Este commit, no repositório do site da Mozilla, remove todas as referências ao compromisso em não vender dados pessoais no Firefox. No arquivo structured-data-firefox-faq.html, da sessão de perguntas e respostas, a pergunta (removida) “O Firefox vende seus dados pessoais?” terminava dizendo que “Isto é uma promessa”. A pergunta e a promessa já não constam no site.

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Por que agora, Mozilla?

A Mozilla apresentou termos de uso para o Firefox. É a primeira vez que o navegador tem um documento do tipo, incomum em navegadores FOSS. Os termos de uso vieram acompanhados de uma política de privacidade atualizada.

Em um adendo no blog onde anunciou a novidade, a Mozilla esclarece que a cessão de certos direitos e permissões, prevista nos termos de uso, não significa propriedade dos dados ou o direito de uso do que acontece no navegador fora dos casos previstos na política de privacidade.

Esse tipo de confusão é normal. Serviços web e aplicativos precisam dessa garantia para operarem com dados dos usuários.

A política de privacidade prevê diversos casos de uso meio decepcionantes, em especial os ligados à iniciativa de “links patrocinados” (ainda indisponível no Brasil) e que envolvem marketing de produtos e inteligências artificiais generativas.

É preciso reconhecer que os dois textos são legíveis, relativamente fáceis de entender por serem livres de “juridiquês”. Também é possível desativar a maioria das (todas?) opções mais invasivas.

Por outro lado, esse anúncio soa como uma contradição ao “ethos” da Mozilla, ou o que se pensa sê-lo; uma contradição com os ideais de quem está atento e se importa com a monopolização da web pelo Google/Chromium e tem, no Firefox, uma espécie de bastião da web aberta.

“Por que agora?”, a Mozilla pergunta no blog. “Embora tenhamos ao longo da história confiado em nossa licença de código aberto para o Firefox e nos compromissos públicos com você, estamos trabalhando em um cenário tecnológico muito diferente hoje. Queremos tornar esses compromissos abundantemente claros e acessíveis.”

É tudo uma questão de perspectiva, claro. Nesse “cenário tecnológico muito diferente”, acho eu que as práticas históricas da Mozilla no contrato com os usuários seriam mais importantes do que jamais foram. Seguir a manada e sujar-se com a publicidade programática acaba com os (poucos) diferenciais que o Firefox ainda sustenta.

Os termos de uso não alcançam o código do Firefox, o que significa que “forks”, navegadores alternativos baseados no da Mozilla, não estão sujeitos a eles. Recomendo o LibreWolf em computadores. O projeto tem por propósito oferecer um Firefox livre do braço comercial da Mozilla e que priorize a privacidade. (E já vem com a extensão uBlock Origin pré-instalada.)

O LibreWolf pesa a mão na privacidade, o que gera alguns transtornos em uso normal da web. Para evitá-los, recomendo desativar a proteção contra fingerprinting (RFP).

Para o Android, o IronFox é recomendado pelo pessoal do LibreWolf. Outra alternativa, menos focada em privacidade acima de tudo, é o Fennec, disponível na F-Droid.

Apps novos e atualizados

Atualizações de apps importantes e novidades que podem ganhar um espaço no celular ou computador.

Apple TV: O aplicativo do streaming da Apple, até então disponível apenas para o Android das TVs, foi liberado para celulares e tablets. Outra novidade é que agora dá para assinar o Apple TV+ pelo Android e pagar a mensalidade pelo Google. / Android

KDE Plasma 6.3: Cheio de pequenos refinamentos e com o slogan promissor “It’s pixel perfect”, a nova atualização do KDE Plasma chegou. / Linux

Kindly RSS Reader: Um novo agregador de feeds “self-hosted” com leiaute otimizado para telas E-Ink, como as do Kindle. / Web

Pano: Um gerenciador de área de transferência “da próxima geração”, esta extensão lembra bastante o Paste do macOS. / Linux (Gnome)

WhatsApp: Tenho a impressão de que quando um site ou app se abre para personalização em excesso, é sinal de que acabaram as ideias e estão apelando para o artifício mais manjado a fim de estimular engajamento. Nessa semana, o WhatsApp ganhou… temas. / Android, iOS

Apps novos e atualizados

Atualizações de apps importantes e novidades que podem ganhar um espaço no celular ou computador.

Apple Convites: A Apple lançou um app para agendar eventos. Todo mundo (até, veja só, quem usa Android) pode responder convites, mas para criar um evento tem que ter um iPhone e ser assinante do iCloud+. Acho que vai flopar. / iOS

Cryptomator 1.15.0: A janela principal ganhou um novo visual e a versão para Linux em AppImage não tem mais dependências. / Linux, macOS, Windows

Firefox 135: Traz novos idiomas no tradutor embutido e offline, e expande o novo leiaute da página de novas abas para o mundo todo (estava em testes nos EUA). A opção “Do Not Track” foi removida. / Linux, macOS, Windows

Instapaper 9.1: Agora funciona com sites que exigem login, consegue detectar paywalls e teve a tela de configurações redesenhada. / iOS

KTool: Serviço que envia artigos salvos da web para o Kindle. É pago, com 7 dias de testes. / Android, iOS, Web

le Chat: A Mistral, startup francesa de IA generativa, lançou seu app móvel. / Android, iOS

LibreOffice 25.2: Suporte ao ODF 1.4, melhorias na compatibilidade com arquivos da Microsoft e pequenas mudanças estéticas. Ah, e o aviso de que a próxima versão (25.8) não será compatível com os Windows 7, 8 e 8.1. / Linux, macOS, Windows

Mastodon Moderation: Um app para administradores de instâncias do Mastodon lidarem com tarefas de manutenção. É para pouca gente; coloco aqui mais a título de curiosidade. / iOS

Microsoft Teams: A Microsoft está testando uma espécie de LinkedIn interno para o Teams, com direito a posts, curtidas e o conceito de seguir/ser seguido. Nada é tão ruim que não possa piorar. / Todos os sistemas (infelizmente)

Opera Air: O primeiro (e provavelmente último, pois ???) navegador web do mundo “centrado em mindfulness”. / Linux, macOS, Windows

OnlyOffice Docs 8.3: Ganhou compatibilidade com arquivos dos apps de escritório da Apple (Keynote, Numbers e Pages), carimbos para *.pdf e outras novidades menores. / Linux, macOS, Windows

Tapestry: Virou moda esse tipo de app que agrega várias timelines em uma tela só, não? Este é da Iconfactory, responsáveis pelo finado Twiterrific. / iOS

Extensão do Marreta ganha versões para Chrome, Firefox para Android e Firefox ESR

Ficou mais fácil usar o Marreta, nosso quebrador de paywalls, com a nova extensão para o Chrome. / chromewebstore.google.com

A exemplo da do Firefox, a extensão para o Chrome também foi desenvolvida pela Clarissa Mendes. Para quem usa o Firefox, aliás, a última atualização (0.4.1) trouxe suporte ao Firefox ESR e ao Firefox para Android. / addons.mozilla.org

Atenção com o Firefox para Android. O caminho para ativar a Marreta é um pouco mais complicado: tem que abrir o menu, ir em Extensões e aí tocar em Abrir com Marreta. Os prints na página da extensão demonstram como fazer.

O Marreta, quebrador de paywalls do PC do Manual, ganhou uma extensão gratuita para o Firefox para computadores (Linux, macOS e Windows). Após instalá-la, atalhos para abrir links no Marreta aparecem no menu de contexto (do botão direito do mouse) e em um ícone no menu de extensões. Clique em um deles para marretar o paywall. / addons.mozilla.org

A extensão foi desenvolvida pela Clarissa Mendes e tem o código-fonte disponível no nosso GitHub. A versão do Chrome será lançada em breve.

SingleFile salva páginas web em um arquivo

Ícone da SingleFile: folhinha azul com uma seta para baixo em um círculo amarelo.

O meu rol de extensões no navegador é bem enxuto, e a maioria delas roda em segundo plano; são do tipo “configure e esqueça”. A SingleFile é uma exceção.

A função dessa extensão é salvar páginas web. “Ok, mas o próprio navegador já faz isso”, você pode pensar. Sim, mas a SingleFile faz de um jeito melhor.

Como o nome entrega, ela salva a página toda em apenas um arquivo. Diferente do navegador, que salva um arquivo *.html e um diretório cheio de outros arquivos.

Além disso, a SingleFile tem alguns truques avançados:

  • Gera resultados mais fiéis, graças a algumas técnicas pouco ortodoxas no processo de cópia da página web, como converter imagens para o formato *.svg.
  • Permite salvar múltiplas abas de uma vez só. (Clique com o botão direito do mouse no ícone para acessar essas opções.)
  • Oferece a opção de anotar e comentar as páginas antes de salvá-las. (Esta opção também está no menu do botão direito.)

O mais legal? É uma extensão gratuita e praticamente universal, com versões para os principais navegadores do mercado, incluindo o Safari (iOS e macOS) e o Firefox para Android.

E se você for do tipo que vive na linha de comando, há uma ferramenta do tipo disponível.

Links para instalar: Chrome, Edge, Firefox, Firefox (Android), Safari.

Apps novos e atualizados

Bluesky 1.92: A nova versão do Bluesky permite fixar posts no perfil, tem novas opções estéticas, filtro de idiomas e outros pequenos incrementos. / Android, iOS, Web / bsky.app (em inglês)

Firefox 131.0.2, Thunderbird 128.3.1esr: Navegador e cliente de e-mail receberam a correção de falha crítica. Se ainda não os atualizou, faça isso agora. / Linux, macOS, Windows / mozilla.org, thunderbird.net

Mastodon 4.3: Finalmente saiu! Com notificações agregadas, atribuição de autoria em links, novos filtros e vários retoques visuais. / Web / blog.joinmastodon.org (em inglês)

OneDrive: A Microsoft apresentou várias novidades para o seu serviço de armazenamento na nuvem. Destaques para pastas coloridas no Windows 11, novo app de celulares focado em fotos e IA (se isso te interessa). / Android, iOS, Windows, Web / techcommunity.microsoft.com (em inglês)

Plasma 6.2: Mais uma atualização cheia de refinamentos do ambiente gráfico do KDE e novos recursos para quem trabalha com mesas digitalizadoras. / Linux / kde.org (em inglês)

Poke: Enquanto o Invidious não volta, outro front-end alternativo para o YouTube com foco em privacidade. / Web / poketube.fun

Rune: Um player de música moderno com o visual atemporal do saudoso Zune Player. / Windows / github.com

Ubuntu 24.10: O mais novo Ubuntu chegou, com Gnome 47 e outros pacotes atualizados. / Linux / ubuntu.com (em inglês)

Mozilla e a publicidade digital

Dois posts da Mozilla — da CEO da Mozilla Corporation, Laura Chambers, e do presidente da Fundação Mozilla, Mark Surman — fincaram a bandeira do grupo no campo da publicidade digital. / blog.mozilla.org, blog.mozilla.org (ambos em inglês)

Ambos parecem ser reações às críticas recebidas pelo grupo por uma alteração recente no Firefox, que inseriu — em caráter de testes e com alcance limitado — uma opção ativada por padrão para testar a tecnologia chamada “atribuição com preservação de privacidade” (PPA, na sigla em inglês). / blog.mozilla.org (em inglês)

A instrumentalização do Firefox para a utopia da publicidade digital em larga escala que respeita a privacidade é uma de duas partes da estratégia da Mozilla nesse setor. No caso, a do produto. A outra, de infraestrutura, baseia-se na aquisição da Anonym, formada por dois ex-executivos da Meta, em junho. / blog.mozilla.org (em inglês)

Verdade seja dita, embora esses eventos tenham dado maior proeminência à iniciativa, o flerte da Mozilla com a publicidade não é novo, como nos lembrou Mark ao resgatar um post de maio de 2021 intitulado “Construindo um ecossistema baseado em anúncios com mais respeito à privacidade”. / blog.mozilla.org (em inglês)

Laura admite que a ideia não agrada a todos:

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