O Medium tornará públicas em seu perfil as interações realizadas na plataforma: aplausos (as curtidas de lá), destaques e comentários. A exposição delas é “opt-out”, ou seja, caso você queira mantê-las privadas, precisa abrir esta tela das configurações, no navegador web, e desmarcar as três opções — “Claps”, “Highlights” e “Responses”.
Web
O meteoro bateu
Não tenho o hábito de acessar as estatísticas da audiência do Manual. Vez ou outra acesso o painel (que é público) para analisar algo específico, e foi numa dessas que reparei, quase por acaso, que a média de acesso dos textos recém-publicados caiu muito.
Não que isso surpreenda. Desde que o Google ativou aqueles resumos de IA no início das páginas com resultados da busca, geral viu os acessos a seus sites caírem. Achismo puro meu, acho também que chatbots de IA, como o ChatGPT, viraram uma chave no público e o acesso aos sites, à web, sofreu um baque por isso.
Faz uma década que repito que números e estatísticas não pautam o que eu faço. Sigo firme nesse princípio, mas mentiria se dissesse que constatar uma redução profunda na audiência do blog não me abalou. Se ninguém lê o que escrevo — ou pior, se apenas robôs “leem” —, o que estou fazendo aqui?
Passei alguns dias angustiado, refletindo sobre esta nova realidade. Sem sucesso. Estou aberto a conselhos e sugestões.
A única ideia saída dessa filosofada existencial foi explorar mais a newsletter. O envio da íntegra dos textões que publico no blog era “opt-in”, ou seja, enviados apenas a quem sinalizava querer recebê-los. A partir de agora, passa a ser “opt-out”, vão para todos, exceto quem sinalizar que *não* quer recebê-los.
Como fazer essa sinalização? No painel do inscrito, também acessível pelo link “Gerencie a sua inscrição” no rodapé de todas as mensagens. (Coloquei uns GIFs animados para destacá-lo melhor.)
Há pouco mais de dois anos, escrevi que via o meteoro metafórico do fim da web no céu. Parece que ele, enfim, bateu.
A verdade é que hoje, a web aberta já está em rápido declínio.
Google
via Search Engine Roundtable
Quatro novas categorias de domínios .br, incluindo ia.br e social.br
Recebi por e-mail, do Registro.br, a notícia de que quatro novas categorias de domínios .br serão liberadas a partir de 1º de setembro, às 15h (que precisos, né?):
api.br: Interfaces para aplicações.ia.br: Inteligência artificial.social.br: Redes sociais.xyz.br: Miscelânea.
Gente velha na internet provavelmente se lembra do phpBB, um sistema de fóruns de discussão muito popular no início dos anos 2000. Descobri, por acaso, que ele ainda existe e tem desenvolvimento ativo, ainda que lento: a série phpBB3 foi lançada em dezembro de 2007 e a última grande atualização (3.3), em janeiro de 2020. Em time que está… existindo, não se mexe?
“Demetricando” a web
Em 2012, o artista Ben Grosser lançou uma extensão de navegador chamada Facebook Demetricator. Ao ser instalada, ela ocultava todas as métricas da interface do Facebook: número de curtidas, comentários, notificações, mensagens não lidas etc.
“O que aconteceu aqui é que esses números de conexão social brincam com o nosso desejo interno (inspirado pelo capitalismo) por mais”, justificou-se.
Ao criar sua extensão, Ben questionou a razão de tantos números “em um sistema (e por uma empresa) que depende do trabalho gratuito contínuo do usuário para produzir a informação que preenche seus bancos de dados”.
Isso tudo em 2012!
Mais de uma década depois, sinto que não internalizamos as descobertas à frente do tempo feitas por Ben. Mesmo alternativas que se posicionam como opostas às práticas abusivas de plataformas comerciais como o Facebook, casos de Bluesky e Mastodon, insistem em interfaces recheadas de números. Parece até que perdemos a capacidade de imaginarmos outros modelos de interações digitais.
Um dos links desta segunda (26) foi o Just a QR Code, um gerador de QR codes simples, direto, sem anúncios nem rastreadores invasivos.
O Just a QR Code nasceu da insatisfação de Gabe Schuyler com geradores online do tipo. “Não é possível criar um site de uma página que use JavaScript para gerar QR codes? Algo que eu possa salvar no disco e rodar localmente?”, ele se perguntou.
E disso nasceu o Just a QR Code. Os custos operacionais o próprio Gabe se dispôs a bancar. Em troca, ele pede:
Se você achar [o Just a QR Code] valioso, pague por ele criando sua própria coisa útil para o mundo e disponibilize-a de graça. Vamos tomar a web amigável de volta, derrubando uma ferramenta irritantemente monetizada de cada vez!
É esse espírito que move o PC do Manual. Que, a propósito, tem duas ferramentas de geração de QR codes, uma geral e outra para o ingresso em redes Wi-Fi.
Assim que você abre o site allow.webcam, ele pede permissão ao…
Assim que você abre o site allow.webcam, ele pede permissão ao navegador para acessar sua webcam. Se concedê-la, o site tira uma foto sua e mostra as de todas as outras pessoas que também deixaram se fotografar. Se não, contente-se com uma tela preta.
Dark Visitors ganha plano gratuito
O Dark Visitors, serviço de monitoramento e bloqueio de robôs de empresas de inteligência artificial, mencionado neste Manual em agosto de 2024, reformulou seus planos e, agora, oferece um gratuito bastante generoso, com um teto de 1 milhão de “eventos”.
Dá para usar no modo gratuito para sempre ou cadastrar o cartão e usufruir dos recursos pagos, sem pagar, desde que seu site não ultrapasse o teto de 1 milhão de eventos. Após isso, o custo é de US$ 0,00005 por evento.
Havia cancelado o uso do Dark Visitors aqui quando o período de testes expirou. Agora, reativei-o. É quase terapêutico ver o tráfego de não-humanos por aqui.
Tiny Emulators reune punhado de emuladores de sistemas e jogos antigos, rodando direto no navegador

Tiny Emulators reune punhado de emuladores de sistemas e jogos antigos, rodando direto no navegador. Nos jogos, use as setas e a barra de espaço para interagir. Alguns sistemas têm comandos especiais, listados aqui (em inglês). Acabei de perder uns bons minutos no Prince of Persia original.
A Hypertext TV é “uma celebração de pequenos sites e jogos artesanais”

A Hypertext TV é “uma celebração de pequenos sites e jogos artesanais”. A interface simula uma TV de tubo e os “canais” (sites) disponíveis variam de acordo com o dia e horários — volte em dias diferentes para receber outros conteúdos. Trata-se de uma espécie de provocação à oferta de conteúdo ilimitado sob demanda da web moderna. “A Hypertext TV é uma tentativa de imaginar essa programação compartilhada [da TV e do rádio] na web: limitada, não algorítmica, coletiva. Explore o que está no ar hoje. Talvez você descubra algo novo.” (O código é aberto e dá para sugerir sites.)
O site 404s é uma ode às páginas de erro da web

O 404s é uma ode às páginas de erro da web. O nome do site faz referência ao código de resposta padrão do protocolo HTTP para páginas não encontradas. Este site celebra o erro — e acredito que celebrar os nossos erros, a ponto de nos orgulharmos deles, é algo um tanto saudável.
Acho, também, que a página de erro deste Manual precisa de um pouco de atenção, não?
Embelezando o texto na web
Mais um capítulo da série “fascinado com os detalhes do CSS”, desta vez com o atributo text-wrap: pretty e o cuidado dos navegadores para determinar as quebras de linhas, “rio tipográfico” (não conhecia o conceito) o comprimento da linha final.
O Safari é o penúltimo grande navegador a implementar o text-wrap: pretty, novidade anunciada em um post super detalhado (em inglês), interessantíssimo. “Pretty”, em inglês, significa “bonito”; achei belo a especificação do CSS delegar a cada navegador as decisões para apresentar texto embelezado por ele.
FBI: O perigo em usar conversores de arquivos online
Em abril de 2024, o WordPress 6.5 trouxe, entre outras novidades, suporte nativo ao formato de imagens *.avif.
Pessoas normais só se importam com formatos de arquivos de imagens quando topam com incompatibilidades — a Apple e seu *.heic para fotos tiradas com o iPhone é, acho, a maior força de ~conscientização nessa frente. Eu, que sou anormal, passei meses refletindo se as vantagens evidentes do *.avif se sobrepunham à universalidade de antecessores menos eficientes, como *.jpg e *.png.
Faz algumas semanas, decidi dar o salto e adotar o *.avif para (quase) todas as imagens deste Manual.
O Geocities Time Machine transforma qualquer site moderno em uma obra-prima…

GIFs animados bregas (chamas, “em construção”, “novo” piscante), cores chamativas, texto em movimento com a finada tag <marquee>: está tudo lá. O Geocities Time Machine transforma qualquer site moderno em uma obra-prima dos anos 1990 — ou qualquer site da época hospedado no saudoso Geocities. A imagem ao lado é a deste Manual “geocitificado”. Dica do Antonio.