Se os usuários reparam em seu software, você já perdeu

por David Gerard

Ninguém *quer* um computador. Querem o que ele faz. Não a máquina irritante. Incluem-se aí os celulares.

Acabei de comprar um celular novo, um Fairphone 5. É um bom aparelho — e a Fairphone ainda vende ele com o fork Android sem Google, o e/OS.

Mas deixei esse celular com o Android 15 do Google — porque preciso de aplicativos comerciais específicos, da Play Store, rodando num sistema padrão, para fazer as minhas coisas.

Poderia fuçar em um sistema alternativo e dar um jeitinho para a Play Store funcionar. Ou poderia não fazer isso.

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Maestral: App alternativo para sincronizar arquivos com o Dropbox

Logo do Maestral: contorno branco de uma asa contra fundo verde escuro.

Lembra quando o Dropbox era um aplicativo pequeno, ágil e que só servia para sincronizar e guardar arquivos na nuvem? Saudades… Hoje, ele é um monstro pesado e cheio de funcionalidades corporativas. Talvez tenha sido necessário transformá-lo nisso, o que não consola quem só quer sincronizar arquivos e guardá-los na nuvem.

O Maestral é um cliente alternativo para Dropbox, de código aberto, escrito em Python e que promete ser leve. Segundo o site oficial, “ele fornece ferramentas poderosas de linha de comando, suporta padrões gitignore para excluir arquivos locais da sincronização e permite a sincronização de várias contas do Dropbox”. Bom demais!

Aos entendedores, além da linha de comando, o Maestral oferece apps com interfaces gráficas nativas (Cocoa no macOS, Qt no Linux). Com isso, os desenvolvedores conseguem chegar a um aplicativo ~90% menor que o oficial e que consome, em média, 80% menos memória do dispositivo. (Esse último dado, porém, varia muito de acordo com o espaço que seus arquivos ocupam no Dropbox.)

Dois alertas importantes para quem quiser dar uma chance ao Maestral:

  • Recursos avançados do Dropbox — a saber: Paper, gerenciamento de equipes e configurações de diretórios/pastas compartilhadas — não são suportados.
  • O Maestral usa a API pública do Dropbox, que não suporta transferências parciais de arquivos (“binary diff”). Isso acarreta em um uso mais intenso de dados.

E, claro, tenha em mente que é um app extraoficial.

Quem usa macOS pode baixar um instalador, contendo a interface gráfica (GUI) do Maestral. No Linux, existem dois caminhos menos amigáveis: via PyPI (GUI opcional) e imagem Docker (somente linha de comando). Todas as informações estão nesta página (em inglês).

End of 10: Troque o Windows 10 por uma distro Linux

O suporte ao Windows 10 termina no dia 14/10/2025, ou seja, daqui a alguns meses. Uma galera envolvida com distros Linux subiu o site End of 10 para ajudar aqueles que quiserem trocar o Windows pelo Linux em vez de seguir a orientação da Microsoft, que é descartar um computador funcional e comprar outro com Windows 11. O End of 10 reúne instruções e locais e eventos em que voluntários instalam uma distro Linux nos computadores de quem não tem familiaridade com o assunto.

Super iniciativa. Só falta agora traduzirmos o site para o português e cadastrarmos mais locais e eventos. (Até o momento, só tem um pessoal da USP de São Carlos na lista de locais.)

Logo do Firefox. Silhueta de uma raposa de fogo envolta em um círculo azul.

O Firefox 138, lançado nesta terça (29), traz o aguardado gerenciador de perfis. A documentação oficial (em inglês) explica que “criar vários perfis permite que você mantenha dados de navegação, temas ou configurações separados para diferentes propósitos, como trabalho e uso pessoal”.

Há, também, novas opções de contraste com foco em acessibilidade e, no Windows 11, menus de contexto passam a ter aquele aspecto translúcido, padrão no sistema. Notas de lançamento e download.

MusicBrainz Picard identifica músicas de arquivos *.mp3 e corrige metadados automaticamente

Ícone/logo do Picard.

Na minha primeira tentativa de trocar o streaming por arquivos *.mp3, um dos problemas com que me deparei foi o de organização: como padronizar os metadados das músicas?

A solução que me era conhecida à época, editar manualmente cada canção, era impraticável. Quem tem tempo para isso?

Na segunda (e, desta vez, bem sucedida) tentativa, em 2024, topei com um aplicativo gratuito que é quase bom demais para ser real, o MusicBrainz Picard (Linux, macOS, Windows).

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Fedora Linux 42

Já está disponível a versão final do Fedora Linux 42, trazendo o Gnome 48 na edição Workstation e a nova baseada no KDE Plasma (versão 6.3.4), promovida neste ciclo ao mesmo status da Workstation. Apesar do mesmo status, a lógica dos nomes é diferente; o povo lá está ciente da confusão e afirma que “vamos resolver isso em algum momento”.

O Anaconda, instalador do Fedora, ganhou uma grande atualização que torna o particionador automático do disco mais esperto, traz a opção de reinstalar o sistema e lida melhor com “dual boot”. Por ora, o novo Anaconda só é padrão no Fedora Workstation (a edição com Gnome).

Ah, e uma falha de última hora acabou ficando:

Apenas inicializar o sistema direto do pen drive (“live media”) adiciona uma entrada inesperada ao boot loader UEFI, mesmo quando o Fedora Linux 42 não esteja instalado no computador local.

O transtorno é apenas cosmético, mas é bom saber de antemão. Aqui tem a orientação de como remover a entrada (em inglês).

Pinta 3.0

Logo do Pinta: pincel inclinado ao lado de uma bisnaga de tinta.

Saiu o Pinta 3.0, nova versão do editor de imagens levinho, tendo como destaque a migração para o GTK 4 e a Libadwaita — em outras palavras, a bem-vinda modernização do aplicativo para o Gnome.

Embora isso, por si só, já traga uma série de melhorias “de graça” ao Pinta, não é a única. Há novidades visíveis (novos ícones, menu, seletor de cores e camadas inteligentes) e por baixo dos panos (ajustes dinâmicos para diferentes tamanhos de e orientações de tela, suporte a gestos, mais velocidade e, espera-se, menos falhas).

O suporte a add-ins, que havia sido removido temporariamente na série 2.x, está de volta. Por ora, apenas dois fizeram a “passagem”, mas os desenvolvedores dizem que “é provável que mais sejam portados para esta versão e lançamentos futuros”.

A origem do Pinta remonta ao Paint.NET do Windows, ou seja, a proposta é ser um editor de imagens simples, mas nem tanto; o elo perdido entre o Paint e o Photoshop. O código é aberto e o app é compilado para Linux, macOS (agora com suporte a chips Apple), OpenBSD e Windows.

Várias novidades no Firefox 137, lançado na terça (1º/4):

  • Grupos de abas. (Liberação gradual; pode demorar a aparecer aí.)
  • Várias mudanças na pesquisa direta pela barra de endereços.
  • Em arquivos *.pdf, todos os links em um documento passam a ser clicáveis e agora é possível inserir assinaturas.
  • Uso da barra de endereços como calculadora.

Para quem usa Linux, o Firefox ganhou suporte a vídeos HEVC.

Aplicativos para escrever roteiros comentados por um roteirista profissional

por Nigel

Existem milhões de aplicativos de escrita, seja de roteiro ou de “romances”. Se você quer ser um roteiristas, provavelmente já deve ter baixado algum desses apps de que vou falar. Ou está um pouco perdido. Vou listar os que eu uso, já usei e os que acho que valem a pena mencionar porque sei que alguém usa.

Nigel Goodman é roteirista profissional desde 2009, mas já escrevia roteiros antes de começar a receber por eles, antes de ser trabalho. De lá pra cá, escreveu um montão de coisas que você pode ver aqui. Também escreveu um livro, Entrevista com a Pedra e outros contos, publicado pela Editora Patuá em 2011 (hoje disponível apenas em ebook), está na antologia Vias Obscuras da Editora Pesadilla e já teve alguns contos publicados em revistas.

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Apps novos e atualizados

Calibre 8.0: Melhorias no suporte a dispositivos Kobo, um novo “motor neural” que lê os livros com uma voz mais realista e melhorias diversas no visualizador de livros digitais são alguns destaques desta atualização grande do Calibre. (Atente que já tem a versão 8.0.1 disponível.) / Linux, macOS, Windows

Day One: O popular app de diários da Automattic chegou ao Windows. Por tempo limitado, o uso não contará contra o limite de dispositivos, ou seja, pode ser usado de graça. / Windows

Debian 12.10: Atualização ponto-qualquer-coisa do Debian é aquilo: correções de segurança (43) e bugs (66) e pequenos ajustes, nada que vá mudar a sua vida ao mesmo tempo em que não custa nada (e é recomendável) instalá-las. / Linux

elementary OS 8.0.1: Ao contrário do Debian, esta atualização x.0.1 do elementary OS tem bastante coisa nova — poderia, fácil, ter sido uma 8.1. (Dilemas do versionamento de softwares.) Muitos detalhes e imagens no post. / Linux

digiKam 8.6: O gerenciador de imagens do KDE ganhou melhorias em reconhecimento facial, etiquetas (tags), filtros por qualidade de imagens e até corretor de olhos vermelhos (isso ainda é um problema?). / macOS, Linux, Windows

Daruma: Uma lista de tarefas baseada naquele bonequinho tradicional japonês, em que você pinta o olho direito com sua “tarefa”, depois o esquerdo quando ela se realiza e, no fim do ano, queima o coitado. (Eu não sabia dessa última parte; foi o desenvolvedor que disse que é assim.) / macOS

LookAway 1.11: Já falei do LookAway no Manual: um aplicativo da barra de menus para te lembrar de tirar os olhos do monitor. Esta atualização traz suporte a automações e compatibilidade com os filtros de foco, além de outras novidades menores. / macOS

MacWhisper 12.0/12.1: Esta grande atualização passa a identificar automaticamente as pessoas que estão falando em um áudio. (É um app que transcreve falas usando o LLM Whisper, da OpenAI.) A novidade é só para a versão Pro (paga), porém. / macOS

Openvibe 1.9: Agora o Openvibe se lembra da posição na timeline, facilitando continuar o “doomscrolling” de onde você havia parado. (É um app para acompanhar Bluesky, Mastodon, Nostr e Threads ao mesmo tempo 😵‍💫) / Android, iOS

PeerTube 7.1: O leiaute de algumas áreas foi melhorado e, agora, o PeerTube pode ser usado para hospedar podcasts. / Web

Vivaldi 7.2 (Android, iOS): Três atualizações com a mesma numeração, mas com novos recursos e alterações distintas em cada plataforma. Não vou detalhá-las aqui; clique nos links ali e descubra por conta própria. / Android, iOS, Linux, macOS, Windows

As principais novidades do Gnome 48 “Bengaluru”, lançado nesta quarta (19), são invisíveis, com destaque para o buffering triplo dinâmico, otimização que levou cinco anos (!) para ficar pronta e promete uma interface mais suave em computadores fracos/antigos.

A mais visível, arrisco dizer, deve ser as novas fontes da interface, Adwaita Sans (modificação da famosa Inter) e Adwaita Mono (baseada na Iosevka).

Esta página lista estas e outras novidades, com várias imagens. Por ora, o Gnome 48 está disponível no Gnome OS. Até o fim do ano deverá chegar a distros populares, como Fedora e Ubuntu.

GIMP 3.0

Logo do GIMP: desenho do rosto de uma raposa (?) segurando um pincel com a boca.

Você sabia que o conjunto de ferramentas para interfaces GTK nasceu como um acrônimo de “GIMP ToolKit”? O que soa irônico que apenas agora, quatro anos após o lançamento do GTK 4, o GIMP foi adaptado ao GTK 3.

Detalhes à parte, o GIMP 3.0.0 é “o primeiro lançamento da nova geração na manipulação de imagens”. As notas da versão são bem extensas. Pinço algumas novidades mais relevantes:

  • Suporte ao Wayland.
  • Suporte melhorado a telas de alta definição (HDPI).
  • Suporte melhorado a telas sensíveis a toques.
  • Melhorias na edição não-destrutiva.
  • Muitas melhorias em diversas ferramentas de edição.

Quem trabalha com (e entende melhor que eu de) edição de imagens vai se deliciar com as notas completas.

Apesar da fama de complexo, o GIMP é uma alternativa livre e de código aberto viável a aplicativos de edição de imagens comerciais, como Photoshop e Affinity. É muito bom saber que seu desenvolvimento continua ativo.

Por ora, apenas os instaladores para Linux da versão final foram liberados, em dois formatos: AppImage e Flatpak. As versões do macOS e Windows devem ser liberadas em breve, junto com um anúncio no site oficial.

Desta vez o Manual, que sempre se gaba de ser o último a dar notícias, foi afoito e não esperou pelo anúncio oficial. Agora, sim: anúncio no blog do GIMP, notas de lançamento (com imagens) e links para baixar os instaladores para Linux, macOS e Windows.

Apps novos e atualizados

Bluesky: Vídeos agora podem ter até 3 minutos de duração (antes, o teto era de 1 minuto). As DMs passam a ter um filtro de triagem para novos remetentes, provavelmente para conter o envio de spam. / Android, iOS, Web

Pocket Casts: O web player, antes restrito a assinantes pagantes, foi aberto a todos — funciona até sem uma conta gratuita no serviço. / Web

TikTok: Mudanças para famílias. Horários de pausa de menores de idade podem ser definidos pelos pais/responsáveis. Esses também passam a ter acesso a listas da conta do menor — quem ele segue, por quem é seguido e quem bloqueou. Após as 22h, menores de idade serão agraciados com um “recurso de relaxamento” (?). / Android, iOS

Tuta Calendar: Ganhou regras avançadas para repetições de eventos e uma nova visualização de três dias. / Android, iOS, Linux, macOS, Windows

O Firefox roda em todos os sistemas operacionais e não parece “estar em casa” em…

Print do Firefox com tema Gnome exibindo um vídeo no YouTube.

O Firefox roda em todos os sistemas operacionais e não parece “estar em casa” em nenhum deles. Existem temas que aclimatam o navegador da Mozilla em alguns sistemas, como este do Gnome. O problema é que o procedimento de instalação é complicado. Daí aparece o app Add Water, um facilitador e tanto para o Firefox no Gnome.