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Elogios, reclamações e boas ideias: o que os leitores dizem do Manual do Usuário

Mural de ladrilhos, com dois rostos frente a frente, o da esquerda falando e com uma mão (flutuante) levantada. Ao redor, flores e ladrilhos bem coloridos.

Em novembro de 2020, tropecei em um serviço pequeno, recém-lançado, mantido por um cara só. Era o FeedLetter, que permite colher avaliações e comentários, de maneira anônima e sem coletar dados, em newsletters. Parecia algo feito sob medida para o Manual do Usuário, tanto que dias depois o FeedLetter já estava integrado à nossa newsletter.

O FeedLetter se manifesta no final das mensagens que envio toda semana aos inscritos na newsletter. São aqueles emojis no rodapé. Com um clique, sem precisar se identificar nem ceder dados, o(a) leitor(a) expressa sua opinião do que acabou de ler: 👍 Curti, 😐 Mais ou menos… ou 👎 Não gostei.

Até a tarde desta quinta (14), as mensagens do Manual no FeedLetter já tinham sido avaliadas 4.650 vezes, com um índice de satisfação (votos em “👍 Curti”) de 88,2%, o que é espetacular.

Mas não termina aí. Após clicar na opção/emoji para avaliar a edição da newsletter, a pessoa é levada a um site para confirmar o voto e, se quiser, deixar uma mensagem. Embora as notas/emojis sejam úteis para medir a temperatura do trabalho feito aqui, eu gosto mesmo é de ler as mensagens que alguns(mas) deixam após darem nota. Vez ou outra compartilho elas em minhas redes sociais pessoais. Na última vez que fiz isso, me foi sugerido fazer um apanhado das mais curiosas.

Achei que o aniversário do Manual era uma ocasião propícia para isso e, após mergulhar +850 comentários, separei os mais curiosos, engraçados e significativos.

Para preservar o compromisso de privacidade firmado em torno dessa ferramenta, nenhum comentário abaixo está identificado, mesmo aqueles em que o(a) autor(a) optou por assinar. Adotei o gênero feminino em todas as referências aos leitores para não ficar usando (a)/(o) a toda hora. Também optei por não fazer correções de qualquer natureza nos textos.

Os puxões de orelha

Penso que ficou confuso ao que se direciona a pergunta (O que achou desta edição?), as matérias em si, ou a formatação da newsletter, ou algum outro aspecto. Contudo, gostei da possibilidade de termos esse feedback mais orgânico. Bom final de semana :)

Começo com este comentário, que para minha estranheza é o único do tipo em nosso vasto arquivo, aproveitando o gancho para esclarecer a dúvida. Para mim, o formulário de feedback da newsletter é para a leitora manifestar o que sentiu após finalizar a leitura, ou seja, a soma de todos esses fatores que nossa leitora anônima citou.

A maioria dos comentários é, de muito longe, composta por elogios efusivos. Cada um deles me enche de entusiasmo e de alegria. Estou contando isso de cara porque, pelos critérios escolhidos, a seleção abaixo pode passar um “clima” diferente da do todo. É uma seleção enviesada, em que pesquei os comentários mais curiosos e alguns até maldosos, ainda que também curiosos ou engraçados.

De qualquer forma, a newsletter não é uma unanimidade. E se nos elogios há muita coisa lacônica, curtíssima — “Top”, “Tudo lindo e cheiroso” (esse eu adorei), “VC É INCRÍVEL GHEDIN” —, as críticas também costumam ser… bem diretas:

da semana passada estava melhor

Não me interessou/entusiasmou

Nada que me interessou

pouco conteúdo =/

Gostei, mas já houve melhores.

foi legal, mas edições anteriores tiveram mais conteúdo diversificado.

‘sei lá’ é foda, né, mas pra ser sincero foi isso que pensei mesmo… Não tá ruim, mas nada demais tbm, sabe? Abs.

É uma inevitabilidade que, em algum momento, a newsletter da semana anterior terá sido melhor que a mais recente. Ainda mais por se tratar de algo um tanto subjetivo, o que fica explícito nesses dois comentários deixados na mesma edição (Achados e perdidos #24):

O ultimo estava melhor

O conteúdo dessa edição superou!

É realmente difícil agradar a todos. Veja este comentário feito a uma edição recente da Achados e perdidos:

As indicações não parecem ter uma curadoria clara, parece só um apanhado de tudo que você/uma equipe leu durante a semana. Curadoria, pra mim, é trazer informação com critérios explícitos e uma indicação de pq vale o nosso tempo

Teria sido válida se o objeto da crítica não fosse a exata descrição da newsletter. Não estou exagerando. No início de cada Achados e perdidos, escrevo: “Todo sábado, pego uns links que acumulei ao longo da semana e que, embora curiosos e/ou interessantes, não renderam nem notinhas no site, e os publico num compilado que chamo de ‘achados e perdidos’.”

Outra crítica isolada que me deixou intrigado:

Alguns links estão bem click bait, a pessoa precisa clicar pra saber do que se trata. Sugestao: acrescentar sempre uma descricao, mesmo que curta, di conteudo.

Tem leitora que não curte muito que a coluna de opinião, que abre a newsletter da quinta, apareça ali na íntegra:

Esses textos iniciais são muito longos, acho mais interessante o formato de vários pequenos. Fica mais dinâmico.

O artigo opinativo poderia ser somente no site, prefiro a newsletter mais enxuta. No mais está excelente como sempre.

Já esta outra:

Gostei do texto de abertura e do padrão com as principais notícias na continuação. Achei melhor, mais interessante, que as newsletter do início do ano só com notas, por exemplo. Não sei se é bom o suficiente pra você que a gente só leia a newsletter no e-mail, mas pra mim às vezes é objetivo e suficiente pra ficar levemente por dentro sem entrar num vórtex de links. Obrigado! Abraço

Registro, coleto, compilo e analiso alguns números de audiência do Manual, mas cliques e visitas não são prioritários. Com isso, quero dizer que está tudo bem ler a coluna direto do e-mail, sem acessar o site. Afinal, é para isso que envio o texto na íntegra!

Mudanças

Nem toda reclamação é enigmática ou infundada, porém. Ser lido por gente esperta significa se expor a feedbacks instigantes e que suscitam mudanças. Um exemplo que me marcou muito foi o do idioma das indicações de leitura da newsletter da quinta-feira:

No geral eu amo todas as newsletters, mas vou só deixar um ponto de atenção de que, nessa edição, a maior parte dos links foram em inglês (sem tradução), portanto pode acabar ficando inacessível a um certo grupo :-)

Eu gostei do relato pessoal do clone do zapzap, porém, mesmo sendo fluente em inglês, incomodou-me o fato de quase todas indicações serem em outra língua. Isso não afasta um pouco o público? Estou sendo chato?

Pensei em público nessa questão. Uma das saídas que encontrei para mitigar o problema foi formalizar e garantir a assiduidade dos posts de indicações de leitura, publicados toda quarta-feira. Mesmo que não entrem na “lista oficial” na newsletter da quinta, o post de indicações tem um link cativo no início dela.

Outra mudança suscitada por esses feedbacks se deu nas indicações literárias do Guia Prático. No início, colocava apenas links de lojas virtuais. Depois do comentário abaixo, passei a incluir um link extra, que leva ao site/loja da editora:

Ótimas dicas! Mas eu sugiro que, ao indicada livros, você recomende os sites das editoras. Elas estão quase todas com dificuldade para sobreviver nessa época, e comprar diretamente nelas é um meio de ajudá-las a faturar um pouquinho mais (não têm que pagar as porcentagens das grandes lojas como o monstro Amazon).

Os elogios são gostosos, mas eu fico feliz também — de um jeito um pouco diferente — quando alguém repara em detalhes técnicos ou aspectos subjetivos, editoriais ou apenas menos óbvios. É tipo quando alguém saca uma piada interna, sabe? Exemplo:

Conteúdo sobre linux

Menções ao sistemas linux

Essas leitoras sacaram algo que fiz deliberadamente, mas que não anunciei: aumentar a cobertura, principalmente na Achados e perdidos, de links/curiosidades/novidades de Linux e software livre.

Ou a leitora que percebeu e valorizou o fato de que, ao posar o mouse sobre os links da newsletter conseguir ver o link verdadeiro, e não um link da plataforma de disparo que não diz nada, te deixa no escuro e ainda rastreia seus cliques:

Não que seja novidade, mas fiquei feliz de perceber mais uma vez que os links mandam direto para os artigos (seja do MdU ou não), sem aquele monte de rastreadores que vemos em outros e-mails. Eu passo o mouse sobre o link e sei exatamente para onde ele vai me levar.

Ou quando me posiciono do lado mais fraco da história, como neste episódio:

Gostei muito do fato de você se colocar do lado do consumidor. Não aguento mais blogueiros de tecnologia neoliberais que acham que o mundo seria maravilindo sem as regulamentações que nos garantem pé de igualde, as vezes me parece que estas pessoas defenderiam o direito a escravidão em outras épocas…

Um feedback popular, que vai nessa linha e que me dá aquela sensação de dever cumprido, é quando pessoas que não trabalham nem têm um grande interesse por tecnologia se manifestam. Eu mesmo não sou especialista (não sei programar, não me peça para montar um computador), sou só alguém curioso e fascinado pelo assunto que tenta, com as ferramentas que me são familiares — em especial o jornalismo —, dar sentido a essas coisas e repassar minhas descobertas a outras pessoas.

Alguns exemplos:

A leitura fluida, sem excessos de jargões tecnológicos me conquistam a cada edição. Quero entender mais do assunto, mas começava por locais densos demais para minha ignorância tecnológica. Por aqui, acontece uma espécie de tradução sem perder a qualidade/densidade do assunto. Parabéns pelo trabalho!

Essa foi a primeira newsletter que recebi e gostei bastante do formato e dos temas abordados. Algumas das matérias eu abri para ler no site. Eu não sou uma pessoa da área de TI mas, por ser casada com uma, me interesso bastante por alguns assuntos (especialmente quando estão dentro da minha capacidade de compreensão; confesso que nem todos estão). Já era bem fã do podcast (o Tecnocracia) e pelo visto vou virar fã do site e da newsletter tbm.

Não sou dos maiores interessados pela área de tecnologia, mas, mesmo assim, vivemos em um mundo digital. Encontrei no Manual um espaço com uma proposta interessante e conteúdos importantes. Estou para deixar a faculdade e até o presente momento toda renda que tive foi instável e temporária, então não posso apoiar financeiramente os produtores de conteúdo que admiro, até por ter pouquíssimo dinheiro em mãos. Desejo sucesso.

Rodrigo querido, obrigada pela newsletter. Eu não leio sempre, mas o teu conteúdo faz a diferença. obrigada, sempre.

Da mesma forma, fico contente quando um relato mais pessoal ecoa em outras pessoas:

Gostei do relato do home office, me sinto um pouco pressionada a trabalhar a todo momento nessa situação e vejo que não estou sozinha

rodrigo, me identifiquei muito com seu relato sobre esse 1 ano de pandemia. é bom demais saber que “não estou sozinha”!

Momento para massagearmos o ego

Falei tanto dos elogios no início deste texto que seria injusto não trazê-los para cá. Deixarei a modéstia de lado, então, para dividi-los com você.

A dupla função da newsletter da quinta foi percebida:

É umas coisas mais gostosas que recebo. E ainda anuncia que está próximo o fim de semana. Aliás, essa newsletter deveria chegar nas sextas (em algum momento chegou? 🤔), tem cara de sexta.

Aproveitando para responder, nunca foi na sexta porque a concorrência com newsletters semanais na sexta é mais acirrada e ao dispará-la na quinta, ganho a sexta para planejar a próxima semana e/ou fazer alguns trabalhos de bastidores.

O Ministério da Internet adverte: o Manual do Usuário é recomendável para todas as gerações:

A formatação, fonte, espaçamento, está tudo impecável. Sinto-me lendo uma revista. Sugestão: uma espécie de “resumo” no site do manual do que é falado no Guia Prático e dos vídeos postados no YouTube, para boomers que não suportam podcasts e vídeos (como eu :3)

Fomos comparados a uma conexão discada e achei isso lindo:

Mandou muito bem! TODOS os links relevantes, passei aqui algum tempo muitíssimo obrigado ANJO DA MODERNIDADE porém sem a porra do inbound marketing, esse lugar é ACONCHEGO VIRTUAL é conectar na internet ficar ouvindo a rede discando.

E-mails são como cartas, só que na internet:

Suas histórias e experimentos são tão bizarros e surreais que parecem histórias de amigos. Sinto como se lendo uma carta de alguém próximo, muito obrigado pela experiência. Ah e por lembrar do pin no chip!

Você lembra como conheceu o Manual?

Muito bom, parabéns!! Nem sei como cheguei no newsletter, nem sempre consigo ler, mas é sempre uma descoberta.

Os seus textos são sempre primorosos, Ghedin. Leio há quase um ano todas as newsletters do Manual. Descobri esse lugar incrível na internet pelo Tecnocracia, via Youtube. Nunca mais parei de acompanhar tudo que vcs fazem. Agradeço por tudo.

Muito bom, parabéns!! Nem sei como cheguei no newsletter, nem sempre consigo ler, mas é sempre uma descoberta.

Mais alguns, estilo comentários que estariam na contracapa do nosso livro:

A newsletter de vocês sempre é a mais interessante de ler! Sempre com “coisinhas” atuais que aguçam nossa consciência e nos fazem mais críticos frente a conjuntura! Continuem!!!

bom pra ler e curtir num domingo de chuva tomando um chimarrão

Você é seu trabalho crítico são fundamentais, Ghedin! Muito obrigado por tudo.

Me inscrevi há pouco e tenho gostado bastante dos conteúdos <3

Completassa, profunda, e leve

Melhor boletim que assino!

Nada pra dizer, apenas sentir <333

Para fechar, a leitora que cansou de escrever elogios:

é sempre muito boa. eu fico com preguiça de escrever sempre a mesma coisa, porque eu sempre gosto muito porque sempre é muito boa.

E a que se empolgou um pouco demais:

Gostei muito pois esse edição conta e é bem escrito, vc e demais, alguém tem sorte de estar contigo!! Parabéns manual do usuário :) vc e o cara pra casar hahah

Revisitar o arquivo de comentários foi o meu presente neste aniversário do Manual. Obrigado! :)

Foto do topo: Giulia May/Unsplash.

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3 comentários

  1. Parabéns! Não lembro como cheguei aqui, mas passei a acompanhar religiosamente nessa pandemia. Saí das redes sociais, e acompanho muita coisa de tecnologia pelo telegram/site com as notinhas, e me divirto muito com os achados e perdidos. Já achei muita coisa útil lá.

  2. Sua preocupação em interpretar todos os sinais e comentários emitidos para o site, newsletter ou outros subprodutos é o que garante a identidade do MdU. Sempre há lições a tirar dos humores dos leitores, das considerações positivas ou negativas a respeito do conteúdo ou estilo do site. E é legal ver que algumas pautas nascem ou derivam justamente de algumas dessas pensatas. Como alguém aí em cima mencionou, a sitesfera brasileira da área de tecnologia costuma ser muito ensimesmada em suas certezas e opiniões para aprender com quem tece esses comentários mais críticos ou ferinos. Vira apenas uma divulgação de agenda própria encastelada. Folgo em saber que o MdU não é, nem nunca será assim.

O site recebe uma comissão quando você clica nos links abaixo antes de fazer suas compras. Você não paga nada a mais por isso.

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