Ajude-me a vencer o processo contra a Folha de S.Paulo!

Acho que ninguém quer IA no Firefox, Mozilla

A Mozilla está desenvolvendo um assistente embutido no Firefox que será oferecido como um terceiro modo de navegação, ao lado do normal e das abas privativas. Eles o chamam de “Window AI”, ou janela de IA.

Os detalhes ainda são escassos. O que dá para antecipar, com base no anúncio oficial desta quinta (13), é que será uma implementação mais profunda que a barra lateral, já disponível, que dá acesso a chatbots de terceiros (ChatGPT, Gemini, Copilot etc.). O texto enfatiza que o recurso será opcional e que o usuário “está no controle”.

Há uma lista de espera para testar o recurso e uma discussão no fórum da Mozilla para que as pessoas “ajudem a moldar” essa iniciativa.

(mais…)

Como projetos de software aberto devem lidar com código gerado por IA?

O ótimo KeePassXC, gerenciador de senhas offline e de código aberto, está no centro de uma polêmica envolvendo o uso de código gerado por IAs desde que a política de colaborações e o “leia-me” do projeto ganharam este parágrafo (tradução livre):

A IA generativa está rapidamente se tornando um recurso primário na maioria dos ambientes de desenvolvimento, incluindo o próprio GitHub. Se a maior parte de um envio de código for feita usando IA generativa (por exemplo, codificação por “agente” ou “vibe coding”), documentaremos isso no pull request (PR). Todos os envios de código passam por um rigoroso processo de revisão, independentemente do fluxo de trabalho de desenvolvimento ou do remetente.

A reação de usuários e críticos foi tão intensa que, no domingo (9), um dos mantenedores do projeto, Janek Bevendorff, publicou um post no blog oficial detalhando o posicionamento deles em relação ao código gerado por IA.

(mais…)

Como desativar “melhorias” da IA em vídeos do YouTube

Há alguns meses, youtubers denunciaram intervenções não solicitadas do Google para “melhorar” seus vídeos com IA generativa. Parecia um teste; agora, é oficial.

Donos de canais podem desativar esse recurso no Studio: entre em Configurações, Canais, Configurações avançadas e desmarque as duas opções no tópico Melhorias na qualidade dos vídeos. Para quem assiste ao vídeo, a saída oferecida pelo Google é alterar a resolução nas configurações do próprio player.

Acho fascinante que tanta gente compre a falácia de que a inteligência…

Acho fascinante que tanta gente compre a falácia de que a inteligência artificial é confiável o bastante para balizar a tomada de decisões. E, às vezes, acho engraçado também.

A Jumpad intriga já na proposta: uma “plataforma self-hosted, instalada na nuvem da empresa” que permite habilitar APIs de serviços externos, como os da OpenAI e Google. Hm, ok. O serviço “envolve dashboards de engajamento e treinamentos gamificados, contribuindo para a transformação da cultura”. Como exemplo de “transformação da cultura”, somos brindados com esta pérola:

Em um dos clientes, houve a constatação de que 25% do tempo dos funcionários era gasto em calls e reuniões, mas cerca de 80% deles não participavam ativamente. Ou seja, era uma grande perda de tempo.

Imagine ter que torrar o planeta para “descobrir” que a maioria das reuniões poderia ser um e-email.

(As informações são do Brazil Journal.)

Negócios da OpenAI com Nvidia e AMD impulsionam o boom de IA de US$ 1 trilhão com negócios circulares

Bolhas financeiras não têm data marcada para estourarem, mas sempre há sinais que precedem o evento. O mercado de inteligência artificial, sério candidato a próxima bolha, tem sido abastecido por “negócios circulares” financiados por Nvidia e OpenAI na ordem de US$ 1 trilhão, segundo a Bloomberg. O movimento lembra aquela esquete do Chaves em que ele vende todo o estoque de churros do Seu Madruga para si mesmo usando a mesma única moeda.

Não usaremos um LLM [IA generativa] para adicionar um chatbot, uma solução de resumos ou um mecanismo de sugestão para preencher formulários para você, até que maneiras mais rigorosas de fazer essas coisas estejam disponíveis.

Homem branco, de barba e cavanhaque, com cabelo curto escuro.Jon von Tetzchner
Co-fundador e CEO do Vivaldi

Num momento de euforia em que até a Mozilla, que mais poderia se beneficiar da cautela em relação à adoção destrambelhada da IA generativa, pelo menos um navegador web abraça esse posicionamento.

Exclua e-mails e fotos antigos, pois os data centers exigem grandes quantidades de água para resfriar seus sistemas.

— Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido.

A orientação absurda compõe uma lista publicada pelo governo do Reino Unido para mitigar a seca severa que afeta a Inglaterra, ao lado de clássicos inúteis (“tome banhos mais curtos”) e outras sandices (“use água da cozinha para regar plantas”).

Como apontou David Gerard, o documento não faz menção às ineficiências das companhias de água (privatizadas) nem aos sedentos data centers voltados à inteligência artificial. (A grande ironia é que a sugestão de excluir e-mails para economizar água pode ter vindo de uma IA generativa. É assim que a IA vai acabar com a humanidade?)

Navegadores web com assistentes de IA estão chegando

No momento em que a Justiça estadunidense decide se o Google terá que se desfazer do seu navegador web, o Chrome, uma nova geração de rivais surge, trazendo como diferencial “assistentes” de inteligência artificial embutidos.

É bem provável que seja uma coincidência, mas não deixa de ser uma curiosa. Há vários asteriscos nessa história, a começar pelo fato dos novos rivais serem construídos em cima da base do Chrome, o Chromium. Deixarei esses asteriscos de lado, porém, porque a questão mais importante é se esses assistentes vieram para ficar.

(mais…)

Este botão desativa o Meta AI e aumenta a privacidade em conversas no WhatsApp

Lembra quando o WhatsApp era só um aplicativo de mensagens levinho? Saudades. Hoje há tantas funções, tantos anúncios de novidades que, às vezes, algumas úteis passam batidas.

Por acaso, dia desses topei com a “Proteção avançada da conversa”, disponível nas opções de grupos e de conversas individuais. Foi lançada em abril deste ano.

Ao ser ativada, três coisas acontecem:

  • Desabilita a exportação da conversa. Isso dificulta o repasse das mensagens para terceiros e o processamento delas por IAs externas, como o klinsmann ensinou no Órbita.
  • Desabilita o download automático de mídias.
  • Por fim, desabilita o acesso à Meta AI, a irritante IA da Meta que, por padrão, pode ser invocada digitando @meta em uma conversa.

Infelizmente (mas não surpreende), não existe um botão geral para ativar a proteção avançada em todas as conversas; só dentro da opções de cada conversa.

Diante da impossibilidade de usar um aplicativo melhor, como o Signal, é uma boa opção para ativar quando assuntos sensíveis estão sendo debatidos.

Uma história de Borges sobre um cara que consegue que a IA resuma toda a informação do mundo para ele, e depois resuma o resumo, até que a IA tenha o mundo inteiro resumido em uma única palavra. Ele fica sozinho em sua mesa, encarando a palavra, repetindo-a infinitamente, certo de que está experimentando tudo.

Homem branco, de barba e cabelos compridos, com óculos; ao fundo, parede com quadros.Marcus
@marcusjmerritt.com/Bluesky

Dica do Gabriel, na comunidade do Manual no WhatsApp (um dos benefícios a assinantes).

Sensibilidades anônimas e amenas têm valor porque a música de hoje — criada e selecionada por humanos ou máquinas — costuma ser usada para fazer as pessoas não sentirem nada em vez de sentirem algo. […] Essa música não é feita para ser ouvida; ela é usada para abafar todo o resto.

Homem branco, de óculos de grau, barba preta e cabelo comprido, preto e liso. Foto em preto e branco.Ian Bogost
The Atlantic

Ian reflete o pequeno sucesso do Velvet Sundown, uma banda feita por inteligência artificial que já se aproximava de 1 milhão de músicas executadas no Spotify. “Esta é uma audição musical de segunda ordem, na qual você experimenta a ideia de ouvir música. Que melhor banda para fornecer esse serviço do que uma que nem existe?”

Robôs de IA estão inundando chamadas no Zoom à medida que funcionários humanos ignoram reuniões

O Washington Post reporta o incômodo que profissionais do colarinho branco estão tendo com a presença cada vez maior de robôs de IA tomadores de notas em videochamadas. Há casos em que há mais robôs que seres humanos nas reuniões.

Este talvez seja um resultado positivo da adoção caótica de inteligência artificial nas empresas. Quando todo mundo estiver mandando robôs para videochamadas e lendo resumos em texto das mesmas, talvez esse pessoal finalmente se dê conta de que todas aquelas reuniões poderiam, de fato, terem sido e-mails.

Todas essas histórias [de IAs se comportando como humanos] têm a mesma validade intelectual de escrever “estou viva!” em um pedaço de papel, fotocopiá-lo e então dizer “Veja só! Na nossa análise, a fotocopiadora diz que está viva!”

Homem branco, cabelos curtos, óculos de grau com armação preta.Benedict Evans
Newsletter, edição 597

A história a que ele se refere é a de um “estudo” da Anthropic que notou que IAs generativas “mentem, trapaceiam e roubam” para atingir suas metas. Sim, porque foram instruídas para isto.