Se os usuários reparam em seu software, você já perdeu

por David Gerard

Ninguém *quer* um computador. Querem o que ele faz. Não a máquina irritante. Incluem-se aí os celulares.

Acabei de comprar um celular novo, um Fairphone 5. É um bom aparelho — e a Fairphone ainda vende ele com o fork Android sem Google, o e/OS.

Mas deixei esse celular com o Android 15 do Google — porque preciso de aplicativos comerciais específicos, da Play Store, rodando num sistema padrão, para fazer as minhas coisas.

Poderia fuçar em um sistema alternativo e dar um jeitinho para a Play Store funcionar. Ou poderia não fazer isso.

(mais…)

Grok e a geração de imagens sexualizadas de mulheres e crianças

Neste podcast, eu comento dois ou três links selecionados da curadoria diária que faço no Manual do Usuário. Recomendo que você dê uma olhada no arquivo de links para descobrir mais links. É bem legal!

Grok do X gerando imagens sexualizadas de mulheres e crianças, 0:24

ANPD, MPF e Senacon agem conjuntamente contra GrokMobile Time.

Grok, IA de Elon Musk, criou 3 milhões de imagens sexualizadas de mulheres e menores, aponta investigaçãoG1.

Tumblr é retirado da App Store por ocorrências de pornografia [sic] infantilMacMagazine.

Tim Cook e Sundar Pichai são covardesThe Verge.

Asus encerra produção de celulares, 8:42

Asus confirma que seu negócio de celulares está em hiato indefinidoArs Technica.

Para que isso [IA] não seja uma bolha, por definição é necessário que os benefícios sejam muito mais uniformemente distribuídos. Acho que um sinal revelador de que seja uma bolha seria se só falássemos das empresas de tecnologia. Se tudo o que falamos é o que está acontecendo do lado da tecnologia, então a IA é entrega apenas o lado da oferta.

Homem calvo, de óculos de grau, sorrindo.Satya Nadella
CEO da Microsoft

Hm, tenho más notícias para você, Satya…

Em outro trecho da entrevista, pescado pelo Pivot to AI, Nadella diz que as empresas precisam se reorganizar em torno da IA para aprender, na prática, como usá-la nos negócios. Destruir o que está funcionando para aprender um ~inovação que talvez ajude-as a… fazerem o que faziam antes?

Em sua mensagem anual ao público, o CEO do YouTube, Neal Mohan diz que “a IA será uma dádiva para os criativos que estiverem prontos para se dedicar a ela” e que mais de um milhão de canais usaram IA para criar vídeos diariamente em dezembro. Ao mesmo tempo, promete medidas para “reduzir a disseminação de conteúdo de IA de baixa qualidade”. Parecem promessas contraditórias. Boa sorte para ele.

Mais uma vez o Google ameaça os 3 bilhões (!) de usuários do Gmail com recursos do Gemini (IA). Desta vez, a mudança é dramática: a caixa de entrada será “inteligente”, o que seria tentador se os modelos de IA fossem capazes de resumir certo e não fossem propensos a erros. Por ora, o novo Gmail está sendo liberado para estadunidenses que pagam os caros planos de IA do Google. A medida profilática é desativar todos os recursos de IA do Gmail: nas configurações, aba Geral, desmarque a opção Ativar os recursos inteligentes no Gmail, Chat e Meet. De nada!

[…] O que aprendemos ao longo deste último ano, em especial do ponto de vista do consumidor, é que eles não estão comprando [computadores] por causa de IA. Na verdade, acho que a IA provavelmente os confunde mais do que os ajuda a entender um resultado específico.

Homem branco, com barba por fazer e sorrindo.Kevin Terwilliger
Líder de produtos da Dell

Surpreende que a primeira fabricante a mandar a real sobre “PCs com IA” seja a Dell, parceria de primeira hora da Microsoft na iniciativa dos notebooks Copilot+.

Note, porém, que a citação completa sinaliza que a Dell não vai parar de investir em IA, apenas que a tecnologia deve deixar de ser o carro-chefe do marketing. Ela começa assim: “Estamos muito focados em oferecer recursos de IA de um dispositivo — na verdade, tudo o que estamos anunciando [na CES] tem uma NPU nele —, mas o que aprendemos…”

CEOs da tecnologia: Os funcionários PRECISAM estar no escritório. Não dá para fazer o trabalho remotamente.

Também CEOs da tecnologia: A maioria dos funcionários pode ser substituída por IA. Hospedada remotamente.

Dell e Microsoft, gênios do marketing

Lembra quando a Warner Bros. mudou o home do seu streaming de HBO Max para Max e, menos de um ano depois para HBO Max de volta? Ou quando a pessoa mais rica do mundo provou que dinheiro não tem relação com inteligência e jogou a marca “Twitter” no lixo? Gênios do marketing!

Talvez seja o capitalismo tardio, talvez efeito colateral de novas drogas rolando entre os manda-chuvas das empresas mais poderosas do mundo. Ou apenas estupidez mesmo. Fato é que a prática está se espalhando, e rápido.

No início de 2025, a Dell reformulou sua linha de notebooks e aposentou nomenclaturas tradicionais, incluindo a XPS, talvez a mais lembrada após a MacBook, da Apple. O objetivo era simplificar. Ninguém entendeu nada.

Corta para 2026 e a Dell anunciou na CES, para a surpresa de ninguém, que voltará a usar a marca XPS.

Correndo por fora, temos a Microsoft. Ao acessar o site office.com, deparamo-nos com esta pérola (destaque meu):

Bem-vindo ao aplicativo do Microsoft 365 Copilot

O aplicativo Microsoft 365 Copilot (anteriormente Office) permite que você crie, compartilhe e colabore em um só lugar com seus aplicativos favoritos, agora incluindo o Copilot.*

Imagine só, trocar a marca que é sinônimo de aplicativos básicos de produtividade há três décadas por… Copilot, um gerador de lero-lero que geral não gosta e quando usa, só o faz obrigado pelo empregador.

Bom para nós. Quanto menos associarmos softwares críticos a marcas comerciais das big techs, melhor. Vida longa ao Microsoft 365 Copilot — ou qualquer outro nome ruim que Word, Excel e cia. venham a ter no futuro.

2025 foi um ano desastroso para o Windows 11  windowscentral.com

Zac Bowden cometeu um textão afirmando que os fãs de Windows (definição do autor) entubaram um “2025 desastroso para o Windows 11”. Faz uns anos que não uso Windows, mal toquei na versão 11, por isso li com atenção redobrada.

Tenho certeza que você consegue adivinhar o problema mais óbvio do Windows 11 em 2025:

(mais…)

É possível que a escolha da pessoa do ano da revista Time, que nesta edição elegeu “os arquitetos da IA” (leia-se: CEOs de big techs da área), tenha sido feita por uma IA. Primeiro indício: apontar pessoas no plural (“os arquitetos da IA”) como a pessoa (singular) do ano. Segundo e mais forte indício: só alguém estúpido como uma IA elegeria essa galera tosca como pessoa(s) do ano.

Home Assistant Voice Preview Edition, a alternativa livre às Alexa e Siri para controlar casas inteligentes

por James Pond

Quando o assunto é caixas de som inteligentes, a Amazon tem a Alexa, Apple tem o HomePod e o Google tem o Nest. Se você quiser algo privado — que rode localmente — para controlar a sua casa, não existem alternativas.

Ou não existiam. Para fechar essa lacuna, a Nabu Casa, patrocinadora do projeto de código aberto Home Assistant, lançou o Home Assistant Voice Preview Edition.

Comprei seis desses aparelhos para substituir seis HomePods que tinha espalhados pela casa. Depois de algum tempo de uso, a pergunta que fica é: dá para confiar nesse para o uso no dia a dia, ou é melhor esperar por uma versão que não tenha “preview” no nome?

(mais…)

Existe IA “verde”?

O Ecosia, um buscador web que direciona seu lucro à ação climática, pergunta se existe alternativa “verde” de inteligência artificial generativa no título desta página e, no título do mesmo post, responde que “a IA mais verde chegou”.

A “IA mais verde”, esse paradoxo, é a que o Ecosia acabou de lançar integrada ao seu buscador. A implementação é idêntica à do Google, com um resumos (“AI Overviews”) antes dos resultados e um chatbot a um clique de distância. A diferença evidente é que existe um botão para desativar os AI Overviews. A menos óbvia, mas crucial neste caso, é a promessa de que:

Como uma empresa sem fins lucrativos, podemos nos dar ao luxo de fazer as coisas de forma diferente. A busca por AI usa modelos menores e mais eficientes, e evitamos completamente recursos de alto consumo de energia, como a geração de vídeo.

Faltam detalhes (quais modelos?) e o exemplo é disparatado (nenhum buscador com IA oferece geração de vídeos).

Eu não sou contra IA generativa. Dizê-lo seria hipócrita, porque faço usos pontuais. (E em outro buscador, a do DuckDuckGo.)

É por isso que fico balançado com notícias como essa e a do Firefox investindo tudo em IA. Por mais que entenda o apelo, parece-me estranho um serviço que tenha a ação climática como razão de existir embarcar numa onda tão voraz por energia que está reativando usinas nucleares e fazendo as big techs abandonarem suas promessas de reduzirem suas pegadas de carbono.

A “IA mais verde”, afinal, é não ter IA. Ignorá-la, ao menos até que a curva de adoção se estabilize e os efeitos ao meio-ambiente sejam melhor compreendidos, seria coerente e até um diferencial nesse mar de empresas, serviços e produtos oferecendo IA só porque sim.

Meta não é um monopólio / “Agentes” de IA no Windows

Neste podcast, eu comento dois ou três links selecionados da curadoria diária que faço no Manual do Usuário. (Recomendo fortemente que você dê uma olhada no arquivo de links. É bem legal!)

Meta não é um monopólio, 0:26

O teste simples que derrubou o caso da FTC contra a Meta (em inglês), Platformer.

Como o TikTok ajudou a Meta a vencer um caso antitruste (em inglês), New York Times.

Para ser franco, o Instagram foi adquirido para eliminar um concorrente, e isso foi ok para a FTC (em inglês), Pixel Envy.

CEO do Mastodon, 7:06

Meu próximo capítulo com o Mastodon (em inglês).

RCS na Claro, 9:53

Claro lançará RCS para iPhones em 2026; TIM já testa o serviço em pilotoMobile Time.

“Agentes” de IA no Windows, 10:57

Microsoft alerta que agentes de IA do Windows 11 podem abrir as portas para novos riscos à segurança (em inglês), Windows Central.

“O fato de as pessoas não se impressionarem por podermos ter uma conversa fluente com uma IA superinteligente que pode gerar qualquer imagem/vídeo me deixa boquiaberto.” Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI.

Reprogramando a Mozilla: Fazendo pela IA o que fizemos pela web (em inglês).

Acho que ninguém quer IA no Firefox, Mozilla

A Mozilla está desenvolvendo um assistente embutido no Firefox que será oferecido como um terceiro modo de navegação, ao lado do normal e das abas privativas. Eles o chamam de “Window AI”, ou janela de IA.

Os detalhes ainda são escassos. O que dá para antecipar, com base no anúncio oficial desta quinta (13), é que será uma implementação mais profunda que a barra lateral, já disponível, que dá acesso a chatbots de terceiros (ChatGPT, Gemini, Copilot etc.). O texto enfatiza que o recurso será opcional e que o usuário “está no controle”.

Há uma lista de espera para testar o recurso e uma discussão no fórum da Mozilla para que as pessoas “ajudem a moldar” essa iniciativa.

(mais…)

Como projetos de software aberto devem lidar com código gerado por IA?

O ótimo KeePassXC, gerenciador de senhas offline e de código aberto, está no centro de uma polêmica envolvendo o uso de código gerado por IAs desde que a política de colaborações e o “leia-me” do projeto ganharam este parágrafo (tradução livre):

A IA generativa está rapidamente se tornando um recurso primário na maioria dos ambientes de desenvolvimento, incluindo o próprio GitHub. Se a maior parte de um envio de código for feita usando IA generativa (por exemplo, codificação por “agente” ou “vibe coding”), documentaremos isso no pull request (PR). Todos os envios de código passam por um rigoroso processo de revisão, independentemente do fluxo de trabalho de desenvolvimento ou do remetente.

A reação de usuários e críticos foi tão intensa que, no domingo (9), um dos mantenedores do projeto, Janek Bevendorff, publicou um post no blog oficial detalhando o posicionamento deles em relação ao código gerado por IA.

(mais…)