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[Review] G Flex: tela flexível, poderes de regeneração e alguns comprometimentos

G Flex rodeado por smartphones e notebooks.

Um smartphone grande chama a atenção, mas existe algo ainda mais chamativo: um smartphone grande e torto. Em todo lugar onde tirava (com um pouco de esforço) o G Flex, da LG, do bolso, as pessoas olhavam curiosas, perguntavam se estava tudo bem com ele e faziam cara de interrogação ao olhar para o aparelho curvado. Eu também fiquei assim quando o vi pela primeira vez. Passada a surpresa inicial, o que sobra? É o que responderei nos próximos parágrafos.

Um smartphone original por fora, mais do mesmo por dentro

O G Flex é um smartphone fora da curva. Custa caro, tem especificações boas e tecnologias pioneiras — além da tela flexível, o acabamento nas costas se regenera sozinho.

G Flex: lindo por fora, convencional por dentro.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Isso, a regeneração do plástico atrás, eu não testei, mas a demonstração dessa capacidade mutante é bem impressionante. Como contra, só a maior incidência de fiapos grudados e marcas de engordurar, maiores que a média. O toque nessa área é meio estranho também, parece que o plástico é “fofo”, mas na hora em que se aperta, ele não afunda. Na verdade tudo é meio esquisito ali atrás, para o bem e para o mal.

Os botões, todos concentrados na parte de trás, ainda preservam o frescor de novidade. Antes dele, somente o G2, onde essa intervenção fez sua estreia, e o G2 Mini trouxeram tal configuração. É… diferente, e ganha pontos positivos por liberar as laterais de botões. Na prática, entretanto, acabei não usando tanto esses botões em prol do knock on, uma opção que permite liberar e bloquear o aparelho dando dois toques na tela. Sempre uso isso quando disponível e é mais rápido e prático.

Os botões do G Flex ficam atrás.
Foto: Rodrigo Ghedin.

São poucas características que distinguem o G Flex do mar de smartphones high-end, mas em um segmento tão mais do mesmo, uma que seja já é suficiente para destacar algum modelo. Fora as três citadas acima, por dentro o G Flex é bem convencional: traz um Snapdragon 800, 2 GB de RAM e 32 GB de memória interna, especificações padrões dos aparelhos topo de linha do final de 2013, começo de 2014.

Apesar do tamanho, o G Flex é mais confortável de segurar do que outros de mesma estatura — no meu caso, uso o Lumia 1320 como parâmetro, o único outro de smartphone de 6 polegadas que já passou por aqui. Em relação ao modelo da Nokia, o G Flex é mais compacto; não sei dizer até que ponto a curvatura do corpo auxilia na ergonomia, pelo menos não em uso (na mão ou ao ouvido). No bolso ele se adapta melhor à coxa e embora ainda seja desconfortável na maior parte do tempo, vez ou outra dá para esquecer que o G Flex está ali.

A tela curva do G Flex

Para demonstrar a tela curva, um iPhone em cima do G Flex.
Foto: Rodrigo Ghedin.

As peculiaridades da tela vão além do seu formato côncavo. Ela nem precisaria ser assim. A sensação é que tanto LG, quanto Samsung com o Galaxy Round, “dobraram” suas telas para mostrar visualmente que elas têm essa propriedade. A grande vantagem da tecnologia, chamada P-OLED, é que por ser flexível ela não estilhaça quando se choca contra coisas duras, tipo o chão. Outro teste que não fiz por motivos óbvios, mas fica aí a esperança de que acidentes como este se tornem, no futuro, histórias para contarmos aos nossos netos.

Não duvido que lá na frente o P-OLED se prolifere e vire padrão na indústria. Antes disso, as fabricantes terão que contornar alguns inconvenientes vistos na tela do G Flex. Toda nova tecnologia tem, afinal, comprometimentos.

Não são problemas graves, só uns detalhes que em modelos AMOLED ou LCD atuais não são mais vistos. Começando pela resolução. Em um smartphone intermediário como o Lumia 1320 é compreensível a utilização de um painel HD (1280×720), afinal é preciso economizar em algum lugar para reduzir o preço final. O G Flex custa quase o dobro do Lumia 1320, é caríssimo sob qualquer ponto de vista, de modo que não há desculpa financeira para não trazer uma tela Full HD. A tecnologia simplesmente não está madura o bastante para alcançar esse nível.

Essa resolução não costuma ser ruim em telas menores — vide as do Moto X e Nexus 4, ambas com 4,7 polegadas e nenhuma reclamação em termos de definição ou qualidade. Espalhar a mesma quantidade de pixels em uma área maior, de 6 polegadas, é complicado. A densidade chega a 245 PPI, valor insuficiente para olhos mais críticos.

O P-OLED do G Flex funciona meio que como uma viagem no tempo para quem usou smartphones AMOLED há dois, três anos. Dependendo do ângulo, ela ganha uma tonalidade verde e algumas cores, como o azul claro (tipo os botões de responder nos comentários do Manual do Usuário) deixam um rastro ao rolar a página. Além do preço de etiqueta, existem outros que early adopters costumam pagar. No caso do G Flex, uma tela aquém do que se espera de um smartphone topo de linha em 2014.

Desempenho, personalização e autonomia

G Flex de costas.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Não há muito do que queixar em relação ao uso do G Flex, salvo o malabarismo que é preciso fazer nas tentativas de manuseá-lo com uma mão — a maioria, frustrada. Nesse sentido, aliás, o Android da LG traz alguns truques para aproveitar a grande área útil disponível, sacadas legais como a fileira extra de números do teclado, a capacidade de jogá-lo para um dos lados a fim de facilitar a digitação com uma mão, e a divisão de dois apps na tela.

Além desses mimos úteis, esse Android (versão 4.2.2) ainda recebeu um tratamento estético parcial bem-vindo. O esqueumorfismo visto em smartphones anteriores da LG deu lugar a um padrão de ícones flat bem bonitos. Pena que as alterações estéticas se restringiram a eles; menus e outros elementos continuam com um visual de gosto duvidoso, e a salada nas configurações típica da empresa ainda se faz presente.

São tantas opções que, agora, a área de ajustes foi dividida em quatro partes. E piora: as melhores vêm desativadas por padrão, coisas como o método “swipe” do teclado, a firula que mantém a tela acesa quando a câmera frontal detecta um par de olhos a encarando, e aquela outra de silenciar uma chamada virando o aparelho de costas na mesa. Eu me pergunto o porquê dessas decisões, coisas que só não me intrigam mais do que o ringtone padrão para tudo fora ligações, o “life is goooood”. Não se ofenda, LG, eu sei que é seu slogan e até acho ele simpático, mas como ringtone, e com essa entonação, é um negócio bem irritante.

São problemas de usabilidade e complicações desnecessárias feitas em uma área ganha — bastaria usar o Android padrão do Google e acrescer os mimos positivos que estão enterrados ali nos ajustes. Ainda assim, não são impedimentos absolutos, nem algo muito grave na experiência de uso. Apesar de tentar, a LG ainda não conseguiu inviabilizar o uso do seu ótimo hardware. Dá para ser feliz com o G Flex, e boa parte disso decorre do ótimo desempenho que ele apresenta.

A bateria tem 3500 mAh e apenas compensa o tamanho do aparelho e da tela, que deve consumir mais energia do que modelos menores. Consegui sair de casa e voltar com energia em níveis pouco acima do que testemunho diariamente com um iPhone 5. Não salta aos olhos, mas dificilmente te deixará na mão.

Câmera

A câmera do G Flex tem 13 mega pixels e é apenas mediana. Ela apresenta algumas tendências meio chatas, especialmente a lentidão: nos testes, é comum ela recorrer a velocidades que variam de 1/20 a 1/30, o que pode ser tempo demais para fotos mais rápidas. Resultado: borrões nas suas fotos. A presença de um sistema de estabilização de imagens poderia amenizar esse problema, mas ele não existe.

Achei também o pós-processamento um pouco agressivo às vezes, o que prejudica o detalhamento e deixa alguns elementos, como rostos humanos, artificiais.

É uma câmera que poderia estar em qualquer modelo intermediário ou topo de linha, só não em um dos mais caros do mercado. Várias outras, de smartphones mais baratos, apresentam resultados melhores. No fim, ela não o deixa na mão, mas que exige mais do fotógrafo — cuidados com a iluminação, firmeza na hora do disparo, atenção aos modos disponíveis, como o HDR e por aí vai.

Alguns exemplos:

Exemplo de foto com o G Flex.
Velocidade de 1/30 com luz do sol resultou nisso. Foto: Rodrigo Ghedin.
Exemplo de foto HDR do G Flex.
HDR, velocidade 1/150. Foto: Rodrigo Ghedin.
Crop em 100% de uma foto feita com o G Flex.
Crop 100%, velocidade 1/2272. Faltou detalhamento na bomba de combustível. Foto: Rodrigo Ghedin.

Veja essas e outras imagens, em resolução natural, nesta galeria.

Boas ideias que precisam amadurecer

Com 6 polegadas, o G Flex é grande.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Há muito a se gostar no G Flex. Sua tela é charmosa (e legal para ver vídeos, faltou dizer!), a durabilidade é maior que a média graças ao painel P-OLED e à carcaça que se regenera, e apesar de persistir em alguns erros típicos dos seus Android, a LG mostrou que tem algum senso estético em software com o novo pacote de ícones.

Para quase tudo o que tem de bom, porém, sempre vem um “mas” na sequência. Ora é pela limitação da tecnologia, como os inconvenientes da tela; ora por decisões controversas nos rumos tomados no projeto, como as intervenções no Android. Na média o G Flex é um smartphone bacana, mas funciona melhor como curiosidade tecnológica do que como companheiro para o dia a dia.

E o preço agrava essa declaração: ele custa muito caro. R$ 2.699, para ser exato, ou, procurando bem, por até cerca de R$ 2.300 em lojas do varejo confiáveis.

O G Flex é quase uma prova de conceito. Como tal, ele cobra duas vezes, primeiro na fatura do cartão, depois nos poréns do uso cotidiano. Em outras palavras, com esse valor é possível pegar um smartphone que que faz mais e melhor, só que com a tela reta e dura. Não só possível, como recomendável.

Apesar das ressalvas, no geral gostei e vejo com bons olhos experimentações do tipo no segmento. Alguém tem que começar com essas novidades e de qualquer maneira acredito que a LG não colocou o G Flex no mercado esperando vender horrores. Seja lá quais foram seus motivos, méritos a ela por dar a cara a tapa e tomar a iniciativa.

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