Prepare-se para a guerra: robôs de IA na cadeia de mortes

por David Gerard

O termo “inteligência artificial” foi inventado em 1955 para uma proposta de marketing ao Departamento de Defesa dos EUA (DoD, na sigla em inglês). O objetivo do Vale do Silício sempre foi a teta do governo — o estágio final do capitalismo.

Na semana passada, a fornecedora de chatbots Anthropic teve problemas com o Departamento de Defesa. O DoD é muito fã de chatbots. E eles adoram o Claude, da Anthropic. O Claude está espalhado pelos sistemas do DoD, geralmente embutido em softwares da Palantir.

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É possível que a escolha da pessoa do ano da revista Time, que nesta edição elegeu “os arquitetos da IA” (leia-se: CEOs de big techs da área), tenha sido feita por uma IA. Primeiro indício: apontar pessoas no plural (“os arquitetos da IA”) como a pessoa (singular) do ano. Segundo e mais forte indício: só alguém estúpido como uma IA elegeria essa galera tosca como pessoa(s) do ano.

Chineses contra iFood / Recurso hilário do X / Celular velho prejudica a economia

Está no ar a pesquisa anual para conhecer quem lê (e ouve) o Manual do Usuário. Leva menos de 3 minutos para responder e ajuda um bocado o projeto. Responda: https://tally.so/r/xXVV7d

Neste podcast, eu comento dois ou três links selecionados da curadoria diária que faço no Manual do Usuário. (Recomendo fortemente que você dê uma olhada no arquivo de links. É bem legal!)

Chineses contra o iFood, 0:24

Keeta “ataca” Grande SP e foca na experiência do entregadorStartups.

99Food chega a Curitiba e promete restaurantes com preços iguais ao cardápioBanda B.

Recurso hilário do X (antigo Twitter), 4:29

Estadunidenses estão mantendo o mesmo celular/computador por mais tempo e isso está prejudicando a economia (em inglês), CNBC.

A polarização dos EUA se tornou o bico do resto do mundo (em inglês), 404 Media.

Celular velho prejudica a economia, 7:05

X expôs uma vasta rede secreta de influência visando estadunidenses (em inglês).

Meta não é um monopólio / “Agentes” de IA no Windows

Neste podcast, eu comento dois ou três links selecionados da curadoria diária que faço no Manual do Usuário. (Recomendo fortemente que você dê uma olhada no arquivo de links. É bem legal!)

Meta não é um monopólio, 0:26

O teste simples que derrubou o caso da FTC contra a Meta (em inglês), Platformer.

Como o TikTok ajudou a Meta a vencer um caso antitruste (em inglês), New York Times.

Para ser franco, o Instagram foi adquirido para eliminar um concorrente, e isso foi ok para a FTC (em inglês), Pixel Envy.

CEO do Mastodon, 7:06

Meu próximo capítulo com o Mastodon (em inglês).

RCS na Claro, 9:53

Claro lançará RCS para iPhones em 2026; TIM já testa o serviço em pilotoMobile Time.

“Agentes” de IA no Windows, 10:57

Microsoft alerta que agentes de IA do Windows 11 podem abrir as portas para novos riscos à segurança (em inglês), Windows Central.

“O fato de as pessoas não se impressionarem por podermos ter uma conversa fluente com uma IA superinteligente que pode gerar qualquer imagem/vídeo me deixa boquiaberto.” Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI.

Reprogramando a Mozilla: Fazendo pela IA o que fizemos pela web (em inglês).

A Justiça estadunidense decidiu os “remédios” que serão aplicados ao Google no processo em que a empresa foi condenada por práticas monopolistas no mercado de buscadores:

  • Proibição de celebrar ou manter contratos de exclusividade relacionados à distribuição do Google Search, Chrome, Google Assistant e o aplicativo Gemini.
  • Obrigação de disponibilizar certos dados do índice do buscador e interação do usuário para rivais e potenciais rivais.
  • Obrigação de oferecer serviços de distribuição de anúncios e serviços em texto para pesquisas para permitir que rivais e potenciais rivais possam competir.

E só.

Foi pouco e todo mundo reclamou. Ou quase todo mundo: Apple e Mozilla, que recebem valores astronômicos do Google para manterem o buscador como padrão no iOS/Safari e Firefox, respectivamente, respiram aliviadas.

“Pix das mensagens”, ou um plano para destronar o WhatsApp no Brasil

RCS é o “SMS 2.0”, um sistema de mensagens com recursos avançados/modernos e atrelado às operadoras em vez da propriedade de uma empresa. O Android é compatível com o RCS há vários anos; a Apple, por pressão de órgãos reguladores mundo afora, só adotou o formato em 2024 e a conta-gotas, dependendo da boa vontade das operadoras de cada país.

Tudo indica que o iOS 26, que deve ser lançado em setembro ou outubro, liberará o RCS para o iPhone no Brasil. Pode ser uma janela de oportunidade.

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Na ação em que a Justiça estadunidense decide qual “remédio” aplicar à Alphabet pela condenação por monopólio do mercado de buscadores, Eddy Cue, vice-presidente de serviços da Apple, disse que, em abril, o volume de pesquisas feitas via Safari encolheu pela primeira vez em na história, ou seja, em quase duas décadas.

Eddy atribui a queda à ascensão de assistentes de IA generativa que entregam resultados de busca mastigados, como Perplexity (com quem a Apple estaria conversando), ChatGPT e Claude.

As ações da Alphabet (Google) tomaram um tombo de 7,5% após a declaração do executivo da Apple, reportada pela Bloomberg. A empresa soltou uma nota contestando a informação, em que diz que “continuamos a ver o crescimento geral de consultas à Pesquisa [do Google]. Isso inclui um aumento no total de consultas provenientes de dispositivos e plataformas da Apple”.

Em quem acreditar? Não sei, mas se havia dúvidas de que uma mudança sísmica está curso, dados como esse ajudam a dissipá-las.

Eddy Cue disse também que a Apple cogita alterar o Safari para que o navegador receba assistentes de IA e que a perspectiva de perder os US$ 20 bilhões anuais, que o Google paga de “caixinha” para ser o buscador padrão do Safari, está lhe tirando o sono. Que pena.

O julgamento que pode separar Instagram e WhatsApp da Meta

Os julgamentos de casos antitruste nos tribunais estadunidenses talvez sejam a maior contribuição do país à humanidade depois dos ovos beneditinos e da Hollywood dos anos dourados.

Nesta segunda (14), teve início um dos mais aguardados dos últimos tempos, em que a Federal Trade Commission (FTC, espécie de Cade dos EUA) acusa a Meta de monopolizar o mercado de redes sociais pessoais, barrando concorrentes em potencial com as aquisições bilionárias de Instagram e WhatsApp. Um dos possíveis “remédios” é o desmembramento da empresa, restabelecendo Instagram e WhatsApp como alternativas independentes e rivais do Facebook.

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O editor-chefe da revista The Atlantic foi adicionado a um grupo no Signal onde membros do alto escalão do governo estadunidense, incluindo o vice-presidente e o secretário de defesa, trocavam informações confidenciais de um ataque dos EUA contra os Hutis, no Iêmen.

O caso, surreal, ilustra uma máxima deste Manual: de nada adianta criptografia de ponta a ponta se uma das pontas for comprometida — ou, como neste caso, for uma pessoa burra.

A Amazon avisou alguns clientes que, no dia 28/3, removerá a opção de não enviar gravações de voz de conversas com a Alexa à nuvem. O pessoal ficou bravo — vide o texto do Cory Doctorow.

Fiquei intrigado com a mera existência dessa opção. Depois, olhando mais a fundo a documentação de ajuda do serviço, descobri que ela só existe em três dispositivos — Echo de 4ª geração, Echo Show 10 e Echo Show 15 —, para quem vive nos Estados Unidos e conversa com a Alexa em inglês.

Google veiculou dado inventado pelo Gemini em anúncio que vende o Gemini para criar anúncios

O Google preparou um anúncio do Gemini para o Super Bowl, aquele evento de publicidade que, salvo engano, tem algum tipo de esporte nos intervalos. A peça é voltada a pequenos comerciantes interessados em usar a IA para escrever anúncios.

No vídeo, o Gemini alucina e diz que o queijo gouda é o mais consumido do mundo, respondendo por 50–60% do mercado. O dado é questionável (já viu o preço do queijo gouda!?), provavelmente errado, tanto que o Google refez o anúncio e o removeu.

Alguém que quisesse sabotar as IAs generativas não pensaria numa situação tão ridícula e improvável. E provavelmente teremos mais: a OpenAI também vai veicular um comercial no evento.

A Meta baixou pelo menos 81,7 TB (terabytes), por torrent, de materiais piratas em sites como LibGen, Anna’s Archive e Z-Library, para treinar inteligência artificial. O número apareceu em novos documentos revelados no processo que autores estadunidenses moveram contra a empresa.

O pior é que a Meta teria agido para “‘semear’ [compartilhar] o mínimo possível” a fim de cobrir os rastros do uso ilegal do material, protegido por direitos autorais.

Gente que só baixa e não faz seeding: piores usuários de torrent.

Via Ars Technica.

IA chinesa censura temas sensíveis na China e água é molhada

Às vezes a imprensa descobre (ou finge que descobre) que a água é molhada e publica coisas como esta, que estampou todos os jornais semana passada: “DeepSeek se autocensura quando perguntado sobre alguns temas políticos da China.”

Vindo de onde vem, seria notícia se uma inteligência artificial generativa chinesa não censurasse tais temas.

Não me recordo (e fiquei com preguiça de procurar) se, nos últimos dois anos e meio, alguém se deu ao trabalho de testar o Copilot da Microsoft na criação de códigos que mencionem palavras como “sexo” ou “gênero”. Até duas semanas atrás, a IA cruzava os braços (figurativamente falando) ao topar com elas, segundo esta conversa no GitHub, um serviço da Microsoft.

E, veja: longe de mim defender a China, o PCCh ou quem quer que seja. É que, embora às vezes se tenha a impressão de que não, todo mundo tem teto de vidro.

Aliás, dado que o novo governo estadunidense tem como principal política pública destruir dados e documentos de gente que eles odeiam, quanto tempo até as big techs de lá, todas em lua de mel com Trump, dizerem “amém” e fazerem o mesmo?

Via Baldur Bjarnason (em inglês).