“Flow” leva o Blender e o software livre ao Oscar

O primeiro Oscar para o Brasil, com Ainda estou aqui na categoria de melhor filme estrangeiro, não foi o único ineditismo na premiação deste ano. A vitória de Flow como melhor animação foi, também, a vitória do software livre: o longa foi feito inteiramente no Blender.

O diretor de Flow, o letão Gints Zilbalodis, agradeceu ao Blender em seu discurso após receber a estatueta e deu mais detalhes do software na entrevista após a premiação, no vídeo acima.

Flow também foi o primeiro filme da Letônia e a primeira animação independente a levar o Oscar.

Transcrição traduzida da entrevista:

Pergunta: Quando você recebeu o prêmio, agradeceu ao Blender logo de cara. Poderia falar um pouco da ferramenta que usou, como a usou e como ela te ajudou a tornar esse filme possível? E o que significa para a animação daqui em diante?

Gints Zilbalodis: O Blender é um software livre e de código aberto, o que significa que todo mundo tem acesso a ele, Então qualquer criança agora tem ferramentas que agora são usadas para fazer um ganhador do Oscar. Acho que veremos todos os tipos de filmes empolgantes serem feitos, por crianças que não tinham a oportunidade de fazê-lo antes.

É uma ferramenta ótima, não foi uma desvantagem de maneira agora, é tão boa quanto qualquer outra, e vamos usá-lo também em meu próximo filme.

Relacionado: uma entrevista longa, por escrito e anterior à cerimônia, que Gints Zilbalodis concedeu ao pessoal do Blender.

Via @blender@mastodon.social (em inglês).

O leitor de feeds Artemis, criado pelo James, faz jus à slow web: ele atualiza… 

O leitor de feeds Artemis, criado pelo James, faz jus à slow web: ele atualiza os feeds uma vez por dia, ao meio-dia, e permite filtrar feeds com muitos itens para exibir apenas os 3, 5 ou 10 posts mais recentes (ou aleatórios). Gratuito.

Relacionado: se você precisa ou prefere um leitor de feeds mais tradicional, mas ainda assim com boas ideias e um ar mais tranquilo, o Miniflux é uma boa pedida. Quem assina o Manual do Usuário tem direito a uma conta vitalícia do Miniflux.

Apps novos e atualizados

Atualizações de apps importantes e novidades que podem ganhar um espaço no celular ou computador.

Beeper: A Automattic relançou o Beeper, app que agrega vários apps de mensagens. A versão do macOS usa como base o Texts (também comprado pela Automattic) e a do iOS foi refeita do zero. / iOS, macOS

ClassicPress 2.4.0: A nova versão do fork do WordPress sem os blocos/Gutenberg traz três novidades, com destaque para o suporte ao formato de imagens *.avif, além de correções diversas. / Web

Monocle: Um pontinho na barra de menus do macOS que, ao ser clicado, desfoca as janelas em segundo plano para que você possa focar no que estiver fazendo. Compra única de US$ 4. / macOS

NextHub 10: Atualização recheada de “melhorias em desempenho em todos os produtos, milhares de ajustes para melhor UX e estabilidade, um novo assistente pessoal e automações de fluxos de trabalho”. / Web

Photoshop: Deve ser a terceira ou quarta vez que a Adobe lança um Photoshop para o iPhone. Desta vez, a promessa é de paridade com o tradicional app para desktops. Chega ao Android “em breve”. / iOS

Sioyek: Curioso leitor de arquivos *.pdf cheio de recursos, “com foco em livros técnicos e artigos científicos”. / Linux, macOS, Windows

touch grass: Este app só libera o acesso a outros apps viciantes se você tocar na grama — literalmente. O vídeo no site mostra como funciona. / iOS

Entrevista com Luri, da newsletter Puxadinho do Luri

Nota do editor: Uma série de entrevistas com pessoas que mantêm newsletters presentes no diretório de newsletters brasileiras. Leia as outras entrevistas.

Qual é a sua newsletter?

Puxadinho do Luri

Fale um pouco de você, Luri.

Eu sou o Luri, artista do subgênero: escritor. Atuo como produtor de conteúdo há cerca de 15 anos, tendo feito projetos variados para marcas como Natura, Boticário, Havaianas e Bradesco.

(mais…)

Fala-se muito da incapacidade do Google em acertar a mão com apps de mensagens. O que falar da Microsoft? O fim do Skype…

Fala-se muito da incapacidade do Google em acertar a mão com apps de mensagens. O que falar da Microsoft? O fim do Skype (em 5 de maio) é só o último capítulo da lenta deterioração de um bom serviço muito querido até a Microsoft comprá-lo por US$ 8,5 bilhões, em 2011. E nem vou falar dos equívocos com o MSN Messenger, ou do fato de que o Teams só tem usuários porque as empresas obrigam os funcionários a usá-lo.

Um aviso: este não é um modelo de raciocínio e não vai esmagar benchmarks. É um tipo diferente de inteligência e há uma magia nela que eu nunca senti antes. Estou animado para que as pessoas experimentem!

— Sam Altman, cofundador e CEO da OpenAI, no anúncio do novo (e caríssimo) modelo GPT 4.5.

O tom messiânico parece ter dado lugar à mágica — que, como se sabe, é pura ilusão de ótica.

O GPT 4.5 não é melhor que qualquer outro modelo, incluindo os da própria OpenAI e os da DeepSeek. A “boa notícia”, segundo Altman, é que trata-se do “primeiro modelo que, para mim, parece falar como uma pessoa atenciosa”. Aquela conversa de não antropomorfizar IAs? Bobagem.

Via Pivot to AI.

Este commit, no repositório do site da Mozilla, remove todas as…

Este commit, no repositório do site da Mozilla, remove todas as referências ao compromisso em não vender dados pessoais no Firefox. No arquivo structured-data-firefox-faq.html, da sessão de perguntas e respostas, a pergunta (removida) “O Firefox vende seus dados pessoais?” terminava dizendo que “Isto é uma promessa”. A pergunta e a promessa já não constam no site.

Relacionado: Por que agora, Mozilla?

Por que agora, Mozilla?

A Mozilla apresentou termos de uso para o Firefox. É a primeira vez que o navegador tem um documento do tipo, incomum em navegadores FOSS. Os termos de uso vieram acompanhados de uma política de privacidade atualizada.

Em um adendo no blog onde anunciou a novidade, a Mozilla esclarece que a cessão de certos direitos e permissões, prevista nos termos de uso, não significa propriedade dos dados ou o direito de uso do que acontece no navegador fora dos casos previstos na política de privacidade.

Esse tipo de confusão é normal. Serviços web e aplicativos precisam dessa garantia para operarem com dados dos usuários.

A política de privacidade prevê diversos casos de uso meio decepcionantes, em especial os ligados à iniciativa de “links patrocinados” (ainda indisponível no Brasil) e que envolvem marketing de produtos e inteligências artificiais generativas.

É preciso reconhecer que os dois textos são legíveis, relativamente fáceis de entender por serem livres de “juridiquês”. Também é possível desativar a maioria das (todas?) opções mais invasivas.

Por outro lado, esse anúncio soa como uma contradição ao “ethos” da Mozilla, ou o que se pensa sê-lo; uma contradição com os ideais de quem está atento e se importa com a monopolização da web pelo Google/Chromium e tem, no Firefox, uma espécie de bastião da web aberta.

“Por que agora?”, a Mozilla pergunta no blog. “Embora tenhamos ao longo da história confiado em nossa licença de código aberto para o Firefox e nos compromissos públicos com você, estamos trabalhando em um cenário tecnológico muito diferente hoje. Queremos tornar esses compromissos abundantemente claros e acessíveis.”

É tudo uma questão de perspectiva, claro. Nesse “cenário tecnológico muito diferente”, acho eu que as práticas históricas da Mozilla no contrato com os usuários seriam mais importantes do que jamais foram. Seguir a manada e sujar-se com a publicidade programática acaba com os (poucos) diferenciais que o Firefox ainda sustenta.

Os termos de uso não alcançam o código do Firefox, o que significa que “forks”, navegadores alternativos baseados no da Mozilla, não estão sujeitos a eles. Recomendo o LibreWolf em computadores. O projeto tem por propósito oferecer um Firefox livre do braço comercial da Mozilla e que priorize a privacidade. (E já vem com a extensão uBlock Origin pré-instalada.)

O LibreWolf pesa a mão na privacidade, o que gera alguns transtornos em uso normal da web. Para evitá-los, recomendo desativar a proteção contra fingerprinting (RFP).

Para o Android, o IronFox é recomendado pelo pessoal do LibreWolf. Outra alternativa, menos focada em privacidade acima de tudo, é o Fennec, disponível na F-Droid.

O que eu uso (2025)

Foto frontal de uma mesa de computador, com monitor grande e uma janela ao fundo.

Esta quarta edição do raio-x anual das coisas — dispositivos e softwares — que uso é um pouco… estranha.

Estava no meio de uma “transição”, tentando sair do iOS e do ecossistema da Apple para um baseado em software livre. Talvez fosse mais fiel se intitulasse este texto “O que uso e pretendo usar (2025)”. Decidi, no fim, manter o padrão, o que acabou sendo positivo por me dar conta de que a transição em si e aspectos relacionados estava me fazendo mal. Mais detalhes neste outro texto — talvez seja melhor lê-lo antes.

(mais…)

WikiCon Brasil 2025 acontece em julho, em Salvador (BA)

Em julho, em Salvador (BA), será realizada a segunda edição da WikiCon Brasil, conferência para a comunidade brasileira da Wikipédia, organizada pelo Wiki Movimento Brasil. Desta vez, o evento terá “uma direção mais propositiva, alinhada ao crescente interesse da comunidade pela governança digital”. Parece-me uma ótima direção! Mais detalhes na Wikipédia.

A Microsoft estava testando uma versão gratuita com anúncios (incluindo…

A Microsoft estava testando uma versão gratuita com anúncios (incluindo em vídeo) de Excel, PowerPoint e Word, com vários recursos básicos bloqueados e que só salvava arquivos no OneDrive.

Após a repercussão negativa, a empresa enviou um posicionamento a alguns sites afirmando que não tem a intenção de lançar esse Office zoado. É curioso tanto esforço para desenvolver algo e colocar esse algo para testes públicos sem ter a intenção de comercializá-lo… não?

Em momentos assim, é sempre bom lembrar de alternativas abertas e gratuitas, em especial o LibreOffice.

Mais conhecida por suas lentes, a Sigma anunciou uma nova câmera, a… 

Mais conhecida por suas lentes, a Sigma anunciou uma nova câmera, a Sigma BF (vídeo), que parece saída de um dos antigos comerciais da Apple estrelados por Jony Ive. Ela é feita a partir de um bloco de alumínio, tem uma interface elegante, com botões e feedback tátil, e vem com 230 GB de memória interna, não expansível, para as fotos e vídeos. Sai lá fora em abril, por US$ 1.999 (~R$ 11,5 mil) num kit sem lente. (Se serve de consolo, apesar de bonita, parece desconfortável.) (Valeu pela dica, Gabriel!)