3 dicas para evitar o algoritmo tóxico do YouTube e suas recomendações extremistas
O YouTube, como praticamente todas as redes sociais, tem um componente algorítmico que ajuda o usuário a descobrir conteúdo novo com base em seu histórico e preferências pessoais. Como a métrica prioritária ali é engajamento, ou seja, o tempo que o usuário passa assistindo a vídeos, nem sempre as recomendações são as melhores; elas se pautam pelos vídeos que mais prendem a atenção das pessoas. Isso pode ser bastante prejudicial.
Em 2016, o engenheiro e doutor em inteligência artificial Guillaume Chaslot, ex-funcionário do YouTube, desenvolveu um sistema capaz de capturar e analisar as recomendações de conteúdo dadas pelo algoritmo do YouTube. A hipótese era de que ele privilegiava vídeos mais radicais e extremistas em relação ao que fora assistindo anteriormente.
Chaslot compartilhou suas descobertas após 18 meses de trabalho com o jornal inglês The Guardian, no início deste ano. “O YouTube é algo que lembra a realidade, mas a distorce para fazê-lo passar mais tempo online”, disse. “O algoritmo de recomendação não é otimizado para o que é verdadeiro, equilibrado ou saudável para a democracia”.
O estudo de Chaslot analisou grandes eventos, como processos eleitorais nos Estados Unidos, França e Alemanha, além de teorias conspiratórias clássicas, casos da Terra plana e da que o aquecimento global seria uma grande farsa. A pesquisa dele sugere que o YouTube amplifica sistematicamente o que é divisivo, sensacionalista e conspiratório, favorecendo quase sempre vídeos com opiniões extremadas.
Outros pesquisadores reforçam o argumento de Chaslot. A colunista do New York Times e professora da Universidade da Carolina do Norte, Zeynep Tufekci, lembra que o modelo de negócio do YouTube, que gera receita exibindo anúncios segmentados a quem assiste aos vídeos hospedados na plataforma, depende de alto engajamento. “O que mantém as pessoas grudadas no YouTube?”, ela se questiona. “Seu algoritmo parece ter concluído que as pessoas não resistem a conteúdo que é mais extremado do que o que elas estavam assistiram — ou a conteúdo incendiário em geral”.
Um exemplo da ação desse algoritmo tóxico foi visto no último sábado, dia seguinte ao debate entre os presidenciáveis brasileiros na Rede TV:
https://twitter.com/alexcuadros/status/1030799144498196480
O algoritmo do YouTube pode indicar novos canais e vídeos interessantes, mas, no momento, o risco de topar com conteúdo distorcido e mal intencionado supera os eventuais benefícios. Do que se conclui que, para preservar o seu tempo (quem nunca entrou no YouTube para ver um vídeo e perdeu horas vendo dezenas de outros?) e, principalmente, a sua sanidade, talvez a melhor saída hoje seja ignorar completamente as recomendações do algoritmo.
Para isso, siga estes três passos.
1) Desative a reprodução automática

Por padrão, o YouTube inicia um novo vídeo depois que um acaba, o mesmo expediente que a Netflix adota para séries. É um truque manjado e baixo (descubra outros), mas que funciona. A inércia, afinal, é uma força poderosa. Exceto se você estiver vendo uma playlist de vídeos, essa opção mostrará o vídeo recomendado pelo algoritmo — aquele mesmo radical de que falava acima e que raramente acrescenta algo válido.
Desative essa funcionalidade. No computador/web e nos apps do YouTube, há um botão localizado acima da miniatura do próximo vídeo. Basta desmarcá-lo para impedir que o YouTube inicie o próximo vídeo quando o que está sendo exibido acabar.
Atente que essa opção não está atrelada às configurações da sua Conta Google, mas sim ao dispositivo. Isso quer dizer que você precisa desmarcá-la no computador, celular, tablet e até na TV, um a um, e ficar atento para eventuais mudanças (como uma limpeza de cookies) que podem restaurar as configurações padrões.
2) Oculte os vídeos relacionados
Essa dica é para o computador/web, já que no aplicativo do YouTube é difícil, quase impossível interferir na interface. (No iPhone, você pode desinstalar o app oficial e ficar só na web, porém.)

Ao abrir um vídeo do YouTube no navegador web, uma lista de vídeos relacionados aparece à direita da janela. O algoritmo, você já deve imaginar, é o que define quais.
O objetivo desta dica é não dar chance à nossa curiosidade. O que não é visto não é lembrado, logo, a ideia é sumir com essa coluna que, não bastasse a curiosidade inerente do ser humano, com frequência usam títulos e miniaturas apelativas.
Se você tiver um bloqueador de conteúdo, basta acrescentar o elemento #related no domínio youtube.com à lista de bloqueios. Em algumas extensões, o elemento deve ser escrito assim: youtube.*###related
Outra saída é recorrer às extensões de navegadores. Tem para Chrome e Firefox.
3) Desative os históricos de pesquisa e visualizações

O Google guarda todas as pesquisas que você faz dentro do YouTube e o histórico de vídeos visualizados na plataforma. Tudo. Esse material informa o algoritmo dos seus gostos e preferências, ajudando-o na seleção de vídeos recomendados.
Para interromper o fornecimento desses dados, entre nesta página e desmarque as opções “Histórico de pesquisa do YouTube” e “Histórico de exibição do YouTube”.
Bônus: despersonalize os anúncios
Os anúncios exibidos dentro do YouTube são, por padrão, personalizados. Para desativar isso, entre nesta página e desmarque a única opção que aparece ali.

Este tutorial aponta outras portas abertas que o Google deixa para coletar informações do usuário e como fechá-las.
Outros caminhos
O uso do YouTube após a aplicação dessas configurações se torna menos automatizado, porém mais consciente. A descoberta de novos conteúdos se torna ativa. É preciso seguir canais, alimentar a playlist “Assistir depois” e confiar em outras fontes — indicações de amigos, outras redes sociais, newsletters, blogs.
De tudo que o Google oferece, o YouTube é uma das coisas mais difíceis de abandonar porque concentra boa parte da produção de vídeos, dos mais amadores aos profissionais. Plataformas alternativas, como Vimeo e Facebook, não chegam perto da diversidade e riqueza do conteúdo. Porque, apesar de empurrar os extremos aos seus usuários, há muita coisa equilibrada sendo publicada no YouTube e que não recebe a mesma divulgação do algoritmo.
Até que enfim consegui encontrar um artigo explicando bem como faz pra diminuir o algoritmo tóxico do YouTube! Não aguento mais receber conteúdo monarquista, católico radical e revisionista/negacionista histórico, tudo isso porque sou um aficionado por História e Filosofia/Teologia. Quero conteúdo academicamente e cientificamente avaliado e não um conteúdo do tipo “fonte: vozes da minha cabeça”. O YouTube deveria colocar sempre um aviso por baixo mostrando quais vídeos são opiniões, quais são fatos históricos cientificamente provados e quais são conteúdo revisionista/negacionista/conspiratório na mesma intensidade que colocam em vídeos que defendem a Terra Plana. Como bem disse o cavaleiro aí embaixo, esse algoritmo do YouTube é uma porcaria.
Não aguento mais recomendações de cariani e demais bombados, podcasts de gente doida, guerra de israel e palestina com viés de protestante radical, elon musk, podcast de pm etc. E tudo isso porque eu gosto de mma. Youtube merece um processo por um algoritmo tão porco.
Deixo na reprodução automática enquanto estiver no tema que gosto. Começou a aparecer porcaria eu negativo e clico e não recomendar canal. Quanto aos anúncios, três ou quatro adblocks instalados ao mesmo tempo. Também uso plug-in para o problema da pausa automática. Enfim, mesmo sem conta Premium, assisto o que quero e não é a plataforma que decide isso.
O algoritmo do YT está literalmente um inferninho.
Ao bloquear cookies e aplicar outras medidas sugeridas aqui, ele simplesmente não sabe para onde mirar e entrega basicamente o conteúdo mais acessado por país, ou seja, no Brasil, para quem não curte ter o cérebro derretido por canais extremistas, de baixa complexidade intelectual ou esquemas de pirâmide dá vontade de rasgar a tela, se fosse possível… é como lutar contra uma força invisível.
Uma opção que encontrei nesse caso, foi utilizar algumas extensões que bloqueiam canais por nome e também o shorts (ngm merece aquela *), mas ainda não encontrei uma opção que bloqueie conteúdo por tópico (a opção de bloquear tag é para quem tem canal e não quer comentários indesejados). Se souberem de alguma extensão que bloqueie por tag, por favor, avise. Ficarei imensamente, grato
Como é o passo a passo do numero 2- Oculte os videos relacionados, que eu não entendi?
Visite as Configurações de anúncios do Google para saber mais sobre como os anúncios são segmentados ou para desativar os anúncios personalizados.
Graças a esse post! Eu não aguentava mais os comerciais do Ifood. Além disso eu já havia parado de usar Facebook por conta disso, ocupava muito de meu tempo e depois disso o YouTube virou meu lixo algorítmico, mas agora não mais. Grato, Rodrigo!
Que bom que o post foi útil, Ian!
é realmente muito irritante, toda vez que eu vejo um video de musica pop descerebrada para relaxar, aparece a porra do “General mourão” ou um outro demente mental da mesma linha.
testando aqui e deletei minha conta do youtube :) para começar do zero.
Fora de tópico: Rodrigo gosto muito do Manual, mas em sua newsletter de 24/08 você colocou um link para o site interceptor.com/brasil, referente à uma candidatura falsa. Acontece que o referido site é simplesmente mais criado para enaltecer a esquerda e denegrir a direita. Não acho que tenha sido uma boa sugestão de leitura, pois a título de ilustrar uma candidatura falsa, eles atacam um partido político e colocam um link abaixo sugerindo “O caminho mais seguro para derrotar Bolsonaro é óbvio, mas há quem prefira flertar com o apocalipse”, com uma foto de um conhecido político morando provisoriamente em Curitiba. Não acho que misturar um site de tecnologia com política partidária seja uma boa ideia, acaba gerando conflitos dentro do site. Abs.
Bônus: despersonalize os anúncios.
Se Deus quiser nunca mais vejo ads da empiricus #FéNoPai
Meu YouTube está excepcional nas recomendações. Tanto que vídeos “alheios” vejo no modo anônimo
O Youtube faz isso há quanto tempo? A propósito, boa matéria, faltando algumas semanas para as eleições.
Honestamente não tenho muito o que reclamar do YT tanto logado no PC quanto deslogado na TV. As sugestões de vídeos seguem uma linha similar: música e culinária respectivamente.
O que me aconteceu de mais inusitado foi a reprodução automática “quebrar”. Todo vídeo, no PC, independente do tema, o próximo seria Black do Pearl Jam. Durou uns 2 meses isso
Difícil achar canal de direita no youtube, que não seja extremista, infantiloide e papagaio. Os que choram aqui sabem que suas ideias somente sao pregadas desta maneira.
Então a pessoa não tem maturidade nem auto controle para não clicar em um vídeo que ela não quer ver e a solução é esconder as sugestões?
Daqui a pouco vai começar a pedir censura no YouTube também.
Claro, porque você, o cara maduro, certamente tem mais capacidade que uma das empresas mais poderosas do mundo e todos os psicólogos, engenheiros e profissionais que trabalham lá e se dedicam a fazê-lo ver mais vídeos. Sim, total falta de autocontrole.
o complicado é que mesmo com tudo desligado, ele vai querer indicar alguma coisa. e vão ser indicações mais genéricas acho que baseadas demograficamente, que pode ser até pior.
aqui em casa, na conta que assistimos no ps4, vemos basicamente canais assinados. meu marido se incomoda com indicações que ele não quer ver (eu só ignoro e passo). ele fez tudo isso de desligar durante meses, mas continuava aparecendo muito kondzilla, videos evangélicos, futebol, revoltados brigando com a câmera.
o youtube poderia usar os likes e subscriptions para indicar, mas não usava.
eu falei para ligar o histórico de novo, acho que melhorou. tem o ocasional “vc viu um video feminista, q tal ver um hater agora?” (q vamos ignorar), mas é menos do q coisas completamente não interessantes q apareciam antes. até descobrimos canais bons novos de ciencias e cinema.
Também acontece aqui (não sei por que o YouTube acha que eu tenho algum interesse em Danilo Gentilli), mas ainda acho melhor manter tudo desativado. Essas indicações não mudam muito com o tempo, então fica mais fácil ignorar algo que está sempre ali, sem outros vídeos tentando furar essa barreira.
Eu basicamente vejo YouTube pela TV, dos canais que assino. A interface ali privilegia o consumo desses canais assinados. No computador ou celular deve ser mais difícil mesmo.
Tanto pra FF como Chrome tem uma extensão chamada Youtube Video Blocker (e provavelmente tem pro Safari também) que bloqueia vídeos no Youtube de acordo com keywords e wildcards (e com o endereço do canal). Problema que isso só vale para web e que implica em carregar mais uma extensão no navegador.
Tenho desligado quaisquer sistemas de anúncios no meu celular. Porém conversando com a esposa próximo ao celular DELA (e o meu no quarto) EU recebi algumas sugestões no YT sobre o que estávamos falando.
Costumo filtrar bastante os vídeos da plataforma, pois há 14 anos não sei o que é TV, mas preciso de um “gerador de entretenimento aleatório” ( com os ads e afins devidamente bloqueados), que é o YouTube. Mesmo assim ainda aparecem sugestões sobre vídeos que assisti em outro navegador e sem login.
Não acredito que vc tbm entrou na modinha do termo “tóxico”.
T O C H I C O
Que modinha?
Modinha é quem usa isso agora… tóxicos estão aí há tempos. “ELES” é que se apropriaram do termo, em nome do Politicamente Correto™.
a modinha é “ser tóxico”.