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A melhor brincadeira de 1º de abril que o Google já fez

Nos últimos anos o Google se especializou em celebrar o 1º de abril, também conhecido como Dia da Mentira, com ideias cada vez mais malucas e elaboradas. Em 2014, já na véspera, 31 de março, algumas foram ao ar, como o mashup entre Google Maps e Pokémon. Este ano também marca o décimo aniversário de uma das mentiras mais incríveis da empresa — em parte, curiosamente, porque ela acabou se revelando não ser uma.

As (poucas) brincadeiras do Google até 2004

Imagem ilustrativa do Google Copernicus Center.
Google na Lua. Imagem: Google.

A primeira brincadeira do Dia da Mentira do Google data de 2000, quando a empresa lançou o MentalPlex, um sistema que prometia projetar a imagem mental dos usuários enquanto esses olhavam para um GIF animado. Dois anos depois, foi a vez do PigeonRank, um trocadilho com o PageRank, sistema que analisa e atribui peso às páginas para mostrar sempre as mais relevantes no buscador do Google.

Em 2004, foi a vez do Google Copernicus Center, uma subsidiária do Google na Lua! Foram abertas vagas de emprego com a promessa de que as operações começariam dali a três anos, em 2007.

Além dessa maluquice (convenhamos!), outro anúncio foi feito naquele ano. No comunicado à imprensa, o Google revelou que após ouvir as reclamações de uma usuária sobre os webmails da época, decidiu criar o seu próprio serviço de e-mail. “Pesquisa é a atividade online número dois — o e-mail é a número um; ‘Heck, Yeah’, disseram os co-fundadores do Google”.

Nascia ali o Gmail.

Ilustração com uma mãozinha depositando uma moeda em uma caixa com o logo do Manual do Usuário em uma das faces, segurada por dois pares de mãos. Ao redor, moedas com um cifrão no meio flutuando. Fundo alaranjado.

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Gmail em 2004: 1 GB de espaço!? Isso é brincadeira?

Ícone do Gmail.
Imagem: Google.

Mas nascia mesmo? Parecia bom demais para ser verdade e, no contexto da época, poderia ser uma brincadeira e tanto. As reclamações da usuária (teoricamente) fictícia no comunicado eram dramas reais das pessoas que acessavam a Internet em meados da década passada:

“‘Ela reclamava sobre gastar todo o seu tempo arquivando mensagens ou tentando encontrá-las’, disse [Larry] Page. ‘E quando ela não estava fazendo isso, tinha que apagar e-mails feito louca para ficar abaixo do limite de quatro mega bytes. Então ela pediu, ‘Vocês aí podem consertar isso?””

Hotmail e Yahoo! Mail, líderes da época, eram tiranos com espaço: com 2 e 4 MB de espaço para mensagens, respectivamente, eles nos forçavam a manter uma rotina quase robótica de apagar definitivamente mensagens da caixa de entrada. Até essa época, aliás, clientes de e-mail locais como Outlook Express (RIP), Thunderbird e outros menos conhecidos hoje faziam sentido porque no computador não havia limites, logo ao baixar as mensagens do servidor rolava um grande alívio no parco espaço disponível para receber novas mensagens.

Imagine o choque que foi um e-mail, gratuito, com 1 GB de espaço? Dava para desconfiar. Muita gente desconfiou, inclusive a mídia especializada.

No Slashdot, a pergunta era “O Gmail do Google ofecerá 1 GB de espaço?” e, em uma atualização datada em 1º de abril (a notícia do Gmail foi publicada no New York Times um dia antes), a descrença se manifestou com força (grifo meu): “O site do Google agora tem um comunicado oficial, naturalmente datado em 1º de abril.”

Outra interrogação cravou seu espaço no título desta notícia do WebProNews, cujo lide pisava em ovos e tinha uma abordagem bastante precavida: “No que pode ser uma elaborada brincadeira, o Google anunciou o lançamento do GMail, um serviço de e-mail gratuito”. O Erik, ao descobrir que o Gmail era de verdade 30 minutos depois de tomar conhecimento dele, ficou desapontado: “Eu testei. Não tem nada de impressionante. Não há nada aqui que eu já não tenha visto antes”. Ah, Erik! Como assim?

Naquele mesmo dia, porém, Jonathan Rosenberg, então VP de Produtos do Google, confirmou a veracidade do Gmail a vários sites. Primeiro acessível mediante convites, depois liberado a todos, a confirmação marcou o fim do racionamento de espaço para e-mails. E fica o convite à reflexão: quantos mega bytes teríamos em nossos webmails hoje se essa história fosse apenas uma brincadeira?

À frente da sua época, e assim por muitos anos

Para os padrões da época 1 GB era um espaço tão colossal que apagar e-mails no Gmail não era uma tarefa trivial ou mesmo incentivada. O site do Gmail não tinha um botão “Delete” destacado na interface — embora existisse, ficava soterrado em um menu à parte. Só em 2006 o “Delete” ganhou um espaço mais digno na interface. A proposta do Google era que com aquele latifúndio de espaço você jamais precisaria apagar um e-mail novamente; no máximo, arquivá-lo, um conceito interessantíssimo que, infelizmente, ainda passa batido por muita gente. (Se você não arquiva mensagens no Gmail, está usando errado.)

E não era só no espaço que o Gmail se destacava. A interface, baseada em AJAX, uma técnica que permite carregar partes da página sem recarregá-la por inteiro, dava uma sensação de velocidade típica dos serviços da empresa. O Gmail era extremamente ágil, anos-luz à frente do Hotmail, na época ainda preso ao visual esquisitão do MSN, e do Yahoo! Mail com suas pastinhas a la Windows 3.11.

Hoje, aquela interface beira o ridículo, como o Mashable nos mostra nesta galeria:

Como o Gmail era em 2004.
Gmail em 2004. Imagem: Google.

Mas acredite, era um negócio simples e interessantíssimo naqueles dias mais ingênuos na web. Disso aí em cima, chegamos ao visual atual, na imagem abaixo devidamente ornamentado com uma “shelfie”:

Shelfie, a nova moda do Gmail.
Gmail Shelfie, a brincadeira de 1º de abril em 2014. Imagem: Google.

Sem falar, claro, nos apps móveis. Em 2004 não existia iOS, Android ou Windows Phone. O mercado era dominado por Symbian, BlackBerry e Windows Mobile e o estado dos apps, deprimente. Já em 2014…

App do Gmail em um tablet Android.
Gmail em um tablet Android. Imagem: Google.

Ao longo dos anos o Gmail mudou um bocado, nem sempre de forma positiva. Alguns redesigns foram duramente criticados (incluindo o atual), o uso da sua popularidade para emplacar serviços sociais do Google, como Buzz e Google+, sempre ganhou a rejeição da maioria maioria dos usuários e a concorrência, ainda que atrasada, avançou e hoje oferece serviços equivalentes — especialmente o Outlook.com, da Microsoft, que ficou bem bom depois que largou o nome “Hotmail” e passou por um banho de loja.

Se toneladas de giga bytes não são mais suficientes para prender alguém ao serviço, o Gmail apostou em outras frentes para manter sua posição de vanguarda. Ele é onipresente, acessível e continua um tanto rápido. O app para Android é exemplar e com o aumento na importância da Conta Google, inclusive servindo para login em sites e serviços de terceiros depois do Google+, um @gmail.com é passou a ser mais do que um endereço de e-mail, é uma identidade na Internet.

A lista de brincadeiras de 1º de abril do Google tem crescido ano após ano. Mas por mais malucas, surreais ou simplesmente bobas que sejam, é difícil superar a do Gmail, de 10 anos atrás. O que chega a ser irônico: a verdade, afinal, foi a maior surpresa já criada pelo Google para o Dia da Mentira.

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5 comentários

  1. E eu continuo achando o gmail feio e confuso! SEMPRE me perco lá quando vou tentar fazer uma coisa!!! E só tenho uma conta pq a minha faculdade ME OBRIGOU a criar um email do Gmail visto que os professores tinham/têm um filtro que bloqueava/bloqueia qualquer email que viesse do @hotmail, ou da Microsoft em geral.

  2. fizo gmail acho que em 2007 ou 2006… de lá pra cá a evolução é absurda. imagina contando desde 2004. Se não me falha a memória, a interface não era muito diferente da de 2004…mas ainda assim era melhor que o que tinha na época.

    Como muitos, tinha um hotmail na época e até parei de usar para emails, servia só pro finado msn mesmo. tentei o yahoo, mas era ruim e hoje ainda acho muito ruim.

    Tive emails zipmail, bol, aol, ig, ibest (quem lembra do ibest? LOL)….se tiveram outros eu não lembro.

    Hoje uso gmail e outlook.

  3. Até 2004 tinha um e-mail do IG. Também tive a sorte de receber um convite e é o meu e-mail principal até hoje – o secundário é o do outlook. E é verdade: é prático, rápido e muito simples de se usar. Mas sou um pouco saudosista, gostava do azul calcinha e branco. Agora fiquei curioso, pois nunca usei o arquivar… Vou checar isso.

    Abraço.

  4. Nunca vou me esquecer do dia que recebi meu convite pro gmail, lá pra 2004, logo após o lançamento. A interface era uma coisa impressionante, coisa que não damos muito valor hoje(principalmente porque os concorrentes se apressaram em copiar), mas eu lembro que trabalhava numa empresa que usava um desses webmails bem ruins, com pastinhas de Windows 3.1, como sabiamente comentado acima, e era um terror se você precisava de um email antigo. Além disso, sempre se precisava ligar para a pessoa para saber se ela “recebeu” o email. O mais chocante é que existem inúmeras empresas que ainda dependem do Outlook Express do Windows XP para ver um email. Ou seja, se a pessoa está fora do escritório, não vai conseguir ver algum email. Mas o que realmente excede qualquer expectativa no Gmail não é nem o webmail excelente, nem o fato de não precisar apagar as mensagens, mas é a busca poderosa que te permite achar um email de 10 anos atrás simplesmente digitando o nome da pessoa ou uma palavra que está no corpo do texto.

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