Números enormes

Números que ajudam a colocar em perspectiva o tamanho do setor de tecnologia — em vários sentidos.

Após três anos no escuro, o X voltou a liberar um relatório de transparência, este referente ao primeiro semestre de 2024. Apenas 2.361 contas foram punidas por publicar conteúdo de ódio. É um número bem menor que o do último relatório do Twitter pré-Musk, quando 1,043 milhão de contas foram punidas pelo mesmo motivo. / wired.com (em inglês)

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A Microsoft anunciou o investimento no Brasil de US$ 14,7 bilhões, em três anos, em chips da Nvidia e AMD destinados à inteligência artificial. / folha.uol.com.br

Alguém descobriu que o LinkedIn usa o conteúdo publicado na plataforma para treinar inteligências artificiais generativas. Tem um botão enterrado nas configurações que, promete o LinkedIn, bloqueia o seu conteúdo de ser usado para esse fim. Siga por aqui para acessá-lo.

Não sei se esse botão é novo, só sei que o uso de conteúdo para treinamento de IA não é de agora. Em março, publiquei no próprio LinkedIn:

Não que seja surpreendente, mas desanimei em saber que o LinkedIn está usando tudo que escrevo aqui para treinar IA. Coisa chata, parece que agora tem alguém bisbilhotando tudo, o tempo todo e em todo lugar.

Talvez o melhor a se fazer seja parar de escrever no LinkedIn.

Notícias da semana

Curadoria das principais notícias de tecnologia da semana.

Segunda, 2/9

A Americanas vai encerrar o Ame, seu braço financeiro, como parte das medidas para estancar a sangria aberta pela fraude colossal descoberta no início de 2023. / neofeed.com.br

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Terça, 3/9

Foi lançado, em um evento em São Paulo, o Observatório Brasileiro de Inteligência Artificial (OBIA), que terá por objetivo monitorar o uso de IA no país. / mobiletime.com.br

Todos os modelos da YubiKey 5, da Yubico, têm uma falha criptográfica que permite sua clonagem da chave. Embora não seja corrigível, é difícil explorar a falha: é preciso acesso físico à chave, conhecimento técnico e equipamentos que custam ~US$ 11 mil. / arstechnica.com (em inglês)

A Microsoft anunciou a chegada de novos chips de Intel e AMD capazes de transformar notebooks em “PCs Copilot+”, ou seja, preparados para inteligência artificial. / blogs.windows.com (em inglês)

O Bluetooth 6.0 chegou. A principal novidade é o que chamam de “channel sounding”, recurso similar ao provido pelos chips U da Apple para localização precisa de dispositivos. / bluetooth.com (em inglês)

O Google liberou a versão aberta (AOSP) do Android 15. Ainda levará algumas semanas (ou meses, a depender do dispositivo) para chegar a celulares do mundo todo. / android-developers.googleblog.com

Após subir em +50% a mensalidade do Meli+, o Mercado Livre anunciou um novo plano mais barato e o fim do programa de pontos. / macmagazine.com.br

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Quinta, 5/9

O YouTube abriu o leque de novidades esta semana. A plataforma anunciou ferramentas para proteger criadores de IAs e deepfakes, expansão global da vinculação de contas de adolescentes à “Central da Família” e limitação na recomendação repetitiva de conteúdos problemáticos, como os que comparam atributos físicos e perda de peso. / blog.youtube, blog.youtube (em inglês), blog.youtube

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Sexta, 6/9

Na surdina, o Telegram alterou seus termos de uso para passar a moderar conteúdo de conversas privadas. / theverge.com (em inglês)

O movimento anti-IA chegou à fotografia digital

O Google segue chapado de IA generativa. No lançamento da linha de celulares Pixel 9 — que vêm recheados de recursos que adulteram fotos com IA —, Isaac Reynolds, diretor de produto da câmera dos Pixel, disse que o lance do Google é gerar memórias, e não fotografias.

Os exemplos mostrados pelo The Verge de um desses recursos, o “Reimagine”, dão uma boa ideia de como uma “memória” pode se revelar um completo delírio — e ter implicações sérias no mundo real.

Embora o Google seja o mais entusiasmado com a adulteração de fotos, a overdose de pós-processamento não é de agora nem exclusiva dessa empresa.

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Notícias da semana

Curadoria das principais notícias de tecnologia da semana.

Quarta, 21/8

Anatel e NIC.br assinaram um acordo para a criação de uma ferramenta de medição da velocidade de banda larga fixa. Ela poderá ser usada para rescindir o contrato sem multa caso a velocidade entregada esteja abaixo da prometida. / convergenciadigital.com.br

A Microsoft liberou uma correção para uma falha no GRUB de 2022 que quebrou instalações Linux em sistemas “dual boot”, ou seja, Linux e Windows na mesma máquina. O texto traz a gambiarra para reverter o estrago. / arstechnica.com (em inglês)

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Quinta, 22/8

Na União Europeia, a Apple estenderá as categorias que podem ter apps padrões alterados no iOS e iPadOS 18, e deixará excluir apps hoje impossíveis, como Fotos e App Store. / developer.apple.com (em inglês)

8,5 milhões

O caos proporcionado pela CrowdStrike na sexta passada (19) derrubou 8,5 milhões de computadores com Windows. O número equivale a 1% da base instalada, segundo a Microsoft — um 1% bem importante, pois a CrowdStrike só trabalha com grandes clientes corporativos. Via Microsoft (em inglês).

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US$ 10

Na quarta (24), a CrowdStrike enviou cupons do UberEats de US$ 10 para clientes afetados pela falha catastrófica da sexta anterior (essa do número acima). Pior: os cupons não funcionavam porque, segundo relatos, a Uber marcou a conta da CrowdStrike como fraudulenta. (Tecnicamente, este é um “número minúsculo”.) Via TechCrunch (em inglês).

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R$ 5 milhões

A Senacon multou Oi, TIM e Vivo em R$ 5 milhões pela publicidade enganosa acerca do 5G. Segundo o despacho publicado no Diário Oficial da União, as três operadoras divulgaram “mensagens publicitárias referentes a 5G que induziram os consumidores ao erro, por não informarem com clareza e adequação as limitações da tecnologia DSS.” Via Mobile Time.

A União Europeia deu duas prensas em gigantes estadunidenses nessa semana — Apple e Microsoft.

O bloco acusa a Apple de descumprir o Regulamento dos Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês) no que diz respeito à liberdade dos criadores de apps de poderem informar usuários de preços e condições mais vantajosas fora da App Store. A Comissão Europeia dará um veredito em 12 meses e, entre as penalidades, a Apple pode ser multada em 10% da sua receita global.

Contra a Microsoft, a UE diz ter concluído preliminarmente que a empresa violou leis antitruste quando vinculou o Teams ao Office/Microsoft 365. As reclamações partiram do Slack (Salesforce) e Alfaview. Não há prazo para o fim desse caso.

Três fotos empilhadas, mostrando as sedes da Apple e da Microsoft, e Linus Torvalds em um quarto mexendo no computador como se fosse a “sede do Linux”.
Imagem: @maop@mstdn.mx.

Cada um tem a sede global que merece, né?

Os primeiros notebooks Copilot+ com chips Snapdragon X Elite, da Qualcomm, chegaram ao mercado estadunidense nessa semana. É mais uma tentativa da Microsoft de emplacar o Windows em chips ARM. Entre aqueles que já puseram as mãos em um Surface Laptop ou Asus Vivobook S15, as opiniões se dividiram.

Uns adoraram:

Outros esperavam mais:

Talvez a dobradinha da Microsoft+Qualcomm ainda não alcance o milagre que a Apple operou em 2020, com seus chips M1 e posteriores. Por outro lado, os resultados preliminares indicam problemas para AMD e Intel. Demorou, mas o Windows finalmente está usável em chips ARM.

Ouro de tolo

Se a inteligência artificial é a nova corrida do ouro, vale a velha máxima de que faz dinheiro de verdade quem vende pás e picaretas.

No caso, as pás e picaretas da IA (sem duplo sentido; acho) são os chips H100 e variações da Nvidia, empresa que vive tropeçando em mercado “revolucionários” que dependem de quantidades abismais de processamento computacional.

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Dane-se o Google

Sexta passada (31/5), incluí uma sinalização no site do Manual para que buscadores, como Google e Bing, parem de indexar nossas páginas.

A ideia é remover o site desses locais. Fiz isso motivado pelo desrespeito que ambas as empresas, Google e Microsoft, têm demonstrado pela web aberta com suas iniciativas predatórias de inteligência artificial generativa.

Gosta do Manual? Considere inscrever-se na newsletter e/ou seguir os perfis em redes sociais. Todos os detalhes estão nesta página.

Até a tarde desta quinta (6/6), páginas do Manual ainda apareciam nos resultados dos buscadores. É como se nada tivesse mudado. Talvez leve algum tempo para a sinalização surtir efeito. Usei o método indicado pelo Google para remover páginas do seu índice.

O que esperar disso? Minha hipótese é a de que um site que não fatura diretamente com tráfego, como o Manual, consiga existir sem depender do Google.

Alguém pode dizer que é um ato extremo, afirmação com a qual concordo. Também foram extremos os atos de Google e companhia quando decidiram engolir a web sem autorização para treinar IAs que regurgitam plágios com base nesse conteúdo alheio. Aqui, na minha insignificância, gosto de pensar que estou nivelando o jogo.

O Recall do Windows 11, sistema de IA que tira prints da tela e permite pesquisar por tudo o que você viu, é muito mal implementado. Textos da tela são convertidos em texto puro e salvos sem qualquer proteção no disco. Já existe até uma ferramenta, com o sugestivo nome TotalRecall, que facilita a extração dos dados.

Não duvido que a Microsoft volte atrás ou, no mínimo, atrase o Recall para fazer o básico — consertar essas brechas antes do lançamento. Se não for pedir muito, seria legal se fosse um recurso opcional e não ativado por padrão, como o é nas versões de teste que já estão rodando por aí.

Linux terá espaço em notebooks “Copilot+”

A grande novidade da semana da Microsoft foi o lançamento de uma nova categoria de notebooks, chamados PCs Copilot+.

Eles trazem chips ARM da Qualcomm que, as duas empresas juram de pés juntos, são capazes de fazer frente aos da Apple, que desde 2020 fazem os da Intel e AMD passarem vergonha e demolem qualquer justificativa objetiva para alguém comprar um notebook de +US$ 1 mil de outra marca ou com outro sistema operacional.

Há motivos para acreditar que desta vez, depois de algumas tentativas frustradas de levar ao Windows à arquitetura ARM (a mesma dos chips da Apple e de celulares), é pra valer.

O Snapdragon X Elite que move esta fornada de notebooks Copilot+ tem as digitais da Nuvia, startup formada por ex-engenheiros da Apple, que a Qualcomm adquiriu em 2021.

À parte a promessa de lidar com um pé nas costas com recursos de IA, como o Recall e traduções em tempo real em texto (legendas) e áudio, a migração para a arquitetura ARM, se tudo correr bem, deve trazer maior autonomia de bateria e desempenho aos notebooks com Windows.

Do seu lado, a Microsoft disse ter otimizado o sistema para os chips ARM e criado uma camada de emulação para softwares x86 chamada Prism. Se for tão boa quanto a equivalente da Apple, a Rosetta 2, a escassez de apps específicos para ARM num primeiro momento deverá ser indolor aos consumidores.

Os notebooks Copilot+ não serão baratos. O preço mínimo dos da Microsoft e de parceiros, como Asus, Dell e Lenovo, é de US$ 999, o que os coloca no território do MacBook Air, o campeão de vendas da Apple e alvo prioritário da Microsoft nessa investida — não foram poucas as comparações feitas durante a apresentação.

A notícia é boa para mais gente, incluindo quem não gosta do Windows. Em paralelo à colaboração com a Microsoft, a Qualcomm está trabalhando para fazer o seu Snapdragon X Elite rodar suave no Linux. Vários recursos já foram incorporados às versões 6.8 e 6.9 do kernel e o que falta já está mapeado para as duas próximas.

No planejamento da Qualcomm, em novembro teremos acesso a instaladores fáceis e totalmente compatíveis do Ubuntu e Debian.

A julgar pelas decisões da Microsoft em relação ao Windows — que virou um cabide de penduricalhos de IA ou vitrine para serviços “Copilot” —, é bom mesmo que haja suporte a sistemas operacionais alternativos.

O ano do Linux é sempre o próximo, mas para quem já vive no futuro, ter notebooks ARM com bom desempenho que não sejam da Apple é uma ótima notícia.

Recall e a segurança como prioridade máxima na Microsoft

No início de maio, Satya Nadella, CEO da Microsoft, enviou um memorando a todos os funcionários da empresa com uma mensagem explícita: segurança deve ter prioridade máxima.

A empresa se viu em maus lençóis após uma série de falhas críticas em serviços de e-mail/nuvem virem à tona, resultado de “uma sequência de falhas de segurança” que poderiam ser prevenidos, segundo relatório do Departamento de Segurança Interna dos EUA.

Menos de um mês depois, no evento pré-Build desta segunda (20), o mesmo Nadella anunciou o Recall, recurso carro-chefe dos novos notebooks “Copilot+” (leia-se: “com inteligência artificial”), que faz o Windows 11 tirar prints da tela a cada minuto e permite pesquisar por tudo que a pessoa viu e fez durante meses. Ou, como explicou um especialista em segurança, “um pesadelo de privacidade”.

A Microsoft bate na tecla de que os dados são armazenados apelas localmente e criptografados — ainda que faça uma distinção confusa sobre níveis de criptografia a depender da edição do Windows 11.

Ok, é o mínimo, mas isso não ajuda em diversos cenários, como roubo/furto do dispositivo, apreensão do dispositivo por autoridades e abuso/assédio doméstico.

Comentários jocosos pós-anúncio diziam que a Microsoft instalou um spyware nativo no Windows 11. O Recall pode ser útil? Com certeza, ainda mais para pessoas distraídas e/ou bagunçadas. É preciso pesar utilidade com segurança, porém, um cuidado que o CEO da empresa pediu — relembro — que fosse elevado a prioridade há menos de um mês.

Talvez o Copilot do Outlook tenha ignorado essa mensagem ao “resumir” a caixa de entrada de algum gerente de produtos da Microsoft.

Método simples para proteger a conta Microsoft (do Outlook) de invasões

No Órbita, arthurr comentou que sua conta do Outlook, da Microsoft, sofre uma média de 20 tentativas de acesso por dia.

Por curiosidade, abri o registro de atividades recentes da minha conta Microsoft, que faz uns bons anos não uso para qualquer coisa que seja, e deparei-me com cenário parecido. São tentativas frustradas por senha incorreta e que usa o e-mail secundário como “alias da conta”.

A minha hipótese é de que sejam robôs abastecidos com dados de vazamentos anteriores diversos que ficam tentando logar em quaisquer contas de e-mail. Para quem reutiliza a mesma senha em vários lugares, o risco é real.

Na mesma conversa do Órbita, Fábio deu uma dica ótima para eliminar essa importunação:

  1. Crie um e-mail do tipo alias nesta página. Pode ser qualquer nome. Esse e-mail será usado apenas por você, para fazer login em sua conta — por isso, não compartilhe com ninguém!
  2. Agora, na tela “Gerencie como você entra na Microsoft”, clique no link Tornar o principal do e-mail/alias recém-criado.
  3. Acesse a tela de preferências de entrada e desmarque todas os endereços de e-mail, nome de usuário e telefone. O único que ficará marcado é o e-mail/aliás recém-criado e tornado principal.

A partir de agora, seu e-mail principal não serve mais para fazer login. (Dá erro ao tentar usá-lo.) Para acessar a conta associada a ele, é preciso informar o e-mail/alias que acabou de ser criado.

A lógica é bem simples: como o e-mail recém-criado não é conhecido e o original foi desabilitado para autenticação, os robôs perderam o dado de que dispunham para tentar invadir a conta.

Certifique-se de duas coisas: 1) guardar bem o e-mail/alias recém-criado para não correr o risco de esquecê-lo; e 2) não divulgá-lo em lugar algum.