
Em 2020, a Microsoft prometeu tornar-se “carbono negativa” em uma década. Corta para 2023 e, graças à corrida da inteligência artificial, as emissões da empresa aumentaram 30%. Via Bloomberg (em inglês; sem paywall).

Em 2020, a Microsoft prometeu tornar-se “carbono negativa” em uma década. Corta para 2023 e, graças à corrida da inteligência artificial, as emissões da empresa aumentaram 30%. Via Bloomberg (em inglês; sem paywall).
Em novembro de 2023, em meio à confusão da demissão e readmissão de Sam Altman na OpenAI, saiu um rumor na imprensa de que a startup teria alcançado um novo patamar para a inteligência artificial (IA) generativa com um tal de Projeto Q*.
Segundo a Reuters, que deu a notícia em primeira mão, o Q* seria “um novo modelo capaz de resolver certos problemas matemáticos”.
Com muita rapidez para os padrões da Microsoft, levou menos de um mês para que a implementação de apps patrocinados no menu Iniciar do Windows 11 fosse da divulgação à liberação para usuários finais (KB5036980).
Para desativá-los, entre em Configurações, depois Personalização e Iniciar, e desative a opção Mostrar recomendações para dicas, promoções de aplicativo e muito mais.
O Windows é um caso a ser estudado. O tanto de abusos que usuários que confiam ou dependem do sistema são capazes de tolerar vindos da fornecedora não é pouca coisa.
O Bloco de Notas deve ser um dos aplicativos mais usados no Windows e, ainda assim, carece de recursos básicos. Só agora o app está ganhando verificação ortográfica e corretor automático. (Um dia, talvez, alguém dentro da Microsoft resolva arrumar o “desfazer” horrível do Bloco de Notas.) Por enquanto, apenas nas versões de testes do Windows 11. Via Microsoft (em inglês).
Atualização (23/3, às 7h40): Aparentemente, o comportamento esquisito do “desfazer” no Bloco de Notas foi corrigido. Obrigado ao Rodrigo Teixeira Dias e Marcellus, que trouxeram a boa nova nos comentários.
Lançado nesta quarta (20), o Gnome 46 “Kathmandu”, nova versão do ambiente gráfico líder em sistemas Unix, veio cheio de refinamentos e algumas mudanças visuais.
O carro-chefe do Gnome 46 é o gerenciador de arquivos Arquivos (Nautilus, para os puristas). A busca foi separada entre global e na pasta em exibição, há um novo indicador de transferências de arquivos embutido na janela e otimizações de desempenho, entre outras.
O sistema de contas online também recebeu carinho neste ciclo. Finalmente dá para usar contas WebDAV para acessar calendários, contatos e arquivos nos aplicativos padrões do Gnome. E para quem usa o OneDrive, agora há uma integração nativa que leva os arquivos da nuvem da Microsoft ao Arquivos.
(Esse trabalho é resultado de um financiamento de € 1 milhão que a Fundação Gnome recebeu de um fundo alemão.)
A equipe do Gnome ainda destaca a experiência reformulada de acesso remoto (RDP), os tradicionais polimentos (classificados como “enormes”), melhorias em acessibilidade e em apps específicos.
Destacam, ainda, os cinco apps integrados ao Gnome Circle, o programa de promoção e auxílio ao desenvolvimento de apps para o Gnome, desde a versão 45. O Switcheroo, destacado neste Manual, foi um deles.
Por ora, o jeito mais fácil de acessar o Gnome 46 é via versão “nightly” do Gnome OS. Distribuições Linux “rolling release” devem trazer o Gnome 46 em breve. O Fedora 40, principal distro que usa o Gnome, está previsto para 16 de abril.
Vinte empresas envolvidas com inteligência artificial — incluindo Google, OpenAI, Meta, Microsoft e TikTok — firmaram um acordo na Alemanha a fim de combater o uso enganoso de IA nas eleições em +40 países previstas para acontecer em 2024.
É tipo um “Conar da IA”, pautado por sete princípios e algumas promessas vagas de combate a maus usos, mais transparência e conscientização dos eleitores. Melhor que nada, mas parece pouco diante do potencial da IA gerativa para fins pouco ou nada democráticos.
A Microsoft começou a extirpar o suporte a realidade mista do Windows. A versão de testes liberada nesta quinta quebra o suporte a headsets de realidade mista; a mudança alcançará todos os usuários no fim do ano, com o Windows 11 24H2.
Embora não impacte o HoloLens, é uma regressão à tentativa de popularizar headsets de realidade mista/aumentada/virtual. E num momento curioso, logo após o lançamento do Vision Pro, da Apple.
Parece que estamos em um ponto de inflexão, só não sei quem está certa, se a Apple ou a Microsoft. Via Pixel Envy (em inglês).
O site The Markup fez um experimento com 709 usuários do Facebook e descobriu que, em média, 2.230 empresas enviam dados de cada um deles para cruzar com os da rede social da Meta. Mas, ok, a Meta diz que não vende os dados dos usuários…
Não é o único caso.
Vez ou outra me deparo com comentários surpresos de gente que topa com avisos de quantidades inconcebíveis de “parceiros” para quem empresas que dependem de publicidade invasiva repassam dados dos usuários:
A Mozilla criou um “issue tracker”, batizado de Platform Tilt, para documentar “problemas técnicos nas principais plataformas de software que colocam o Firefox em desvantagem em relação ao navegador nativo”. Boa iniciativa para pressionar Apple, Google e Microsoft, que se aproveitam de suas plataformas para favorecerem Safari, Chrome e Edge, respectivamente. Via Mozilla (em inglês).
Baixou o espírito da Positivo na Microsoft. Em 2024, notebooks “com inteligência artificial” e Windows 11 virão com uma nova tecla do Copilot, a marca guarda-chuva das aplicações de IA da empresa. (Veja o vídeo.) O bom é que quando o Copilot não estiver disponível, a tecla invocará a pesquisa do Windows. Mais útil que a de menu de contexto, que a nova tecla substitui. Via Blog da Microsoft (em inglês).
Esse episódio começa com duas histórias separadas por quase 3 mil anos que se uniram por uma tecnologia. As duas histórias aconteceram em ambientes de que você já ouviu falar e, provavelmente, frequentou.
Atualização (18/12): Ao contrário do que foi publicado originalmente, o vulcão que atingiu Herculano e Pompeia foi o Vesúvio, não o Etna. (Como disse o Guilherme, esta errata prova que nem ele, nem eu, ficamos pensando no Império Romano.
A primeira é em Pompéia — não o bairro classe média cheio de ladeiras em São Paulo, mas a cidade no sul da Itália. Para falar a bem da verdade, não é exatamente Pompéia, mas uma cidadezinha do seu lado, uma espécie de São Caetano de Pompéia: Herculano. Em 790 a.C., uma erupção do vulcão Vesúvio produziu energia térmica 100 mil vezes maior que a da bomba de Hiroshima ou Nagasaki. A explosão do vulcão produziu uma coluna de gases e pedra liquefeita com 33 quilômetros de altura. Calcula-se que, a cada segundo da erupção, o vulcão despejava 1,5 milhão de toneladas de gases e lava 1. Como você bem sabe, a erupção foi forte o suficiente para enterrar debaixo de 20 metros de fuligem não apenas Pompéia, mas também Herculano.
Eu poderia apostar que, até o fim do ano, a Netflix ou algum outro streaming comprará os direitos da novela da demissão de Sam Altman da OpenAI (partes 1 e 2).
Nesta segunda (21), Ilya Sutskever, membro do conselho apontado como principal articulador do complô para derrubar Altman, disse estar arrependido e assinou uma carta aberta, junto a +90% dos ~700 funcionários da OpenAI, chamando o conselho de incompetente e dando um ultimato: ou restabelecem Altman e pulam fora, ou vão todos trabalhar na Microsoft.
Todo mundo erra, mas é raro ver alguém classificar o seu eu de três dias atrás de um completo idiota.
De seu lado, a situação de Altman e Greg Brockman, que parecia resolvida, ainda não está. A dupla não descarta voltar à OpenAI, ou seja, ainda não fecharam com a Microsoft.
Em meio a tudo isso, tentei mudar o foco e pensar nas consequências em vez de seguir mergulhado no drama. O que muda? E para quem?
O fim de semana pareceu um episódio de Succession na OpenAI, com tentativas de restabelecer Sam Altman como CEO, de derrubar o conselho que o demitiu na sexta (17) e uma interferência forte da Microsoft, maior financiadora da startup e dona de quase 50% do braço comercial da OpenAI, pega de surpresa pela demissão do executivo.
No fim, o conselho prevaleceu e apontou um novo CEO (Emmett Shear, co-fundador e ex-CEO da Twitch), e a Microsoft levou Altman, Greg Brockman (co-fundador e ex-presidente da OpenAI) e “colegas”, para “liderarem uma nova equipe de pesquisa em IA avançada” dentro da empresa. Satya Nadella, CEO da Microsoft, disse ainda que sua empresa segue comprometida com a OpenAI. Via @satyanadella/LinkedIn, The Verge (em inglês).
Atualização (11h): A versão original desta nota afirmava que a Microsoft detém quase 50% da OpenAI. Na real, ela detém quase 50% do braço comercial, com intuito de lucro, da OpenAI. (A estrutura corporativa da OpenAI é uma salada.) Perdão pelo deslize!
O conselho administrativo do braço sem fins lucrativos (e controlador) da OpenAI demitiu Sam Altman, CEO da empresa, nesta sexta (17).
O movimento chocou a indústria. Na véspera, Sam participou de eventos públicos e até a manhã da sexta trabalhou normalmente.
No comunicado da decisão, o conselho justificou a demissão dizendo que:
[…] concluiu que ele [Sam] não estava sendo consistentemente sincero em sua comunicação com o conselho, dificultando sua capacidade de exercer suas responsabilidades. O conselho não tem mais confiança em sua capacidade de continuar liderando o OpenAI.
Enigmático, para dizer o mínimo. Desde o momento do anúncio, publicações norte-americanas e insiders tentam decifrar o motivo da saída.
A Bloomberg falou com fontes internas anônimas que disseram que conflitos entre a missão original da OpenAI (avançar a IA para benefício da humanidade) e a postura pró-lucros de Sam no lado comercial da empresa.
Ainda segundo a publicação, Sam estava negociando com fundos soberanos do Oriente Médio para levantar financiamento para uma nova empresa de hardware baseado em IA, o que desagradava o conselho.
Além do próprio (agora) ex-CEO, todos, dentro e fora da OpenAI, foram pegos de surpresa. Greg Brockman, até então presidente da OpenAI, anunciou sua saída. Satya Nadella, CEO da Microsoft, que detém 49% da OpenAI e é sua maior investidora, publicou uma declaração afirmando que nada muda no relacionamento das duas empresas. Nos bastidores, Nadella teria ficado furioso com a notícia e por não ter sido avisado de antemão.
Não é a primeira vez que Sam sai de maneira abrupta do comando de uma empresa quente no Vale do Silício. Em junho de 2021, ele saiu (ou foi saído) sem muitas explicações da Y Combinator, uma popular incubadora de startups do Vale.
Desde o lançamento do ChatGPT, no final de 2022, Sam tornou-se uma espécie de rosto e porta-voz da inteligência artificial gerativa. Ao longo de 2023, ele promoveu a tecnologia nos EUA e em outros países, participou de debates acerca da regulação e ajudou a catapultar o valor de mercado da OpenAI e a desencadear uma nova corrida do ouro em torno da IA.
Sam não detém participação na OpenAI. Em seu lugar, assumiu como CEO interina Mira Murati, até então diretora de tecnologia. No Twitter, Sam comentou a demissão, mas não detalhes do que a motivou. Ainda há muito mais por vir nessa história. Via OpenAI, New York Times, Bloomberg (em inglês).
Só nesta semana, a Apple finalmente cedeu e confirmou que dará suporte ao RCS (sucessor do SMS) em 2024 e a Microsoft iniciou testes de adequação do Windows 11 — remoção de apps nativos, incluindo Bing e Edge, e outras quinquilharias da empresa.
Li várias manchetes classificando movimentos do tipo como “surpreendentes”, “chocantes”, “inesperados”… como se essas empresas tivessem sido acometidas por uma crise de consciência abrupta. Não é o caso, óbvio. O motivo de tanta abertura é a entrada em vigor iminente do Digital Markets Act (DMA) da União Europeia, que começa a valer em março de 2024. Via 9to5Mac, Microsoft (em inglês).