A poltrona de rolagem [de feeds]
newcartographies.com
Digo logo de cara que tenho minha cota de textos desse assunto publicados aqui, o que não invalida a observação (em inglês) do Nicholas Carr em sua newsletter:
Odeio ser cínico, mas acho que a principal razão para a proliferação desses tipos de artigos [sobre usar menos o celular] é que eles são iscas algorítmicas. São sintomas da doença que prometem curar. Estamos viciados em ler sobre nosso vício em celulares. Se os materiais têm um valor terapêutico, provavelmente é menos em ajudar as pessoas a ganhar controle sobre a mídia do que em renovar uma fantasia tranquilizadora de tal controle.
O que nos leva a situações engraçadas, como dois viciados crônicos em celulares dando dicas de como usar menos o celular (podcast, em inglês).
Tenho a impressão de que o conteúdo criado como oferenda ao deus algoritmo se manifesta em qualquer assunto popular, mesmo que de nicho. Fisgam quem está à toa na internet, em seus múltiplos feeds com recomendações algorítmicas que estressam ao máximo qualquer manifestação mínima de interesse em dado tema.
Outro assunto, um subjacente, são os “PKMs”, ou gerenciamento de conhecimento pessoal, com seus métodos de organização desnecessariamente complexos e aquele gráfico legal de conexões gerado pelo Obsidian. A promessa é que ao organizar suas ideias em texto e conectá-las todas, você terá o super poder de jamais esquecer das coisas.
O desfecho para quem consegue sair desses ciclos intermináveis de conteúdo é o mesmo: para que tudo isso, afinal? (em inglês).
