Logo do Google com sombras

Veja (e apague) tudo que o Google sabe de você


26/3/18 às 19h00

O Facebook está sob fogo cerrado devido à confusão envolvendo o escândalo da Cambridge Analytica e seus desdobramentos. Justo. Não é, porém, a única empresa que coleta, armazena e processa dados para viabilizar propaganda segmentada a você. O Google também faz isso — e provavelmente sabe tanto da sua vida quanto o Facebook.

O Google tem uma série de serviços além da busca. Mapas, a plataforma de vídeos líder de mercado (YouTube), o e-mail mais usado do mundo (Gmail), o navegador web mais popular do planeta (Chrome) e até o sistema operacional usado por mais de 90% dos brasileiros (Android).

Até 2012, esses dados ficavam em “silos”, separados uns dos outros. Uma revisão da política de privacidade do Google mudou isso. Ela aglutinou e deu ao Google o poder de cruzar os dados de todos esses domínios para conhecê-lo melhor e, claro, segmentar anúncios.

Você, mesmo que não tenha a mínima ideia disso, aceitou.

Se por um lado tal mudança facilitou a vida do Google, do lado de cá pouco mudou. Configurações e bases de dados seguem separadas, o que dificulta um pouco o trabalho de revisá-las e pedir ao Google para que pare de registrá-las.

Na lista abaixo, estão a maioria (não tenho certeza se todos) os locais em que o Google informa os dados seus que ele coletou e mantém guardados:

  • A “linha do tempo” mostra todos os lugares onde você já esteve. O nível de precisão é absurdo. Existem duas maneiras de impedir o Google de usar isso: não usar Android e, no iOS, não instalar apps do Google; ou desativando esta opção.
  • Histórico de busca, com todas as consultas que você já fez no Google e no YouTube. Existe uma opção para apagar todo esse histórico (selecione “Todo o período”) e outra para pedir ao Google para que interrompa esse monitoramento.
  • Personalização de anúncios, com “tópicos que você gosta” e os que você “não gosta”. Também dá para desativar.
  • Apps de terceiros e do próprio Google com acesso às informações da sua conta. É algo similar à fonte do escândalo do Facebook/Cambridge Analytica. Apps de terceiros podem se conectar à sua conta no Google e, com isso, acessar algumas informações de lá. Na maioria dos casos, é um uso legítimo e correto, mas é preciso ficar atento para não permitir que apps maliciosos se conectem.
  • Histórico de visualizações no YouTube e de pesquisas no YouTube. Cada vídeo a que você assistiu no YouTube está ali. Eles ajudam a afinar o algoritmo de recomendação de vídeos — e o de anúncios também, claro. Nessas telas, há um botão “Pausar o histórico de pesquisas/exibição” que, em tese, deve interromper esse registro. Há controvérsias.
  • Fotos. O Google Fotos é bastante cômodo: ele salva suas fotos automaticamente e oferece espaço ilimitado. As fotos, porém, são analisadas e contêm informações valiosas: com quem você anda, que lugares você frequenta (elas têm coordenadas de GPS) e, graças a algoritmos de reconhecimento de imagens, o Google consegue extrair informações textuais (de uma placa em uma foto, por exemplo) e outros insights que, sinceramente, arrisco dizer são inimagináveis.
  • A mesma coisa com o Android, o Chrome, basicamente qualquer produto Google vinculado à sua conta.

Você pode solicitar ao Google um pacotão com todos os seus dados que ele mantém salvos. Nesta página.

Se você se importa com privacidade, limitar a dependência de empresas cujo modelo de negócio depende de publicidade e da criação de perfis de usuários. Existem alternativas.

Com informações de @iamdylancurran.
Foto do topo: Robert Scoble/Flickr.

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15 comentários

  1. Engraçado que nesse papo todo de privacidade, eu na verdade já entendo que perdi, só faço o suficiente para não ser tão fácil me atacar com informações pela internet. Ou ver meus dados sendo vendidos por aí. Não acredito no “não estou devendo nada”, mas pessoalmente é muito conveniente, para mim, as informações do Maps.

    Aliás, para alguém curiosos demais como eu, é conveniente até demais. Outro dia eu fui comparar minha localização no Maps no período de 2016. Numa época que tive depressão eu nem saí de casa. A diferença era abismal, visto que no mês anterior a essa depressão, eu tinha andado no Centro e na Av. Paulista feito um maluco.

    Dito isso, não uso todas as funções do Android (assistente, fotos, etc) pois eu simplesmente não uso muito essas coisas. A única coisa que realmente vejo fazer a diferença é, de tempos em tempos, pesquisar coisas apenas no DuckDuckGo, e não no Google. Ou pesquisar nos dois.

    Ghedin, por sinal, como tu anda falando muito sobre privacidade, seria legal um artigo sobre a lei de privacidade da União Europeia. Talvez ela mude a atitude de alguns serviços, tal qual o aviso de cookies, que só é universal por causa da UE.

  2. Posso estar falando besteira, mas esse “apagar todos os seus dados” não é só uma visão para o usuário? Tenho a impressão que tal medida serve para passar uma falsa sensação de que o usuário está tendo controle sobre ocultar seus dados para o Google, mas que na prática os dados continuam armazenados, segmentados e destinados a publicidade e outros interesses comerciais.

      1. Sou um pouco cético quanto a isso. Acredito que seja apenas da “casca pra fora”, mas torço para estar errado.

  3. Não vejo problema nenhum o Google armazenar meus dados, tudo que faço na internet, histórico de navegação, meu deslocamentos, etc. pelo contrário até acho interessante, sabem porque? Porque eu não devo nada a ninguém, não ando em qualquer lugar, não me envolvo em coisas ilícitas. Seguidamente eu dou uma olhada no meu histórico e se tiver algo que eu prefira apagar eu apago, tenho essa opção. não vejo mal algum nisso tudo. Isto é tecnologia e conforto.

    1. Bom para você. Eu não devo nada a ninguém, nem satisfação, por isso me incomoda tremendamente que uma empresa, qualquer empresa, saiba tanto da minha vida.

      Isso é tecnologia e “conforto” (há controvérsia) e vigilância.

    2. @rosnyaryonconrad:disqus, um cenário não muito distante do que temos hoje: você namora uma pessoa que mora em um bairro X, que tem um índice de criminalidade mais elevado. No ano seguinte, quando você vai renovar seu seguro de veículo, o valor vem com um reajuste maior que a média. Não, a seguradora não é obrigada a explicar o por quê disso.

      Amplie o mesmo cenário a dados de saúde, de comportamento e mapas de risco. Tomos primordialmente privados mas tornados públicos com autorização expressa sua.

      Um artigo muito legal, que li recentemente é a Tirania da Conveniência. Convenientemente, aqui está o link: https://www.nytimes.com/2018/02/16/opinion/sunday/tyranny-convenience.html

      Abraços!

  4. Não tô nem aí. A não ser pelo problema que tem ocorrido desde o ano passado que, quando faço uma pesquisa em uma loja online, minha caixa de entrada começa a ficar entupida com anúncios daquela loja online, sem que eu tenha pedido para receber notificações. Isso é chatinho. Se eu comprei na tal loja online, vá lá. Mas às vezes faço uma mera pesquisa de preço e começo a receber anúncios no gmail de TODAS as lojas que visitei. Teria que deslogar do gmail antes de fazer as tais pesquisas. Mas quem lembra?

    1. Mesmo estando fora do Gmail ele vai te indicar os sites, eles ficam salvos no historico e no cache, só apagando.

    2. Possa ser. Mas fiquem longe da loja online “Le Lis Blanc”. Ou vão lá dar uma espiadinha, já que ficaram curiosos. Tem coisas bonitas.

  5. Infelizmente eu acho mais dificil quebrar os vínculos com a Google, do que com o Facebook, principalmente pra quem usa Android. Muitos desses recursos eu já tinha desativado graças a outras matérias daqui do MdU, mas algumas outras coisas são muito difíceis de largar.

    O buscador é o mais dificil pra mim, embora tenha testado o DDGO por um tempo, tinha que recorrer ao Google várias vezes por causa de pesquisas mais especificas, principalmente acadêmicas.
    O histórico de visualizações do YouTube eventualmente eu apago, mas o de pesquisa não. As vezes procuro músicas lá que depois me esqueço o nome, então tenho que apelar pro histórico de pesquisa. Inclusive, as recomendações de músicas do YouTube por muitas vezes foram melhores pra mim do que a do Spotify.
    Gosto bastante do HERE desde os tempos do Windows Phone, mas o Waze por ter informação em tempo real é muito mais prático pra mim quando estou dirigindo. O HERE infelizmente tem algumas informações desatualizadas em relação ao Waze, além de nem sempre recomendar as melhores rotas. Passei a usar o HERE somente quando tô sem conexão.
    Comecei a usar o Fotos recentemente, usava a Mi Cloud e o One Drive para upload de fotos, mas esses dois não organizam as fotos direito, então passei a usar o Fotos por acha-lo bem mais inteligente pra organizar as fotografias.

    Enfim, acho que pra quem usa o ecossistema da Apple talvez seja mais “fácil” largar a maioria dos serviços da Google. Mas pra quem usa Android a dificuldade é maior, por conta da praticidade e eficiência dos serviços oferecidos. Além de que, mesmo desativando esses serviços e usando apps de terceiros, o sistema por si só já é um grande coletor de dados. A Google sem dúvidas criou um universo de produtos que parecem cada vez mais dificil de largar e viver sem.

  6. Muito bom mesmo, muito obrigado! Apaguei tudo que foi possível, e desativei tudo também. A grande maioria dos produtos do google eu já substituí, uso o duckduckgo para pesquisas, here para mapas, app de email padrão para email (infelizmente ainda uso gmail), do android ainda não fugi (uso Miui), agenda e contatos uso o padrão da Miui.
    Enfim, estou fazendo o possível.