio sobre o que fazer, onde e quando. É assim que você consegue apresentar algo como um novo sistema de arquivos que leva anos para ser feito. Ou um Face ID definitivo. Ou, de repente, tem toneladas de recursos da nuvem.

39/ Em última análise, na Microsoft, costumava ter a “conversa #37” nestes cenários:

  • Engenheiro quer fazer nada além de corrigir o código // BUG BUG
  • Vendas queria novos produtos todo ano com novas cotas
  • A imprensa gostaria de uma novidade por mês
  • Geeks — renovação da interface principal, novas opções sob demanda
  • TI — nenhuma mudança, jamais :)

40/ Mas um produto em escala atende a todas essas necessidades e uma equipe de liderança forte tem uma visão de longo prazo e, mais que isso, sabe por que a empresa existe e o que ela quer fazer. É assim que um plano é desenvolvido. É isso que significa construir em escala.

41/ Algumas pessoas dizem que “ah, os produtos de consumo precisam de lançamentos anuais” ou “a empresa precisa de valor constante para SaaS”. A única coisa de que você precisa é fazer bons produtos quando você os possui. No esquema das coisas, timing de mercado, exceto para produtos sazonais, não é como se escala para um bilhão [de usuários].

42/ O melhor exemplo de ser pego em seu próprio mito do timing foi como Detroit decidiu por [ciclos de] cinco a sete anos para carros até que o Japão passou a fazer isso em três. Mas, agora, os redesigns levam mais de sete anos porque a necessidade de fazê-lo é muito menor do que o custo.

43/ Growth hacking ou “mova-se rápido e quebre coisas” [“move fast and break things”, antigo lema no Facebook] parece ótimo até que deixa de ser. Isso, em especial, não funciona/nunca funcionou no mundo corporativo. Novamente, a adoção de uma metodologia que não tenha a criação de um ótimo produto nunca funciona. O “tempo de Internet” foi meio que um fracasso na primeira vez.

FIM/ Então, para mim, no que diz respeito da Apple, mesmo como alguém de fora, sinto-me confiante em dizer que isso não é reacionário/uma crise ou uma resposta a externalidades. Importante: não é uma mudança maciça. É uma evolução metódica e previsível de um sistema extremamente robusto e comprovado.

Publicado originalmente no Twitter e no Medium em 12 de fevereiro de 2018.

Foto do topo: Aaron Yoo/Flickr.

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19 comentários

  1. Tive séries dificuldade de acompanhar o raciocínio dele em tópicos – esse é o pior método de passar uma ideia, pode funcionar para uns mas é bastante dispendioso em termos de processamento cognitivo-linguístico – o que me obrigou a voltar várias vezes nos tópicos pra tentar entender o que ele quer falar exatamente. Não consegui =)

    Resumindo: usei Apple desde a época do “Beige” e passei pelas mudanças do OS 9 pro OS X e pro macOS e digo que sim, ocorreu uma degradação visível no sistema como um todo. Antigamente era bizarramente incomum, mesmo no 9, se deparar com um bug de software da Apple em si (normalmente ele vinha de terceiros) e por isso tinha-se a ideia de um sistema robusto e quase inexpugnável. O salto maior, porém, veio quando eles mudaram a base deles pro Unix (que o autor chama erradamente de “base NEXT[STEP]”, não era, era/é uma “distro Unix”, assim como NEXTSTEP + código BSD) e com isso vieram todas as facilidades para desenvolvedores e, principalmente, as facilidades da linha de comando.

    O segundo pulo, pra Inter, foi menor e o grande salto dessa versão foi poder rodar Windows no hardware Apple (que, com a Intel, nem era mais exclusivo; inclusive tenha saudade dos PPC e por isso mantenho um G4 até hoje comigo) e isso abria as possibilidades de se usar uma série de programas e jogos que jamais chegaria num Mac. Pra mim esse é o grande pulo da Apple da segunda era Jobs. O resto é pirotecnia.

    ~~

    Sobre bug, acho que temos problemas que não ocorreriam se a Apple mantivesse um sistema de rolling release ou mesmo um ciclo mais longo como antigamente, eles adotaram esse padrão híbrido – que o Ubuntu já usava faz tempo – de ser semi-RR e assim perdem a movimentação rápida da RR e a estabilidade do ciclo de desenvolvimento mais longo.

    E sim, como ele diz, uma coisa é ter o seu produto em 100 mil dispositivos, outra é ter em 1 bilhão. A Apple vai, cada vez mais, sofrer dos mesmos problemas que a MS tem com o Windows de bugs, inconsistências (o macOS tem isso já,. uma parte do sistema parece correr pro iOS enquanto a outra ainda se mantém com os pés no desktop) e críticas de usuários – tirando a fanbase. Sem falar no hardware cada vez mais pulverizado (com diversos modelos de telefones, tablets, notebooks e desktops), coisa que é uma realidade nova pra empresa e pros usuários (ambos acostumados com um grande muro ao seu redor, com tudo sendo perfeitamente calculado pela Apple e seguido a risca pelos usuários).

  2. Posso dizer que uso produtos Apple há um bom tempo, MacBooks há uns 8 anos e alguns iDevices…mas uso iPhone há cerca de um ano e meio.

    Nesse exato momento, estou com o irritante problema da USB atrapalhar o Wi-Fi no MacBook (que nem é exclusivo dos Macs e sim do USB-C) e fui um dos que sofri com bateria e bugs no iOS 11. No caso do iOS, foi especialmente irritante que eu atualizei uma semana antes de viajar…fiquei convivendo com esses problemas quando mais precisa do smartphone.

    Se isso é pior que outros anos? No meu uso parece, mas acho bem complicado mensurar isso de forma objetiva, longe de eu ter certeza que piorou. Além disso, tem a própria percepção, 10 bugs de interface nem se comparam a problemas com Wi-Fi em um notebook (que nem é culpa da Apple aparentemente).

    Mas uma “vantagem” de comprar produtos da Apple é todo o estardalhaço que qualquer problema gera, qualquer bug relevante que afete 100 pessoas aparecerá em uma matéria nos blogs de tecnologia. Fora que aumenta as chances da Apple lidar adequadamente, como foi o caso das baterias.

    Pensei em comprar um Dell XPS, mas esse foi um dos fatores que me deixou com o pé atrás, ainda mais sem garantia. Conheço várias pessoas reclamando de bugs gravíssimos característicos de alguns modelos, mas que obviamente não geram nenhum buzz na mídia. O mesmo vale para smartphones, exceto outros high-end como Galaxy S e Pixel por exemplo.

    1. Eu acho que não tem a menor comparação um iPhone com qualquer Android.
      Minha mãe usa até hoje um iPhone 5C e ele é mais rápido do que modelos low/mid-end Android de agora (e por um preço bom até se você for comprar usado).

      Em smartphones a Apple, mesmo com os problemas que teve em alguns modelos e versões do iOS, ainda está muito na frente do Android (ok, talvez no Pixel e na série S da Samsung ela esteja em pé de igualdade, mas de resto … ).

      E o estardalhaço é porque a maior parte de jornalistas/pessoal da comunicação idolatra a Apple pelo que a empresa fez no início dos 2000 e pelo status que ela representa. Formadores de opinião usam macOS, então, eles vão soltar o verbo em qualquer atualização errada, bug ou quebra de sistema da Apple. Isso é bom pra quem usa (até certo ponto) porque cria o sendo de comunidade ao redro da marca e uma boa pressão (como você disse) na empresa pra corrigir o erro o mais rápido possível. Mas, apenas pontuo que não tem relação com maior ou menor agilidade ou mesmo metodologia de desenvolvimento, é pura pressão do cliente.

      1. Low end como um Moto C? Pq um iPhone 5c não é mais rápido ou estável que um Moto G5 Plus

        1. Moto C Plus tem 1GB de RAM e o G5 Plus tem 2GB. 2GB é a mesma quantidade de RAM do meu Alcatel A3 XL. Acredite, o 5C é mais rápido do que um Android com 2GB de RAM + A53.

          Mas provavelmente ele será mais lento do que um Moto G5S Plus (que tem 3GB).

          1. Tá, mas o que tem a ver o G5 Plus com o A3 XL? Comparar apenas RAM e arquitetura de núcleos não possui validade alguma. Dane-se se o 5c só tem 1 gb de RAM, ele é um ex top de linha, continua com um chipset mais potente que o usado no Moto C ou A3, mas não é superior ao snapdragon 625 do Moto G5 Plus. O iPhone 6 já não é mais rápido que o Moto G5 Plus, quem dirá o 5c. Mas usado dá pra achar por 400 reais, não é muito, é um aparelho bem decente, único problema é o sistema e a migração dos apps para 64-bits, o 5c já está morto. Por isso recomendo somente o 5s, isso se estiver a 550 reais no máximo.

          2. Acho o 5C mais rápido do que o A3, G5 e Moto C porque eu uso/usei esses três e a percepção é que no iOS do iPhone 5C ainda é mais fluido no uso diário.

            Comparar hardware sem se preocupar com o software que toda atrás não é inteligente.

            E o iPhone 5C não era exatamente top de linha, ele era uma opção barata na época, com um bom hardware e um SO ótimo.

          3. Ele era um iPhone 5 de plástico, não era barato pelo menos no Brasil.
            Contra o Moto G5 não sei, mas contra o G5 Plus perde. Sei pq já usei. Usei iPhone até o 7, o valor não foi sustentável para o que o aparelho oferecia perante a concorrência, ele é excelente, incrível, mas nada que meu OnePlus não seja, só que meu aparelho Android é mais rápido, mais estável, bateria dura mais e a diferença de câmera não é absurda (iPhone 7 é inferior ao 7 Plus e a Google Câmera no OnePlus faz milagres). Única coisa que sinto falta, e não é pouca, é a resistência a água, pq estraguei o leitor de digitais do meu Nexus por causa de suor

          4. No Brasil nunca foi barato, de fato, mas a ideia era ser um iPhone acessível e barato, feito pra quem não queria/precisava ter um iPhone da linha.

            Eu usei o G5 e o G5+ quando eu estava sem telefone e ambos eram menos responsivos do que o iPhone 5C. Porque eu não sei, mas eram. Pelo hardware eu tenho certeza que o G5S+ é muito melhor.

            O grande problema do Android é que ele deteriora muito mais rápido se não for um top de linha e, convenhamos, por mais que as empresas foquem todos os seus esforços nesse segmento é uma parcela muito pequena da população que realmente usa estes aparelhos. Mesmo assim, acredito que a vida útil do iPhone seja maior do que a de um Android top de linha.

          5. Com o sistema original talvez, apesar de que atualmente as coisas melhoraram muito para aparelhos Android top de linha ao passo de que caíram para a Apple. Mas não nego que provavelmente o 5c consiga ser melhor que o Moto G5, mas repito, o G5 Plus é melhor, já passou 2 na minha mão fora os de parentes e amigos, o aparelho consegue facilmente ser mais rápido que um iPhone 6, talvez perdendo na hora de rodar jogos. Isso falando somente de processamento e SO, o resto não preciso mencionar. O valor de um G5 Plus usado está em torno de 550 reais, mais barato que o 5s, sendo melhor.

  3. Dizer que o trabalho da apple em inteligência artificial é algo sem precedentes é um exagero sem tamanho.
    E mais: é mostrar que não conhece os concorrentes.

    Outro exagero é dizer que a qualidade do iOS/macOS está em níveis nunca antes vistos. Quem usa ios/macos há tempos sabe que estes dois estão na pior fase. E as noticias não me deixam mentir.
    E quem não tem visão fechada e conhece os concorrentes, sabe que estes não devem nada pra dupla ios/macos.

    1. Poxa, mas você simplificou totalmente o argumento do Sinofsky para tecer essa crítica. Ele não diz que o trabalho em inteligência artificial é sem precedentes; diz que a soma de todas as iniciativas é sem precedentes, que manter essa consistência num ritmo forte de lançamentos, por duas décadas, é algo que nunca ocorreu.

      Quanto à qualidade, é como ele diz também: há tanta gente usando que um bug que afete 0,01% da base significa afetar milhares de pessoas. Tomar evidências anedóticas é sempre arriscado quando se fala em cenários macros.

      1. É que esse trecho é que ficou estranho: “Analisando o todo, é importante reconhecer que, no geral, o trabalho que a Apple vem fazendo em hardware, software, serviços e até mesmo inteligência artificial/aprendizagem de máquina é impressionante e sem precedentes em escopo, escala e qualidade.” Dá claramente a entender que a Apple é a melhor. Faltou o trecho ” dentro de sua própria história”, pq isso não vale para todo o contexto mercadológico atual. Como o amigo disse acima, não é o melhor momento da Apple.

        1. Mas o argumento dele é justamente esse, de que, no conjunto que engloba todos esses aspectos, ninguém chega perto do que a Apple faz.

          E, sei lá, eu realmente não consigo pensar em outra empresa que esteja fazendo hardware, software e serviços numa escala de bilhão de pessoas há duas décadas, tudo isso de maneira consistente. Você consegue pensar em outra?

          1. Mas a Apple não atingiu a casa dos bilhões antes de 2012. Não existe décadas aí.
            E sim, consigo pensar em empresas atingindo a escala de bilhões de forma recente (sendo sensato, já que nenhuma estava em bilhões durante essas décadas mencionadas e todas tiveram tropeços no caminho), como Google, Microsoft e Samsung. Todas tiveram erros, todas somente atualmente conseguiram consistência em seus caminhos, e todas são como a Apple. A maçã fez revolução no começo, com o ipod, com o PC que a Microsoft quem popularizou, com o iPhone em 2007, mas esses picos altos são raros, o resto é linha reta e muitas falhas, principalmente recentemente. As outras erraram bastante também, mas olha só a Google dominando muito, a Microsoft nos PCs, a Samsung produz tanto em tantas áreas que faz o mundo da Apple parecer menor ainda. Eu, como verdadeiro entusiasta de tecnologia, não consigo ver a Apple como uma fada no meio de bruxas, mas sim como uma maçã no meio de uma salada de frutas, as vezes tá mais doce, as vezes é o que estraga a salada.
            E antes de comentar sobre o Windows 10 e sua adoção que não consegue ultrapassar versões antigas do sistema devemos entender o pq da maioria das empresas (como mercados, bancos, governos, etc) ainda usarem o Windows 7 ou XP, e não é pq o Windows 10 é ruim, nem de longe.

          2. Google: só começou a fazer hardware recentemente. É a que tem a proposta mais robusta frente à da Apple, porém é absurdamente imprevisível. Coisas mudam de lugar, serviços e produtos são descontinuados do nada (e deixam o usuário na mão) etc.

            Microsoft: fracassou duas vezes com sistemas operacionais móveis, só começou a fazer hardware recentemente, cometeu o Windows 8, serviços para consumidor doméstico sempre foram uma tristeza (só começou a acertar recentemente).

            Samsung: dependente do Android e o pouco de software e serviços que faz por conta própria é simplesmente (bem) pior que a concorrência.

            Longe de mim dizer que a Apple não comete erros. Também não estou falando (e nem o autor do texto) que a Apple tem a melhor proposta para o consumidor. A questão é simples e objetiva, por isso acho que ela não comporta muita a tua argumentação subjetiva: nos últimos 20 anos, a Apple foi a que entregou melhor e de maneira mais consistente ao usuário final.

          3. Por isso que gosto do Manual, você é claro no que diz, mais do que o autor do texto original. Devo concordar com o que diz sobre o Google, essa deficiência de simplesmente matar um produto ou serviço do nada é absurda. O mesmo vale pra Microsoft, só que ao contrário, ela continua chutando cachorro morto, só que quando ela acerta ela realmente acerta.
            E esqueci de mencionar a Amazon, que também tem um excelente histórico, inclusive em hardware, e em inteligência artificial consigo vê-la em pé de igualdade com a Google, oferecendo excelente hardware também, serviços ótimos e com um excelente marketing e jogadas de mercado.

          4. Entregou para o usuário rico final, diga-se de passagem.

          5. Na dinâmica capitalista em que a gente vive, regra geral você recebe pelo que paga. (Não que eu ache isso legal ou bonito, muito pelo contrário; mas…)

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