Vincular ao celular

Alguns leitores chamaram a minha atenção ao aplicativo Vincular ao Celular, do Windows, em resposta à dica do scrcpy, um app de código aberto para espelhar celulares Android em computadores.

O Vincular ao Celular tem essa função, mas — segundo a Microsoft — ela é restrita a alguns modelos Android da Samsung e Honor.

Para todos os demais, os recursos do Vincular ao Celular lembram os do KDE Connect, como acesso a mensagens, ligações, notificações e fotos pelo computador Windows. O mesmo vale para o iPhone.

Nos comentários do post original, o Victor deu uma dica legal para o scrcpy: usando o parâmetro -S, ou seja, scrcpy -S, a tela do celular não fica ligada no espelhamento.

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Novidades e atualizações

[Android, iOS, web, Windows] Repaginada no Copilot, que ganhou voz, visão e uma estética mais “calma”, herança da startup Inflection, adquirida pela Microsoft. / theverge.com

[iOS] Croissant é um novo app que permite postar no Bluesky, Mastodon e Threads ao mesmo tempo. / croissantapp.com

[macOS] Daily é um novo app de listas de tarefas baseado em datas e cheio de atalhos no teclado. Ah, e é gratuito. / dscp.team

[Linux, macOS, Windows] O Firefox 131 traz permissões temporárias para sites, miniatura de abas ao passar o mouse sobre elas e um novo ícone para a lista de abas. / mozilla.org

[Terminal] Kew é um player de música estiloso que roda na linha de comando. / github.com

[Android] Quer testar o Thunderbird para Android? A versão beta foi disponibilizada aos interessados. / blog.thunderbird.net

Reeder vira agregador de feeds para quem não entende feeds

Ícone do Reeder: raio amarelo escuro contra fundo amarelo.

A nova versão do Reeder, um dos agregadores de feeds mais tradicionais para plataformas Apple, é bem ousada. Ela rompe com convenções do gênero, como contadores de itens não lidos e organização por pastas, e se aproxima mais do fluxo de conteúdo das redes sociais.

O novo Reeder ainda lê feeds, mas não só: por ele, é possível acompanhar contas do Mastodon e Bluesky, canais do YouTube, podcasts e comunidades do Reddit.

É uma questão de UX, visto que todas essas fontes oferecem feeds RSS, Atom ou JSON, ou seja, podem ser acompanhadas em agregadores de feeds normais.

Outra ruptura do novo Reeder é a ausência de sincronia com serviços externos, como Feedly, Miniflux e Feedbin. O aplicativo só oferece sincronia via iCloud, e confia na lembrança da posição no feed para situar a pessoa em meio a tanto conteúdo. (Lembre-se, não tem contadores de itens não lidos nem pastas.)

Disponível para iOS, iPadOS e macOS, o Reeder cobra uma assinatura de R$ 4,90/mês ou R$ 49,90/ano.

Pela dimensão das mudanças que propõem, creio que o objetivo do desenvolvedor seja alcançar um público que não usa agregadores de feeds. Para quem já usa e gosta do Reeder clássico, a boa notícia é que ele continuará disponível, rebatizado na App Store de Reeder Classic, à venda via compra única de R$ 49,90.

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Novidades e atualizações

[Linux, macOS, Windows] O destaque do Firefox 130 é a tradução de trechos dentro de páginas traduzidas por inteiro. Não sei quando isso seria útil, mas é isso aí. / mozilla.org (em inglês)

[Web] Usa o Canva? O valor da assinatura do serviço aumentou — em alguns casos, em 300%. / ia.acs.org.au (em inglês)

[macOS] Saiu o Moom 4, nova versão de um dos mais antigos gerenciadores de janelas do macOS. Com o Sequoia na boca do forno, com gerenciamento de janelas nativo, será que apps como esse têm futuro? / manytricks.com (em inglês)

[Android, iOS, Linux, macOS, Web, Windows] O Todoist ganhou um leiaute de calendário na visualização “Hoje”. A linha que separa listas de tarefas de compromissos na agenda é bem tênue. / todoist.com

[Linux] Concessio é um aplicativo bem simples que ajuda a entender o sistema de permissões de arquivos em sistemas Unix. / github.com (em inglês)

[Android] Eu não resisto a um editor de texto simples, e o Xed-Editor parece bem bom. / github.com (em inglês)

Add Eddie gera QR codes no celular para Wi-Fi e meios de contato

Ícone do Add Eddie: retângulo preto com o texto “Add Eddie +” em letra cursiva.

“Seria legal ter alguns QR codes à mão para facilitar contatos presenciais”, pensei comigo dia desses. Por coincidência, no dia seguinte topei com o Add Eddie, um aplicativo que faz exatamente isso.

É possível criar QR codes para conexões Wi-Fi (já usei, bem útil!), aplicativos de mensagens, e-mail e sites. O app é simples, como era de se esperar, e funciona bem.

Há alguns aspectos que podem ser melhorados. Por exemplo, falta a interface clara e uma exibição em lista dos QR codes, para facilitar o acesso aos últimos da fila. O ícone é horrível, mas aí já entramos no terreno da subjetividade, né?

Troquei e-mails com o desenvolvedor, que pareceu-me bastante solícito. Fica a esperança de que essas e outras melhorias sejam implementadas em algum momento.

O Add Eddie é gratuito, com uma compra dentro do app opcional para liberar alguns recursos. (Até dia desses, a compra estava liberada gratuitamente.) Para Android e iOS.

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Novidades e atualizações

[Web] O Thunderbird lançou um web app de agendamento de eventos, similar ao Calendly. Chamado Appointment (parabéns pela criatividade, pessoal), por ora é acessível mediante convite. / blog.thunderbird.net (em inglês)

[CLI] O firebuilder é um app para o terminal que gera personalizações para o Firefox de modo fácil — se você não se intimida com a linha de comando, claro. / github.com (em inglês)

[Firefox] Uma simpática extensão que insere posts da sua instância do Mastodon nos resultados do DuckDuckGo. / tomcasavant.com (em inglês)

[Linux] Atualização grande, o Calligra Office 4.0 atualiza a suíte de apps de escritório do KDE para o Qt 6 e traz mudanças estéticas, com destaque para uma nova barra lateral. / carlschwan.eu (em inglês)

[iOS, iPadOS] Mudou tudo no Finalist 2, app que agrega agenda de contatos e lista de tarefas em uma interface diferentona. / finalist.works (em inglês)

[Android, iOS, macOS, Windows] O Evernote (lembra dele?) ganhou um novo motor de sincronização que, prometem os desenvolvedores, é três vezes mais rápido que o antigo. / evernote.com (em inglês)

[iOS, iPadOS] Woofly é um app completo para cuidar do seu cachorrinho. / woofly.app (em inglês)

[Linux, macOS, Windows] O Vivaldi 6.9 permite renomear abas, arrastar arquivos baixados a partir do painel e ganhou uma nova visualização de abas em outros dispositivos. Ah, e agora tem versão para PCs com chips ARM no Windows. / vivaldi.com (em inglês)

Telas iniciais “minimalistas” para celulares

O Light Phone faz mais sucesso como aspiração do que como o produto que é, o que é compreensível para um celular que, em 2024, promete nos dissuadir de olhar para telas sem perder funcionalidades.

Na esteira desse sucesso conceitual, alguns desenvolvedores se arriscaram a criar lançadores para Android e widgets no iOS que emulam a experiência de uso do Light Phone. A questão é: valem a pena?

No iOS, que me é mais familiar (é o que uso no dia a dia), existem apps como Dumb Phone, Dumbify e Blank Spaces. O Android é melhor servido graças ao suporte a “lançadores”, que substituem por completo a tela inicial do sistema, casos dos apps Olauncher (e variações), Flow e Niagara.

(Em telas OLED, que exibem um preto profundo/real, o efeito é ainda mais legal — vide a foto acima, do Olauncher em um Galaxy S9.)

Fora o preço (no caso do iOS; não encontrei app gratuito), fico pensando se lançadores e widgets do tipo não são mais uma representação daquele viés de achar que mais tecnologia resolve problemas criados pela tecnologia.

Afinal, as notificações, os aplicativos viciantes, o WhatsApp, tudo isso continua disponível, quando muito um pouco mais distante.

Focar na raiz do problema me parece mais promissor. Só depois disso eu me preocuparia com o visual.

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Novidades e atualizações

A System76 botou para jogo a versão alpha do Cosmic, seu ambiente gráfico para Linux. / system76.com (em inglês)

O Firefox 129 chegou com o “modo leitor” repaginado, HTTPS como padrão (achava que já era) e prévia de abas ao deixar o cursor sobre elas (liberação gradual). / mozilla.org (em inglês)

O Flighty 4.0 trouxe previsões de atrasos, status dos aeroportos em tempo real e outras funcionalidades relacionadas. / apps.apple.com

(Não-)Usando o Firefox

Não faz muito tempo, argumentei que o Firefox é o único navegador web possível. Considerando que sua base de usuários fechou julho na mínima histórica (2,74%, segundo o StatCounter), pedi ajuda no Órbita para contar a experiência de uso do navegador da Mozilla. Usá-lo parece algo raro o suficiente para valer a tour — e, numa dessas, vai que mais gente se anima a dar uma chance ao Firefox?

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“Atribuição com respeito à privacidade” do Firefox coloca Mozilla em xeque

A Mozilla é uma espécie de último bastião da web não (tão) comercial, porém está longe de ser uma unanimidade. Entre a dependência umbilical com o Google, a estrutura corporativa complexa e distrações com modinhas (a do momento parece ser a inteligência artificial), vez ou outra atitudes inexplicáveis abalam a confiança de quem usa o Firefox na dona dele.

O Firefox 128, lançado em 9/7, trouxe uma nova opção, ativada por padrão, da API de Atribuição com respeito à privacidade (PPA, na sigla em inglês).

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O único navegador web possível

Não sei se estamos em uma era em que escolher um navegador web é fácil ou muito difícil. As evidências apontam para uma resposta ambivalente.

De um lado, se ignorarmos questões outras que a experiência de uso, é fácil. Vive-se a ilusão da escolha — tão típica do capitalismo tardio — no que tange ao Chromium, projeto de código-aberto do Google que move o Chrome e uma variedade de outros navegadores, como Edge, Opera e Brave.

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A Mozilla está testando a tradução de trechos selecionados no Firefox. Por ora, como mostra o Omg! Ubuntu, está disponível apenas em versões experimentais do navegador.

É um recurso fantástico, similar ao que a Apple introduziu no macOS 12 Monterey, em 2021. Pela natureza do que faço, lido com muito texto em inglês ao longo do dia. Ter um tradutor decente a um clique do mouse, em qualquer lugar do sistema, é um super poder que eu não sabia que precisava.

Na semana em que usei Linux (e o Firefox como navegador principal), recorri à extensão do DeepL, que oferece um recurso similar, ainda que seja meio instável. Tê-lo integrado ao navegador deve ser melhor.

A solução do Firefox é, por óbvio, limitada ao Firefox/navegador. É uma pena, mas melhor que nada.