Professor alemão compartilha apreensões absurdas das polícias brasileiras

Não sei o motivo nem quando isso começou, mas Christoph Harig, professor do Royal Danish Defence College, publica fotos de apreensões absurdas das polícias brasileiras com comentários hilários em seu perfil no Bluesky. Brisadeiros, dominó de cocaína e mudas de cannabis são alguns exemplos.

Não está no Bluesky? Dá para seguir perfis de lá via RSS.

https://www.youtube.com/watch?v=ntjkwIXWtrc&t=3s

Causou estranheza e reações exageradas nas redes sociais (perdão pelo pleonasmo) o comercial “Crush!”, da Apple, para o novo iPad Pro.

O conceito é óbvio — o iPad substitui esse monte de objetos e produtos da criatividade humana —, mas a execução… O comercial sintetiza o “ethos” do Vale do Silício, de esmagar e pasteurizar tudo e todos que suas empresas de tecnologia tocam.

Pior: era só tocar o vídeo ao contrário para consertar o comercial.

O mastodon.social, principal servidor de Mastodon, publicou uma nova regra (tradução livre):

Conteúdo criado por outros deve ser creditado e o uso da IA deve ser informado
O conteúdo criado por outras pessoas deve fornecer claramente um crédito ao autor, criador ou fonte. Para conteúdo adulto, isso deve incluir artistas [que aparecem]. Os perfis não podem publicar conteúdo gerado por IA exclusivamente.

Se tem um lugar em que regras de atribuição/crédito aos criadores originais pode funcionar, é no Mastodon. Ansioso com a aplicação da nova regra.

Sobre a da IA gerativa, fico reticente. Daqui a algum tempo, será o equivalente a exigir que edições feitas no Photoshop sejam informadas. Se bem que… talvez fosse uma boa? Via @Gargron@mastodon.social (em inglês).

Visão geral do r/Place, nos momentos finais, com a frase “FUCK SPEZ” escrita em branco contra o fundo colorido dos desenhos.
Imagem: Reddit/Reprodução.

Belíssima a homenagem feita pelos usuários do Reddit ao CEO, Steve Huffman (u/spez no Reddit). A obra de arte foi o “gran finale” do r/Place, um projeto colaborativo que o Reddit abre vez ou outra. Via r/Place@Reddit.

Qual o problema com o Lensa, aplicativo de selfies criadas por inteligência artificial?

Um raio cai duas vezes no mesmo lugar? O novo aplicativo sensação nas redes sociais, o Lensa, é cria da Prisma Labs, que em 2016 viralizou com um aplicativo similar, o Prisma, que transformava selfies em ~arte. Lembra dele?

O Lensa não é novo (foi lançado em dezembro de 2018), mas viralizou na última semana após o lançamento dos “avatares mágicos”, selfies criadas por inteligência artificial a partir de fotos enviadas pelo usuário. As selfies são pagas, custam a partir de R$ 16,90.

Leitores do Manual do Usuário estão se perguntando qual a pegadinha e se o Lensa tem alguma cláusula nefasta em sua política de privacidade que mereça atenção, como era o caso do FaceApp, de 2019.

(mais…)

Andy Baio compilou comunicados de algumas comunidades online que baniram o uso de ilustrações/imagens geradas por inteligências artificiais, como o DALL-E 2, Midjourney (que já ganhou um concurso) e Stable Diffusion.

O DeviantArt, uma das maiores do tipo, ainda não tomou partido, mas Andy diz que as reclamações de usuários humanos do enorme volume de ilustrações geradas artificialmente têm aumentado.

O Lexica dá uma boa dimensão do problema que essas IAs representam a tais comunidades: trata-se de um banco de imagens pesquisáveis que já contém 10 milhões de imagens, todas geradas em poucas semanas por alguns beta testers da Stable Difussion. O volume de produção está em outra magnitude, em uma escala não-humana. Via Waxy (em inglês).

Pessoas da realeza, trajadas como tal, em um ambiente escuro e requintado, cheio de detalhes, com uma janela circular ao fundo, de onde provém toda a iluminação do ambiente.
Clique para ampliar. Imagem: Jason Allen/Midjourney.

Um homem inscreveu uma pintura gerada pela inteligência artificial Midjourney em um concurso no Colorado, Estados Unidos. A “pintura” (acima) ganhou o primeiro prêmio na categoria de arte digital e, por óbvio, gerou reações acaloradas.

O homem, Jason Allen, presidente de uma empresa de jogos de tabuleiro, reagiu às reclamações de que o resultado é injusto. No servidor da Midjourney no Discord, escreveu:

Interessante ver como todas essas pessoas [reclamando] no Twitter, que são contra a arte gerada por inteligência artificial, são as primeiras a descartar o ser humano desacreditando o elemento humano [da obra]! Isso não soa hipócrita?

O “elemento humano” a que ele se refere é o comando dado à Midjourney para gerar a imagem. Um argumento difícil de sustentar. Seria o mesmo que dizer que a autoria de pinturas comissionadas a seres humanos é de quem paga e/ou faz o pedido, e não dos pintores. É o caso? Nunca foi, até agora.

Recentemente, o colunista Charlie Warzel usou a Midjourney para gerar ilustrações de Alex Jones em uma newsletter publicada na The Atlantic. A reação negativa foi similar. Como pode, dizem os críticos, uma das maiores revistas dos Estados Unidos preterir ilustradores humanos por um software?

Em vários blogs técnicos, que povoam locais como o Hacker News, é notável a emergência de ilustrações criadas por essas inteligências artificiais. Neste exemplo, a pessoa se gaba de ter substituído +100 imagens em seu blog com a ajuda da DALL-E 2 por US$ 45. Parabéns?

E nem entramos nos dilemas éticos mais profundos, como os relacionados a direitos autorais e limitações artificiais para impedir a criação de imagens violentas ou obscenas. A DALL-E 2 tem várias amarras contra usos questionáveis. A Stable Difusion, lançada dia desses, não tem nenhuma. Via Vice, Simon Willison’s Weblog (ambos em inglês).

Painel brasileiro do segundo r/Place, com a bandeira e vários elementos da cultura popular brasileira desenhados em pixel art.
Imagem: r/Place/Reprodução.

Na última sexta (1º), o Reddit abriu a segunda edição do r/Place, um experimento social de desenho coletivo: cada usuário só pode postar um pixel a cada cinco minutos e todos precisam trabalhar juntos, pixel por pixel, para criar imagens em uma tela em branco gigantesca.

Teve de tudo: bandeiras, memes, referência a um video game obscuro de 2007. Até a noite de domingo (3), 6 milhões de usuários já haviam desenhado mais de 6 milhões de pixels, formando um enorme mural de pixel art.

Um cantinho do r/Place foi adotado pelos brasileiros do r/Brasil, um dos maiores subreddits do país. (Veja a imagem do topo.) Nele, desenharam a nossa bandeira e vários elementos da nossa cultura: vira-lata caramelo, turma da Mônica, a taça da Copa do Mundo de futebol, o 14-Bis, um capoeirista e o Cristo Redentor usando um chapéu de cangaceiro.

Também rolou uma parceria com a Irlanda, com o Irmão do Jorel e o que parece ser uma garrafa de refrigerante de gengibirra representando o lado brasileiro — ou talvez sejam só as minhas raízes paranaenses se manifestando:

Bandeiras da Irlanda e do Brasil misturadas, com alguns personagens e elementos nacionais ao redor.
Imagem: r/Place/Reprodução.

O trabalho do r/Brasil e de outros subreddits envolveu o uso de scripts e robôs, segundo o Tet, usuário do Reddit e leitor do Manual, que ajudou a coordenar os esforços do subreddit brasileiro pelo Discord.

A coisa engrenou mesmo quando eles descobriram um sistema de código-aberto holandês chamado Commando, que automatizava a inserção de pixels seguindo uma imagem enviada previamente pelos coordenadores. Vários artistas e programadores ajudaram no esforço coletivo.

O r/Place durou apenas quatro dias. No final, o Reddit restringiu a inserção de novos pixels apenas à cor branca, e gradualmente a tela voltou ao estado original. No final, a tela ficou assim.

O primeiro r/Place aconteceu em 2017 e foi idealizado por um tal de Josh Wardle, que você talvez conheça do joguinho-sensação Wordle, vendido ao New York Times e que inspirou clones diversos, como os brasileiros Termo e Letreco.

Quando será o próximo? Ninguém sabe. Via Reddit, Washington Post (ambos em inglês).

O ecossistema de NFTs é um completo desastre

Para quem lê este Manual do Usuário não há nada novo no artigo de Edward Ongweso Jr., na Vice, a respeito do “completo desastre” que é o ecossistema de NFTs, mas vale pescar alguns eventos recentes que explicitam esse desastre. Dois trechos de lá me chamaram a atenção:

Tomemos a OpenSea, o marketplace de NFTs mais popular. Semana passada, a OpenSea limitou o número de vezes que os usuários poderiam cunhar NFTs gratuitamente em sua plataforma, porque mais de 80% dos que foram criados com a ferramenta “eram obras plagiadas, colecções falsas e spam”. Ela reverteu a decisão em 24 horas, porém, graças à choradeira de criadores de projetos NFT.

Do outro lado do balcão, artistas têm sofrido com a apropriação indevida e ilegal de seus trabalhos para a criação de coleções de NFTs:

Para os artistas do DeviantArt, que hospeda mais de 500 milhões de peças de arte digital, o problema ficou tão grave que a plataforma implementou um sistema de alerta de fraudes que procura por NFTs de cópias de obras na blockchain Ethereum. O DeviantArt emitiu 80 mil alertas desde agosto de 2021, duplicou esse número entre outubro e novembro, e viu um novo aumento de 300% entre novembro e meados de dezembro.