Na tentativa de consolidar poder sobre a distribuição de apps no Android, Google enfrenta resistência

Existem muitas diferenças entre Android e iOS. Uma fundamental é a disponibilidade do código-fonte: enquanto o iOS é fechado/proprietário, ou seja, só a Apple tem acesso, o Android é aberto. Qualquer um pode olhá-lo e modificá-lo.

A gente sempre ouve isso, mas a realidade — como sempre — é um pouco mais complexa. O Android é, de fato, aberto, mas o sistema que a maioria das pessoas usa no dia a dia em seus celulares tem muitas camadas extras de software proprietário do Google. As diferenças são tantas que o Android base, a parte FOSS (sigla em inglês para “software livre e de código aberto”), tem até um nome próprio: AOSP, ou Android Open Source Project.

(mais…)

As alegrias e angústias no uso do RCS, evolução do SMS

Em 2024, a Apple fez um gesto de boa vontade a reguladores europeus e abriu o iOS 18 para o RCS, a evolução do velho SMS.

RCS, sigla de Rich Communication Services, é o SMS via internet com todos os benefícios decorrentes dessa mudança, como suporte a imagens de alta qualidade, recibos de leitura, indicadores de digitação e mensagens de áudio.

Em outras palavras, é a “versão WhatsApp” do SMS.

(mais…)

A nova versão do Nova Launcher, popular “launcher” para Android, trouxe uma novidade indesejada: rastreadores de publicidade de Meta e Google. No Exodus, plataforma de auditoria de apps sem fins lucrativos, dá para ver as mudanças da versão anterior (8.1.6) para a nova (8.2.4).

O Nova Launcher foi comprado pelos suecos da Instabridge alguns meses após o criador do launcher deixar a Branch, empresa que comprou o aplicativo em 2022 e fez a promessa de abrir seu código — o que nunca ocorreu. A Instabridge confirmou que está testando a inserção de publicidade no Nova Launcher e que não exibirá anúncios para quem tem o Nova Prime (versão paga).

Mais uma vez o Google ameaça os 3 bilhões (!) de usuários do Gmail com recursos do Gemini (IA). Desta vez, a mudança é dramática: a caixa de entrada será “inteligente”, o que seria tentador se os modelos de IA fossem capazes de resumir certo e não fossem propensos a erros. Por ora, o novo Gmail está sendo liberado para estadunidenses que pagam os caros planos de IA do Google. A medida profilática é desativar todos os recursos de IA do Gmail: nas configurações, aba Geral, desmarque a opção Ativar os recursos inteligentes no Gmail, Chat e Meet. De nada!

Há alguns meses, youtubers denunciaram intervenções não solicitadas do Google para “melhorar” seus vídeos com IA generativa. Parecia um teste; agora, é oficial.

Donos de canais podem desativar esse recurso no Studio: entre em Configurações, Canais, Configurações avançadas e desmarque as duas opções no tópico Melhorias na qualidade dos vídeos. Para quem assiste ao vídeo, a saída oferecida pelo Google é alterar a resolução nas configurações do próprio player.

Sobre o vazamento das senhas de 183 milhões de contas do Gmail

Na mesma linha da pauta “celulares em que o WhatsApp deixará de funcionar”, sites de notícias brasileiros parecem ter descoberto uma nova fonte de cliques perene na editoria de tecnologia: milhões de senhas vazadas do Gmail.

Há, de fato, um banco de dados do tipo rolando na internet, criado por um estudante de graduação nos Estados Unidos. Troy Hunt, que administra o Have I Benn Pwnd, um repositório de vazamentos, analisou os dados e constatou que “apenas” 8% das senhas, cerca de 14 milhões, são novas. O que é compreensível, dado que o banco foi criado agregando dados de várias fontes e vazamentos anteriores.

A principal mensagem que uma notícia dessas passa não é “sua senha do Gmail pode ter vazado”, mas sim que “as suas senhas, qualquer uma delas, pode vazar a qualquer momento”. Não para fazer terrorismo, mas sim para ajudar na conscientização de boas práticas de segurança digital.

Quais? Para esse caso, duas básicas:

  1. Usar um gerenciador de senhas. Com ele, você terá acesso fácil à criação e recuperação (uso) de senhas fortes e diferentes para cada serviço.
  2. Autenticação em dois fatores (ou verificação em duas etapas). Pode até mesmo ser junto do gerenciador de senhas. Em cenários como um vazamento, o segundo fator bloqueia acessos não autorizados mesmo de alguém que saiba a sua senha.

É possível verificar se suas senhas vazaram jogando seu e-mail no Have I Been Pwned. Se ele aparecer, não há motivo para pânico: troque a senha e ative um segundo fator de autenticação. O Google explica como fazer isso no Gmail.

O sideloading é parte essencial do Android e não vai acabar. Nossos novos requisitos de identidade para desenvolvedores foram pensados para proteger usuários e criadores contra agentes mal-intencionados, não para restringir escolhas. Queremos garantir que, quando você baixar um app, ele realmente venha do desenvolvedor que afirma tê-lo publicado — independentemente da fonte. Desenvolvedores verificados terão a mesma liberdade de distribuir seus apps diretamente aos usuários via sideloading ou por qualquer loja de apps que preferirem.

A verdade é que hoje, a web aberta já está em rápido declínio.

A Justiça estadunidense decidiu os “remédios” que serão aplicados ao Google no processo em que a empresa foi condenada por práticas monopolistas no mercado de buscadores:

  • Proibição de celebrar ou manter contratos de exclusividade relacionados à distribuição do Google Search, Chrome, Google Assistant e o aplicativo Gemini.
  • Obrigação de disponibilizar certos dados do índice do buscador e interação do usuário para rivais e potenciais rivais.
  • Obrigação de oferecer serviços de distribuição de anúncios e serviços em texto para pesquisas para permitir que rivais e potenciais rivais possam competir.

E só.

Foi pouco e todo mundo reclamou. Ou quase todo mundo: Apple e Mozilla, que recebem valores astronômicos do Google para manterem o buscador como padrão no iOS/Safari e Firefox, respectivamente, respiram aliviadas.

Uma abordagem menos afetuosa da tecnologia

É quase impossível escapar do WhatsApp e muito difícil livrar-se do Instagram. Para muitos, é também indesejável. Amigos, parentes, pessoas queridas e toda a presença de muitos comércios só estão disponíveis em um ou outro (ou em ambos).

Em 2022, quando escrevi a respeito da “abordagem mais afetuosa” com a tecnologia, havia pouco tempo voltara a usar essas e outras plataformas comerciais. Baixei as defesas numa tentativa de estar mais presente, de participar mais.

O problema com empresas como a Meta é que toda concessão do nosso lado é explorada ao máximo.

(mais…)

Você vai usar o Gemini no Android porque sim

O Google enviou um e-mail a donos de celulares Android avisando que o Gemini “poderá ajudá-lo a usar o Telefone, Mensagens, WhatsApp e Utilitários no seu celular, independentemente da Atividade nos apps do Gemini estar ativada ou desativada em sua conta”. A alteração está agendada para 7 de julho.

O aviso gerou confusão até em publicações especializadas em Android. — 9to5Google, Android Police, Android Authority. Mesmo depois dos esclarecimentos, incluindo um comunicado do próprio Google, a coisa toda segue… confusa.

Pelo que entendi, se a Atividade nos apps do Gemini estiver desativada, o Gemini continuará disponível e tendo acesso aos apps mencionados, incluindo o WhatsApp e telefone. A diferença é que as interações com a IA não ficarão registradas no histórico e serão armazenadas pelo Google por até 72 horas, com a garantia de que não serão usadas para treinar IAs nem revisadas por humanos.

(Em outras palavras, deixar o histórico ativado submete as interações ao treinamento da IA e a revisões por outros humanos.)

Quem não quiser mesmo o Gemini se intrometendo em ligações, mensagens, WhatsApp e configurações do sistema, precisa desativar as integrações com cada app dentro do aplicativo do Gemini. Que parece ser outra coisa, diferente da Atividade nos apps do Gemini. Presumo seja este app.

As referidas publicações especializadas, após atualizarem suas histórias para “desfazer a confusão”, concluíram que o saldo da mudança é positivo para a privacidade das pessoas. Não estou muito certo disso. Confusões desse tipo, que soam propositais e tentam escondem os botões “nucleares” (que desativam a função oferecida), costumam ser derrotas à privacidade. E nem entro no mérito se o Gemini fuçando nas minhas mensagens é algo bom ou ruim.

Ou talvez eu ainda não entendi direito.

Link relacionado (acho?): a extensa central de privacidade dos apps do Gemini.

Entre a Meta anunciando que sua IA, Meta AI, atingiu 1 bilhão de usuários e o Google que os AI Overviews são usados por 1,5 bilhão, fico curioso em saber quantas dessas pessoas fazem o uso intencional do recurso, ou que preferem-no àqueles que a IA substitui.

Os AI Overviews aparecem no topo das buscas, sem opção de desligamento. O Meta AI suspeito que muita gente aciona sem querer ao tocar naquele botão horrível no WhatsApp, nos resultados da pesquisa dos três apps ou ao tentar marcar uma pessoa em um grupo digitando uma arroba.

Muito fácil chegar a números enormes quando já se tem uma plataforma gigante. Acho que isso nem entra na discussão. A questão é alardeá-los como tais números fossem conquistados, e não impostos.

Na ação em que a Justiça estadunidense decide qual “remédio” aplicar à Alphabet pela condenação por monopólio do mercado de buscadores, Eddy Cue, vice-presidente de serviços da Apple, disse que, em abril, o volume de pesquisas feitas via Safari encolheu pela primeira vez em na história, ou seja, em quase duas décadas.

Eddy atribui a queda à ascensão de assistentes de IA generativa que entregam resultados de busca mastigados, como Perplexity (com quem a Apple estaria conversando), ChatGPT e Claude.

As ações da Alphabet (Google) tomaram um tombo de 7,5% após a declaração do executivo da Apple, reportada pela Bloomberg. A empresa soltou uma nota contestando a informação, em que diz que “continuamos a ver o crescimento geral de consultas à Pesquisa [do Google]. Isso inclui um aumento no total de consultas provenientes de dispositivos e plataformas da Apple”.

Em quem acreditar? Não sei, mas se havia dúvidas de que uma mudança sísmica está curso, dados como esse ajudam a dissipá-las.

Eddy Cue disse também que a Apple cogita alterar o Safari para que o navegador receba assistentes de IA e que a perspectiva de perder os US$ 20 bilhões anuais, que o Google paga de “caixinha” para ser o buscador padrão do Safari, está lhe tirando o sono. Que pena.

No domingo (9), o Chromecast 2, modelo que foi lançado no Brasil, parou de funcionar e segue sem dar sinal de vida. O Google orienta os consumidores afetados que não tentem restaurar o dispositivo e que está trabalhando numa correção.

O problema parece ser em um certificado digital expirado, o tipo de coisa que dificilmente ocorreria em um produto ainda em linha. (O Chromecast foi descontinuado em agosto de 2024.) No Reddit, há tutoriais de gambiarras para contornar o problema. Aplique-as por sua conta e risco!

A atualização de março do Android trouxe suporte a Linux nos celulares Pixel 9, do Google. Trata-se do Debian, por ora apenas em linha de comando, virtualizado. A expectativa é de que o Android 16 dê suporte a interface gráfica e expanda o acesso ao Linux a qualquer celular capaz de executá-lo.

Não se sabe ao certo as intenções do Google com esse movimento. Transformar o Android em um sistema para computadores, na linha do Samsung DeX? Ou dar acesso a aplicativos Linux em celulares? Ou ambos? Curioso, de qualquer forma. Segundo o Android Authority, a Samsung não inclui em seus celulares as APIs de virtualização (Android Virtualization Framework) usadas nesta implementação do Linux pelo Google.