Ajude-me a vencer o processo contra a Folha de S.Paulo!

Google veiculou dado inventado pelo Gemini em anúncio que vende o Gemini para criar anúncios

O Google preparou um anúncio do Gemini para o Super Bowl, aquele evento de publicidade que, salvo engano, tem algum tipo de esporte nos intervalos. A peça é voltada a pequenos comerciantes interessados em usar a IA para escrever anúncios.

No vídeo, o Gemini alucina e diz que o queijo gouda é o mais consumido do mundo, respondendo por 50–60% do mercado. O dado é questionável (já viu o preço do queijo gouda!?), provavelmente errado, tanto que o Google refez o anúncio e o removeu.

Alguém que quisesse sabotar as IAs generativas não pensaria numa situação tão ridícula e improvável. E provavelmente teremos mais: a OpenAI também vai veicular um comercial no evento.

A Meta baixou pelo menos 81,7 TB, por torrent de materiais piratas em sites como…

A Meta baixou pelo menos 81,7 TB (terabytes), por torrent, de materiais piratas em sites como LibGen, Anna’s Archive e Z-Library, para treinar inteligência artificial. O número apareceu em novos documentos revelados no processo que autores estadunidenses moveram contra a empresa.

O pior é que a Meta teria agido para “‘semear’ [compartilhar] o mínimo possível” a fim de cobrir os rastros do uso ilegal do material, protegido por direitos autorais.

Gente que só baixa e não faz seeding: piores usuários de torrent.

Via Ars Technica.

IA chinesa censura temas sensíveis na China e água é molhada

Às vezes a imprensa descobre (ou finge que descobre) que a água é molhada e publica coisas como esta, que estampou todos os jornais semana passada: “DeepSeek se autocensura quando perguntado sobre alguns temas políticos da China.”

Vindo de onde vem, seria notícia se uma inteligência artificial generativa chinesa não censurasse tais temas.

Não me recordo (e fiquei com preguiça de procurar) se, nos últimos dois anos e meio, alguém se deu ao trabalho de testar o Copilot da Microsoft na criação de códigos que mencionem palavras como “sexo” ou “gênero”. Até duas semanas atrás, a IA cruzava os braços (figurativamente falando) ao topar com elas, segundo esta conversa no GitHub, um serviço da Microsoft.

E, veja: longe de mim defender a China, o PCCh ou quem quer que seja. É que, embora às vezes se tenha a impressão de que não, todo mundo tem teto de vidro.

Aliás, dado que o novo governo estadunidense tem como principal política pública destruir dados e documentos de gente que eles odeiam, quanto tempo até as big techs de lá, todas em lua de mel com Trump, dizerem “amém” e fazerem o mesmo?

Via Baldur Bjarnason (em inglês).

Google Maps e o Golfo da América

O Google anunciou que vai trocar o nome do Golfo do México, nos EUA, para Golfo da América no Google Maps, alinhando o aplicativo a uma das grandes ideias do presidente Donald Trump. / theverge.com (em inglês)

Alguém desencavou um post de 2008 do blog de políticas públicas do Google, em que o então diretor global do setor na empresa aborda essa questão — “Como o Google determina os nomes dos corpos d’água no Google Earth”. / publicpolicy.googleblog.com (em inglês)

O Google aplica uma política uniforme que chama de “Primary Local Usage”, ou “uso local primário”:

Sob esta política, o cliente [app] em inglês do Google Earth exibe o(s) nome(s) primário(s) comum(s) local(is) dado(s) a um corpo de água pelas nações soberanas que lhe fazem fronteira. Se todos os países vizinhos concordarem com o nome, o nome único comum será exibido (por exemplo, “Caribbean Sea” em inglês, “Mar Caribe” em espanhol etc.). Mas se diferentes países contestarem o nome próprio de um corpo de água, nossa política é exibir os dois nomes, com cada rótulo colocado mais perto do país ou países que o usam.

Em outros idiomas, adota-se o nome de uso comum na língua em que o Google Maps/Earth estiver sendo exibido, com um botão expansível que informa que o nome não é consenso e os outros também usados.

É aí que o pessoal está pegando no pé do Google, que tem (ou tinha?) em sua política a adoção do critério de nomes ”primários, comuns e locais” para corpos d’água:

[…] Por “comum”, nos referimos a incluir nomes que estão em uso comum em vez de reconhecer de imediato qualquer novo nome dado pelo governo de forma arbitrária. Em outras palavras, se um governante anunciasse que, a partir de agora, o Oceano Pacífico seria rebatizado em homenagem à sua mãe, não usaríamos esse nome [no Google Maps/Earth] a menos e até que ele passasse a ser usado no dia a dia.

No X, a empresa rebateu as críticas dizendo ter “uma prática consolidada de aplicar alterações em nomenclaturas quando elas são atualizadas em fontes governamentais oficiais”. / @NewsFromGoogle/x.com (em inglês)

No caso dos EUA, seria o Geographic Names Information System. Note que as duas alterações — do Golfo do México e Denali — ainda não foram publicadas pelo GNIS e, portanto, o Google Maps ainda mostra os nomes “antigos” por lá. / usgs.gov (em inglês)

Entendo a frustração com decisões arbitrárias e de ofício de um presidente errático, mas essa parece ser uma… “não-tícia”? Se o governo mudar os nomes de corpos d’água, como o estadunidense pretende fazer (a ordem executiva foi publicada por Trump em 20 de janeiro), o Google está certo em refleti-la no Maps. / whitehouse.gov (em inglês)

Nas poucas horas em que o TikTok ficou indisponível nos EUA, os rivais…

Nas poucas horas em que o TikTok ficou indisponível nos EUA, os rivais Bluesky, X e até Flipboard (com o novo app Surf, em testes) lançaram “feeds de vídeos” tentando capitalizar o momento. Concorrência justa, como se sabe, é um dos pilares do capitalismo estadunidense. / @bsky.app/bsky.app, @X/x.com, techcrunch.com (todos em inglês)

A Meta entupiu o Instagram de novos recursos — que, de verdade, quem se importa? — e anunciou um clone sem vergonha do CapCut que só será lançado em março. / @mosseri/threads.net (em inglês)

A grande ironia é que o TikTok voltou ao ar por iniciativa da mesma pessoa que, muitos anos atrás, deu início à caça às bruxas que culminou no seu banimento. / g1.globo.com

WP Engine consegue liminar contra Automattic e Matt Mullenweg

A Justiça da Califórnia concedeu uma liminar que obriga a Automattic e o CEO, Matt Mullenweg, a reverterem todas as ações infligidas contra a WP Engine desde setembro, quando Matt deflagrou uma guerra comercial contra a rival. / storage.courtlistener.com (PDF), wptavern.com (ambos em inglês)

A Automattic e Mullenweg têm 72 horas, a partir da publicação da decisão, para:

  1. Restaurar o acesso da WP Engine e seus funcionários aos sistemas do WordPress.org;
  2. Restaurar o acesso da WP Engine ao plugin Advanced Custom Fields (ACF); e
  3. Remover a declaração obrigatória de ausência de vínculo com a WP Engine da tela de login do WordPress.org;
  4. Remover os dados de clientes da WP Engine do site WP Engine Tracker.

Segundo a 404 Media, Mullenweg pediu para ter sua conta excluída do Post Status Slack, uma comunidade de ferramentas de código aberto para WordPress. / 404media.co (em inglês)

Antes de sair, ele teria escrito:

É difícil imaginar querer continuar trabalhando no WordPress depois disso. Estou farto e enojado por ser legalmente obrigado a fornecer mão de obra gratuita a uma organização tão parasitária e exploradora como a WP  Engine. Espero que todos vocês consigam o que você e a WP Engine queriam.

O julgamento do processo ainda não tem data para acontecer.

Nos EUA, a editora HarperCollins está oferecendo…

Nos EUA, a editora HarperCollins está oferecendo US$ 2,5 mil a alguns autores em troca do licenciamento de suas obras para treinar IAs generativas por três anos. Os autores não estão contentes com a proposta. / pivot-to-ai.com (em inglês)

E o Signal?

Estadunidenses de grupos minorizados estão sugerindo o uso do Signal diante do resultado da eleição presidencial de lá.

Usar o Signal é uma boa prática de segurança e privacidade digital, com Trump no poder ou não, nos EUA e em qualquer outro país.

No final de maio, em meio a uma onda de ataques esquisitos contra a direção do Signal por sujeitos como Pavel Durov (Telegram) e Elon Musk (X), migramos o grupo do Manual para o Signal. (Até então, usávamos o Telegram.)

Dia desses, o leitor Tasso sugeriu “um texto de reflexões sobre a mudança do grupo para o Signal, alguns meses depois”. Achei boa ideia! Cá está o texto.

A mudança transcorreu sem maiores transtornos, ainda que não sem perdas. No Telegram, éramos mais de 120 pessoas, se não me falha a memória; no Signal, nesta quarta (6) estávamos em 94.

(mais…)

Alarmo, o relógio-despertador da Nintendo 

A Nintendo lançou o Alarmo, um relógio-despertador de cabeceira com sensor de movimentos e cinco temas baseados em suas franquias, como Mario e Zelda. (E a promessa de atualizações gratuitas no futuro.) O sensor funciona como uma espécie de “adiar” sem sair da cama, mas só funciona para quem dorme sozinho. Lá fora, por US$ 99,99 (~R$ 560). / nintendo.com, youtube.com (ambos em inglês)

WP Engine processa Matt Mullenweg e a Automattic

Na quarta (2), a WP Engine ajuizou uma ação contra Matt Mullenweg e a Automattic na Califórnia1. A petição começa dizendo que “trata-se de um caso de abuso de poder, extorsão e ganância”; depois, lista mais de dez acusações.

Não sei como funciona a Justiça estadunidense, por isso não arrisco traçar paralelos com a brasileira para tentar explicar. (Acho fascinante como o “juridiquês” deles soa mais coloquial, compreensível, o que torna peças do tipo quase entretenimento.) Chamo a atenção a três detalhes:

(mais…)

Matt Mullenweg no limiar da sanidade

Aaron Eckhart interpretando Harvey Dent na cena em que a personagem diz “You either die a hero, or you live long enough to see yourself become the villain”.

Alguns projetos de software livre têm a figura do “ditador benevolente vitalício”: seu criador assume esse título e age de ofício e tem a última palavra na tomada de decisões.

Em alguns casos, funciona. Vide o de Linus Torvalds, criador do Linux que, até hoje, escreve código, revisa contribuições e anuncia as novas versões do kernel em uma lista de e-mail.

Já em outros…

(mais…)

Curtas

Notícias e curiosidades que me chamaram a atenção durante a semana.

Começou na segunda (9), nos EUA, o segundo julgamento contra o Google por práticas monopolistas, desta vez no negócio de publicidade digital. No anterior, por monopólio do mercado de buscas online, o Google perdeu. / oglobo.globo.com

***

O melhor anúncio do evento do iPhone 16 não foi um novo produto, mas sim a conversão dos AirPods Pro 2 em um aparelho auditivo. Foi um feito tanto técnico quanto político: governos eleitos que bateram de frente com um cartel que cobrava caro por dispositivos especializados e era blindado pela agência reguladora estadunidense do setor. Matt Stoller contou esta história em sua newsletter. / thebignewsletter.com (em inglês)

***

A história do Flappy Bird foi uma bela (e curta) tragédia que, como toda propriedade intelectual nesses tempos esquisitos em que vivemos, não pôde ser deixada em paz. Dez anos após sumir da App Store, o jogo será relançado em 2025 maior e mais complexo. / 9to5mac.com (em inglês)

***

O povo do Linux Mint vai dar um trato no tema padrão do Cinnamon, o ambiente gráfico feito por eles. Como o Mint usa um tema próprio, diferente, o padrão do Cinnamon acabou meio esquecido e, apesar disso, é usado por outras distros sem modificações. (Facilitaria se trabalhassem em um só, não?) / omgubuntu.co.uk (em inglês)

***

A lista de alternativas ao Twitter fracassadas aumentou com o aviso de que o Cohost fechará as portas em breve. O serviço se junta ao Post.News e ao T2/Pebble — em comum, todos eram fechados/proprietários. / cohost.org (em inglês)

***

O Mastodon liberou geral a vinculação do autor de posts aos cartões de links espalhados na plataforma. (Antes, um domínio precisava da bênção dos desenvolvedores.) Por ora, o recurso está limitado às versões de testes do Mastodon 4.3, que já roda na .social. Veja um exemplo: é aquele “Mais de Rodrigo Ghedin” ali. / @Gargron@mastodon.social (em inglês)

***

A Meta liberou uma URL fixa para mandar aos teimosos, que insistem em usar o Threads em vez do Mastodon, quando pedirmos a eles para habilitarem a federação (leia-se: compatibilidade com o fediverso/Mastodon/etc.). Anote aí: https://www.threads.net/settings/account/fediverse. Espalhe! / techcrunch.com (em inglês)

***

A Sony anunciou o PlayStation 5 Pro, com preço sugerido (lá fora) de US$ 699. Juro que tentei, mas é difícil encontrar as diferenças para o PS5 convencional nos vídeos comparativos. Nenhuma palavra sobre Brasil, por enquanto. / blog.playstation.com (em inglês)

***

A OpenAI lançou um novo LLM, chamado o1, o primeiro capaz de “raciocinar” usando uma “cadeia de pensamentos”. O anúncio coincide com a notícia de que Sam Altman está tentando levantar +US$ 6,5 bilhões, o que, tenho absoluta certeza, é uma mera coincidência. / openai.com, pivot-to-ai.com (ambos em inglês)

Cadê você?

Novas ondas da tecnologia de consumo geram novos hábitos, alguns deles estranhos. Quando a internet móvel em celulares se popularizou, por exemplo, muita gente achou divertido dizer ao mundo por onde passava em aplicativos como o Foursquare.

Embora os motivos para alguém não fazer isso sejam vários e óbvios e o Foursquare seja apenas uma sombra do que foi naqueles anos malucos, uma variação da prática continua muito viva e, para alguns, embrenhada no cotidiano.

Na newsletter de tecnologia da Bloomberg, Ellen Huet comentou a transformação do aplicativo Buscar, da Apple, em uma espécie de mini-rede social baseada em geolocalização.

Existem bons motivos para dividir com alguém a sua localização precisa e em tempo real, como combinamos de nos encontrarmos com alguém. O uso inicial era esse, explica Ellen, mas, hoje, ela diz que o compartilhamento “se transformou em um sinal de intimidade digital e confiança”. Para os mais novos, é ainda pior:

O hábito digital também se tornou mais popular entre as gerações mais jovens. Alguns na geração Z veem isso como um rito de amizade ou um marco indicando proximidade.

O Snapchat tem um recurso tão popular quanto o Buscar da Apple — ao menos nos Estados Unidos. A Meta, que oferece o mapa no WhatsApp, vem testando o recurso no Instagram, com uma abordagem menos utilitária, mais parecida com a do Snapchat.

Um pouco influenciado pela leitura (em andamento) de A geração ansiosa, em que Jonathan Haidt explica a fixação dos jovens pelo celular, em parte, pelo que chama de “segurismo”, um eufemismo bobo dele para a superproteção dos adultos, me peguei pensando se esse Big Brother com os amigos em um mapa digital não é mais um sintoma da solidão crônica que todos, independentemente da idade, enfrentamos nesses áridos anos 2020.

O Google decidiu que o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, ir para casa mais cedo e trabalhar em casa era mais importante do que vencer.

— Eric Schmidt, ex-CEO e ex-chairman do Google.

A fala de Eric foi para justificar, a estudantes da Universidade de Stanford, por que o Google, mesmo à frente em pesquisa e desenvolvimento em inteligência artificial, está comendo poeira da OpenAI. / fortune.com (em inglês)

O vídeo foi excluído do YouTube após a repercussão negativa. Ao TechCrunch, Eric disse por e-mail que “Errei minha fala sobre o Google e a jornada de trabalho deles. Lamento meu erro”. / techcrunch.com (em inglês)