Samsung: ceda seus dados de saúde para treinar a IA ou excluiremos todos eles

Empresas embriagadas de IA gostam de alardear seus milhões ou bilhões de usuários. O que elas não contam é que a maioria é forçada a usar tais recursos. Pense no resumo de IA que a busca do Google retorna, queira você ou não.

A Samsung parece ter avançado nessa tática. Segundo o How-To Geek, o aplicativo Samsung Health vai excluir os dados de saúde dos usuários da nuvem da empresa — impossibilitando a sincronia entre dispositivos —, a menos que eles concordem em cedê-los para o treinamento e modelagem de IAs.

O novo botão de consentimento vem ativado por padrão, fica enterrado nas configurações do aplicativo. Ele exibe esta mensagem quando alguém tenta desativá-lo (tradução livre):

Retirar-se deste acordo?

Você não poderá sincronizar dados de saúde com sua conta Samsung e seus dados de saúde serão excluídos, a menos que sejam retidos de acordo com a lei aplicável. Se a retenção for necessária, nós os excluiremos assim que o período de retenção exigido terminar.

A Samsung coleta quatro tipos de dados no Health:

  1. Saúde e bem-estar: dados biométricos, nutricionais, medidas corporais e de sono.
  2. Medicamentos: incluindo prescrições e dosagens.
  3. Exames clínicos e tratamentos.
  4. Ciclo menstrual.

Uma mensagem no site da Samsung (em inglês) avisa que pessoas podem ter acesso a esses dados para revisá-los.

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Grande rival da Samsung, a Apple também se prepara para tornar a Apple Intelligence, seu conjunto de ferramentas de IA generativa embebido nos sistemas operacionais, obrigatória a partir das versões 27.

Chegou ontem (6) a Huawei Band 11 que encomendei para substituir o incômodo Apple Watch. Ontem fiz musculação e elíptico com os dois relógios, um em cada braço. Os relatórios de frequência cardíaca durante os exercícios bateram quase que perfeitamente.

A grande surpresa veio hoje cedo. O Apple Watch acusou 44 minutos de sono profundo. A Huawei Band, 2h10min, diferença de quase 200%. Em qual acreditar? Nenhum deles? Tive uma noite tranquila e acordei bem disposto. (Curiosamente, a Huawei deu nota 87 para o meu sono e a Apple, 97. Realmente não dá para resumir o sono a um número.)

Aguentei o Apple Watch por quatro meses

Considero-me uma pessoa decidida, embora tenha meus pontos fracos. Gastos substanciais, como o de dispositivos eletrônicos, são sempre uma novela. A do Apple Watch durou alguns anos.

No final de 2025, foi ao ar um capítulo especial com uma grande reviravolta, típica dos melhores novelões. Sem pensar muito, procurei pelo Apple Watch Series 10 mais barato no varejo. Comprei. A minha lógica foi aproveitar a “entressafra” de versões e a desvalorização do modelo anterior, uma boa estratégia neste ano em que o recém-lançado Series 11 trouxe pouquíssimas novidades.

Caixa de 46 mm, cor rosa dourado, pulseira esportiva branca. Comprado. Alguns dias depois, o relógio apareceu em casa. Com outra pulseira, uma loop esportiva roxa. Acabei ficando com ela porque os modelos com a outra que havia pedido estavam em falta. Foi a entressafra…

A novela teve seu (possível?) capítulo final, um abrupto, no último dia 20 de abril, quatro meses após o início da fase em que passei a usar um Apple Watch.

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O próximo textão deste Manual será o relato da minha experiência com o Apple Watch. Neste feriado (21), tirei-o do pulso para usá-lo apenas em momentos pontuais, a saber: exercícios aeróbicos e ao dormir. Talvez nem isso, mais.

Antes de fechar o textão, queria “medir a temperatura” com quem lê o blog. Vocês usam relógio/pulseira inteligente? Já usaram e deixaram de usar? Se sim, por quê? Nos vemos nos comentários!

É impossível avaliar o sono com apenas um número

O iOS 26 trouxe uma nova pontuação no aplicativo Saúde, a da qualidade do sono. (Não é algo exclusivo do Apple Watch; qualquer pulseira ou relógio compatível com o iOS pode compor esse número.)

Tenho um pé atrás com números do tipo. É redutivo e pode ser enganoso atribuir uma pontuação a algo tão complexo como o sono. E, numa grande ironia, os meus números (!) meio que provam isso.

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A Apple liberou no Brasil, nesta terça (25), o uso dos AirPods Pro 2 como aparelho auditivo de uso clínico. Para quem tem perda auditiva, é uma maneira econômica de mitigar o problema. (Pois é, “Apple” e “econômica” na mesma frase, sem ironia.)

Outra novidade que chega aqui é a redução de som alto, que atua nos modos Ambiente e Áudio Adaptável dos AirPods Pro 2. Na condição de alguém sensível aos barulhos do mundo e que comprou fones de ouvido mais pelo cancelamento de ruído que por qualquer outra coisa, é muito bem-vinda.

Um estudo da Universidade de Sydney descobriu que trabalhar de pé não traz benefícios cardiovasculares e, pior, aumenta os riscos de problemas circulatórios. / sydney.edu.au (em inglês)

Passar o dia sentado tampouco ajuda, alertam os pesquisadores. Fora os comumente associados ao sedentarismo, descobri que existem problemas específicos da região glútea, como a “síndrome do bumbum morto”. / folha.uol.com.br

Os pesquisadores australianos — que descobriram que ficar o tempo todo de pé não é saudável — alertam para o real vilão: o sedentarismo.

Para quem passa o dia sentado na frente do computador, fazer pequenas pausas, caminhadas, descer e subir escadas mitigam os malefícios do sedentarismo. Em uma pesquisa anterior, o dr. Matthew Ahmadi, que liderou o estudo, descobriu que 6 minutos de exercícios intensos ou 30 minutos de moderados para intensos por dia diminui os riscos de doenças cardíacas mesmo em pessoas que passam mais de 11 horas diárias sentadas. / url.au.m.mimecastprotect.com (em inglês)

Como limitar o volume dos fones para não estragar seus ouvidos

Um estudo publicado no final de 2022 na revista científica BMJ Global Health soou o alerta: mais de 1 bilhão de jovens correm o risco de perda de audição devido a fones de ouvido e ambientes com som muito alto.

Estudos anteriores analisados pelos pesquisadores descobriram que, com frequência, o volume em fones de ouvido chega a 105 dB, bem acima dos limites recomendados — 80 dB para adultos e 75 dB para crianças para intervalos curtos; até 70 dB para longa exposição, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.

Pode parecer um pequeno incremento, mas a escala de decibéis (dB) é logarítmica.

É difícil detectar de ouvido esses limites e a depender do ambiente ou da empolgação com a música ou podcast sendo ouvido, extrapolá-los.

Felizmente, existem maneiras de impedir que os fones de ouvido atinjam volumes danosos aos nossos ouvidos.

Tela de “Segurança de Fone de Ouvido” nas configurações/Ajustes do iOS.
Opção nativa no iOS.

O iOS tem um limitador nativo. Entre em Ajustes, depois em Som e Tato, role a tela até o final e toque em Segurança de Fone de Ouvido.

Na tela seguinte você verá a opção Limite de Volume. Ative-a e defina o volume máximo no “slider” imediatamente abaixo, que vai de 75 a 100 dB.

No Android, até onde sei, não existe um limitador nativo. (Ao menos, não no Android 13, versão que tenho instalada no meu celular de testes.)

Atualização (13h50): O leitor Victor K mencionou, nos comentários, que celulares Android da Samsung com a One UI oferecem um limitador de volume nativo. Este vídeo demonstra como configurá-lo.

Existem, porém, vários aplicativos de terceiros com essa funcionalidade. Dos que encontrei, o Voli parece o mais acertado. É gratuito e não exibe anúncios e, embora seja voltado a crianças, funciona ok com adultos também.

Para quem quiser maior controle, o Volume Lock permite configurar limites e travar volumes por tipo — mídia/música, ligações, notificações etc.

O aplicativo é gratuito e exibe anúncios. O Volume Lock Pro, versão paga, remove os anúncios por R$ 23.

LookAway

Ícone do aplicativo LookAway.

O LookAway é um pequeno aplicativo para a menubar que te lembra de se afastar do monitor a intervalos regulares para cuidar dos olhos.

Existem vários do tipo; o que me chamou a atenção neste é a elegância e o cuidado evidente do desenvolvedor Kushagra Agarwal. Os alertas são suaves, com avisos prévios e a possibilidade de adiá-los ou ignorá-los. O LookAway fica atento a períodos de inatividade e a videochamadas, e adapta o timer nessas circunstâncias.

A descrição do site oficial faz todo sentido: “É sutil, esperto e totalmente personalizável.”

  • Site oficial.
  • Plataforma: macOS.
  • Licença: Proprietário.
  • Preço: US$ 6,99 (1 licença), US$ 11,99 (2) ou US$ 19,99 (5), com 7 dias de teste gratuito.

Vivek Murthy, cirurgião-geral dos Estados Unidos — uma espécie de porta-voz de saúde pública do governo federal —, publicou na terça (23) um documento alertando dos perigos do uso de redes sociais por menores de idade. Leia na íntegra (PDF, em inglês).

O texto analisa as evidências científicas já disponíveis acerca do uso de redes sociais por crianças e adolescentes, e é bem transparente ao afirmar que essas evidências ainda são insuficientes e que mais pesquisa se faz necessária. De qualquer forma, não dá para esperar evidências mais robustas para agir.

“Nossos filhos se tornaram participantes sem saberem de um experimento de décadas”, diz o cirurgião-geral em um dos trechos mais duros.

O documento reconhece alguns benefícios no uso por menores de idade, em especial para crianças de grupos minorizados. “[As redes sociais] podem fornecer acesso a informações importantes e criar um espaço para autoexpressão. A capacidade de criar e manter amizades online e desenvolver conexões sociais está entre os efeitos positivos do uso das mídias sociais para os jovens.”

Por outro lado, há farta evidência de que o uso dessas mesmas redes pode afetar o desenvolvimento cognitivo de menores de idade e ocasionar ou potencializar o desenvolvimento de condições psicológicas, em especial depressão e ansiedade.

“O uso frequente de redes sociais pode estar associado a mudanças distintas no cérebro em desenvolvimento na amígdala (importante para a aprendizagem e o comportamento emocional) e no córtex pré-frontal (importante para o controle de impulsos, regulação emocional e moderação do comportamento social), e pode aumentar a sensibilidade às recompensas e punições sociais.”

No geral, o alerta é bastante equilibrado e duro com as empresas de tecnologia. Logo no começo, chama à atenção o fato de que, mesmo proibidas para menores de 13 anos nos Estados Unidos, quase 40% das crianças de 8 a 12 anos dizem usar redes sociais.

Apesar das distinções entre as realidades norte-americana e brasileira, os achados talvez sejam universais e as recomendações a pais, legisladores e às próprias crianças e adolescentes, no final do documento, são valiosas. Via Platformer, New York Times (ambos em inglês).