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O que é pior que moderar posts e comentários no Facebook? Aparentemente, moderar o metaverso do Facebook/Meta, o Horizon Worlds (pense em um Facebook, só que com avatares 3D feios, flutuantes e sem pernas, tipo Garparzinho).

O Horizon Worlds propicia a criação de “comunidades” para usuários dos headsets de realidade virtual da Meta Quest (novo nome da Oculus). Para orientar novatos e conter abusos na área comum, o Facebook/Meta emprega os community guides, ou moderadores do Horizon Worlds.

Sem surpresa, os community guides têm sido alvos de pegadinhas e abusos, e sofrem com usuários mais estridentes, como crianças que ficam gritando sem parar. Segundo apurou a Vice, canais no YouTube e no TikTok organizam e reúnem vídeos mostrando o sofrimento dessas pobres almas aprisionadas no ambiente virtual do Facebook. Vários vídeos no link ao lado. Via Vice (em inglês).

Por algum motivo que ainda me foge à compreensão, tenho passado mais tempo no feed do LinkedIn. Notei, entre outras coisas, uma profusão de notícias do tipo “Primeiro [insira qualquer coisa] a chegar no metaverso”.

Dizer que a história se repete talvez seja reducionista, mas o paralelo com o Second Life é explícito demais para resistir a esse chavão. Muito bem, agora que seu restaurante, prefeitura, podcast ou qualquer coisa está no metaverso, o que acontece? Qual a vantagem? Ninguém sabia na época do Second Life e, aparentemente, continuamos sem saber.

O Facebook fez um show do Foo Fighters no metaversono último domingo, dia de Super Bowl nos Estados Unidos. A julgar pelos relatos, foi um desastre muito parecido com o show do NX Zero no Second Life, 15 anos atrás.

O metaverso, nos moldes em que o Facebook o está vendendo (e todo mundo, ou aqueles mais deslumbrados, comprando), é uma canoa furada. A gente já viu esse filme, digo, esse jogo.

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Metáfora do corpo e da presença

por Andressa Soilo

Nossas relações sociais, emoções, experiências e percepções sobre o mundo são constantemente remodeladas por bilionários. Estes delimitam novos espaços a serem habitados, assim como ampliam o repertório do que entendemos como “presença”. Nossos modos de existir, seja em gravidade zero ou a partir da ausência de carne e osso, são atualizados por quem detém recursos de produção tecnológica de ponta — fenômeno que ocorre com mais intensidade nos últimos anos.

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Da inevitabilidade do metaverso

Dia desses a Samsung anunciou um novo tipo de memória, a LPDDR5X. Ela traz vantagens como consumir 20% menos energia sendo 30% mais rápida que o modelo anterior, e deverá ser usada em celulares e outros dispositivos conectados. Embora seja um negócio legal, é enfadonho. O tipo de coisa que jamais seria destaque no Manual, não fosse por um detalhe: de algum modo, a Samsung enfiou o termo “metaverso” no comunicado à imprensa da memória LPDDR5X.

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De acordo com o New York Times, o Facebook cogita abrir uma rede de lojas físicas para apresentar os produtos do Reality Labs, a divisão da empresa responsável pelo ferramental do metaverso — óculos e capacetes de realidade virtual, no momento.

Um documento obtido pelo jornal detalha que as lojas seriam úteis para “instigar emoções como ‘curiosidade, aproximação’, bem como uma sensação de ‘bem-vindo’ enquanto experimenta fones de ouvido em uma ‘jornada livre de julgamentos’”. Um porta-voz do Facebook não confirmou os planos de abrir lojas físicas. Via O Globo.

Em 2018, um executivo da Oculus, subsidiária de realidade virtual do Facebook, usou o termo “meatverse” para se referir ao mundo real — “meat” significa carne em inglês. É no mínimo irônico, e talvez diga muito, que para alardear os benefícios do metaverso o Facebook precise criar uma presença opulenta no “meatverse”. Via CNBC (em inglês).

Em nota mais ou menos relacionada, fiquei impressionado com a presença de publicidade do Facebook nos jogos do Campeonato Brasileiro neste fim de semana. Placas do Instagram e inserção do WhatsApp na narração da Rede Globo. Fica a sensação de que é uma resposta às investidas do TikTok. A disputa pelo usuário, afinal, se dá no “meatverse”.