Importação como pessoa física: proibições, impostos e outros cuidados para evitar surpresas

Caixa dos Correios feita em casa.
Foto: Crystian Cruz/Flickr.

Um pouco tarde para as compras deste Natal, os Correios em parceria com a Senacom divulgaram um boletim de proteção ao consumidor com orientações importantes sobre a importação de produtos por pessoas físicas. A falha no timing é perdoável porque, apesar de mais frequente no fim do ano, comprar de sites estrangeiros se tornou uma prática comum para muita gente aqui — nos últimos dois anos, houve um aumento de 389% em encomendas do tipo.

DealExtreme, AliExpress, Tmart, Etsy, eBay… Muitos sites enviam produtos para o Brasil, uns até sem cobrar frete. Como lá algumas categorias de produtos saem bem mais em conta que aqui, por que não importá-los?

Existe regras na compra de produtos de fora. Tal ato é, como o boletim enfatiza, um de importação. O documento de sete páginas condensa o que importa em uma linguagem acessível, prevê casos excepcionais e vem com um punhado de links para entender melhor a burocracia da importação.

Importante: as regras descritas abaixo, como bem lembrou o leitor Leandro, valem para quando a encomenda é recebida pelos Correios. Nas palavras dele: “se vier por courier como DHL, FedEx ou UPS, é um pouco diferente, já que os Correios não participam do processo e todo o desembaraço é feito pela transportadora”. Um caso alternativo famoso que o Leandro cita é o da Amazon, que faz algum tempo passou a enviar mais coisas além de livros e periódicos cobrando os impostos na hora da compra.

Abaixo, alguns dos pontos mais importantes. Recomendo, porém, a leitura do documento original.

Proibições

Dá para importar um punhado de coisas sem problemas, ainda que alguns itens mais sensíveis dependam da anuência do órgão responsável.

Alguns produtos, porém, são proibidos. A lista é grande e pode ser vista neste PDF dos Correios.

Há uma limitação física também: encomendas muito grandes ou muito pesadas são devolvidas à origem. Os limites são os seguintes:

  • A maior dimensão deve ter até 1,05m.
  • A soma das dimensões (altura + largura + comprimento): não pode ser maior que 2m.
  • Peso máximo pode ser de até 30 kg (trinta quilos) sendo que vai variar o limite de acordo com a modalidade postal contratada pelo remetente.

A lista é concomitante, ou seja, a sua encomenda precisa respeitar esses três itens. Extrapolou um, diga adeus a ela.

Produtos isentos de imposto

Encomenda disfarçada de presente.
Foto: Arlindo Pereira/Flickr.

Livros, jornais e periódicos são isentos de imposto, bem como presentes dados de pessoa física para pessoa física desde que o valor aduaneiro, ou seja, a soma do valor, frete e seguro (se houver), não ultrapasse US$ 50.

Algumas lojas oferecem o “serviço” de remover rótulos e outros indicadores de que se trata de uma compra, para que o produto pareça um presente. Como é prática antiga (e fajuta), imagino que o pessoal da Receita esteja atento a esse jeitinho. Não cola mais.

Medicamentos acompanhados de receita médica também não pagam imposto, mas precisam passar pela fiscalização da ANVISA.

Tributação de encomendas

A tributação de encomendas feitas por pessoa física cai no Regime de Tributação Simplificada, ou RTS, que dispensa a contratação de despachante para o despacho/desembaraço. O teto em valores para essa categoria é de US$ 3.000; acima disso é preciso a contratação de um despachante e aí o processo fica caro e complexo.

Para produtos de até US$ 500, o desembaraço depende do pagamento de uma Nota de Tributação Simplificada, que consiste em 60% do valor aduaneiro. Os Correios mandam a nota para o endereço do destinatário e esse precisa ir à agência fazer o pagamento, aceito apenas em espécie.

Entre US$ 500,01 e US$ 3.000, as despesas aumentam. Além da alíquota de 60%, incide também ICMS (varia de estado para estado) e uma taxa de despacho aduaneiro no valor de US$ 150. A contratação de um despachante é opcional.

Fiscalização da Receita Federal

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Galpão da Amazon no Reino Unido.
Galpão da Amazon UK. Foto: Chris Watt/Flickr.

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Todas as encomendas que chegam ao Brasil estão sujeitas à fiscalização da Receita Federal. Ela tem por objetivo confirmar as informações anexadas à encomenda, inclusive os valores declarados, e verificar se o produto se enquadra em um dos casos especiais que dependem de anuência de outro órgão para entrar no país — o boletim dos Correios lista essas situações na terceira página.

O site da Receita esclarece como essa verificação é feita. Entre outras coisas, informa que a verificação pode ser realizada por amostragem de volumes e embalagens, o que explica porque aquele seu primo que importa o mundo nunca foi pego. Ele apenas deu sorte de nunca ter caído nessa amostragem.

Cuidados na compra

O boletim é um amigão e dá dicas de boas práticas sobre como se precaver para o caso de problemas na compra. Por melhor que seja a reputação da loja em questão, imprevistos acontecem.

Logo de cara, ele esclarece que os Correios não têm acordos comerciais com site algum lá de fora. Eles apenas fazem a ponte entre fornecedor e consumidor desde que no país de origem a postagem no país de origem tenha sido feita através da administração postal oficial por uma modalidade que seja distribuída no Brasil pelos Correios. Dessa forma, ao entrar no país a encomenda ganha aquele código de rastreamento para acompanhar o trânsito dela pelo site dos Correios.

É preciso ficar atento ao site também. Da mesma forma que existe muita loja charlatã no Brasil, no exterior não é diferente. Em conglomerados como eBay e Etsy, que funcionam de modo parecido com o MercadoLivre, ou seja, são vitrines para pequenos vendedores, atenção redobrada. Vale pesquisar a reputação do vendedor, se ele teve muitas reclamações, coisas que os próprios sites fornecem aos interessados.

Guarde todos os comprovantes e tire screenshots da oferta, do anúncio, do que puder. Mesmo internacional, ainda assim se trata de uma relação de consumo, logo ela está protegida pelo Código de Defesa do Consumidor e pode-se recorrer ao PROCON para reclamar de irregularidades na relação. Antes de apelar para a justiça, tente conversar com a loja. Já recorri ao suporte da DealExtreme e em algumas negociações no eBay; nesses casos os vendedores foram muito atenciosos e resolvemos tudo por email mesmo.

A legislação aduaneira exige a guarda de documentos relacionados à importação por cinco anos. Eles podem ser pedidos pela Receita Federal ou pelo Banco Central.

O prazo máximo para a entrega de uma encomenda importada é de 180 dias. Caso um produto venha com avaria e precise ser devolvido para reparos ou troca, deve-se recorrer à Exportação Temporária. Este PDF explica o trâmite.


Comprar nos exterior sem sair do Brasil é uma boa pedida para pagar menos e ter acesso a produtos que não estão à venda ou são difíceis de encontrar em algumas cidades brasileiras. Use as dicas acima com sabedoria e boas compras!

Os melhores apps para Windows Phone lançados em 2013

Ninguém disse que seria fácil, mas como foi difícil (ou está, dependendo do seu julgamento) emplacar o Windows Phone como terceira opção de sistema móvel. A concorrência com iOS e Android é acirrada e o fator de desequilíbrio nesse segmento, os apps, ainda aparecem em maior número e qualidade nas plataformas rivais.

Esse cenário caótico para o Windows Phone começou a mudar em 2013. Não, ainda não temos apps inovadores e sensacionais no sistema da Microsoft, mas pelo menos os apps mais populares ganharam versões para ele. É um começo.

Veja também:

Na lista abaixo você confere os dez melhores apps para Windows Phone lançados em 2013. Está em ordem alfabética, para evitar injustiças. Agradecimentos aos amigos do Twitter, em especial ao Guilherme da Silva Manso, pela ajuda na busca pelos apps.


App para Windows Phone: 627.AM.

627.AM

Freemium (R$ 2,99 para remover anúncios)
Twitter do desenvolvedor

Este assistente pessoal para Windows Phone não usa comandos de voz, como a Siri ou o Google Now. O 627.AM condensa em sua interface bonita e bem arranjada alguns recursos comumente dispersos em vários apps: previsão do tempo, alarme e lembretes.

O que mais agrada no 627.AM é a simplicidade. Ele oferece um bloco dinâmico que deixa à vista informações úteis, o que é um adianto no Windows Phone. Dá para configurar vários lembretes e programar alarmes para eles. Não é um app que muda vidas, mas um belo adendo ao sistema.

Screenshots do 627.AM.


App para Windows Phone: 6tag.

6tag

Freemium (R$ 2,49 para remover anúncios)
Site oficial

Poderia ser qualquer um dos apps do desenvolvedor francês Rudy Huyn. Ele parece ter tomado para si o desafio de preencher lacunas importantes do Windows Phone enquanto os desenvolvedores oficiais não o fazem.

O 6tag é um cliente do Instagram super completo e bem feito — nesse ponto, mais completo que o app oficial, ainda em beta. Grava e exibe vídeos, tem mapa, marcações e até alguns extras exclusivos, como colagem de fotos no envio. E, importante, é rápido e bonito.

Além do 6tag, Huyn também criou o 6snap (cliente do Snapchat), 6sec (Vine), apps da Wikipédia, contatos do Google e outros. Confira todos na página dele na loja.

Screenshots do 6tag.


App para Windows Phone: Audiocloud.

Audiocloud

Gratuito
Site oficial

O Audiocloud é um cliente para o SoundCloud. E um bem completo, com todos os recursos do site, como favoritar, seguir e ser seguido, fazer streaming e até download de algumas faixas — isso varia de artista para artista.

A interface não lembra muito o laranjadão do site e dos apps oficiais, mas é de bom gosto. O Audiocloud também traz um punhado de recursos do Windows Phone 8, como download e streaming em segundo plano, bloco dinâmico, capas para a tela de bloqueio e até criação de ringtones.

Screenshots do Audiocloud.


Apps para Windows Phone do Bing.

Bing apps

Gratuito

Os apps do Bing que vêm pré-instalados no Windows 8 demoraram, mas chegaram ao Windows Phone também.

São pequenos apps temáticos, sobre: notícias, esportes, finanças e previsão do tempo. Eles preservam algumas características dos irmãos mais velhos de computadores/tablets, como cores e modo de funcionamento, só que (bem) adaptados à tela menor do smartphone.

Screenshots dos apps do Bing.


App para Windows Phone: Fotor.

Fotor

Gratuito
Site oficial
Disponível também para iPhone e Android

Um editor de fotos bastante completo com opção de colagem — e das mais variadas. O Fotor tem desde as opções mais convencionais de edição (ajuste de contraste, brilho e saturação) até filtros pré-definidos e tilt shift. Essas opções são bem flexíveis, servidas com sliders e botões para ajustes finos.

A outra porção do app é a de colagens. A exemplo das telas de edição, aqui também sobram recursos e possibilidades. A proporção das colagens, a textura das bordas, o formato e tamanho dos quadros são todos personalizáveis. Depois é só salvar ou compartilhar nas redes sociais.

Totalmente gratuito, o Fotor é uma saída rápida e muito eficiente para editar fotos no Windows Phone.

Screenshots do Fotor.


App para Windows Phone: Fresh Paint.

Fresh Paint

Gratuito

Outro que fez a transição do Windows 8 para o Windows Phone, o Fresh Paint é um app de desenho bastante avançado, com vários pincéis que, ao serem arrastados pela tela, simulam a “textura” da tinta sobre o papel.

O Fresh Paint permite misturar cores e sobrepô-las na tela, como uma pintura real — e, em paralelo, existe um ventilador para “sopra” a tinta e impedir que ela se misture às demais. É possível começar os trabalhos com uma tela em branco, a partir de uma imagem ou com uma foto. O app responde muito bem aos toques, tem desfazer infinito e permite exportar ou compartilhar os trabalhos feitos nele facilmente.

Screenshots do Fresh Paint.


App para Windows Phone: Here Drive+.

HERE Drive+ e HERE Maps

Gratuito
Site oficial

Quem quer um smartphone rodando Windows Phone tem uma série de motivos para optar por um Nokia. Dois deles são esses apps, o HERE Drive+ e o HERE Maps. Eles condensam a expertise da Nokia em mapas com interfaces legais e recursos bacanas, especialmente a navegação curva a curva offline.

A cobertura no Brasil, pelo menos aqui no interior, é satisfatória. O HERE Drive+ é bem desenhado, com ícones grandes para facilitar seu uso como se fosse um aparelho GPS. Dá para salvar os mapas para uso offline e ele ainda conta com alguns recursos curiosos (e úteis), como o que te lembra onde o carro foi estacionado.

Já o HERE Maps é como se fosse o Google Maps, só que sem a parte de navegação curva a curva — a Nokia separa as duas funções em dois apps. Interface legal, com diversos pontos de interesse exibidos logo de cara e a função LiveSight, que usa realidade aumentada para mostrar, através da câmera do smartphone, a direção dos estabelecimentos próximos.

Screenshots do HERE Drive+.


App para Windows Phone: MixRadio.

MixRadio

Gratuito
Site oficial

Simples e direto, o MixRadio foi uma surpresa aos 45 do segundo tempo de 2013. Por ser gratuito, ele não dá muita liberdade ao usuário — você liga a rádio, vai informando que músicas curte e quais não fazem seu tipo e os algoritmos refinam a playlist. Porém a qualidade é bem boa, e por não cobrar nada é um negócio bem interessante.

O MixRadio permite salvar playlists em cache para ouvi-las offline e traz um punhado de playlists temáticas e com indicações de artistas. Dá também para criar canais com base em determinados cantores.

Com fones de ouvido, o MixRadio oferece equalizador e opções avançadas de áudio. Infelizmente o MixRadio+, versão paga mediante assinatura com uma série de vantagens, como playlists e pular músicas infinitos e exibição das letras das músicas, não está disponível no Brasil. De qualquer forma, o serviço básico é bem bom.

Screenshots do MixRadio.


App para Windows Phone: Nokia Camera.

Nokia Camera

Gratuito
Site oficial

A melhor câmera em um smartphone precisa de um app à altura. Pois bem, eis o Nokia Camera, antes conhecido como ProCam. Além do novo nome, o Nokia Camera ainda incorporou recursos do Smart Cam, um app que produz fotos divertidas, diferentes.

O grande barato desse app é o modo Profissional, que libera um punhado de controles manuais como velocidade de disparo, abertura do diafragma, ISO e foco. A interface, baseada em círculos, é fácil de manusear e leva as câmeras PureView ao limite — desde que você saiba o que está fazendo.

O Nokia Camera exige a atualização Amber e uma câmera PureView para funcionar. A Nokia está testando uma versão para o resto dos Lumias, mas ainda está em beta. Com a atualização Black, do Windows Phone, o app será capaz de tirar fotos RAW nos aparelhos PureView.

Screenshot do Nokia Camera.


App para Windows Phone: Simply Weather.

Simply Weather

Gratuito
Site oficial

Direto ao ponto, com uma interface minimalista e suporte aos recursos do Windows Phone (inserção na tela de bloqueio e bloco dinâmico), o Simply Weather é um app bem desenhado e muito bonito.

Arraste o dedo da borda de cima para baixo, e as poucas opções surgem. O mesmo gesto da esquerda para a direita revela a previsão do tempo para os próximos dias.

É um app simples, na mesma pegada do primeiro da Orange Tribes, o também bacana Sleeve Music.

Screenshots do Simply Weather.


A Microsoft também fez sua lista de melhores apps para Windows Phone do ano — meio fraca, com vários jogos. E, a exemplo do que rolou nas outras duas, os comentários são a extensão natural do post. Conhece algum app lançado em 2013 que não apareceu aí em cima? Conte para mim.

Os melhores apps para iPhone lançados em 2013

Depois de cinco anos apostando no esqueumorfismo, em 2013 a Apple mudou radicalmente o iOS. A última versão deixou de lado texturas e elementos do mundo real para apostar em um visual flat, plano, simples. E isso, claro, respingou nos apps. Nesta lista você confere os dez melhores apps para iPhone lançados em 2013.

É difícil encontrar algum app, pelo menos entre os mais populares, que ainda preserve a aparência antiga da era pré-iOS 7. Alguns foram atualizados sem ônus para o usuário, outros, aproveitaram a guinada visual para acrescentar recursos e cobrar novamente — o que na maioria dos casos não foi algo injusto, diga-se. Entre os novatos muita coisa boa apareceu, como é de praxe na plataforma móvel da Apple. Embora o Android tenha diminuído a desvantagem nesse setor, o iOS continua sendo o local preferido das surpresas em forma de apps.

A lista abaixo foi compilada com base em conversas no Twitter e no acompanhamento, durante o ano, dos principais apps lançados. Os dez apps estão em ordem alfabética.


App para iPhone: Any.do Cal.

Any.do Cal

Gratuito
Site oficial
Disponível também para Android

O Any.do original, um app de lista de tarefas, apareceu primeiro no Android. Quando foi portado para o iOS, trouxe de carona um totalmente novo, o Any.do Cal.

O visual deste app é fantástico. Com muitas fotos, animações suaves e abordagens um tanto diferentes para uma agenda, ele joga novas cartas na mesa para uma categoria que, especialmente no iOS, clama por boas alternativas. De quebra, ainda conversa com o Any.do, puxando listas de tarefas para os eventos do dia.

Screenshots do Any.do Cal.


App para iPhone: DuckDuckGo.

DuckDuckGo

Gratuito
Site oficial
Disponível também para Android

Em 2013 a privacidade online esteve muito em voga com as denúncias contra a NSA, utilização de dados dos usuários para fins nada nobres e outros escândalos do tipo. Muito antes disso o DuckDuckGo já oferecia uma experiência limpa, livre de usos comerciais questionáveis.

O app para iPhone traz alguns destaques na página inicial e a busca do DuckDuckGo no topo. Sem reutilizar seu histórico para direcionar publicidade, nem personalizar os resultados. O app ainda não foi atualizado para o visual do iOS 7, mas as funcionalidades estão todas ok. Para quem se encheu do Google ou quer algo diferente, é talvez a melhor alternativa.

Screenshots do DuckDuckGo.


App para iPhone: Duolingo.

Duolingo

Gratuito
Site oficial

Escolhido pela Apple o app do ano para iPhone, é fácil entender a decisão. O Duolingo ensina idiomas sem cobrar nada, com um método bem interessante de tradução colaborativa. No iPhone, o app conseguiu condensar as lições antes disponíveis apenas na web em uma interface fácil de entender e usar.

Dá para aprender espanhol, alemão, francês, italiano e português — nesses casos, tomando o inglês por idioma nativo/padrão. Falantes do português têm o inglês à disposição.

Com lições multimídia e um sistema de gamificação bem esperto, é melhor do que ficar jogando Angry Birds ou lendo a Caras na sala de espera do consultório, né?

Screenshots do Duolingo.


App para iPhone: IFTTT.

IFTTT

Gratuito
Site oficial

No curso de lógica matemática, uma das primeiras lições ensinadas é a dos conectivos lógicos. Entre eles, a condicional. “Se isso, então aquilo”, deve se lembrar qualquer estudante de Ciência da Computação, Sistemas de Informação e afins. O IFTTT leva esse conectivo à Internet.

O app para iOS permite gerenciar e acrescentar novas receitas, da mesma forma que no site. Por estar em um smartphone, o IFTTT também usa recursos dele para automatizar algumas rotinas e facilitar a vida do usuário. Dá para, por exemplo, mandar as fotos tiradas com a câmera por email ou para algum serviço de armazenamento de arquivos na nuvem, receber um SMS todo dia de manhã com a previsão do tempo ou manter uma cópia da lista de contatos no Google Drive.

Screenshots do IFTTT.


App para iPhone: Mailbox.

Mailbox

Gratuito
Site oficial

Com uma lista de espera lotada por centenas de milhares de pessoas, o Mailbox foi lançado no começo do ano com uma proposta ousada: botar ordem no seu email — desde que ele esteja hospedado no Gmail.

A premissa do Mailbox é tirar da reta as mensagens que chegam. Ainda que você não a responda imediatamente, o gesto de adiá-la a remove da sua frente e ajuda a manter a bagunça em ordem. É uma abordagem meio lista de tarefas para o email que para muita gente funciona.

O app é gratuito e há alguns meses foi comprado pelo Dropbox. Desde então, ao baixá-lo o usuário ganha 1 GB de espaço neste serviço.


App para iPhone: Mailbox.

Quip

Gratuito
Site oficial

O Quip é um editor de textos moderno. Sem o legado de décadas de outros editores estabelecidos, como o Word da Microsoft, ele foca no que importa: sincronia em tempo real com a nuvem, colaboração dentro do app (edição, comentários e bate-papo integrados em uma linha do tempo) e recursos fáceis de serem usados. A página principal funciona como uma espécie de caixa de entrada, destacando documentos que foram modificados desde a sua última visita.

O app funciona também no iPad e na versão web. Ele é vinculado a uma conta Google e traz de lá os contatos — dá para chamá-los para colaborar em um texto. A interface é baseada em gestos e o teclado, no modo editor, ganha uma linha extra com alguns comandos, incluindo uns de inserção que permitem referenciar pessoas ou documentos, além de acrescentar imagens e tabelas.

Não dá para dizer que o Quip é a evolução do Word — há algumas limitações severas, como a impossibilidade de alterar a fonte –, mas ele tem boas ideias e uma execução muito bacana.

Screenshots do Quip.


App para iPhone: VSCO CAM.

VSCO Cam

Freemium (filtros via in-app purchase)
Site oficial
Disponível também para Android

Mais um app de fotos com filtros, sim, mas filtros legais, tão inspiradores que conseguiram criar uma micro-comunidade dentro do Instagram.

O VSCO Cam tem uma interface minimalista e elegante. Ele oferece muitos filtros, vários gratuitos, alguns pagos — e são esses que mantêm o app, que não custa nada para ser baixado e não exibe anúncios. O Grid é a página, igualmente elegante, onde as fotos dos usuários são publicadas. É opcional e dá para compartilhar as fotos em várias redes sociais independentemente de usá-la ou não.


App para iPhone: Tweetbot 3.

Tweetbot 3

US$ 2,99
Site oficial

O novo Tweetbot é tão bom que, tivesse outro nome, passaria fácil por um app novo. O melhor cliente de Twitter foi adaptado ao iOS 7 e, com um punhado de gestos e soluções interessantes de interface, é quase obrigatório para quem usa o Twitter no iPhone.

Não que seja difícil bater o cliente oficial — especialmente a estranha última versão. Mas além disso, o Tweetbot 3 excede o que se esperaria de um app do tipo. Ele é bem pensado, tudo faz sentido e não é raro tentar um gesto qualquer, do nada, e ele funcionar. Seria legal se o Twitter mesmo direcionasse sua experiência da forma com que a Tapbots direciona com o Tweetbot.

Screenshots do Tweetbot 3.


App para iPhone: Vine.

Vine

Gratuito
Site oficial
Disponível também para Android e Windows Phone

O Vine, comprado e relançado pelo Twitter, é um app de compartilhamento de vídeo com uma limitação marcante — como os 140 caracteres da empresa-mãe. No seu caso, esse limite é temporal: cada vídeo pode ter no máximo seis segundos. Pode-se filmar trechos à parte e como eles são exibidos em loop infinito, os usuários mais criativos conseguem fazer coisas bem interessantes. Se o Instagram tem vídeos hoje, é por culpa do Vine.

O app tem uma interface simples de entender e é bem direto. Ele conta com a dinâmica de seguir e ser seguido, além de canais temáticos e algum conteúdo selecionado por editores do serviço. Existem diversas páginas no Facebook dedicadas a mostrar os melhores trabalhos feitos no Vine e como tecnicamente ele é bem limitado, o que separa você dos melhores vídeos é só a criatividade.

Screenshots do Vine.


App para iPhone: Yahoo Weather.

Yahoo Tempo

Gratuito
Site oficial
Disponível também para Android

Ninguém esperava do Yahoo um app tão bonito e bem feito. Puxando fotos do Flickr (uma das suas propriedades) e combinando-as com uma bela interface, o Yahoo Tempo é um exemplo de design no iOS.

Além da previsão do tempo, o Yahoo Tempo oferece um radar interativo, informações de satélite, sensação térmica e velocidade do vento. A navegação se dá por gestos — dá para manter a previsão de várias cidades, alternando entre elas horizontalmente.

Screenshots do Yahoo Weather.


Na App Store você encontra a lista de apps do ano da Apple. Tem muita coisa legal lá e tenho certeza que fora dessas duas, da Apple e da do Manual do Usuário, ainda sobram alguns apps muito bons lançados em 2013. Conhece algum? Deixe a dica aí nos comentários.

Os melhores apps para Android lançados em 2013

Com milhões de apps disponíveis no Google Play e algumas dezenas saindo toda semana, a curadoria desse material é difícil. Mas é importante separar o joio do trigo e, por isso, sites especializados destacam os mais promissores (ou com as melhores assessorias). Às vezes a qualidade ou apelo de um faz ele se espalhar naturalmente entre os usuários, fazendo o caminho contrário deles até a mídia.

Mesmo com esses filtros, terminamos com um punhado de apps. Pensando nisso surgiu a ideia de compilar três listas com os dez melhores apps lançados em 2013 para cada plataforma.

Eles foram escolhidos com a ajuda de quem me segue no Twitter e o acompanhamento, no decorrer do ano, dos apps mais comentados e elogiados. Abaixo, você tem os dez melhores apps para Android lançados em 2013 — não vale atualização, são apenas apps novos. Amanhã sai a do iOS e depois de amanhã, a do Windows Phone.

Ah, e só para esclarecer: o Top 10 abaixo está listado em ordem alfabética. Há apps muito distintos de modo que seria bastante improvável colocar um acima de outro sem incorrer em injustiças.


App para Android: 1 Second Everyday.

1 Second Everyday

Gratuito
Site oficial
Disponível também para iPhone

Se fosse possível unir a experiência de ter um diário com o poder visual dos vídeos, qual seria o resultado? Certamente algo parecido com o 1 Second Everyday.

O app idealizado por Cesar Kuriyama é tão simples quanto seu nome sugere. Filme um trechinho de vídeo por dia, separe um segundo dele e, ao fim de um período, você terá um vídeo que é um catalisador de lembranças.

Dá para manter vários diários (ou semanários, ou qualquer outro intervalo; você decide) simultaneamente e há sincronia com a nuvem, para que um furto ou perda do smartphone não acabe com o projeto. Escrevi em novembro um post mais aprofundado sobre o 1 Second Everyday e já fiz o meu primeiro vídeo, esse abaixo.


App para Android: Aviate.

Aviate

Gratuito (em beta, apenas para convidados)
Site oficial

Um dos diferenciais do Android é o suporte a launchers: apps que modificam profundamente a interface do sistema. Apesar do potencial, a maioria se preocupa em acrescentar camadas extras de complexidade ou, quando flertam com o simples, reduzem a ideia a modificar o visual.

O Aviate é, junto ao Facebook Home, um dos primeiros launchers feitos para pessoas comuns. A abordagem é similar à do Google Now, ou seja, contextual, mas em vez de focar no usuário, o Aviate atua no próprio smartphone. Como? Modificando a tela inicial do Android de acordo com a hora do dia, a geolocalização e os traslados do usuário.

Basicamente, o Aviate busca oferecer ao usuário os apps e recursos que ele usará antes mesmo que o smartphone seja liberado. O launcher tenta organizar tudo automaticamente, mas dá bastante espaço para intervenções do usuário — o que acaba ajudando ele a refinar seus algoritmos de automação.


App para Android: Expense Manager.

Expense Manager

Freemium (~R$ 6,20 para liberar tudo)
Site oficial

A grande vantagem do celular ante outros dispositivos digitais conectados à Internet é estar sempre por perto. Essa vantagem é bem explorada pelos desenvolvedores, um deles o austríaco Markus Hintersteiner, desenvolvedor do Expense Manager.

Este app serve para controlar seus gastos. Tem uma interface bonita, fácil de usar e adaptada a tablets. É gratuito, mas libera alguns recursos mediante pagamento — um modelo freemium interessante e livre de anúncios.

O Expense Manager permite dividir as despesas por categoria, definir um limite de gastos e visualizar padrões de consumo e outras informações que ajudam a encontrar aqueles “vazamentos” na fatura, aqueles trocados que, somados, causam um belo rombo no orçamento.

Screenshots do app Expense Manager.


App para Android: Eye in Sky.

Eye In Sky

Freemium (~R$ 4,80 para remover anúncios)
Site oficial

Apps de previsão do tempo são os novos clientes de Twitter: a categoria onde desenvolvedores brilham com novas ideias e boas práticas.

O Eye In Sky é um dos mais bacanas. Ele puxa dados do CustomWeather e os apresenta em três colunas: diária, das próximas 48 horas e dos próximos 15 dias. A interface é bonita e livre de invencionices. Ou quase isso: o app traz 14 conjuntos de ícones, todos muito bonitos, para indicar visualmente as condições climáticas. Insatisfeito com eles? Dá para instalar seus próprios ícones.

No pacote ainda vêm quatro widgets, compatibilidade com tablets e extensão para o DashClock. O Eye in Sky é gratuito e, nesse estado, exibe anúncios. A chave que os remove custa cerca de R$ 4,80.

Screenshots do Eye in Sky.


App para Android: Google Keep.

Google Keep

Gratuito
Site oficial

O Google dá o exemplo e faz alguns dos apps mais legais do Android. O Keep apareceu em 2013 e ganhou adeptos pela simplicidade e velocidade absurda com que é executado.

Notas, listas de tarefas, fotos e áudio são os formatos com que o Keep trabalha. Dá para misturá-los em uma única nota, usar cores para diferenciá-las e definir lembretes contextuais, baseados na geolocalização ou em horários.

Existe ainda uma versão web que, como tudo do Google, sincroniza em tempo real com o app móvel — este adaptado para tablets. Não dá para compartilhar notas com outros usuários de dentro do próprio Keep e ele não é multiplataforma, mas são ausências que empalidecem perto da qualidade do app.

Screenshots do Google Keep.


App para Android: Moves.

Moves

Gratuito
Site oficial
Disponível também para iPhone

Questionamentos ao Quantified Self começaram a ser feitos. Enquanto a gente não chega a um acordo sobre o que e quanto é legal coletar de informações sobre nós mesmos, o Moves segue por aí.

A grande sacada desse app é colocar no smartphone recursos que, antes, apenas equipamentos dedicados ofereciam — as pulseiras de Nike, Fitbit e Jawbone. A precisão talvez não seja das melhores ainda, mas o surgimento de chips dedicados para monitorar nossos passos, como o M7 do iPhone 5s e o núcleo de computação contextual do Moto X, podem virar o jogo num futuro muito próximo.

O Moves é simples. Instale o app, dê nomes a alguns lugares principais que você frequenta e esqueça que ele está ali. Rodando constantemente em segundo pano, ele registra seus caminhos e fornece aquelas estatísticas bacanas de passos dados em um dia e plota tudo isso em mapas.

Screenshots do Moves.


App para Android: Nights Keeper.

Nights Keeper

Gratuito (com limitações) ou US$ 1,99
Site oficial

Sabe o Não Perturbe do iOS e o Assist do Moto X? O Nights Keeper é o equivalente para o resto de nós. E com recursos extras valiosos.

Em essência, o que este app faz é emudecer o smartphone em intervalos pré-definidos pelo usuário. Embora nome, ícone e outros detalhes façam referência ao período de repouso, nada impede que você defina regras para outros momentos — a aula, por exemplo. Dá para criar várias regras a seu critério.

O Nights Keeper é bem munido de opções. As tradicionais, como lista branca de contatos, liberação após várias tentativas de ligação de um mesmo número e envio de SMS para ligações ignoradas estão lá.

Mas ele vai além. Dá para abrir exceção para mensagens de texto e desabilitar/habilitar recursos do sistema durante o repouso. Para quem usa a conexão pré-paga por dia, é uma boa desligar a rede de dados na hora de dormir — assim você não gasta desnecessariamente aqueles centavos dos seus créditos. Esses recursos estão disponíveis na versão Pro que custa cerca de R$ 4,60 via in-app purchase.

Screenshots do Nights Keeper.


App para Android: Press.

Press

~R$ 7,00
Site oficial

O Google Reader bateu as botas e continuamos todos vivos — com a bênção do Feedly. O Press conversa com esse e outros três provedores de RSS: Feed Wrangler, Feedbin e Fever. E faz seu serviço em uma bela interface, cheia de gestos e muito bom gosto.

O Press surgiu confiando no backend do Google Reader. Pouco tempo depois, o fim desse foi anunciado. A transição para os novos serviços foi tranquila e é de se notar o quanto o app evoluiu em tão pouco tempo. Às custas de muita experimentação e uma ou outra pisada de bola em algumas versões, o Press se transformou em um app muito agradável.

Dá para passear pela interface do Press usando apenas gestos. Quem preferir botões também está bem servido: eles estão por toda parte, colocados nos locais onde seriam esperados. As configurações são bem pensadas, embora coisas como limite de cache e intervalo de itens salvos devessem ser automáticas. Felizmente as configurações padrões são decentes.

Para fechar, o jogo de cores é sóbrio e há seis opções de fontes para escolher, além de ser possível aumentar e diminuir o tamanho dela.


App para Android: Simplenote.

Simplenote

Gratuito
Site oficial
Disponível também para iPhone

A Simperium foi comprada pela Automattic (a empresa por trás do WordPress) há alguns meses. A primeira ação dos novos proprietários foi lançar o então inédito Simplenote para Android. O app, que existia no iOS há tempos, finalmente chegou à plataforma do Google.

Rápido e bonito, o grande trunfo do Simplenote é o mecanismo de sincronia e o ecossistema de apps compatíveis com ele. É possível organizar as notas por tags ou confiar na precisa busca embutida.

Não existe qualquer tipo de formatação; nesse aspecto, o Simplenote se equipara ao Bloco de Notas. E desse primo distante para Windows vem, também, algumas das suas melhores características, como a confiabilidade e a rapidez para abrir e receber pensamentos, ideias e anotações.

Screenshots do Simplenote.


App para Android: Timely.

Timely

Freemium (~R$ 7,80 para liberar tudo)
Site oficial

O Android ganhou na versão 4.2 um app de Relógio completo, com despertador, timer e contador regressivo. Ele é suficiente para a maioria, mas há bons motivos para instalar o Timely, belo app da Bitspin.

Logo de cara, a interface chama muito a atenção. Colorida e cheia de efeitos sutis, até a transição dos números dos relógios é diferentona — e muito bonita. Ele vem com timer, contador regressivo e alarmes. Dá para programar vários, escolher toques feitos especialmente para o app e até desafios na hora de desativá-lo, uma medida para evitar adiar o alarme sucessivas vezes até perder a hora.

O Timely se adapta a tablets e, o mais legal, sincroniza seus alarmes na nuvem. Isso significa que ao trocar de smartphone, tudo continua igual. (Para quem tem uma rotatividade grande de aparelhos, como editores de sites de tecnologia, é uma mão na roda.) O app é freemium. Para liberar alguns toques, desafios e outros aspectos circunstanciais, é preciso fazer uma compra dentro dele de cerca de R$ 7,80.

Screenshots do Timely.


A lista, claro, não é exaustiva. Muitos bons apps ficaram de fora. Lembrou de algum? Encare os comentários deste post como a continuação dele.

1 Second Everyday registra sua vida em pequenos vídeos de um segundo

Tiramos fotos e gravamos vídeos para registrar momentos. Anos mais tarde, quando revisitamos esses momentos de outrora, é inevitável que certas lembranças voltem com força. É como um diário, mas visual, com mais apelo junto à nossa memória.

Não é raro se deparar com vídeos na Internet de time lapses. Uma foto atrás da outra que passam a sensação de movimento e condensam, em poucos minutos, talvez anos de trabalho. E se você pudesse fazer algo assim de uma maneira fácil, quase automática? É a proposta do 1 Second Everyday, app para iPhone e Android.

Cesar Kuriyama e seu ano de folga

O 1 Second Everyday é a realização do primeiro projeto pessoal de Cesar Kuriyama. Após assistir a uma palestra de Stefan Sagmeister, ele resolveu seguir o exemplo dele e tirar um ano de folga. Nesse período, gravou um vídeo de um segundo por dia. Ao final de um ano, tinha pouco mais de seis minutos que condensavam os 365 últimos dias. Ele curtiu a brincadeira, tanto que decidiu levá-la a mais pessoas.

Em um TED de 2012, Kuriyama contou a história do 1 Second Everyday:

O app foi criado pela Touch Lab, uma empresa de Nova York, e financiado via crowdfunding em uma bem sucedida campanha no Kickstarter que conseguiu angariar mais que o dobro pedido. O resultado é um app bem feito e muito tranquilo de usar.

1 Second Everyday

Um segundo de cada dia da minha vida no 1 Second Everyday.

Disponível para iPhone e Android, o app é basicamente igual nas duas plataformas. Ele se apresenta como um grid/calendário; nos dias em que pelo menos um vídeo foi gravado, o retângulo fica laranjado. Toque nele, recorte o trecho de um segundo desejado, e o laranja cede espaço a uma miniatura daquele dia. Com o tempo, a tela inicial fica bonita, cheia de momentos da sua vida.

É possível criar múltiplas linhas do tempo dentro do app. A partir dele, também, dá para filmar o um segundo, embora o uso do app da câmera (ou de qualquer outro que faça vídeo) funcione tão bem quanto. A área de seleção do segundo é bem versátil: o vídeo é exibido na íntegra e, no rodapé da tela, fica um seletor para escolher, com um bom nível de precisão, o trecho exato a ser salvo.

As configurações se limitam a duas: lembretes e sincronização. São cinco lembretes que podem ser ativados, para vários períodos do dia, que surgem na área de notificações de forma bem simpática, sempre com algum dado (verídico ou falso/engraçado) sobre o tempo e lifelogging.

A opção de sincronização é importante, diria até recomendável. Com ela ativada, os snipetts de vídeo são salvos na nuvem — no Google Drive em aparelhos com Android, e no iCloud, no iPhone. Além da segurança, é uma bela precaução para caso você perca seu smartphone.

O 1 Second Everyday é fácil de usar.

O 1 Second Everyday é parcialmente gratuito. O app não cobra nada para ser usado no registro das entradas, apenas na hora de compilar vídeos com mais de 30 dias. E mesmo aí o valor é baixíssimo, apenas US$ 0,99.

Lifelogging

Venho usando o 1 Second Everyday desde que ele foi lançado, no começo de agosto. Muito do que Kuriyama diz na palestra eu pude sentir na prática: a mera presença do app instiga a busca por coisas diferentes. Existe o compromisso e completá-lo todos os dias é bem satisfatório, ainda que nem sempre o lapso registrado seja empolgante.

Nem sempre dá, é verdade. Esqueci-me duas ou três vezes de gravar alguma coisa nesse período. Digo a mim mesmo que esses buracos deixarão o vídeo mais similar à vida, imperfeito. Uma mera desculpa filosófica para falhas que, de verdade, são difíceis de justificar — o celular está sempre comigo e deixo um lembrete configurado no app. Ele é bem rígido, aliás: esqueceu de gravar? Já era. Não dá para trapacear e puxar vídeos de outros dias, nem de outros dispositivos. É seu celular, naquele dia, e só.

Registrar um segundo por dia é mais fácil do que manter um diário, é mais rápido de recuperar/ver e tem um “peso” psicológico realmente notável. Um segundo, aliás, parece pouco, mas a mim é um bom ponto de equilíbrio: tempo suficiente para desencadear memórias, mas não o bastante para expôr o usuário. (A parte de compartilhamento, aliás, é opcional. Se quiser gravar os vídeos e deixá-los guardados no celular ou computador, o app não o obrigará a publicá-lo em redes sociais.) Nada como a maluquice da SenseCam, ou a esquisitice de um Google Glass. Um, e apenas um segundo.

Mesmo em pouco mais de três meses, rever um segundo de alguns dias especialmente felizes é bacana, recompensa o trabalho que dá — e me faz lamentar o 1 Second Everyday não ter surgido antes. Não sei se terei pique para manter esse hábito, mas gosto de pensar que sim. Tentarei isso, digo. Sinto-me desconfortável em tirar o celular do bolso e gravar, ainda que apenas alguns segundos, algumas cenas em certos lugares, mas no fim das contas (ou de um ano) é um pequeno incômodo que se dilui em meio a tantas boas lembranças.