OpenAI: GPT-6 é totalmente uma Inteligência Artificial Geral, caras

por David Gerard

A OpenAI anunciou a mais nova e levemente atualização de seus modelos de chatbot, o GPT-6 Astra.

Trata-se de uma tímida atualização do GPT-5. Quase chamaram de GPT-5.7, mas a Anthropic tem feito um bom marketing do seu novo modelo Fable como um “hacker de bolso”, então a OpenAI precisava fazer barulho.

Ah, e o GPT-6 Astra atingiu a inteligência artificial geral! Aparentemente.

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Funcionários de escritório também estão gastando demais com IA

por David Gerard

A corrida pela IA funciona queimando dinheiro de capital de risco e cobrando dos usuários de chatbot bem menos do que o custo real do serviço

A ideia é que os clientes vão se viciar no valor gerado pela IA. Aí os fornecedores de IA podem sugar tudo deles. E, enquanto isso, tentam não sangrar dinheiro demais.

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Como robôs de IA te manipulam e minam a sua privacidade

Sob o risco de estar entre as primeiras vítimas da inteligência artificial em uma eventual rebelião das máquinas, restrinjo minhas interações com as IAs generativas (ou robôs de conversação) do presente a uma frieza protocolar.

Acesso o site, pergunto ou peço o que preciso, recebo a resposta, fecho o site. Nada de chamá-la por nome, pedir por favor, agradecer ou ficar de conversa mole. Evito ao máximo antropomorfizá-la. Trato-a pelo que é: uma máquina estatística jorrando palavras que fazem sentido, não uma nova forma de vida senciente — ao menos, até o momento.

Tratar a IA de modo protocolar é, para mim, uma maneira de manter a linha que nos separa bem demarcada a fim de evitar uma improvável — mas não impossível — “psicose de IA”, uma pira em que a pessoa acredita de verdade que a IA tem vida.

Um relatório recém-publicado pelo Centro para Democracia e Tecnologia (CDT, na sigla em inglês), de autoria das pesquisadoras Ruchika Joshi, Adinawa Adjagbodjou e Michal Luria, trouxe mais argumentos favoráveis à minha postura junto às IAs generativas.

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Bolhas financeiras não têm data marcada para estourarem, mas sempre há sinais que precedem o evento. O mercado de inteligência artificial, sério candidato a próxima bolha, tem sido abastecido por “negócios circulares” financiados por Nvidia e OpenAI na ordem de US$ 1 trilhão, segundo a Bloomberg. O movimento lembra aquela esquete do Chaves em que ele vende todo o estoque de churros do Seu Madruga para si mesmo usando a mesma única moeda.

ChatGPT consegue adivinhar o local de fotos

Não que eu me orgulhe disso, mas a verdade é que perdi o fio da meada dos lançamentos da OpenAI. Na quarta (16), a empresa anunciou dois novos modelos, o3 e o4-mini, com curiosos desdobramentos.

O o3 é definido pela OpenAI como “o nosso mais poderoso modelo de raciocínio”; o o4-mini, um “modelo menor otimizado para raciocínio rápido e eficiente em custo”. Ambos são acessíveis pela interface do ChatGPT e são capazes de lidar com vários ferramentais, como a análise de arquivos enviados.

Um dos exemplos dados pela OpenAI no anúncio oficial, do tipo “pensar com imagens”, parece ter disparado uma nova febre: descobrir a localização de imagens a partir delas próprias, uma espécie de pesquisa reversa ou, como tem se falado nas redes sociais, “o fim do Geoguesser”.

O TechCrunch notou que o o3 não é muita coisa melhor que o GPT-4o, um modelo anterior e mais rápido, e que não é perfeito, errando os locais de várias imagens e, às vezes, sequer conseguindo dar um palpite. De qualquer modo, às vezes essa capacidade do ChatGPT assusta e cria, desde já, um novo vetor de paranoia com privacidade online: não basta mais limpar os metadados de fotos.

Pela própria natureza dos LLMs, é muito difícil distinguir avanços genuínos do entusiasmo da torcida. O Techmeme, um agregador do noticiário e de reações de gente da indústria da tecnologia, pescou este comentário de alguém no X:

Estou obcecada com o3. É muito melhor do que os modelos anteriores. Ele acabou de me ajudar a resolver uma questão psicológica/emocional com a qual tenho lidado há anos em três conversas (uma que não é socialmente aceitável compartilhar, e aqueles com quem eu compartilhei não ajudaram/não poderiam ajudar).

Fico me perguntando que tipo de “questão psicológica/emocional com a qual tenho lidado há anos” uma conversa com uma IA lançada há poucas horas poderia resolver.

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A blitz de lançamentos da OpenAI está surtindo efeito. Em março, puxado por “trends” como a do estúdio Ghibli e a das caixas de bonequinhos, o ChatGPT foi o aplicativo mais baixado do mundo, segundo a consultoria Appfigures, desbancando Instagram e TikTok, líderes habituais nos últimos meses.

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Nesta quinta (17), o Google liberou o Gemini 2.5 Flash, que “oferece uma grande atualização nas capacidades de raciocínio, ao mesmo tempo em que continua a priorizar a velocidade e o custo”. Talvez esse novo modelo consiga adivinhar a cor das nossas roupas íntimas e trazer a paz mundial.

Um aviso: este não é um modelo de raciocínio e não vai esmagar benchmarks. É um tipo diferente de inteligência e há uma magia nela que eu nunca senti antes. Estou animado para que as pessoas experimentem!

— Sam Altman, cofundador e CEO da OpenAI, no anúncio do novo (e caríssimo) modelo GPT 4.5.

O tom messiânico parece ter dado lugar à mágica — que, como se sabe, é pura ilusão de ótica.

O GPT 4.5 não é melhor que qualquer outro modelo, incluindo os da própria OpenAI e os da DeepSeek. A “boa notícia”, segundo Altman, é que trata-se do “primeiro modelo que, para mim, parece falar como uma pessoa atenciosa”. Aquela conversa de não antropomorfizar IAs? Bobagem.

Via Pivot to AI.

Google veiculou dado inventado pelo Gemini em anúncio que vende o Gemini para criar anúncios

O Google preparou um anúncio do Gemini para o Super Bowl, aquele evento de publicidade que, salvo engano, tem algum tipo de esporte nos intervalos. A peça é voltada a pequenos comerciantes interessados em usar a IA para escrever anúncios.

No vídeo, o Gemini alucina e diz que o queijo gouda é o mais consumido do mundo, respondendo por 50–60% do mercado. O dado é questionável (já viu o preço do queijo gouda!?), provavelmente errado, tanto que o Google refez o anúncio e o removeu.

Alguém que quisesse sabotar as IAs generativas não pensaria numa situação tão ridícula e improvável. E provavelmente teremos mais: a OpenAI também vai veicular um comercial no evento.

Estou longe de ser o primeiro ou único a apontar a ironia — até porque, explícita — da OpenAI acusar a DeepSeek de infringir sua propriedade intelectual no treinamento dos seus grandes modelos de linguagem (LLMs). A OpenAI alega que os chineses usaram um método chamado “destilação”, que consiste em usar as respostas de um LLM para treinar um novo. Estão dizendo por aí que o ChatGPT é mais um mandado à fila do desemprego pela IA. / ft.com (em inglês)

Enquanto executivos e cientistas-chefes de big techs se engalfinhavam em Davos, na Suíça, a startup chinesa DeepSeek conquistava a liderança em downloads na App Store estadunidense com o seu app, movido pelo DeepSeek-R1, um grande modelo de linguagem mais capaz que o o1 da OpenAI, mais aberto e que custou uma fração do custo e do poder computacional da rival para ser treinado. / ft.com, businessinsider.com (ambos em inglês), g1.globo.com

Sora, vídeos gerados por IA e seu uso na publicidade brasileira

A OpenAI liberou o Sora, IA generativa de vídeos, para assinantes do ChatGPT Plus (US$ 20/mês) e ChatGPT Pro (US$ 200/mês). Marques Brownlee tem um bom vídeo a respeito — ele teve acesso antecipado ao sistema. / openai.com, youtube.com/@mkbhd (ambos em inglês)

Não é loucura imaginar vídeos “falsos” do Sora sendo usados em produções profissionais. Digo isso porque sem o Sora, imagens e vídeos feitos com outras IAs já estão aparecendo na TV.

Algumas semanas atrás, estranhamos (aqui em casa) um comercial da Unifael. As peças mostram fotos pra lá de estranhas de supostos alunos. Não há qualquer sinalização do uso de IA generativa. / youtube.com/@UNIFAEL, youtube.com/@UNIFAEL

Nesta segunda (9), vi um comercial curtinho na TV da Ligga (Copel Telecom pós-privatização) que me chamou a atenção. A peça não está no YouTube da empresa, mas há outra, publicada há um mês, feita com imagens geradas por IA. (O aviso aparece aos 29 segundos do vídeo). / youtube.com/@liggavc

Inteligência artificial generativa chegou no limite

O rápido avanço da inteligência artificial generativa nos últimos dois anos convenceu investidores de que o crescimento da tecnologia seria exponencial. / pt.wikipedia.org

Nada garante isso. Pelo contrário: Bloomberg e Reuters reportaram que, dentro das empresas mais quentes do setor (OpenAI, Google, Anthropic), novos modelos maiores e mais caros de treinar apresentaram melhorias tímidas em relação aos que já estão no mercado — em alguns casos, pioraram. / ndtv.com, reuters.com (ambos em inglês)

Em vez de crescimento exponencial (o “taco de hóquei”), a IA generativa parece ter chegado a um platô e vislumbra uma nova era de crescimento logarítmico — ou, em termos corporativos, já chegou no topo da “curva em S”. / pt.wikipedia.org

(Fiquei um bom tempo pesquisando essas metáforas e termos da biologia e da matemática. Se escrevi alguma bobagem, corrija-me, por favor.)

Dario Amodei, fundador e CEO da Anthropic, disse em um podcast que a IA generativa seguirá crescendo linearmente, o que é uma espécie de meio termo entre o exponencial e o logarítmico. / lexfridman.com

Por óbvio, Dario disse também que a “inteligência artificial geral” (AGI, na sigla em inglês), que excederia a capacidade cognitiva humana, chegará em 2026 ou 2027, baseado “na taxa em que essas habilidades estão crescendo”.

A AGI é a utopia que empresas vendem ao mercado para seguir captando a quantidade absurda de dinheiro necessária para rodar modelos de IA generativa. Se realizada, seria uma espécie de deus capaz de nos levar a uma escala de trabalho 0×7 ou de subjugar a humanidade — ninguém arrisca dizer qual dos dois destinos nos aguarda.

(Na realidade, porém, tudo o que temos até o momento são geradores de lero-lero, resumos errados e imagens cafonas, ou seja, nenhum indicativo de que estejamos perto do surgimento de uma AGI.)

Por isso não é estranho que Sam Altman, da OpenAI, esteja se manifestando como se fosse um profeta. A OpenAI não comentou a reportagem da Bloomberg, mas Sam o fez em seu perfil no X, dizendo apenas que “não existe barreira”. Como em toda religião, é preciso ter fé. / x.com/sama (em inglês)

Pesquisas na web com IA são inevitáveis

Queiramos ou não, parece que o futuro (ou o presente?) das pesquisas online será indissociável de IAs generativas. A Open AI lançou o SearchGPT na quinta (31/10), integrado ao ChatGPT. Por ora, apenas para usuários pagos; em breve, para todos. / openai.com (em inglês)

O SearchGPT se junta a uma profusão de serviços similares, de gigantes como Google (Gemini) e Microsoft (Copilot) a startups (Perplexity, The Browser Company). A Meta também está se juntando ao bando, com a Meta AI no WhatsApp/Instagram em vias de ganhar acesso a conteúdo fresco pego na web. / theverge.com (em inglês)

Preciso dar o braço a torcer que para consultas triviais, sem muito aprofundamento, resultados gerados pelas IAs costumam ser satisfatórios. Ao dar links para as fontes da informação, como o SearchGPT e os demais fazem, elas deixam de ser respostas que se pretendem definitivas para virarem pontos de partida.

“Qual a melhor maneira de colher manjericão: cortando folha a folha ou cortando ramos?” Exemplo de dúvida trivial que tive dia desses.

Os dois primeiros resultados do DuckDuckGo são ok. / pt.wikihow.com, agrorural.net

O texto da wikiHow vai muito além da minha dúvida boba e, apesar de não ter sido escrito em português, resolve. Poderia ser mais sucinto; não queria uma aula de jardinagem, só saber onde cortar o manjericão. Eu estava no meio do preparo de uma pizza!! (Exemplo fictício. Ou não.)

O da Agrorural exemplifica o mal dos sites que lideram os resultados de busca e que abriu caminho para buscadores de IA, ou tornou-os palatáveis.

Ele traz a resposta no meio de uma parede de texto, com direito a índice, para azeitar a página para o SEO do Google. Note que a estratégia funciona… mais ou menos: a página está bem posicionada no DuckDuckGo, mas sequer aparece na primeira tela de resultados do Google.

O Google, aliás, exibe uma “Visão geral” do Gemini que vai direto ao ponto, com link para o blog corporativo da Brota Company, uma empresa moderninha de… vasos? Acho que é isso. Não sei dos vasos, mas SEO eles sabem fazer. / blog.brotacompany.com.br

O ChatGPT “puro”, sem pesquisa, também faz um bom trabalho. / chatgpt.com

Estava pensando a respeito e talvez — à parte as questões éticas e ambientais — isso seja bom para a web. Se os incentivos para despejar textos insossos, como exibir anúncios e criar topos de funis, diminuírem, talvez sites despretensiosos e mais humanos voltem a ganhar terreno.

Mesmo que seja difícil encontrá-los, estaremos por aí e temos ferramentas para nos acharmos, do boca a boca ao Control + D (essa só o pessoal que nasceu antes da web vai sacar).