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Acho fascinante que tanta gente compre a falácia de que a inteligência artificial é confiável o bastante para balizar a tomada de decisões. E, às vezes, acho engraçado também.

A Jumpad intriga já na proposta: uma “plataforma self-hosted, instalada na nuvem da empresa” que permite habilitar APIs de serviços externos, como os da OpenAI e Google. Hm, ok. O serviço “envolve dashboards de engajamento e treinamentos gamificados, contribuindo para a transformação da cultura”. Como exemplo de “transformação da cultura”, somos brindados com esta pérola:

Em um dos clientes, houve a constatação de que 25% do tempo dos funcionários era gasto em calls e reuniões, mas cerca de 80% deles não participavam ativamente. Ou seja, era uma grande perda de tempo.

Imagine ter que torrar o planeta para “descobrir” que a maioria das reuniões poderia ser um e-email.

(As informações são do Brazil Journal.)

Português é o segundo idioma mais popular (de longe!) no Buttondown

A parceria deste Manual do Usuário com o Buttondown, serviço de newsletters estadunidense, foi renovada pela segunda vez. O Buttondown seguirá patrocinando o diretório de newsletters brasileiras e a série de entrevistas com gentes de newsletters.

Na conversa para renovar a parceria, Justin Duke, fundador e CEO do Buttondown, revelou-me que o português é “de longe o nosso idioma/local [Brasil, no caso] mais popular depois do inglês”, e que “só posso pressupor que vocês [o Manual] são um dos grandes motivos disso”. Fiquei lisonjeado com o comentário e contente com os resultados

(Marcas brasileiras, vejam o que vocês estão perdendo! Anunciem no Manual.)

(mais…)

Embora incentivemos as pessoas a usarem sistemas de IA em suas atribuições para ajudá-las a trabalhar de forma mais rápida e eficaz, não use assistentes de IA para se candidatar [a um emprego]. Queremos entender seu interesse pessoal na Anthropic sem a mediação de um sistema de IA e também queremos avaliar suas habilidades de comunicação não assistidas por IA. Por favor, indique “Sim” se você leu e concordou.

Formulário de inscrição para vagas abertas na Anthropic, uma startup de IA (dona do Claude).

Via Simon Willison.

Estou longe de ser o primeiro ou único a apontar a ironia — até porque, explícita — da OpenAI acusar a DeepSeek de infringir sua propriedade intelectual no treinamento dos seus grandes modelos de linguagem (LLMs). A OpenAI alega que os chineses usaram um método chamado “destilação”, que consiste em usar as respostas de um LLM para treinar um novo. Estão dizendo por aí que o ChatGPT é mais um mandado à fila do desemprego pela IA. / ft.com (em inglês)

Nesta sexta (17), a plataforma Read.cv anunciou que foi adquirida pela Perplexity, uma startup de inteligência artificial, e que, com isso, encerrará as atividades. / read.cv, @andy@posts.cv (ambos em inglês)

A Read.cv tinha uma rede social focada em design, a Posts. Em junho de 2024, escrevi a respeito dela. Chamei-a de “a última rede social ‘good vibes’”. Por essa lógica, acabaram-se as redes sociais “good vibes”. / manualdousuario.net

Coincidência ou mau agouro, o anúncio coincidiu com a manifestação da minha opinião de que a única maneira de blindar uma plataforma social (qualquer empreendimento, na real) de bilionários excêntricos e mega-corporações é impossibilitar a sua venda. / manualdousuario.net, youtube.com/@mdu

Nesse contexto, o Mastodon e outras aplicações baseadas no protocolo ActivityPub é a única solução viável que temos hoje.

Não foram uma nem duas vezes que ouvi/li alguém se referindo a uma newsletter como “um Substack”. Em seu blog, Anil Dash pede para que não façamos isso:

O e-mail existe há anos, mas a razão pela qual o Substack quer que você chame seu trabalho criativo pelo nome da marca é porque eles controlam seu público e distribuição, e também querem possuir seu conteúdo e sua voz. / anildash.com (em inglês)

Além do “branding” em cima das newsletters, tenho a impressão de que a centralização que o Substack — com o processo de inscrição que se resume a um clique e o gerenciamento de todas elas na mesma tela — fomenta uma sensação de que sistemas alternativos são arcaicos, estranhos ou até perigosos.

“Por que este site quer que eu coloque meu e-mail aqui?”

A cartilha do Substack é a mesma do Spotify com os podcasts, do Medium e do Twitter para os blogs. Não à toa defini o Substack como “a maior ameaça às newsletters que já existiu” em abril de 2023.

Pode parecer que sim, mas eu não gosto de ser profeta do apocalipse, menos ainda de intimidar quem usa o Substack para disparar newsletters por qualquer motivo que seja. É gratuito e funciona! É, também, um campo minado, e se pudesse pedir alguma coisa, pediria cuidado para não cair na armadilha e se prender dentro de uma plataforma que, ao que tudo indica, cedo ou tarde se fechará para a “portabilidade” que é característica das newsletters.

Bluesky levanta US$ 15 milhões em rodada liderada pela Blockchain Capital

O Bluesky tem sido a plataforma mais beneficiada com o expurgo da cracolândia digital (o X, antigo Twitter) promovido pelo próprio dono, Elon Musk. Nesta quinta (24), a startup chegou à marca de 13 milhões de usuários. / bsky.social (em inglês)

A equipe aproveitou a oportunidade para anunciar uma rodada de investimento série A, de US$ 15 milhões, liderada pela Blockchain Capital.

Prevendo reações negativas do público, o texto esclarece que:

Isso [a entrada da Blockchain Capital] não muda o fato de que o aplicativo Bluesky e o Protocolo AT não usam blockchains ou criptomoedas, e que não vamos “hiperfinanciarizar” a experiência social (por meio de tokens, trading de cripto, NFTs, etc).

No mesmo parágrafo é anunciada a entrada de Kinjal Shah, sócio da Blockchain Capital, no conselho administrativo do Bluesky.

Do outro lado do balcão, no site da Blockchain Capital, a conversa é um pouco diferente. / blockchaincapital.com (em inglês)

O texto, assinado por Kinjal, já começa informando que “investimos em blockchain desde 2012”. Embora ele não diga que pretende enfiar a tecnologia no Bluesky, há alguns trechos capazes de levantar sobrancelhas no céu azul:

O Bluesky é o principal aplicativo construído em cima do protocolo AT, que qualquer desenvolvedor pode acessar. É interoperável com protocolos de internet existentes e sistemas baseados em blockchain, abrindo as portas para uma experiência social mais conectada e menos isolada. […] E a melhor parte de tudo isso? Ao construir em cima do protocolo AT, esses desenvolvedores têm acesso aos 13 milhões de usuários da Bluesky em todo o mundo.

Há uma tensão evidente entre os comunicados à imprensa do Bluesky e da Blockchain Capital. Lamento dizer aos refugiados do Twitter que escolheram o Bluesky para abrigarem-se, mas isso não tem como dar certo. (E, talvez, apenas talvez, Jack Dorsey tenha razão em seu desencanto com o Bluesky…?)

Em outro canto da internet, Eugen Rochko, fundador do Mastodon:

O Mastodon é financiado por pessoas em vez de capital de risco [VC], não porque desconhecemos a existência do capital de risco, não porque não temos contas para pagar e não porque o capital de risco não esteja disposto a dar dinheiro a novas plataformas sociais. Os VCs não querem um negócio sustentável, eles querem uma grande saída. Toda empresa com financiada por VCs entra em uma contagem regressiva para entregar resultados ou morrer. / @Gargron@mastodon.social (em inglês)

Memento: O começo do setor de apps de transporte no Brasil

por Guilherme Felitti

No Brasil o registro que funciona de verdade é o da torneira — e olha lá, que borrachinhas velhas desperdiçam litros e litros de água diariamente. Piadinha infame à parte, falemos sério: o Brasil não registra sua história direito e, quando registra, não cuida.

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Stoop, app de newsletters, para de funcionar e prejudica escritores e leitores

Uma das vantagens da newsletter é o contato direto que se estabelece entre quem escreve e quem lê. Por isso, sempre torci o nariz para aplicativos e serviços que se colocam como intermediários com a promessa de organizar ou melhorar a experiência de leitura.

Uns anos atrás, o Stoop despontou como promessa no setor. O aplicativo fornecia um endereço de e-mail para cadastros em newsletters, sugestões de publicações para se inscrever e um leiaute moderno. “Como um app de podcasts, mas para newsletters”, promete ainda seu site oficial.

Em 2019, troquei umas ideias com Tim Raybould, fundador do Stoop. Expressei minha preocupação com o aplicativo agindo como intermediário. E se ele saísse do ar, o que aconteceria com os inscritos?

Na época, Tim pediu um voto de confiança. Argumentou que o Stoop era uma caixa de entrada, e não um feed, e que acreditava que as pessoas gostariam de separar o e-mail pessoal do recebimento de conteúdo.

Corta para 2024. Dias atrás, o leitor Alexandre se recadastrou na newsletter do Manual e disse, na mensagem anti-robôs, que estava fazendo isso porque “o Stoop está morto”. Curioso com a informação, pedi detalhes.

“A ferramenta parou de funcionar, simplesmente não loga, nem no mobile nem na web. E simplesmente sumiu da Play Store.”

O link para baixar o aplicativo do Android, que ainda consta no site, dá erro. A versão para iOS segue no ar, com a última atualização publicada há três anos.

Tentei retomar a conversa com Tim, sem sucesso. Das breves mensagens que trocamos, não acredito que ele tenha agido de má-fé. Apenas fico imaginando quantas relações foram rompidas pela quebra do Stoop.