Revisitando as previsões tecnológicas que fizemos para 2023
No final de 2022, eu (Rodrigo Ghedin), Jacqueline Lafloufa e Guilherme Felitti nos reunimos no podcast Guia Prático para fazer previsões da tecnologia para o novo ano que se avizinhava.
No final de 2022, eu (Rodrigo Ghedin), Jacqueline Lafloufa e Guilherme Felitti nos reunimos no podcast Guia Prático para fazer previsões da tecnologia para o novo ano que se avizinhava.
Luciano Huck ameaçando processar Elon Musk porque o Twitter não tira do ar um anúncio caça-clique supostamente criado por ~inteligência artificial dele, Huck, vestido com uma fantasia tosca de presidiário entre dois policiais, com uma manchete sensacionalista e links que levam a sites golpistas aleatórios. Dei uma boa gargalhada aqui. Obrigado, IA e Elon Musk, nunca critiquei vocês! Via Notícias da TV.
— Anne Hidalgo, prefeita de Paris, ao anunciar sua saída do Twitter.
Apple, Comcast, Disney, IBM, Lionsgate, Oracle, Paramount Global, União Europeia, Warner Bros Discovery suspenderam a veiculação de anúncios no Twitter (ou X) porque o dono, Elon Musk, demonstrou (no mínimo) simpatia ao antissemitismo e ao supremacismo branco em interações na plataforma.
Quando empresas desse calibre acham que um lugar é radioativo a ponto de quererem distância, talvez seja o momento de você, de nós procurarmos outro canto para passar o tempo na internet… Via Axios, Associated Press, New York Times, CNBC (em inglês).
Este é o terceiro episódio de uma trilogia. Ao contrário de algumas das principais trilogias do cinema, é muito provável que você entenda tudo que eu vou descrever aqui, mas, tal qual em House, embora os episódios funcionem de forma independente, eles se complementam quando unidos. Ao contrário de House, aqui não tem o médico manco tendo uma epifania e criando um “deus ex-machina” lá pelo 36º minuto do episódio para que ele termine com a resolução do problema. Nas eleições brasileiras, tudo que poderia ter acontecido, aconteceu. Ou quase tudo — e não graças à big tech, mas a gente já chega lá.
Na sexta (27), o ex-Twitter anunciou um plano “Premium+” de R$ 84/mês que remove anúncios. Nesta segunda (30) foi a vez da Meta revelar seus planos pagos para Facebook e Instagram na Europa, por € 9,99/mês. As duas plataformas se juntam ao YouTube, que remove anúncios por R$ 24,90/mês.
É bom que exista a alternativa paga e sem anúncios, mas isso não soluciona o problema. Poucos podem ou querem pagar. A oferta de serviços suportados por publicidade não é, a princípio, nociva. As práticas invasivas das big techs, que devassam a privacidade dos usuários para exibir anúncios segmentados, é que são.
Há exatamente um ano, Elon Musk tornava-se o dono do Twitter. Literalmente. O empresário pagou US$ 44 bilhões pela empresa inteira e prometeu transformar a rede em uma espécie de “super app”, ou — como ele diz — um “everything app”.
Um ano é pouco tempo, é verdade, mas a essa altura era de se esperar pelo menos sinais de que uma virada positiva está em curso ou é possível. Os sinais existem, mas no sentido contrário.
A última grande ideia de Elon Musk é cobrar um valor simbólico dos usuários do Twitter.
Por enquanto, é um teste limitado a novas contas criadas nas Filipinas e Nova Zelândia. Objetivo alardeado? Conter robôs que publicam spam na plataforma.
O fim é nobre, mas a solução proposta é ruim — e não só por barrar também (muitas) pessoas legítimas. A barreira financeira só afasta pessoas mal intencionadas se for maior que o retorno esperado. No caso das campanhas de desinformação do Twitter, às vezes o retorno imediato nem é financeiro.
E, mesmo que a motivação dos spammers seja dinheiro, estamos falando de US$ 1 por ano, valor da assinatura em testes que transforma o básico — postar e interagir — em benefício de assinantes.
Matt Mullenweg, co-fundador e CEO da Automattic, empresa por trás do WordPress, criticou a iniciativa. Ele lembrou que domínios e hospedagem de sites custam bem mais que US$ 1/ano e, ainda assim, a web é dominada por sites de spam:
Cobrar [pelo acesso] pode causar uma queda de curto prazo nos robôs enquanto os criminosos atualizam seus scripts, mas o valor de manipular o X/Twitter é tão alto que imagino que já haja milhões de dólares sendo gastos nisso.
O executivo sabe do que fala: a Automattic mantém o Akismet, um dos filtros anti-spam mais usados e eficientes para comentários em sites e blogs.
Para Mullenweg, o sucesso duradouro no combate ao spam passa por ter um “olhar sutil sobre o comportamento e o conteúdo […] e ter uma operação de trust & safety muito sofisticada, com ótimos engenheiros”.
Musk demitiu +75% dos funcionários. Mandou embora ótimos engenheiros e desmantelou a equipe de trust & safety (algo como “confiança & segurança”) do Twitter.
Cobrar não vai resolver esse problema, mas talvez solucione outro mais urgente para Musk: obter acesso aos cartões de crédito da base de usuários do Twitter.
Transparência: O Manual do Usuário está hospedado nos servidores da Automattic.
Na manhã do último domingo (8), Elon Musk indicou dois “bons” perfis de notícias de guerra para seus 150 milhões de seguidores no Twitter se informarem do conflito entre Israel e o Hamas.
As duas recomendações do bilionário são notórias fontes de desinformação. Em maio, elas espalharam o boato de que a Casa Branca havia sido bombardeada, por exemplo.
Ao se dar conta da gafe, Musk apagou o post. Antes disso, ele havia acumulado +11 milhões de visualizações.
Era apenas questão de tempo — e um evento dramático — para que a decadência do Twitter se revelasse da pior maneira possível. Ao longo de quase um ano, incentivos errados e decisões desastrosas em série de Musk transformaram a rede em um dos piores lugares para obter informações confiáveis.
Ativistas e especialistas em inteligência coletiva têm perdido um tempo precioso desmentindo imagens de video game e vídeos antigos, repostados no Twitter para direcionar narrativas e/ou gerar dinheiro com o programa de divisão de receita publicitária (mal) implementado por Musk.
Não é que a desinformação digital tenha surgido agora nem seja exclusividade do Twitter. É que, ali, ela está fora de controle.
Em quase um ano, Musk demitiu ~75% dos funcionários do Twitter, dispensou todos os milhares de terceirizados que moderavam conteúdo, desdenhou da imprensa, potencializou discursos extremistas, criou os piores incentivos para que a desinformação florescesse na plataforma.
A situação é tão grave e peculiar que Thierry Breton, comissário da União Europeia, enviou uma “carta urgente”, em tom duro, apontando infrações do Twitter ao Digital Services Act e exigindo providências de Musk em um prazo de 24 horas.
O Twitter, hoje, é o que todas as redes extremistas/alternativas — Gab, Truth Social, Parler — sempre sonharam em ser: um espaço frequentado por milhões de pessoas, controlado por um extremista e onde dinheiro e truculência falam mais alto em uma suposta “guerra cultural” que estaria em curso.
Muita gente boa continua no Twitter, entre outros (poucos) motivos, “para se informar”. Sinto dizer, mas o antigo Twitter não existe mais e o que sobrou em seu lugar não serve para isso.
Com informações da Associated Press e Wired (ambos em inglês).
Nota do editor: Nas notinhas publicadas no início da manhã, pensei em fazer esse apanhado do dia anterior. Quando houver uma conversa correspondente no Órbita, incluirei um link direto para lá.
A partir de 1º de novembro, alguns serviços da Receita Federal só serão acessíveis por uma conta prata ou ouro do gov.br. [Receita Federal]
A Sony anunciou uma versão menor do PlayStation 5. Lá fora, chega em novembro. [Blog do PlayStation, comente no Órbita]
O Google vai estimular o uso de chaves-senha (passkeys) quando alguém fizer login em contas pessoais. [Google]
A Microsoft voltou atrás e não vai mais contar em dobro o espaço usado por imagens colocadas em álbuns no OneDrive. (É cada ideia…). [Microsoft]
Kate Knibbs, repórter da Wired, descobriu um fenômeno bizarro no YouTube: canais que leem obituários de pessoas comuns, em grandes volumes.
Na apuração, Kate descobriu que os canais fazem isso de olho na receita com publicidade que o Google divide com youtubers.
A quem ainda está no Twitter, ou X, a nova política de privacidade do serviço começou a valer nesta sexta (29). Ela prevê a coleta de dados biométricos, histórico profissional e de formação dos usuários, além do uso de mensagens diretas (DMs) não criptografadas. Todo o conteúdo passa a poder ser usado para treinar modelos de inteligência artificial.
O acordo entre pessoas e empresas da chamada web 2.0 já não era dos melhores: em troca de espaço para publicar na internet, conexão e alcance, cedemos nossos dados mais íntimos para que elas lucrassem horrores direcionado anúncios invasivos.
A explosão da inteligência artificial gerativa, liberada pela OpenAI e seu grande sugador de dados da internet, piorou os termos para o nosso lado.
De maneira unilateral, as big techs que veiculam conteúdo gerado pelos usuários alteraram seus termos de uso, garantido a elas o direito de usar os nossos dados para treinar IAs.
Google, Meta e, em breve, X (antigo Twitter). Não houve grandes anúncios nem nada do tipo. Coube à imprensa e aos ativistas pró-privacidade jogar luz nessas alterações faustianas.
A Meta disponibilizou um formulário que (supostamente) permite às pessoas excluírem dados pessoais de fontes/conjuntos de terceiros obtidas ou comprados pela empresa para treinar IAs.
Note a engenhosidade do texto: em momento algum a Meta diz que os dados em suas plataformas abertas (Facebook e Instagram) estão no pacote. Você usa Facebook? Instagram? Parabéns, você está treinando as IAs da Meta.
Esse “trabalho forçado” invisível não é novidade. Há mais de uma década, o Google treina seus algoritmos de computação visual com CAPTCHAs — aqueles desafios que nos pedem para identificar pontes, faixas de pedestres e carros em pequenas imagens borradas.
Quando muito, essas empresas pagam uma mixaria a trabalhadores precarizados em países do Sul Global.
A diferença desta nova fase de exploração generalizada com a IA gerativa, é a (falta de) transparência, abrangência e escala.
Até então, as big techs “apenas“ lucravam com os nossos dados. Agora elas querem mais que isso; querem nos usar para criar novos produtos que, depois, pagaremos para usar.
Em julho, conduzi um experimento: participei do maior número de redes sociais possível pelo Manual do Usuário.
Planejava fazer uma análise bem objetiva, pautada por dados e estatísticas, ao final desse mês imerso em uma parte da internet que não costumo frequentar.
Mande o seu recado ou pergunta, em texto ou áudio, no Telegram ou por e-mail.
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Neste episódio, recebo Iná Jost, coordenadora da área de liberdade de expressão do InternetLab, para falar do novo relatório de lá sobre sistemas de moderação em camadas para redes/plataformas sociais. O que são? Quais as vantagens e os desafios? Trata-se de uma lista VIP, onde já figuraram nomes controversos como Neymar e Donald Trump, ou é algo mais complexo, cujo potencial ainda não foi realizado?
Baixe o relatório aqui e inscreva-se na newsletter semanal do InternetLab.
Desde o último episódio, uma leitora/ouvinte tornou-se assinante, a Nanda. Obrigado!
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