Apagão nos canais sociais do Manual

A solução que os executivos da Vice encontraram para tirar a publicação do buraco onde eles mesmos a enfiaram foi parar de publicar no site próprio e distribuir conteúdo nas plataformas dos outros.

Não, não estamos em 2012. A estratégia (se é que pode ser chamada assim) talvez seja o menor dos problemas da publicação canadense. Ou o último. Enfim.

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Como o Reddit pretende fazer dinheiro

Pouco antes de liberar a papelada que dá o ponta-pé inicia à abertura de capital, o Reddit anunciou uma parceria que permitirá ao Google explorar e treinar inteligências artificiais com o conteúdo dos debates em subreddits.

O valor do acordo não foi divulgado. Estima-se que seja de US$ 60 milhões por ano, um valor relativamente baixo.

O Reddit é um dos últimos lugares da web que ainda não sucumbiram à praga do SEO e da publicidade disfarçada de conteúdo, o que é o combustível do Google (e do seu negócio de publicidade). Além disso, é um conteúdo valioso para treinar IAs, se isso for mesmo o futuro.

Isso deve valer bem mais que US$ 60 milhões. A título comparativo, o Google paga à Mozilla mais de US$ 400 milhões por ano para ser o buscador padrão do Firefox, que tem uma fatia de mercado de um dígito — e um dígito baixo.

O que mais me intriga, porém, é observar esse acordo e o IPO à luz do fechamento da API pública, em 2023. Embora o documento S-1 do Reddit coloque a publicidade como a principal frente de geração de receita, a outra, de licenciamento de conteúdo, precisa de… conteúdo. Afugentar usuários e moderadores que confiavam em aplicativos de terceiros parece contraditório.

E nem seria o caso de manter as coisas como sempre foram. O Reddit poderia cobrar um valor razoável pelo acesso, ou incluir anúncios na API pública.

A centralização nos apps e site oficiais do Reddit provavelmente contribuiu para o aumento de 21% no faturamento em 2023, de US$ 804 milhões. O Reddit, um negócio fundado há 18 anos, ainda está queimando caixa e operando no vermelho para crescer um negócio em “seus primeiros estágios de esforços de geração de receita”, segundo o S-1.

Para anotar na agenda: o julgamento da acusação contra o Google de monopólio do setor de publicidade digital, feita pelo Departamento de Justiça e uma coalização de estados estadunidenses, foi marcado para 9 de setembro de 2024. Via Reuters (em inglês).

O site The Markup fez um experimento com 709 usuários do Facebook e descobriu que, em média, 2.230 empresas enviam dados de cada um deles para cruzar com os da rede social da Meta. Mas, ok, a Meta diz que não vende os dados dos usuários…

Não é o único caso.

Vez ou outra me deparo com comentários surpresos de gente que topa com avisos de quantidades inconcebíveis de “parceiros” para quem empresas que dependem de publicidade invasiva repassam dados dos usuários:

NewPipe, o melhor (?) aplicativo de YouTube para Android

Ícone do NewPipe: círculo vermelho com um triângulo/seta branca apontando à direita.

O Google subiu o tom de suas investidas contra bloqueadores de anúncios no YouTube. Boa sorte com isso, Google, porque no que depender daqueles que rejeitam o esquema de publicidade à custa da nossa privacidade, os métodos alternativos continuarão de pé por um bom tempo.

O NewPipe é um ótimo app para Android. Leve, de código aberto, sem anúncios e com foco em privacidade, os desenvolvedores ainda fazem um esforço para entregar uma experiência familiar, e melhorada, a quem vem do app oficial do YouTube.

Em outras palavras, o NewPipe é o que o YouTube poderia ser se o maior interesse do Google não fosse sugar até o último centavo dos usuários.

Dadas as suas características, não é surpresa que o NewPipe não está disponível na Play Store. Existem dois métodos para obtê-lo: baixando o instalador (arquivo *.apk) direto do site oficial, ou adicionando o repositório do NewPipe à F-Droid, uma loja de aplicativos Android muito maneira. Recomendo a segunda opção. Se tiver dúvidas, não hesite em perguntar ali nos comentários.

NewPipe / Android / Gratuito

Download (Site oficial) » / Download (F-Droid) »

Google atrasará atualizações de extensões para combater bloqueadores de anúncios do YouTube

A próxima frente de batalha do Google/YouTube contra bloqueadores de anúncios no YouTube é no processo de atualização das extensões.

Reportagem do Engadget diz que sob o Manifest V3, novo formato de extensões que o Chrome adotará no segundo semestre de 2024, as listas de filtros que a maioria das extensões usa para burlar as contra-ofensivas do YouTube só poderão ser atualizadas junto às extensões, um processo que pode demorar entre algumas horas e algumas semanas.

Isso, claro, no Chrome, o cavalo de Troia do Google para controlar a web.

Em outros navegadores fora do seu alcance, o Google utilizará técnicas menos sutis, como introduzir atrasos artificiais no tempo de carregamento do YouTube — o que já afeta alguns usuários do Firefox.

A briga de gato e rato entre YouTube e bloqueadores de anúncios é feroz.

Representantes de empresas que desenvolvem soluções de bloqueio de anúncios disseram ao Engadget que o YouTube já demanda pessoas dedicadas a monitorarem e atualizarem o arsenal anti-anúncios, de tão determinado que o Google está em combater a prática.

Ironia ou não, o esforço do Google/YouTube tem instigado os desenvolvedores a serem mais criativos e, com isso, a melhorarem seus produtos. Esta guerra está longe de acabar. Via Engadget (em inglês).

YouTube coloca atraso de 5 segundos a quem usa Firefox e o apocalipse de bloqueadores de anúncios no Chrome

Diversos relatos no Reddit acusam o Google de acrescentar um atraso artificial, de 5 segundos, ao site do YouTube quando aberto pelo Firefox.

Mudando o user-agent para o Chrome, ou seja, “enganando” o YouTube para que o site pense que o acesso é via Chrome, o atraso some.

Questionado pelo site 404 Media, o Google não negou o atraso, mas disse tratar-se de parte da investida contra bloqueadores de anúncios: “Usuários que têm bloqueadores de anúncios instalados podem experimentar um acesso aquém do ótimo, independentemente do navegador que estejam usando.”

Deve ser coincidência que apenas um navegador rival esteja apresentando o “acesso aquém do ótimo”.

Note que não é um problema generalizado, tal qual a blitz anti-bloqueadores de anúncios do Google. Eu tentei reproduzir o problema aqui, sem sucesso. A 404 Media e publicações especializadas em Android, como o Android Authority, também não.

Em nota relacionada, o Google retomou o cronograma do novo formato para extensões do Chrome, chamado Manifest V3, que deve enfraquecer as que bloqueiam anúncios.

A partir de junho de 2024, versões de testes do Chrome trarão a novidade. Nos meses seguintes, a depender dos “dados” obtidos nas versões de testes, o Manifest V3 chegará à versão estável.

Quem usa bloqueadores de anúncios no Chrome terá suas extensões desativadas, caso elas não tenham sido adaptadas, ou convertidas para versões mais simples, adequadas ao Manifest V3.

Talvez seja um bom momento para dar outra/uma nova chance ao Firefox. Ele já é o navegador recomendado pelo uBlock Origin, a melhor extensão de bloqueio de anúncios, e, em breve, essa distinção ficará ainda maior.

(O Firefox adotará o Manifest V3 para fins de compatibilidade, só que sem os limites arbitrários que limitam bloqueadores de anúncios que o Google adotou.) Via 404 Media, Ars Technica (em inglês).

Apple, Comcast, Disney, IBM, Lionsgate, Oracle, Paramount Global, União Europeia, Warner Bros Discovery suspenderam a veiculação de anúncios no Twitter (ou X) porque o dono, Elon Musk, demonstrou (no mínimo) simpatia ao antissemitismo e ao supremacismo branco em interações na plataforma.

Quando empresas desse calibre acham que um lugar é radioativo a ponto de quererem distância, talvez seja o momento de você, de nós procurarmos outro canto para passar o tempo na internet… Via Axios, Associated Press, New York Times, CNBC (em inglês).

Hoje descobri que a rede de anúncios programáticos do Spotify, aqueles que são inseridos automaticamente em podcasts insuspeitos, chegou ao Brasil e que se chama Spotify Audience Network, ou… SPAN. Nome bem apropriado, apesar de terem colocando um “n” no lugar do “m” no final. Via Spotify Advertising.

TV conectada vira espaço de vigilância para publicidade segmentada

Esta matéria do Brazil Journal, escrita por Josette Goulart, traz dados fascinantes do mercado de TVs conectadas.

Segundo o Kantar Ibope, 60% dos domicílios brasileiros já conta com uma TV conectada. A Samsung estima que 74% do tempo de uso da TV é gasto com streaming e apenas 26% com TV linear. Mais que isso, 1/3 das TVs só acessam streaming.

A Samsung trouxe ao Brasil, há dois anos, sua divisão de anúncios para extrair receita dos 15 milhões de TVs que a fabricante tem no país. Os anúncios aparecem na tela inicial e no Samsung TV Plus, um app/canal de streaming gratuito.

Segundo a reportagem:

[…] a empresa consegue saber até mesmo se o televisor estava ligado quando determinada propaganda passou no intervalo do Fantástico, na Globo, ou do Programa do Ratinho, no SBT. (Ou seja, nem mesmo a medição da audiência da TV será a mesma daqui para a frente.)

Por enquanto, é possível escapar dessa vigilância assustadora usando caixinhas de streaming — ainda que, na maioria dos casos, troca-se uma empresa bisbilhoteira por outra.

No futuro, não é loucura imaginar que a receita com publicidade cubra os custos de um chip 5G e o consumo de dados para streaming.