O Telegram questionou uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) e não suspendeu o canal do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Os advogados do aplicativo disseram, em petição, que faltou embasamento legal ao pedido e que ele “implica em censura”. Seria uma decisão “desproporcional”. A audácia dessa galera… Via O Globo.

Atualização (14h): O STF aplicou uma multa de R$ 1,2 milhão ao Telegram por descumprir sua determinação. Via O Globo.

Atualização (16h08): Em nova decisão, o STF restabeleceu as contas de Nikolas em seis redes sociais — incluindo o Telegram. Via O Globo.

Às redes sociais, a culpa que lhes cabe

Logo após os eventos de 8 de janeiro em Brasília, a imprensa correu para noticiar que os terroristas haviam se organizado por redes sociais e aplicativos de mensagens.

Milhões de brasileiros, bilhões de pessoas usam redes sociais e aplicativos de mensagens todos os dias para se comunicar, trabalhar, cuidar das suas vidas e, também, cometer crimes.

Dito isso, estranho seria se os terroristas não tivessem se organizado no digital. Fariam como? Por cartas? Telefone? Sinais de fumaça?

(mais…)

Faz tempo que aplicativos de mensagens deixaram de ser versões melhoradas do SMS. Eles evoluíram: hoje são, também, utilitários e a base de comunidades, e as empresas que os desenvolvem têm apoiado essas transformações.

Recursos como as comunidades do WhatsApp e os tópicos do Telegram reconhecem o uso dos aplicativos de mensagens para comunidades. São versões limitadas de aplicativos mais modernos que têm isso no DNA, como Slack e Discord, ainda que simplificadas para não assustar quem não tem familiaridade com o formato.

Se vai colar, é outra história. Por um lado, comunidades/tópicos prometem ajudar na organização de grupos que por vezes se tornam caóticos, mas ao mesmo tempo jogam contra a simplicidade que permitiu a esses aplicativos se tornarem onipresentes.

O Telegram lançou nesta terça (6) uma expansão dos tópicos, agora disponíveis para grupos com pelo menos 100 membros (antes, o piso era 200). A explicação no anúncio oficial é confusa; talvez na prática seja mais simples. Devo ativar isso no grupo de assinantes do Manual. (Apoie o site para participar.)

Quanto ao WhatsApp, o recurso de comunidades, que já foi liberado lá fora, só será lançado no Brasil em 2023. Culpa das eleições, ou do mau uso do WhatsApp em eleições passadas. Via Telegram.

Defender a privacidade dos usuários é uma posição que vai além do discurso. É estrutural. Vide este caso do Telegram na Índia, onde o aplicativo entregou à Justiça os dados de administradores de canais suspeitos de pirataria — nomes, números de telefone e endereços IP. O processo foi movido por uma professora, Neetu Singh, que teve seus materiais de estudo, que ela vende, pirateados e revendidos em canais do Telegram.

O caso ilustra bem desafios e falhas de privacidade no modelo do Telegram, algo que Pavel Durov, CEO do Telegram, costuma ignorar quando argumenta que o Telegram seria o aplicativo de mensagens mais privado do mercado.

Quando a Justiça de um país faz uma demanda, a empresa detentora do aplicativo não pode se negar a cumprir a ordem. A única saída que ela tem para não atender à exigência é não possuir os dados pedidos.

Que é o que o Signal faz. Em duas ocasiões, a Justiça dos Estados Unidos solicitou dados de usuários do Signal. Em ambas, ficou sem porque o Signal não coleta dados dos usuários. Da última vez, em abril de 2021:

É impossível entregar dados a que nunca tivemos acesso. O Signal não tem acesso às suas mensagens; sua lista de conversas; seus grupos; seus contatos; suas figurinhas; seu nome ou avatar; nem mesmo aos GIFs que você pesquisa. Por isso, nossa resposta a essa intimação parecerá familiar. É o mesmo conjunto de “Informações da Conta e do Assinante” que entregamos em 2016 [no outro caso do tipo]: registro do dia e horário em formato Unix de quando cada conta foi criada e a data em que elas se conectaram pela última vez ao serviço do Signal.

Via TechCrunch (em inglês).

O Telegram retomou o controle de nomes de usuários ligados a canais inativos ou vazios há pelo menos um ano. O aplicativo disponibilizará novamente esses nomes em breve, desta vez sob novas regras:

  • 99% desses nomes serão disponibilizados novamente ao público, desta vez com limitações geográficas e algorítmicas, a fim de evitar abusos; e
  • 1% será leiloado — nomes curtos e valiosos, que Durov já havia sugerido que poderiam ser vendidos e convertidos em NFTs.

Um dado curioso que ajuda a entender tal cuidado: 70% de todos os nomes de usuários reservados no Telegram eram de propriedade de “cybersquatters” iranianos.

No post/anúncio, Durov disse que não duvida que os acumuladores de nomes de usuários do Telegram ficarão decepcionados, mas que “esta mudança beneficiará a maioria dos nossos usuários”. É isso aí, camarada Durov!

O canal do CEO do Telegram continua sem receber emojis de reações desde a chuva de “não curti” do penúltimo post, quando ele ventilou a ideia de transformar nomes de usuários com poucos caracteres em NFTs. Aí não, né? Via @durov/Telegram (em inglês).

Pavel Durov, o falastrão CEO do Telegram, compartilhou com seus 650 mil seguidores no aplicativo seu apreço pelos leilões de domínios com terminação *.ton, realizado pela Open Network, grupo independente que assumiu o espólio da frustrada iniciativa de criptomoeda do aplicativo e conseguiu lançá-la em 2021.

“Se o ton foi capaz de alcançar esses resultados, imagine quão bem-sucedido seria o Telegram com seus 700 milhões de usuários se pudéssemos reservar @ nomes de usuários, grupos e canais para serem leiloados”, escreveu Durov.

Na sequência, ele soltou a imaginação e disse que esses nomes de usuários leiloados poderiam ser “tipo NFTs”, e que a lógica poderia ser estendida a outros elementos do aplicativo, como emojis e reações. “Vamos ver se conseguimos colocar um pouco de Web3 no Telegram nas próximas semanas”, finalizou.

Só faltou combinar com os usuários mais assíduos do Telegram, aqueles que acompanham o canal de Durov no aplicativo: o post recebeu uma enxurrada de reações negativas — segundo testemunhas, foram 24 mil joinhas para baixo (👎) contra apenas 4 mil curtidas (👍). O fiasco ficou ainda pior depois que Durov desativou as reações no seu canal, em óbvia retaliação à reação negativa da maioria.

Não é a primeira vez que uma comunidade de usuários manifesta desaprovação a empresas que flertam com NFT, Web3 e outras picaretagens do tipo. Gamers, por exemplo, são bem avessos a essas ideias. Via @durov/Telegram (em inglês)

(Obrigado pela dica, Henrique!)

A tal atualização do Telegram que iria “revolucionar a maneira como as pessoas se expressam em aplicativos de mensagens” saiu e… bem, acho que Pavel Durov exagerou desta vez: a tal “revolução” são pacotes de emojis animados disponíveis apenas para usuários pagantes.

O enrosco com a Apple se deu porque o Telegram animou os emojis da empresa, que compõem a fonte Apple Color Emoji e são protegidos por direitos autorais, ou seja, o fez sem autorização. Via Telegram, @durov/Telegram (em inglês).

Se o Telegram, um dos dez aplicativos mais populares do mundo, está recebendo este tratamento [da Apple], imagine as dificuldades enfrentadas por desenvolvedores de aplicativos menores.

— Pavel Durov, CEO do Telegram.

O desabafo de Durov diz respeito a uma atualização do Telegram presa há duas semanas no processo de revisão da App Store, da Apple.

Segundo o executivo, é uma atualização que vai “revolucionar a maneira como as pessoas se expressam em aplicativos de mensagens”. É de se duvidar, mas seguimos atentos. Via @durov/Telegram (em inglês).

A Folha de S.Paulo contatou seis empresas responsáveis pelas maiores plataformas sociais no país: Meta (do trio Facebook, Instagram e WhatsApp), TikTok, Telegram, Twitter, Kwai e YouTube.

O jornal paulista queria saber detalhes dos preparativos para o período eleitoral. Entre outras perguntas, qual o tamanho da equipe de moderação que fala português do Brasil e investimentos feitos em pessoal na moderação e nos sistemas automatizados.

Telegram não respondeu. As demais tangenciaram e, embora tenham dado retorno, não responderam as perguntas diretamente.

Apenas o Twitter confirmou, ainda que de forma vaga, que durante as eleições dedica “mais esforços desses e de outros times, que incluem brasileiros, para monitorar as conversas”. Via Folha de S.Paulo.

A assinatura paga do Telegram foi liberada neste domingo (19). No Brasil, ela custa R$ 24,90 por mês. Em troca, o usuário pagante do chamado Telegram Premium recebe limites dobrados, como envio de arquivos de 4 GB, e um monte de figurinhas e reações e outros elementos visuais exclusivos. Via Telegram.