Evolução da AltStore PAL

A AltStore, que mantém uma loja de aplicativos alternativa para iOS, recebeu um investimento de US$ 6 milhões e, com ele, trouxe ótimas notícias, das quais destaco duas:

  • Abertura de uma instância no fediverso (Mastodon) combinada com uma injeção de US$ 500 mil em vários projetos relacionados ao fediverso.
  • Planos de expansão da AltStore PAL para além da União Europeia ainda em 2025, incluindo o Brasil (a depender, obviamente, do cenário legal por aqui).

Folha de S.Paulo pede indenização de R$ 23.400 ao Manual do Usuário por ferramenta que democratiza a informação

O que eu, Rodrigo, pessoa física, tenho a ver com a OpenAI, startup estadunidense de inteligência artificial, dona do ChatGPT, avaliada em centenas de bilhões de dólares? Para a Folha de S.Paulo, ambos atuamos em “concorrência desleal” e “violamos os diretos autorais” do jornal.

De diferente, a OpenAI mereceu uma matéria na própria Folha, assinada pela repórter especial Patrícia Campos Mello. (Os pormenores dos dois processos variam também, mas isso não vem ao caso.)

Entenda o caso: Fui processado pela Folha de S.Paulo.

No último dia 19, a Folha emendou a inicial e, com isso, optou por dar continuidade ao processo — mesmo após eu ter atendido ao pedido liminar de bloquear links da Folha de S.Paulo no Marreta e remover quaisquer mensagens indicando quebradores de paywalls alternativos.

Emenda da inicial da Folha de S.Paulo (arquivo *.pdf).

Na emenda, o jornal paulista fez uma conta esquisita, baseada nos preços praticados pela FolhaPress, seu “serviço de licenciamento dos seus conteúdos a terceiros” (agência de notícias), e pediu uma indenização de R$ 23.400.

Além disso, a Folha alterou a sua argumentação na emenda. Não se trata mais de assinaturas de leitores em potencial perdidas, como era na liminar; o problema agora foi eu ter veiculado matérias da agência sem pagar por elas.

Vamos, eu e meus advogados, contestar esse pedido, que classificamos como descabido.

O processo é público e corre na 8ª Vara Cível de São Paulo (SP), autos nº 1094735-28.2025.8.26.0100.

“Pix das mensagens”, ou um plano para destronar o WhatsApp no Brasil

RCS é o “SMS 2.0”, um sistema de mensagens com recursos avançados/modernos e atrelado às operadoras em vez da propriedade de uma empresa. O Android é compatível com o RCS há vários anos; a Apple, por pressão de órgãos reguladores mundo afora, só adotou o formato em 2024 e a conta-gotas, dependendo da boa vontade das operadoras de cada país.

Tudo indica que o iOS 26, que deve ser lançado em setembro ou outubro, liberará o RCS para o iPhone no Brasil. Pode ser uma janela de oportunidade.

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Quatro novas categorias de domínios .br, incluindo ia.br e social.br

Recebi por e-mail, do Registro.br, a notícia de que quatro novas categorias de domínios .br serão liberadas a partir de 1º de setembro, às 15h (que precisos, né?):

  • api.br: Interfaces para aplicações.
  • ia.br: Inteligência artificial.
  • social.br: Redes sociais.
  • xyz.br: Miscelânea.

Minha experiência no Vivo Easy

Quando pego um ônibus ou estou no meio de uma multidão, reparo que muita gente passa o tempo no celular e, entre essas pessoas, muitas estão assistindo a vídeos.

Eu nunca fui de assistir a vídeos, muito menos no celular, e menos ainda usando a conexão móvel, da operadora, que cobra com base no consumo de dados.

A julgar por essa amostragem super limitada do meu cotidiano, sou um ponto fora de curva. Uns diriam muquirana; prefiro dizer-me econômico e paciente. Ser assim resulta em um consumo baixo de dados móveis, entre 1 e 1,5 GB por mês.

Fazia muito tempo que usava um plano do tipo “controle”, com mensalidade fixa. Mesmo sendo o plano mais barato da operadora, ainda virava o mês com muitos giga bytes da franquia sobrando. Se houvesse um plano com metade dos benefícios (e que custasse metade do preço), poderia usá-lo sem sustos.

Era essa a situação em que me via quando, no Órbita, topava com conversas a respeito do Vivo Easy, o plano digital da Vivo sem mensalidade e com franquia de dados cumulativa, o tipo de coisa pouco divulgada e que talvez nem faça mais sentido à maioria das pessoas (pois, vídeos). Para mim, porém, estava óbvio que esse modelo alternativo de cobrança poderia representar uma bela economia.

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Nomadismo digital com um carro elétrico: Um guia de sobrevivência para as estradas brasileiras

por Mácio Meneses

Mácio Meneses tem 29 anos e mora em Recife. É pernambucano orgulhoso, daqueles que afirmam que “o rio Capibaribe se une ao rio Beberibe para formar o Oceano Atlântico!” Trabalha de forma remota com engenharia de software para uma empresa de São Paulo. “É um prazer estar aqui no Manual do Usuário, um site que acompanho e admiro há bastante tempo. Sigo o trabalho do Ghedin desde o início da minha graduação em Engenharia da Computação. Agradeço pelo espaço e parabenizo pelo seu esforço em promover um jornalismo sério e crítico nessa nossa área da tecnologia.” A gente — eu e os leitores — que agradece, Mácio!

O livro The digital nomad (1997), de Tsugio Makimoto e David Manners, costuma ser citado como uma das primeiras obras que trouxe o termo “nômade digital”. O conceito surgiu em um contexto em que o avanço da internet e a miniaturização da tecnologia viabilizavam um novo estilo de vida.

Inicialmente, o nomadismo digital foi adotado por um nicho de profissionais de TI e freelancers que buscavam a liberdade de trabalhar de qualquer lugar, desde que houvesse acesso à internet.

A década de 2010 marcou a explosão do fenômeno. O surgimento de plataformas de trabalho freelancer, a proliferação de ferramentas de comunicação online (como Slack, Zoom e Trello) e a crescente conscientização sobre os benefícios do trabalho remoto contribuíram para sua massificação. A pandemia de COVID-19, em 2020, acelerou a adoção do trabalho remoto no mundo todo, forçando muitas empresas a repensarem seus modelos operacionais.

Eu fui um dos profissionais que migrou para o trabalho remoto durante a pandemia. Desde então, estive no escritório três ou quatro vezes. Para mim, os ganhos em qualidade de vida e produtividade foram significativos.

Há muito tempo eu ouvia falar de nômades digitais. A ideia de trabalhar enquanto viajava sempre me seduziu, mas mesmo após estar em condições de experimentar essa vida diferente, demorei a tomar a iniciativa de sair da zona de conforto para desbravar o mundo sem estar de férias.

Isso mudou em abril deste ano.

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Fotos geradas por IA podem ser arte?

Na exposição Indomináveis Presenças, em exibição Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, até 30 de junho, são exibidas obras da artista Mayara Ferrão. Feitas com inteligência artificial generativa, elas emulam fotografias antigas a fim de “ressignificar o passado”: mulheres indígenas e escravizadas se beijando (exemplo), cenas que provavelmente ocorriam, mas de que não se tem registros por motivos óbvios.

O perfil do CCBB carioca no Instagram está batendo boca com alguns seguidores indignados com a promoção da arte criada com o auxílio da IA. Até em temas profundos, ainda sem respostas de quem vive de encontrar essas respostas (filósofos, no geral), o @ccbbrj está se posicionando:

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Conversando sobre internet na capital baiana

Estou em Salvador (BA) participando do 15º Fórum da Internet no Brasil, o FIB15. Vim para apresentar um novo podcast de entrevistas, o Nós da Internet, e para corrigir uma falha pessoal, a de nunca ter participado de um FIB antes.

Aqui, tive privilégio de entrevistar gente que fez e faz a internet brasileira. E em grande estilo: em um estúdio-aquário lindão montado no meio do centro de convenções. Esse da foto acima.

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A face do risco: o rosto como senha

Por falar em reconhecimento facial, ouvi com grande interesse o podcast O Assunto desta segunda (19), que trata do… assunto, e terminei a audição um pouco decepcionado.

Gostei da crítica que o Ronaldo Lemos, um dos entrevistados, fez à banalização do uso do rosto como senha. Quando a Natuza pediu dicas de prevenção contra golpes que exploram brechas do reconhecimento facial, a primeira que Ronaldo deu foi evitar expor seu rosto a esse sistema, o que é meio óbvio e, ao mesmo tempo, muito difícil em vários casos — um deles comentado pelo próprio Ronaldo minutos antes, que admitiu que quando precisa entrar em um prédio que exige reconhecimento facial, acaba cedendo.

As dicas de segurança do outro convidado, Álvaro Massad Martins, me pareceram meio anacrônicas, como “criar senhas com pelo menos dez caracteres” (que tal indicar gerenciadores de senhas e não se preocupar com isso?) e VPN para “navegar com segurança em redes públicas”, o que é dispensável com HTTPS onipresente e, de qualquer modo, está longe de ser uma panaceia.

Ao fim do podcast, continuei incomodado com a banalização e sem saber muito bem o que fazer. Dicas?

Sorocaba lança “app da beleza” com IA e vigilância por reconhecimento facial, duas notícias (espero) não relacionadas

Sorocaba (SP) vai disponibilizar um “App da Beleza” à população a partir da próxima segunda (26). Segundo nota no site da prefeitura publicada no final de abril, “o aplicativo vai informar quais são os produtos mais indicados para cada pessoa” com a ajuda de “inteligência artificial”. A pessoa, então, receberá os produtos indicados gratuitamente mediante um cadastro.

A iniciativa, segundo o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), visa “promover o bem-estar e a autoestima à população”. Em entrevista à Gazeta de S.Paulo, Manga disse que o programa é “sem custo para você, sem custo para o município”.

Quem vai pagar essa conta, então?

Ainda segundo o periódico, o “App da Beleza” é uma parceria com a Mais Cosméticos, atacado online do Grupo Ativa Brasil, de Palhoça (SC). O que é um alívio, considerando que o prefeito Manga quer muito, muito mesmo que a Virgínia leve a sua empresa de cosméticos à cidade.

Em nota (espero) não relacionada, nesta quarta (21) a prefeitura de Sorocaba lançou um programa de vigilância por reconhecimento facial que usa o mesmo sistema adotado na capital, o Smart Sampa.

Sorocabanos sem privacidade, mas com o skin care em dia 💁‍♀️

Dica do Gustavo e do Gabriel no nosso grupo no WhatsApp. Valeu!

O podcast/áudio de WhatsApp da Cris Junqueira

Estou obcecado com o podcast Vou te mandar um áudio, da Cristina Junqueira, co-fundadora do Nubank. Acho que eu e ela inauguramos uma nova tendência no universo dos podcasts.

***

Alguns links citados:

Podcast Vou te mandar um áudio em várias plataformas/apps.

Cofundadora do Nubank pede desculpas após polêmica sobre dificuldade de contratar negros, O Globo [2020].

Podcast Neymar: UOL mostra como império do jogador surgiu, no Uol.

O sumiço dos celulares pequenos

O Bruno, de Florianópolis (SC), perguntou:

Ghedin, você acha que os celulares pequenos, que são bons de usar em uma só mão, viraram coisa de nicho? As grandes empresas largaram mão de fazer celular pequeno e só tende a crescer ou estabilizar nos tamanhos atuais?

Ótima pergunta! É quase um meme o fato de que, semana sim, semana também, alguém pergunta no Órbita se existe algum celular pequeno sendo vendido. Do meu lado, uma experiência recente e ruim com um celular gigante fez eu voltar a minha atenção a essa lacuna no mercado.

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Saiu a programação da CryptoRave 2025, evento anual que reúne, em 24 horas, uma série de atividades sobre segurança, criptografia, hacking, anonimato, privacidade e liberdade na rede. (E mais uma festa no final!)

Neste ano, a CryptoRave acontece nos dias 16 e 17 de maio, na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo (SP). A inscrição é gratuita e pode ser feita online ou no local (o link ao lado traz os detalhes, datas e horários).

Mulher loira de óculos escuros, segurando duas caixas de pizza, com outras pessoas alucinadas ao fundo. Imagem sintética, gerada por IA.
Imagem: InfoMoney/Reprodução.

O InfoMoney republicou uma nota da agência de notícias do Estadão informando que a cantora Lady Gaga distribuiu pizzas a fãs acampados em frente ao hotel onde ela está hospedada. (Link do Marreta para não dar visualizações.)

Até aí, tudo bem, é a expressão mais pura do jornalismo “Caetano estaciona seu carro no Leblon”.

Como nada é tão ruim que não possa piorar, alguém lá dentro achou que seria boa ideia gerar uma imagem, numa IA, da própria Lady Gaga entregando as pizzas em mãos aos fãs. Colocaram a legenda “Foto feita com IA/ ChatGPT”, quase ilegível no rodapé da “foto”.

A nota foi atualizada, agora sem a “foto”, na manhã desta sexta (2), quase 24h depois de ir ao ar. A Wayback Machine mantém o registro dessa vergonha.

Qual a diferença entre a “foto” que o InfoMoney publicou e oportunistas que geram imagens de Jesus feito de camarões nas redes sociais? Nenhuma. Ambos apostam na desinformação para tentar faturar uns trocados.

O InfoMoney publicou uma errata em que classificou o uso da imagem como “indevida” e que está “adotando medidas internas para evitar que situações como essa se repitam, incluindo treinamentos específicos sobre o uso ético da inteligência artificial e a checagem de imagens geradas por esse tipo de tecnologia em nossos processos editoriais”. No LinkedIn, Matheus Lombardi, CEO do InfoMoney e XP Educação, pediu desculpas pelo ocorrido.

“Capitão Astúcia” tenta caminho alternativo no audiovisual: no YouTube e de graça

A primeira vez que troquei uma ideia com o Filipe Gontijo foi em 2015. Ele havia acabado de dirigir um filme de realidade virtual, em um momento em que as big techs juravam de pés juntos que o futuro do entretenimento estava numa realidade virtual empacotada em um pedaço de papelão com um celular enfiado dentro.

Corta para 2025 e, desta vez, ainda na mesma conversa por e-mail, Filipe busca inovar nos bastidores. Seu primeiro longa-metragem, Capitão Astúcia, saiu direto no YouTube, de graça, sem anúncios. O modelo de negócio? Quem gostar do longa pode contribuir com um Pix de qualquer valor.

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