Moto Maxx na mesa.

[Review] Moto Maxx, o melhor Android não é para todo mundo


16/12/14 às 20h18

O primeiro Moto X era um verdadeiro flagship: apesar do Snapdragon S4 Pro “datado”, seus componentes internos eram bem rápidos e no uso diário ele não ficava devendo em praticamente nada a seus concorrentes. Mas o povo implicou com núcleos e nomes comerciais, então na segunda geração a Motorola colocou o SoC com o nome mais comercial possível e repleto de números enormes. É o que o povo quer? Então toma. E não parou ali. Poucos meses depois surgiria o Moto Maxx, um smartphone um degrau acima em quase todas as especificações que você encontra nos modelos topo de linha de 2014.

O Moto Maxx é grande, robusto, poderoso. Tem a maior bateria já vista em um smartphone. É rápido, tem uma tela com mais pixels do que você consegue enxergar e, não bastasse tudo isso, um acabamento único. São muitos predicados positivos. Juntos, eles se sustentam? Existe smartphone melhor atualmente? É o que veremos nesta análise.

Números (muito) enormes

Com 5,2 polegadas, o Moto Maxx não chega a ser enorme.

É difícil destacar o ponto alto do Moto Maxx, mas pensando um pouco aqui me dei conta de que o próprio nome do aparelho, reminiscência do RAZR MAXX de 2012, serve como uma boa pista. É a bateria que se sobressai entre tantas boas características, afinal são 3900 mAh. Para colocar em perspectiva, é quase a capacidade de tablets — a do G Pad 7.0, um dos mais em conta que já passaram por aqui, tem 4000 mAh.

Com um SoC super rápido (e econômico) e uma tela grande e de resolução QuadHD, ou com 1440×2560 pixels, não é como se ela fosse eterna, porém. A Motorola promete autonomia de 40 horas, o que é um bocado; nos meus testes de uso moderado ela não chegou a tanto, mas teve um desempenho claramente acima da média. Se você se esquecer de colocá-la para recarregar antes de dormir, grandes são as chances de começar o dia seguinte com carga suficiente para chegar ao trabalho e espetar o Moto Maxx na tomada antes que ele morra por inanição de energia.

Tomada, aliás, é o meio mais indicado para recarregar uma bateria tão grande. Pela porta USB do computador periga você passa horas esperando pela carga máxima. A Motorola manda junto com o Moto Maxx, na caixa, um carregador “turbo” que faz jus ao nome. É tão bom quanto os carregadores do iPhone, o que significa que se meia hora antes de você sair notar que a bateria está nas últimas, consegue dar uma carga usável enquanto toma banho e se arruma. O único problema é perdê-lo, ou caso você queira um sobressalente, já que ele não é vendido separadamente no Brasil.

Além da semi-dependência do carregador especial (outros USB fazem o trabalho, só demora mais), a bateria gigante impactou no peso do Moto Maxx. Com uma tela de 5,2 polegadas, seus 176 g são notáveis — a título comparativo, o Xperia Z3, que tem uma tela do mesmo tamanho, bateria de 3100 mAh e materiais mais nobres em sua construção, como aço e vidro, pesa 152 g, ou 13,6% menos.

São 8,3 mm de espessura.

Não que seja muito incômodo como, por exemplo, são os phablets de 6 polegadas. Só é perceptível. Eu prezo muito a leveza em smartphones, não a extrema como a de um Onetouch Idol, mas aquela que permite o manuseio sem esforço, como do iPhone e Galaxy S5. Isso, o Moto Maxx não entrega. O que, de certa forma, combina com sua proposta de robustez. E deve existir quem goste, claro.

Não é só no peso que ele intimida. O acabamento na parte de trás é de Kevlar revestido com nylon balístico. Em termos mais diretos, é um pano bem resistente, algo único na indústria e cujo efeito é bem agradável, ainda que o conjunto visual divida opiniões. Eu o achei meio feio, em parte por preferir designs mais delicados, e um tanto também pelos botões táteis na interface, um retorno desnecessário ao passado — todos os Motorola atuais, até o Moto E de entrada, usam botões virtuais na própria tela. E fica o receio de que o nylon desfie com o tempo. Não aconteceu com a minha unidade durante as quase duas semanas de uso, mas há relatos do problema espalhados pela web.

Moto Maxx, um smartphone superlativo

Detalhe da tela e botões táteis do Moto Maxx.

Os superlativos do Moto Maxx vão além da bateria. Ele vem equipado com um SoC Snapdragon 805, 3 GB de RAM e, o que é bem legal, 64 GB de memória interna. Não há slot para cartão microSD, mas nem precisa a menos que você tenha uma variação digital da síndrome de Diógenes. Tudo roda suave, de jogos pesados à multitarefa do Android. É o ápice da tecnologia de 2014 condensada em um smartphone que deve durar um bom tempo antes de dar sinais de cansaço.

A tela, com resolução QuadHD em 5,2 polegadas, tem definição exemplar — como deve ser quando estamos olhando para 565 PPI. Ela usa a tecnologia AMOLED e é agressiva na saturação. A tendência ao amarelo chega a incomodar nos primeiros dias. Depois, acostuma-se, mas quando bato o olho em uma mais neutra, a diferença volta a se manifestar com força. De coração, eu prefiro mais telas LCD e sua tendência a cores mais fiéis… Notei também uma aberração cromática na tela quando ela é encarada por ângulos muito agudos, mas isso é ainda menos perceptível ou incômodo que a saturação. É só uma constatação, mesmo.

A bandeja do nano SIM fica nos botões de volume.

Quanto ao seu corpo, no geral o Moto Maxx se sai bem no posicionamento dos elementos. A câmera frontal é perfeitamente centralizada e o slot para o nano SIM, engenhosamente oculto sob os botões de volume. É fácil de tirar, seguro o bastante para passar despercebido, o tipo de coisa que a gente se pergunta por que não fora feita antes.

O único deslize é o alto-falante — no singular mesmo. Ele fica na altura da saída de som para ligações e é mono. Um pequeno deslize que se faz notar em experiências pretensamente imersivas, como jogos e a exibição de vídeos. Ainda nessa área, só que no alto-falante para ligações, notei um eco estranho da minha voz durante as chamadas. Não sei se é algo da operadora ou do Moto Maxx mesmo, mas foi bastante perceptível, algo que não experimento com meu celular pessoal (um iPhone 5) e que atrapalhou um pouco a conversação.

Detalhe da câmera do Moto Maxx.

Chegando ao fim do hardware, a câmera. A Motorola colocou um sensor de 20,7 mega pixels e parece ter dado mais atenção ao processamento das imagens. Como todo Android, a câmera é um pouco difícil de domar em condições desfavoráveis (leia-se um monte de fotos borradas quando há pouca luz e/ou muita movimentação), mas na média os resultados são muito mais positivos do que o contrário. E, com um pouco de perícia, é possível fazer fotos muito bonitas brincando com a profundidade de campo, facilmente manipulável graças à lente com abertura f/2:

Belo exemplo de baixa profundidade de campo com a câmera do Moto Maxx.
f/2, 1/40s, ISO 50. Foto redimensionada para 730×411.

Outra coisa curiosa que reparei é a tendência do Moto Maxx em manter o ISO baixo. Isso ajuda a diminuir o ruído nas imagens e, imagino que graças ao sensor enorme, não prejudica tanto a visibilidade em ambientes com pouca luz. Os ajustes da Motorola parecem bastante acertados.

A exemplo de praticamente todas as câmeras de todo Android que já passou por aqui, o Moto Maxx também apresenta um pouco de dificuldade na hora de fazer fotos de movimento em condições não ideais. Parece algo intrínseco ao Android e que, justiça seja feita, senti menos nesse modelo, mas ainda não está num nível ideal. Em algumas situações você terá que trabalhar em torno da câmera para conseguir o resultado desejado; no mundo perfeito, você tira a foto e a câmera se vira para entregar a melhor imagem. Ainda não chegamos lá.

Mais fotos de exemplo do Moto Maxx (veja essas e outras em tamanho natural e sem qualquer tipo de edição ou pós-produção, no Flickr):

Uma cortina e o céu azul.
Pouquíssimo ruído. f/2, 1/1449s, ISO 64. Crop de 100%.
A câmera do Moto Maxx entrega bons resultados.
Boa definição. f/2, 1/120s, ISO 100. Crop de 100%.
Foto de um caderninho feita com a ajuda do flash do Moto Maxx.
Ambiente totalmente escuro, com flash. f/2, 1/55s, ISO 50. Redimensionada para 730×411.

Android com toques de Motorola

O Moto Maxx segue a tradição da linha Moto: vem com o Android limpo, com poucas alterações da Motorola e a maioria delas bem feliz. O sistema é virtualmente idêntico ao do último Moto X, incluindo o chamamento do “Ok, Google Now” com uma frase-gatilho personalizada e o Moto Tela, antigo Notificações ativas, com seleção granular de apps. O Moto Tela, aliás, é a melhor utilização dos sensores de proximidade e movimento de um smartphone. Ele muda radicalmente a relação com o aparelho, no melhor sentido possível, tanto que voltar a outro depois de usá-lo por alguns dias é um processo doloroso de readaptação.

Moto Tela, um dos pontos altos do software do Moto Maxx.

Para superar a experiência atual do Android do Moto Maxx, só com o Android 5.0 — e ele está a caminho. A Motorola é, talvez, a única que conseguiu mexer no Android sem deteriorá-lo. O segredo? Intervenções mínimas na experiência e incrementos práticos, aplicados de uma maneira fácil de identificar, assimilar e usar. Corro o risco de, caso me estenda aqui, partir para um monte de elogios redundantes, então basta dizer que Android melhor que esse, talvez só o dos Nexus…

Vale a pena?

Sol incidindo sobre o Moto Maxx.

O preço sugerido do Moto Maxx é de R$ 2.199. Apesar de alto, ainda assim não chega aos de concorrentes diretos como Xperia Z3, Galaxy S5, G3 e (hahaha!) iPhone 6. É caro? Para os padrões da nova Motorola, sim. Só que mesmo nessa escala o valor da etiqueta é justificável.

Tome, por exemplo, a relação com Moto X de segunda geração: o Moto Maxx tem bateria de maior capacidade, tela com mais resolução, câmera superior, o dobro da memória interna, 1 GB a mais de RAM e um SoC pouca coisa mais rápido. Fica devendo em design e ergonomia, aspectos que não costumam entra na conta de quem procura desempenho bruto, números enormes e tudo que o Moto Maxx promete e, em grande parte, entrega.

Não é um smartphone que eu compraria para mim, mas porque priorizo outras coisas — de modo que me vejo antes com um Moto X do que com esse aparelho. Porém compreendo perfeitamente o fascínio que o Moto Maxx desperta em tanta gente. Ele é como aquele carro com visual agressivo e motor envenenado. Pode até ser desconfortável e seu visual não agradar geral, mas sempre chama a atenção por onde passa e nunca deixa o motorista na mão.

Foto de divulgação do Moto Maxx.

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Todas as fotos por Rodrigo Ghedin, salvo quando especificado.

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