Breve análise dos sites de tecnologia brasileiros
Se tivesse que justificar a razão de existir do Manual do Usuário, diria que é publicar coisas diferentes do que outros sites de tecnologia publicam. O que nos leva à pergunta inevitável: o que os outros sites de tecnologia publicam?
Tenho uma boa ideia, é claro. Uns acompanho de perto, outros de longe, sempre dou uma passadinha em todos para… digamos, “monitorar a concorrência”.
Durante seis dias em 2023 (31/8 a 5/9), porém, fiz uma incursão que se pretendia metódica em cinco dos maiores sites especializados em tecnologia do Brasil. Com a ajuda de um agregador de feeds, capturei, rotulei e categorizei tudo que eles publicaram naquele intervalo.
A primeira surpresa (ingrata) da análise foi o volume de publicações: 1.193 posts, uma média de 238,6 por site, o que resultou em 47,7 posts por dia.
Quem lê quase 50 posts de um único site por dia? É, nem eu.
A média, até eu sei, não reflete os números individualizados. Em uma ponta, temos Canaltech (330 posts no total, 55/dia) e Olhar Digital (total de 442, 73,7/dia!!!); na outra, Tecnoblog (42, 7/dia). Fecham o rol de sites analisados Giz Brasil (antigo Gizmodo Brasil) e Tecmundo.
Acho seguro afirmar que é raro, se é que já ocorreu, um dia com 50 (ou 73,7, haha) acontecimentos em tecnologia dignos de nota. O que explica números tão elevados? É o que iremos descobrir!
Não é um fenômeno novo: ele está relacionado a expansões esquisitas da linha editorial. Entre notícias de produtos, escândalos de privacidade digital e coisas do tipo, que alguém espera que esses sites repercutam, começaram a aparecer posts de filmes de bonecos da Marvel (“cultura nerd”), conteúdo de futebol, anúncios formatados como conteúdo editorial…
Qualquer um que acompanha esses sites já sacou o alargamento da área de cobertura. Este levantamento é uma tentativa de mensurá-lo e de entender melhor o que motiva um site de tecnologia a postar o horário em que o jogo Corinthians contra XV de Piracicaba passará na TV.
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O Giz Brasil, que reformulou o site em outubro de 2023 para adotar “uma pegada mais clean”, é — de longe — o mais prolífico em posts-anúncios com links de afiliados de lojas como Amazon e AliExpress. Esses posts-anúncios representam 43,6% do total de posts da amostragem analisada (veja a tabela completa no final). De tecnologia mesmo, apenas 11,5%, o menor índice entre os cinco sites.
Puxo este assunto logo de cara porque é o mais problemático. Ainda que os posts sejam sinalizados e haja um fator de utilidade neles, é uma mistura meio indigesta para quem busca informações e notícias. Se eu quisesse ver promoções, abriria o site do Promobit, Gatry, Pelando, sei lá.
Outro tipo de conteúdo ligado ao modelo de negócio desses sites — todos eles dependentes da maximização da audiência para exibir anúncios, aliás — é o dos tutoriais para almas desacreditadas que perambulam no Google.
São textos que têm títulos que lembram muito o que alguém escreveria na caixa de pesquisa de um buscador web — não por acaso —, que dialogam com um leitor que não é audiência, é só alguém clicando loucamente em resultados do Google para resolver um problema o mais rápido possível.
Novamente, há valor nesse tipo de conteúdo, porém não muito para leitores assíduos. Acaba que o site escreve para dois públicos, um recorrente (audiência fiel) e outro difuso (perdidos do Google).
Em proporção, o Tecnoblog é que mais pública tais tutoriais — 14,3% do total. Imaginava que o volume ali — nos cinco sites, na real — fosse maior. Em dois deles, pelo contrário, são proporcionalmente irrisórios — 1,2% no Tecmundo e 0,9% no Giz Brasil.
Tive muita dificuldade para batizar a categoria de “cultura nerd”, primeiro porque sei lá o que significa “cultura nerd”, segundo porque, qualquer que seja o significado, não abarca as características desses posts.
No fim, correndo o risco de ofender a cultura, dei o nome de “cultura” mesmo. Afinal, trata-se de um recorte específico de cultura — aquela enlatada, com preço e impulsionada por campanhas de marketing multimilionárias.
Quase 1/4 do conteúdo publicado pelo Tecmundo (24,8%) é disso, de “cultura nerd”. Justiça seja feita, não faz muito tempo a NZN, que publica o site, reuniu outras verticais, incluindo o Minha Série, sob a marca do Tecmundo. Deve ter sido para melhorar o SEO ou algo assim.
Para quem lê o site, resta a estranheza de ver posts de filmes da Netflix, números de bilheteria da Marvel, novas temporadas de séries ruins etc. entre os “mais lidas” em um site de… tecnologia.
Agora, o que mais me pegou foram os posts de “esportes” que Giz Brasil e Olhar Digital publicam, como este e este. De verdade, não sei nem o que dizer.
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Na segunda (8), entrei em contato com os cinco sites pedindo uma entrevista e adiantando as perguntas, caso quisessem responder por e-mail mesmo.
(O e-mail enviado ao Olhar Digital, no endereço da redação que consta nesta página, deu erro e voltou.)
Infelizmente, ninguém retornou. Seria legal ouvir o outro lado. As perguntas que enviei, inofensivas e acompanhadas das descobertas da minha análise, foram estas:
- Qual a interpretação que vocês fazem dessa análise independente do editorial do site?
- O comercial influencia no editorial? Se sim, de que maneiras?
- Como vocês avaliam a cobertura de tecnologia de consumo/pessoal no Brasil?
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Não estou tentando bancar o ombudsman de redação alheia, não.
É muito difícil manter um site especializado em tecnologia no Brasil (acredite), mas, de alguma maneira, esses cinco conseguem, e muito bem: eles têm estrutura, equipes, (imagino que) pagam as contas.
O que minha análise mambembe, um pequeno retrato no espaço-tempo da cobertura de tecnologia no Brasil, demonstra, são indícios de uma influência descabida de modelos de negócio em decisões editoriais.
Mais que abrir um buraco no muro Estado–Igreja que deveria separar comercial e editorial, suspeito que isso impacte o potencial desses sites. Mesmo grandes e conhecidos, há escassez de reportagens exclusivas, de análises aprofundadas, de apurações minimamente complexas — de conteúdo próprio, que não seja repercussão do que outros veículos publicam ou de release de empresas.
É só uma hipótese, mas talvez o tempo que seria empregado nisso, que não é pouco, esteja sendo ocupado com a escrita de tutoriais para o Google e posts-anúncios de air fryer e iPhone em promoção na Amazon.
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Antes que eu me esqueça, a tabela geral (e, sim, eu sei que ficou feia e meio difícil de entender):

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Este levantamento foi possível graças a uma conta abandonada do Feedly, que reativei para segurar o rojão de +1 mil posts em cinco dias e não bagunçar o que uso no dia a dia, uma planilha eletrônica e doses cavalares de paciência. (Não à toa, levei quatro meses para publicar isto.)
A categorização dos posts foi feita com base nos títulos (todo mundo tem seus dias de leitor de títulos) e, hahaha, totalmente arbitrária. Batia o olho, deduzia o assunto e pá, atribuía uma categoria. Quase dispensável dizer, a base de dados provavelmente contém alguns erros e a categorização, por ser às vezes subjetiva e — repito — feita a partir da leitura dos títulos, deve ter também.
Os recortes e insights do texto acima foram obtidos com meus parcos conhecimentos em Excel, à base de muitos CONTAR.SE e uns filtros automáticos super úteis para gente que não sabe usar o Excel direito.
Por isso, achei que seria legal compartilhar o arquivo *.csv com os dados brutos. Cada linha traz a data do post, título, URL, categoria, se foi assinado ou não e, caso, sim, o nome de quem escreveu.
Tenho certeza de que gente mais esperta do que eu é capaz de extrair mais coisas interessantes dali. Se você conseguir, comente aí embaixo.
Atualização (15h30): O publisher do Giz Brasil/F451, Caio Maia, entrou em contato após a publicação desta matéria. Rolou um desencontro na minha tentativa de contato com eles. Solícito (como sempre é), Caio respondeu as minhas perguntas:
Qual a interpretação que vocês fazem dessa análise independente do editorial do site?
Análise no padrão Ghedin, nenhuma crítica ou queixa daqui. Há algum tempo percebemos que “tecnologia”, mesmo que amplamente falando, é uma área disputada por muitos, e que até por isso acaba favorecendo quem posta mais. A equipe do Giz é pequena, portanto optamos por fortalecer a cobertura em que nos destacamos, e ao mesmo tempo em ampliar os assuntos. Há algum tempo a F451 experimenta com temas análogos nos sites, temas que podem interessar ao nosso leitor mesmo que em princípio não tenham a ver com o assunto que cobrimos originalmente. A cobertura de futebol, por exemplo, é uma dessas tentativas.
Sobre os posts de ofertas: algumas camadas nessa questão, mas a principal, o ponto de vista do leitor, é que quem lê o site hoje em dia não chega nele pela home, ou seja, pro leitor tanto faz a porcentagem de posts de ofertas porque ele não vê esse “todo”. A equipe de ofertas é do Comercial, portanto não produzimos menos editorial por causa desses posts. E algo que nos surpreendeu: o leitor vê utilidade e gosta desse tipo de post. Nossa audiência cresceu por causa deles também nos posts editoriais.
O comercial influencia no editorial? Se sim, de que maneiras?
O comercial não influencia diretamente o editorial, nem tem licença para falar com o editorial. O que pode acontecer é que estamos sempre buscando assuntos que interessem ao leitor, e muitas vezes essa busca é a mesma do anunciante.
Como vocês avaliam a cobertura de tecnologia de consumo/pessoal no Brasil?
Com sinceridade, e vivendo a nossa vida por aqui, preferimos não avaliar a cobertura dos outros. A vida de veículo no Brasil é complicada, e cada um se vira como pode pra se manter vivo e relevante. A gente busca se diferenciar, mas entendemos quem busca fazer mais, as vezes muito mais, do mesmo. Entendemos, ainda, que não há no Brasil uma cobertura aprofundada de tecnologia no mainstream. Não sabemos se há público pra isso.
Foto do topo: John Schnobrich/Unsplash.
A falta de conteúdo mais aprofundado se deve a um fator básico a qualquer site que se auto-intitule de notícias: falta de jornalistas.
Aliás, tem mais um: querer publicar antes qualquer coisa que seja para ficar melhor colocado no SEO do Google e, consequentemente, ter mais receitas dos Taboolas da vida.
Passando aqui apenas para indicar o Baguete, um portal independente de notícias de TI voltadas para négocios. Foi criado em 1997 e ainda se mantém fiel ao seu editorial.
A fala "não SABEMOS se há público pra isso", na resposta do Caio, resume muito bem todo o assunto.
Acho que o artigo do Ghedin e a resposta do Giz demonstram bem a diferença de visão sobre como a internet funciona ou deveria funcionar.
Numa internet aberta e livre de algoritmos, tudo que alguém (um site) publica tem o mesmo peso para todos. As formas de acessar o conteúdo se baseiam na confiança na curadoria daquele site: eu abro a homepage todo dia, ou eu assino o feed RSS.
Só que a internet atual não funciona assim. Ela é mediada pelas grandes empresas e seus algoritmos, que tomaram esse lugar da curadoria. O objetivo dos sites jornalísticos é aparecer o máximo possível dentro das várias curadorias que as plataformas geram algoritmicamente para cada um dos internautas (uau, esse termo revela a idade).
Em resumo, essa análise que o Ghedin fez não é a forma como a grande maioria das pessoas percebe a internet.
Legal! É importante fazer esse tipo de análise e comparativo, tinha que colocar o manual na tabela para efeito de comparação :) Achei que provoca e leva ao questionamento, como uma boa matéria. Concordo que para obter alcance muitos desviam a finalidade (alguns desviam mais que outros), podem justificar isso criando seções de novos assuntos. Algumas dessas realmente se justificam, mas outros não, como comparador de preços por exemplo, ou ficar falando demasiado sobre uma feature nova irrelevante que sai em um produto, ou entupir de noticias tech sobre satélites e universo invadindo outro nicho (isso poderia ficar mais a cargo de canais específicos como space today). Mas... Cada um escolhe o que é melhor para seu canal(meio) e se isso está funcionando, temos como leitores a opção de escolher os canais que melhor nos atende.
Muito bom o post. Me incomoda muito esses posts de tutorial. O que eu fiz foi parar de ler, por exemplo tecnoblog e macmagazine
Gosto muito de seguir os jornalista/colunistas para ler o que eles escrevem, mas depois do Twitter descambar total nem consigo mais, tô tentado o RSS de novo.
"há escassez de reportagens exclusivas, de análises aprofundadas, de apurações minimamente complexas -- de conteúdo próprio, que não seja repercussão do que outros veículos publicam ou de release de empresas."
Crítica que se aplica perfeitamente ao próprio MdU.
guardadas as diferenças de escala, escopo e tamanho, eu diria que é exatamente o contrário: o MdU é um veículo de uma única pessoa que em geral, proporcionalmente, produz mais coberturas desse tipo do que os sites com dezenas de repórteres -- de onde se esperaria mais e melhor apuração
"veículo de uma única pessoa" Poxa, mais da metade do site é órbita. "produz mais coberturas desse tipo" Desafio a citar 1.
Você está comentando em um 🤷
Eu aceito críticas numa boa, Michel. Peço apenas um mínimo coerência. Comparar o Órbita, em que leitores -- a maioria sem formação ou pretensão de serem jornalistas -- jogam links e postam dúvidas, e mesmo o Manual, que mal fatura para me sustentar, com redações grandes que, como uma amiga disse aí embaixo, empregam até 80 jornalistas, é no mínimo injusto.
"papel de ridículo" Isso é questão de percepção. Garanto que muitos acham que é você que faz esse papel. Sou tradutor, mas não escreveria no meu site: "olha, nessas editoras aí do mercado, os livros saem todos com traduções ruins". Porque todo mundo está tentando fazer o melhor, e não me considero tão especial assim. Além disso, meu tempo é mais bem gasto tentando melhorar meu trabalho do que fazendo críticas disseminadas e assumidamente rasas a um setor inteiro.
“Assumidamente rasas” é uma opinião sua, não compartilhada por outros +100 leitores que comentaram aqui e pelo publisher de um dos sites analisados.
Eu só não entendo (já que levou para o lado pessoal) por que você bate ponto aqui, comentar e participa, se o nível do Manual é tão baixo quanto você sugere ser…
Acho que essa discussão não vai prosperar. Se quiser me dizer algo, faça-o por e-mail, por favor.
@Michel, fico muito incomodado com este espírito corporativista que você defende. Então quer dizer que não se pode criticar os problemas de todo um campo porque isso seria ruim para o campo? Além disso, essa sua ética neoliberal (“estou fazendo o meu trabalho” etc etc) só reforça um sistema em que se naturalizam as práticas problemáticas atacadas nessa matéria.
Não é a primeira vez que vejo esse tipo de coisa: sempre que aparece alguém criticando aquilo que todos têm medo de criticar essa pessoa é acusada de traidora ou coisa pior.
Pessoal, não alimentem o troll.
Obrigado. Faz tempo que o @Michel age como o troll dos anos 90/00 e ninguém relembrava o mantra dos primórdios da Internet.
Bem, eu não gosto de deixar pessoas sem resposta, mas não pretendo escrever mais nada, então talvez deixe sem resposta, se alguém se importar (se é que vai ser aprovado).
"Então quer dizer que não se pode criticar os problemas de todo um campo" Não tem nada de positivo? É tudo ruim? Todo mundo trabalha mal? Não é uma postagem positiva, é só uma egotrip de alguém que se considera o oásis da Internet.
Ghedin, curti o texto. Acho que hoje você é a única pessoa que se preocupa de alguma forma em dar uma olhada nas coberturas de tecnologia -- sem ser muito ombudsman e cair para a arrogância, comum nesse tipo de crítica. Vim aqui comentar sobre algo mais amplo também: já trabalhamos juntos no Giz, acredito que fizemos coisas diferentes (algumas boas investigações, até um livro antes de ser moda lançar livros digitais de tecnologia), mas o que me afastou de todos esses sites (e acredito que a você também) é simples: todos têm modelos de negócio tenebrosos que, no fim, só deixam de ser tenebrosos quando se entregam completamente à demanda do mercado.
Anos atrás o futuro era branded content, aí todos fizeram e ficou “caro”, depois era o Facebook, e quem mergulhou de cabeça fraturou todos os ossos, depois virou Taboola, que ninguém tira da minha cabeça que é um psyop criado para destruir e apodrecer a internet. Além de toda essa frustração, há algo mais profundo e talvez mais incômodo: a própria cobertura em si de tecnologia foi, e ainda é, um símbolo enorme do ultracapitalismo. Especificações, anúncios de produtos que mais parecem trabalho de assessoria, relações espúrias, debates extremamente vazios sobre peças de produtos… Enfim.
Como pode ver, não me empolgo com essa cobertura. Hoje só acompanho tecnologia pela Tatiana Dias, pelo pessoal do Núcleo e por você. Pelo menos todos os temas apocalípticos que falávamos sobre no passado e “não davam audiência” se tornaram realidade e, talvez, mais pessoas se preocupem com isso hoje.
Leo, você por aqui!
O “entregar-se completamente à demanda do mercado” transforma a coisa em produto, e aí surgem os formatos “que funcionam”, listas para “bater a meta”, fica tudo pasteurizado, com gosto de nada. Tenho certeza de que nessas outras redações tem mais gente assim, mas que esbarra nessa ~questão.
Mesmo remoto, o Giz foi uma escola para mim. Mais importante que as lições de jornalismo, do ofício, o que eu guardo e tento pôr em prática todo dia é o cuidado com a coisa. É importar-se. Se editorial e comercial conflitam, não penso meia vez antes de decidir pelo editorial.
Me agrada bastante o conteúdo do Tecnoblog,citaria o Macmagazine também(nicho),manualdousuario é meu favorito,gostaria de ver matérias,tipo,Iphone 11(modelos antigos) em 2024,Mochila e Mesa também.Sobre oque não gosto de ver nos sites de tecnologia,assuntos aleatórios sobre qualquer coisa,não tenha nada a ver com tecnologia,rumores e propagandas em excessos.
Ghedin, não falaste do TudoCelular.
Que é bem legal. Muito útil.
Ghedin, por curiosidade, por quê ñ teve a inclusão do MacMagazine nessa análise?
Pergunto isso, porque já tem um tempo que o editoral do MM se tornou muito parecido com todos esses outros citados, tirando a parte do futebol (rs). É um outro site de tecnologia, mesmo tendo foco em Apple, que ainda leio alguns posts. Essa inundação de tutoriais tb chegou por lá e fica nítido que é tudo por SEO, bem triste, inclusive.
Respondi aqui, Tiago.
Excelente matéria Guedin e rapaz … obrigado por ter tido paciência para fazer esse filtro, eu ja vinha percebendo que esses portais estavam falando de tudo menos de tech e eu acabei por parando de consumi-los afinal acabo não sendo mais o publico alvo
Ótima matéria, Ghedin! Obrigada por ter tido o trabalho de fazer essa pesquisa para comprovar o que a gente já suspeitava
Desafio o Ghedin a analisar sites de games, principalmente a área de comentários.
Vish. Nesse vespeiro aí eu não entro, não.
Taí algo que não entendo: como os sites de games caíram como moscas enquanto o mercado cresceu? Grandes sites americanos e brasileiros foram simplesmente pulverizados. A análise de games, quando existe, é muito ruim e superficial.
Porque, se a cobeetura de tecnologia já é ruim, imagina a da games, normalmente feita por homens infantilizados (ainda mais do que os liberais donos de alguns blogs de tecnologia) e que não conseguem aproveitar um jogo.
Um exemplo: Diablo 4. Ao que pese todo o problema social da Blizzard (que foi o que quase me fez não comprar e jogar), a crítica de todos os sites e jogadores era rasa, coisa de quem quer transformar um entretenimento em profissão, que produtividade em um jogo de vídeo-game. A maioria das críticas era que se demorava demais a chegar nos locais, que o jogo era parado, que as classes demoravam a subir de nível etc. Isso tudo é característica do (A)RGP (farm, grind etc) que as pessoas (gamers) esquecem porque querem SER PRODUTIVAS no lazer.
Eu tenho pra mim que o grande problema disso são os streamers que passam 12/18 horas por dia jogandpo um jogo e destruindo a diversão. Quando eu joguei Diablo 1 (lá em 1990 e tantos) eu não sabia como os "super players" eram. Eu jogava e me comparava com os meus amigos, não ficava à procura do item perfeito, etc. Eu só ... jogava. Hoje não existe mais isso. E o efeito colateral é que esse comportamento capitalista ultra-produtivista de crescimento exponencial eterno acabou transformando o lazer em em algo que se faz de forma produtiva (quem nunca fui os norte-americanos contando "horas de jogo" pra ver se vale a pena pagar 60USD num AAA?). A gente se perdeu como sociedade ali por 2002.
Cara, concordo com cada palavra 👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾
Sobre os sites de games, sugiro ouvir o episódio #5 do podcast Código do Caos, do Henrique Sampaio, que conta com uma entrevista feita com o Pablo Miyazawa e o Wagner Wakka, ambos jornalistas com bastante foco em games. Nesse episódio tem muito debate sobre editoria, remuneração, mercado e tratamento dos jornalistas de games no Brasil.
Muito supreendente a análise dos portais e informações publicadas na categoria 'tecnologia'... Parabéns pela percepção e coragem em tocar no tema de forma clara, atenciosa, imparcial. Creio que em diversos outros temas e categorias de sites de notícias deve estar ocorrendo a mesma fragmentação e generalização na cobertura e difusão de informações. Observo que o problema da massificação, redundância, repetição dos conteúdos está criando um público sem percepção, sem capacidade crítica. O próprio conceito de 'notícia' nunca esteve tão esgotado. A informação está sob estresse, sem capacidade de contribuir, ampliar o horizonte das pessoas. Preocupante nosso futuro, em diversas frentes do conhecimento. Muito legal a matéria... Valeu!!
Fala Ghedin. Obrigado por mais uma excelente matéria. Uma pergunta, o MacMagazine ficou fora por abordar um único nicho?
Valeu!!!
Eu tinha que fazer um recorte para que a tarefa fosse factível a uma pessoa só. (E mesmo assim, cinco sites deram um trabalhão.) No caso do MacMagazine, não considerei devido ao foco em uma empresa só.
É que hoje eles também falam escrevem sobre Samsung, Android, etc…
E entraram nesse vibe de tutoriais tb, vide: https://macmagazine.com.br/post/2024/01/13/como-usar-o-modo-picture-in-picture-pip-no-tiktok/
Primeiro de tudo, parabéns pela iniciativa! Vou comentar apenas a resposta do Giz Brasil a terceira pergunta: Eu concordo com ele.
No Brasil, infelizmente, não há público para cobertura aprofundada de nada, nem de tecnologia!
Opa! Tem sim, Sergio. Na área da cultura, por exemplo, temos bastante conteúdo especializado. Talvez por conta da relação com a academia... Tb há conteúdo aprofundado em tecnologia em podcasts e canais no youtube. Me parece q os sites, muito dependentes dos buscuradores, entraram de cabeça nisso q o Ghedin percebeu qdo analisou os sites...
Fui muito pessimista :-p
será que o GPT consegue categorizar / refazer sua planilha. O que me leva que provavelmente essa equipe será substituída por esse tipo de ferramenta, já que a mistura do comercial e o editorial vai fazer a força de barra disso.
E boa postagem assunto curiosos, seria uma boa pedra inicial para uma pesquisa mais a profundada de universidade.
Excelente análise. Há muito tempo parei de seguir blog/sites de tecnologia, justamente por terem se tornado praticamente sites sobre "smartphones do momento" e outras firulas. O MeioBit eu perdi a paciência por causa do Cardoso e o conteúdo não era tão relevante a ponto de valer a pena acompanhar.
Um site que não necessariamente é sobre tecnologia no nível desses citados, mas que acho excelente e nessa linha desacelerada é o Inovação Tecnológica.
Não sei quem está a frente do site, mas há anos continua mantendo publicação de conteúdo interessante e nem se preocupam em atualizar a interface do site pra deixá-lo moderno.
Obrigado, Ghedin, por continuar nadando contra a maré! Espero que, apesar de mais trabalhoso, este esforço seja e continue sendo tão recompensador para você quanto é para nós, leitores.
Ótimo texto. Expressa muito bem o que eu venho percebendo há alguns anos.... Eu acompanhava esses sites todos os dias, mas chegou uma hora que cansei de ler review de celular e suposta data de lançamento de aparelho X. Mas até aí, ainda acho um conteúdo justo.
Porém, já não tenho mais paciência pra ler posts com 500+ palavras só pra encher linguiça, numa notícia que poderia ser muito bem expressada em 4~5 linhas.
E ultimamente tenho me deparado demais com posts no estilo "produto X está mais barato que na black friday"...
Acompanhava o Giz desde antes daquela "galera animada" infestar os comentários. Episódio que acredito até que o manual teve um papel muito relevante pela matéria que relatava essa polêmica no micro-cosmo de "sites que cobrem tecnologia".
Sinceramente, eu não consigo nem entender o que é o giz atualmente.
Legal a resposta do giz. Acho que é importante lembrarmos que o giz começou e sempre será business. Não algo que nasceu como blog e alcançou o mainstream.
Achei "graça" dos comentários doídos da sua análise e crítica super importante no post rs. Antigamente eu acompanhava um ou dois desses sites, depois parou de fazer parte da rotina. E realmente, que enxurrada de postagens. Gosto muito mais do manual por focar no que realmente importa e sem estar refém da vontade de anunciantes/SEO.
@feed Você tocou em todos os pontos que me fizeram jogar a toalha para o jornalismo e tentar algo novo.
A busca desenfreada por audiência, e a "tirania" das pautas ditadas por SEO, mataram qualquer semblante de autonomia nas redações. Você publica o que está "quente" (porque outros sites maiores deram) ou aparece no SEO. E se o tema não se encaixa na sua editoria... bem, dá-se um jeitinho. Você não quer perder cliques, né?
@feed A quantidade absurda de posts é um reflexo disso. Atira-se para todo o lado, na esperança de que "algo" renda.
No OD a quota para os repórteres era de 8 notas por dia. Numa jornada de 8 horas, isso não deixa tempo para muito mais do que uma tradução/resumo de site gringo. Você passou uma semana apurando uma pauta? "Nossa, porque está demorando tanto?"
Sem falar que o jornalista tem que correr atrás da fonte, traduzir, escrever, ilustrar, montar o texto no CMS, fazer SEO...
@feed Um exercício legal com seus dados seria apurar quanto da cobertura de tecnologia são "rumores".
Como eu DETESTO rumores. São estelionato editorial, você vende para o leitor algo que muitas vezes sequer existe. Ou está errado.
Outro desserviço são os posts que não tem relevância para o leitor nacional. "Jaca lança 4 celulares Android". Aí você vai atrás e a tal Jaca é uma empresa do Vietnã que não tem presença nenhuma fora do país de origem. "Ah, mas o Gizmodo deu, vamos publicar!!"
O Canaltech emprega mais de 80 funcionários, entre criadores, publicitários, editores e principalmente jornalistas. As linhas editoriais podem não ser as melhores para o gosto refinado dos senhores, mas busquem entender quantas pessoas estão empregadas em todos esses lugares, algumas com carreiras sólidas dentro dessas empresas. Os modelos de negócios que vocês criticam, mantêm centenas de profissionais empregados, num segmento que tem dificuldades imensas de investimentos e que encolhe a cada ano.
Ps: não dá pra todo mundo largar tudo e virar blogueiro alternativo anticapital, né?
Ai Ana, esse argumento “não critiquem porque eles empregam” transcende em muito o escopo da crítica, né? A Philip Morris emprega sei lá quantas mil pessoas, então tudo bem fabricar palitos fumacentos fedidos que causam enfisema pulmonar e câncer?
De fato, não dá para todo mundo viver como blogueiro alternativo anticapitalista, mas não disso que sinto falta. O problema é a “monocultura”, e uma pobre, que se estabeleceu na cobertura de tecnologia no Brasil.
Uma coisa ilustrativa desse incômodo, na fase da análise, foram posts que me chamaram a atenção durante a coleta e, ao tentar recuperá-los, não sabia ou estava enganado em relação ao site onde foram publicados. Se abrir o “modo leitor”/padronizar o leiaute, eles se tornam indistinguíveis -- mesma linha editorial, mesmas abordagens, até o texto é parecido.
Cometo o sacrilégio de me citar porque acho que este trecho do texto traduz o que sinto falta (e o que 80 funcionários, sem dúvida, conseguiriam produzir se houvesse vontade nesse sentido):
sobre a coisa da “cultura nerd”:
faz todo sentido, né? esses sites são antes portais de consumo do que propriamente de tecnologia digital: a perspectiva é sempre a da aquisição de novos produtos ou serviços, mais do que propriamente o da cultura em torno da tecnologia digital (práticas, rituais, identidades, etc). Claro que esses aspectos existem, mas sempre instrumentalizados segundo a lógica do consumo -- e de um consumo sempre tido como sanador de carências e realizador de desejos.
aí faz todo sentido que a tal da “cultura nerd” faça parte do rol de produtos comentados por esses sites, já que ela lida exatamente com os mesmos afetos: ansiedade, realização pessoal, aceleração da vida, etc. Cenas pós-créditos são como o “one more thing” das apresentações de novos produtos de grandes empresas, sempre apontando para uma ansiedade nunca resolvida -- ansiedade que também se traduz na alta e ensurdecedora frequência de novas postagens.
o alexandre linck em seus vídeos costuma dizer que essa coisa das cenas pós-créditos dos filmes da marvel são como uma masturbação permanente em busca de um orgasmo que nunca chega (ou algo mais ou menos assim) -- você fica ansioso pela cena pós-crédito e quando finalmente assiste a ela, surge a ansiedade de um novo filme a ser consumido e assim por diante
é o mesmo com as constantes postagens sobre a nova versão do iphone, né?
enfim: num deserto de mediocridade consumista, o MdU permanece um oásis de desaceleração e reflexão
Marvel não inovou em nada aí.
As novelas brasileiras já tinham as "Cenas dos próximos capítulos" (ou as "ceninhas", como dizia minha avó) nos anos 70/80/90.
Cópia pura, hehe.
obrigado pelo comentário gostei de ler
de algum modo a cultura nerd ou cultura geek, dentro das perspectiva da cultural pop, se misturou com a cobertura de tecnologia justamente por isso que o ghedin detectou: o consumo. faz tempo q o cidadão foi deixado de lado para se privilegiar o consumidor... a tendência é a pessoas gostar de tecnologia, games, nerdices, animes e coisas diversas outras coisas infantiloides ou nostágicas. isso vira uma mistureba boa pra vender coisas, as mais diversas, e muitas delas caríssimas, sem necessariamente relação com o tópico original: tecnologia. não é de hj esse fenônema, mas eles nos abraça de tal forma que só parando pra observar que a gente se dá conta das mudanças. foi isso o que foi percebido nesse texto. é triste que a coisa tenha chegado nesse nível...
Guedin, eu compartilho da sua conclusão sobre os veículos de tecnologia. Acompanhava os veículos como TecMundo e CanalTech durante muitos anos, mesmo desde a época em que se falava mais de computadores. Daquela época para cá, virou mais uma questão de falar sobre smartphones. Depois disso, vieram os serviços de streaming, e agora, como você mencionou no texto, essa questão dos anúncios de produtos e futebol. Conforme o tempo foi passando, fui filtrando tantas notícias que eu de fato absorvia desses veículos que, ao final, eu estava conseguindo aproveitar apenas uns 8% do que era publicado no dia em cada um deles. Eu sempre escolhia uma plataforma para poder acompanhar, basicamente catando o que era interessante, jogava no Pocket e ficava ouvindo. Isso, assim, era uma tarefa diária. No entanto, depois de um tempo, percebi que não estava sendo mais viável. O conteúdo que eu conseguia extrair desses locais era irrisório e não tinha a menor qualidade. Realmente parece que viraram mais plataformas de anúncios do que de fato sites informativos. São muito poucos no Brasil que são exceção, mas ultimamente não tenho mais paciência de fazer essa peneira.
aproveitando o tema, uma dúvida: o meio bit ainda faz parte do tecnoblog?
Acho que faltou uma citação ao meio bit, caso ele não tenha sido contabilizado dentro do tecnoblog. Independentes de polêmicas em relação ao Cardoso e parte da linha editorial ser "coisas que o Cardoso se interessa". Acho que não dá para negar, a relevância do portal e como eles conseguem se distanciar um pouco dos pontos que o texto levantou.
não faz mais parte, não sei como foi a separação pq não anunciaram, mas todos os indícios indicam que separaram
Percebi que houve um aumento de tutoriais for dummies no Tecnoblog, "Como criar um WhatsApp","Como cancelar seu cartão de crédito", provavelmente estão capturando visitas pelo SEO.
Um site que é cheio de abobrinhas mas eu curto porque aparece umas notícias de "um obscuro smartphone chinês de 12gb" é o TudoCelular.
Outro site que não é relacionado a tecnologias mas deu uma caída monstra de qualidade foi o Trivela.
O Tecnoblog tem mudado muito de um ano para cá. Não sei se tem relação com o afastamento e depois saída do Higa. Virou um monte de tutoriais, uns títulos esquisitos, matérias que não passariam de uma notinha se houvesse uma linha editorial mais sólida. É um que estou para remover dos RSSs.
Parece que o trivela foi vendido e os compradores não cumpriram o que prometeram para os 3 membros anteriores, até se desligaram do projeto. Uma pena, era meu portal favorito sobre futebol.
Sabe se eles abriram ou vão abrir um novo site como o pessoal do Flatout?
Vi toda essa treta e fiquei triste com o rumo que o site tomou =[
Na última edição do podcast deram a entender que sim, um novo projeto viria, mas que primeiro descansariam um pouco. Torço para que voltem a escrever, era um jornalismo excepcional, muito diferente dos demais portais sobre futebol, com reportagens sobre história e muito aprofundadas.
Era o meu portal sobre futebol favorito, e também o podcast. Gostava muito das análises deles, muito profundas, que iam muito, mas muito além do futebol. O portal era mais voltado para o futebol internacional, dava pra saber muito sobre o futebol da América Latina. É uma pena, não sei se você ouviu o último podcast deles, eu indico caso não tenha, foi muito emocionante. Hoje, infelizmente a Trivela virou mais um portal pasteurizado de futebol. Mas ainda temos os podcasts "meu time de botão" e o "sons das torcidas" que claro, vão além do futebol.
Sei que não tem nada a ver com tecnologia, mas tem também o site "NaTelinha" que passou também a ter um editorial de... Política.
Isso pra não dizer do portal MSN . com (Microsoft Start) que basicamente só tem uma ou outra fonte séria e o resto é tudo título caça-clique.
Trivela foi vendida, hoje não tem mais ninguém que tenha a ver com o site de antigamento.
Bah, muito bom o texto Mais de uma vez caí em algum post desses pra gente perdida no google, que aliás, 90% do tempo não resolve o teu problema. Não fazia ideia que isso era direcionado e que eu era uma audiência ahahaha Parabéns pelo trabalho!
Eu parei de acessar sites tech, depois da inundação de traduções de postagens de sites gringos informando produtos que nunca iriam chegar de forma legal aqui ou antecipando coisas que só viriam meses depois. Eu prefiro saber de produto, serviço ou aplicativo, disponível agora.
uma coisa que acho muito chato é que tem várias notícias falando de rumor
@feed essa é a maior vantagem do jornalismo independente: Capacidade de produzir uma matéria sem rabo preso com ninguém nem algoritmos e com ESSE NÍVEL de qualidade 👏🏾
Muito bom! Interessante saber quantos dos posts são assinados (por pessoas de verdade) e quantos não são...
Eu não abordei esse tópico porque, para a minha surpresa, foram poucos os posts sem assinatura. Mesmo os posts-anúncios de promoção da Amazon e os de horários de jogos são assinados.
Pessoal, que outros sites "slow paced" vcs acompanham? Sendo de tecnologia ou não
Acho que o mais próximo é a newsletter semanal Interfaces do Samir Salim. Mas está em hiato de virada de ano. Espero que volte.
Interfaces é muito boa! MacMagazine eu também gosto. Não acho que tem perdido nível como os outros. Mas é mais nicho.
Problema do MacMagazine é que metade do site é dos abomináveis rumores. Tinha uma coluna de cinema bacana também, o problema é que nem o podcast escapa mais dos malditos rumores.
Excelente análise, parabéns pelo trabalho
Vou fazer um apanhado geral da minha percepção. Na minha época de juventude, quando o Carlos Cardoso começou a propagar-se como primeiro "problogger" do país, eu seguia diversos sites de tecnologia e interagia com a comunidade deles.
Tecnoblog: nunca foi bom como local, tinha boas matérias, mas analisando com mais maturidade o Mobilon é um editor muito ruim e o Paulo Higa sempre foi arrogante e pretencioso. Sem violência gratuita, que fique claro, mas eram locais tóxicos. MeioBit: sempre foi ruim, durante algum tempo tinha redatores que se selavavam como o Nick Ellis e o Gogoni. Com o tempo, todo mundo cirou o Carlos Cardoso e passou a ser agressivo e mimado. Canaltech: nunca foi um site de tecnologia, sempre foi um site de reviews e indicações de compra. Não acho que perdeu esse instinto, apenas ficou mais agressivo nesse quesito. Olhar Digital: site confuso, feito de clipping e comparações. É um site de editora grande (Abril/UOL Tech). É exatamente o que se espera dele. Contraditorium: não sei se ainda existe, mas era o "ganha-pão" do Carlos Cardoso e tinha, admito, crônicas interessantes sobre pessoas e tecnologia. Mas a persona agressiva, personagem ou não, acabou tomando conta do site muito tempo atrás e virou, basicamente, depósito de adsense.
Nota: percebam que todos esses sites tem ou tiveram o seu podcast "nerd" junto. Pra mim é uma questão mais simples do que qualidade (eles atendem um público); é maturidade. Quando se passa dos 35/40 anos se espera mais profundidade das coisas e um ritmo menos maluco de leitura e consumo. FOi isso que aconteceu na minha relação com quase todos os locais da internet brasileira (Jovem Nerd, RapaduraCast, B9, Tecnoblog, 1/2 bit etc).
Às vezes a gente só fica velho e mais ranzinza =P
O Mardown do MdU não está pegando listas =\
Sim, o plugin do Jetpack -- responsável por esse recurso -- está quebrado 🫠
Tem outro em testes que, se correr tudo bem, deve substituí-lo na semana que vem.
perfeito
O Contraditorium ainda existe. E de vez em quando publica um texto ou outro.
Nunca tive contato com o Higa, mas com o Mobilon sim, algumas vezes no Facebook. Em todas as vezes ele foi muito arrogante.
Concordo com tua análise do nosso padrão de consumo quando mais velho. Comigo foi ao passar dos 30.
O Mobilon sempre foi isso aí mesmo. O Higa, teve uma época, que participava mais da comunidade e sempre tinha opinião arrpoante, passivo-agressiva e, às vezes, tóxicas.
Eu gostava muito do Tecnoblog lá atrás, depois que virou “empresa”, começou buscar o retorno financeiro, o que é natural, porém a qualidade do conteudo foi junto. Triste!
Sobre o Cardoso, cara, te dizer que sempre achei o jeito dele arrogante, mas ele era assim. Tive a oportunidade de conhece-lo pessoalmente nos tempos que me rotulava “blogueiro”, e te digo que o que ele escreve realmente é o reflexo da pessoa.
Confesso que eu tinha esperando que fosse um personagem.
Excelente matéria! E existem mais sites independentes como o Manual que mantém a essência de notícias de tecnologia, separando comercial e editorial? Um que apesar de todos os problemas de babaquice e imaturidade de alguns dos editores, respeito pela longevidade e por manter a essência é o MeioBit.
Se existe, desconheço, mas adoraria conhecê-los.
esse que inclusive fez parte por um tempo do tecnoblog, mas pelo visto voltou a ser independente
Gosto muito também do Código Fonte Tv. O conteúdo é mais voltado para programadores, embora tenha muito conteúdo de tecnologia em geral. Mantém em foco apenas programação e tecnologia.
O MeioBit tem artigos do Cardoso e sobre jogos. A parte dos games tem análises interessantes apesar do gosto "quem perguntou?" Um amigo meu dizia que se longevidade fosse critério de qualidade, a Orquestra do Sylvio Mazzuca seria a melhor banda do mundo.
Você pensou em também analisar ou comparar com os sites internacionais?
Hmm, não. Em inglês tem muita (muita, muita mesmo) coisa ruim, mas também tem coisa excelente, exemplar. Aí acho que é um bom equilíbrio.
Ghedin, tem alguma coisa exemplar que vem a mente?
404 Media, The Verge, as seções de tecnologia do WSJ, Washington Post e New York Times, Bloomberg, The Register, TechCrunch são alguns que me ocorrem de pronto, entre os sites maiores/com equipes (digo, que não são blogs).
Note que “excelente, exemplar” não significa “perfeito”.
Obrigado!
"No fim, correndo o risco de ofender a cultura, dei o nome de “cultura” mesmo."
É por esse tipo de escrita sarcástica que que pago o manual hahhaha
Sobre os sites de tecnologia, eu (como acho ser tendência entre os que pairam aqui pelo manual) consumia muito o Gizmodo (há 10? anos), mas as turbulências na matriz e imagino que na filial fizeram com o que virasse totalmente irrelevante, virando um amontoado de posts de links da Amazon. Nem análises, nem sequer hard news tem direito por lá. O tecnoblog ainda acompanho por RSS para fazer a leitura dinâmica de títulos pois de vez em quando ainda tem algo que se salva, especialmente sobre lançamentos de produto (gosto desse conteúdo - por exemplo, estão lá na CES postando sobre) mas o número de posts aumentou exponencialmente para coisas para quem caiu de paraquedas pelo Google, além de terem sumido os melhores conteúdos, que eram as reviews bem feitas de produtos (especialmente as do Paulo Higa). Ficou meio qualquer coisa, que nem os outros citados na matéria que não fedem nem cheiram nem se destacam - são meio nulidades para quem queria alguma cobertura de tecnologia minimamente interessante.
Matéria muito necessária, eu larguei de mão o canaltech a anos, até o conteúdo em video é ridículo, se um dia focaram em informaram, hoje tentam "fazer graça" e ganhar like encima de briginha "Android vs iOS"! Péssimo demais! olhar digital é uma bagunça, nem tento acompanhar mais, larguei de mão, só lembro, porque assistia o programa na redetv que passava aos domingos (?)! O Gizmodo e Tecmundo são uma grande bagunça!! Desses ai, o único que acompanho diariamente, é o TECNOBLOG, o único que ainda se segura em de fato falar de tecnologia e se da o trabalho de ir mais a fundo, claro, tem seus tropeços, mais segue sendo o melhor!
Mais me surpreende não ter nenhum retorno, a bolha do "jornalismo de tecnologia" sempre me pareceu bem mais próxima!
Se existe uma bolha do jornalismo de tecnologia (e é uma boa hipótese), eu estou fora dela (não por minha vontade).
Eu gostava de ver o Olhar Digital na televisão, na época eu nem tinha computador. Era, talvez, o único lugar onde podia me inteirar sobre tecnologia.
Acho paia chamar o trabalho dos outros de lixo como alguns tem feito aqui. Pode não funcionar pra vocês mas ainda gosto do Tecnoblog. A real é que tecnologia de modo geral ficou chato pra caramba.
Também gosto muito do tecnoblog, é o único que acompanho, e conseguiram transpor o edital pro tecnocast! boas discussões e entrevistas!
Acredito que se tiver o enfoque certo e o discernimento necessário, a tecnologia continua tão empolgante quanto sempre foi.
Agora, isso é muito diferente de assistir análise de "smartphone (a) versus smartphone (b)", requer realmente muita paciência...
Isso me traz uma lembrança vaga de um passado onde essa corrida dos sites não acontecia e ainda assim carecia um pouco de conteúdo profundo... Descobri um canal de vídeos de um site italiano especializado em smartphones, que fazia longas e detalhadíssimas análises que me ganhou completamente, mesmo sem sequer entender meia frase em italiano, mas só as imagens já passavam toda a informação que precisava, mas com o tempo, parece que acabou caindo na mesma armadilha dessa análise.
Ótima análise. Ainda bem que nem só de mainstream se vive a internet. É um pena a linha editorial que esses sites adotam. Mesmo sites de games e alguns gringos também são assim. Uma moda que notei lá fora são listas de tudo. No the verge tem lista de presentes de ação de graças que vão de fritadeira elétrica a ssd nvme…
Essa postagem me fez refletir sobre a qualidade do manual em relação a estas outras publicações e o quão importante é ajudar a manter este espaço independente dos algoritmos de propaganda. Já fui apoiador no passado e nos próximos minutos voltarei ao clube de assinantes!
Obrigado, Flávio!
Até me incentivou a assinar também... pode cobrar a comissão pro Ghedin :-)
Hahah, valeu, Sérgio!
quando adolescente acompanhava esses e diversos outros, mas com o tempo fui parando, hoje somente acompanho o MdU e o tecnoblog, esse último com diversos filtros no miniflux pra ficar longe das besteiras e conteúdos vazios, mas infelizmente ainda acabam chegando uns e outros.
O Reinaldo perguntou dos filtros do Miniflux no Órbita. (Eu nem sabia que ele tinha isso.) Se tiver disponibilidade, seria legal você dizer lá como usa os filtros, Will.
Depois que comecei a trabalhar com SEO eu nunca mais confiei na qualidade dos resultados do Google. A qualidade não é mais priorizada. Ser um site de tecnologia e falar de tudo funciona e muito! Todos os sites que acompanhava começaram a fazer isso. Eu mesma fiz isso no meu blog e tive um crescimento gritante. Mas comecei a ficar desconfortável, pois a essência do meu blog estava sendo prejudicada. Infelizmente é jogar o jogo dos algoritmos pra chegar em mais pessoas. Eu sempre fico muito triste quando penso nesse assunto. Hoje meu blog está parado. Quero excluir os textos nada a ver que fiz e tentar voltar as origens.
Sugiro uma mudança no título do artigo: Veja porque você gosta tanto de ler o MdU. Sinceramente, é por isso que não leio nestes sites. Nem sabia que o Gizmodo Brasil era agora GizBrasil. Cada vez mais estou interessado em ouvir opniões de pessoas independentes sobre tecnologia, MdU e blogs pessoais. Horário de jogo em site de tecnologia? Faça me o favor! Coitado do "jornalista" que tem que escrever estas coisas. Uma idéia que tive com os dados em csv que você disponibilizou foi de selecionar de maneira randômica 10 posts e pedir para o ChatGPT dar um título e aí comparar com o título original, acho que seria divertido. Parabéns pelo artigo, este é o tipo de artigo que adoro ler por aqui.
Suponho que os sites de tecnologia passaram a informar o horário dos jogos de futebol devido vários serviços de streaming (olha a tecnologia aqui! 🤡) terem adquirido o direito de transmissão de vários campeonatos nacionais e internacionais e essa pulverização acabou dificultando saber em qual canal (televisão, streaming, rádio) e em qual horário o jogo será transmitido. A BBC Brasil até publicou a reportagem Como futebol por streaming virou obstáculo para idosos: 'Não sei como ver abordando esse assunto. Tirando um pouco o foco dos sites que cobrem tecnologia, pra mim ainda continua um "mistério" por que o Notícias da TV passou a divulgar o resultado da Mega-Sena. Hehehehehehe
Faz todo o sentido isso que você falou, quando não sei o horário e onde vai passar o jogo do meu time, eu faço um google, e sempre cai no TNT Sports srsrsrs.
quando acompanha a trivela eles tinham um link que atualizam os jogos e onde passava
hoje vejo pelos aplicativos 365 score /sofa score onde vai passar
Eu adorava o Tecnoblog e os reviews. Mas a qualidade decaiu DEMAIS e a navegação ficou um lixo qdo começaram a publicar 453634 posts por dia. Morreu pra mim.
Tecnoblog era o ultimo (e unico) site realmente bom de tecnologioa no brasil, antes de virar o lixo que virou.
Gosto aqui, mas é muito elitizado em suas notícias e não pega tudo. Não é uma critica, é otimo e o estilo atende, porém faz falta ago como o "tecnloblog 2022 (ou era 2021?) onde as noticias relevantes eram postadas de forma simples, bem como uma boa quantidade de noticias nacionais que os portais que prestam (em ingles) não cobrem. Quando funcionava o site deles bastamente mesmo acompanhar ele para saber 80 a 90% dos assuntos dessa área.
edit - cheio de erro de escrita. Voltem o edit aqui por favor! (ou é o meu vivaldi que não mostra o botão?)
Estou usando Vivaldi também e não vejo mais o botão. Será que é o Vivaldi?
lembro que ele comentou que deu erro com alguma atualização e tirou temporariamente
Ghedin me respondeu por e-mail há um tempo dizendo que o plugin estava quebrado e que estava avaliando alternativas para voltar.
Tecnoblog não é lixo não, velho.
Sem querer passar pano pra blog de internet, mas dos que foram citados ali é um dos mais interessantes veículos de tecnologia aqui do Brasil se a gente considerar o Tecnocast nessa conta.
Pra mim, na real foi uma supresa o Ghedin categorizá-lo junto a verdadeiros SEO hunters como a rede NZN.
Não, é o local que eu vou quando quero...
"fazer figurinhas no whatswapp" "cancelar meu cartao de credito" "abrir aba anonima no chrome" "ver quem me curtou no insta"
Tem 2 formas de dizer, "lixo" ou "papa clique". Para min é sinonimo isso em site.
O que você diria que é bom no Tecnoblog e, principalmente, no Tecnocast?
Ghedin, lembro que há um tempo atrás você tinha uma certa parceria com o Tecnoblog. Este contato mais pessoal com eles não existe mais? Pergunto pelo fato de nem eles terem te respondido.
Ler: A grande treta do "notch" hahaha
Nunca tive uma parceria formal com o Tecnoblog, Rafael, mas éramos mais próximos sim. Acho que o afastamento foi em decorrência de certas… divergências políticas e ortográficas (rs) com o Mobilon.
Não fazia ideia destas tretas, apesar de imaginar que o distanciamento tenha se devido a questões ideológicas (eu mesmo deixei de ouvir o Podcast do tecnoblog por isso). Enfim, parabéns pelo levantamento, tomara que o pessoal dos sites tenha ficado bem puto e fod@-se todos eles. Em tempo: eu não lembrava dessa matéria do Notch, acho que passou batido por ser algo que não me interessa em nada. Li e achei fascinante, me senti assistindo o Animal Planet. Obrigado por linkar (ou melhor dizendo, referenciar através de um endereço digital) ela aqui :)
Mobilon, na época, me bloqueou em tudo e me denunciou no Twitter porque eu falei da "metáfora do conduto" para exemplificar a conduto intransigente dele.
Nossa, eu tinha o Mobilon como amigo no Facebook (ele me bloqueou depois). Ele vivia comentando posts sobre política, defendendo bilionário, coaches, e crianças prodígio que fizeram seu primeiro milhão antes dos 18 por merecimento. Numa dessas ele me bloqueou uhauhahuahuauha
Essa discussão sobre o Notch aconteceu aonde? No Twitter? To lendo os comentários aqui do post no MdU hahaha
Acho que foi no Twitter, sim, e depois descambou para os comentários desse post.
Isso me lembra que tenho que repensar as fontes do meu Feeder.
Impressionante quantificar tudo isso. Muito bom trabalho.
Quando a identidade da lugar ao corporativismo, tudo começa a virar miojo sem tempero.
Lembro de blogs pessoais que eram fantásticos em sua própria existência e ai começaram a publicar postagens que pareciam coisas de portais de tecnologia. Aquilo fazia meu estômago começar a embrulhar.
Logo na adolescência, depois que desmamei de blogs de tecnologia e comecei a aprender música, vi que o mesmo padrão se repetia. Produtores largavam de lado sons e arranjos que faziam a música ter sua identidade pra poder buscar o que estava no mainstream. Talvez por necessidade, talvez não, mas muitos optaram por isso e acabaram se tornando "mais um" que fazia música.