Minhas expectativas — positivas e negativas — para 2024
A convite do Fernando Paiva, diretor editorial do Mobile Time, escrevi no final de 2023 quais eram as minhas expectativas — positivas e negativas — na tecnologia para o ano que se avizinhava.
Transcrevo-as abaixo, e deixo o convite a você para ler as dos outros colunistas do Mobile Time.
Qual tendência do mundo da tecnologia mais te entusiasma para 2024? Por quê?
Soluções não comerciais para comunicação via internet.
Coisas como o Mastodon e o protocolo que o move, o ActivityPub, não são novas, mas ganharam um impulso importante desde os primeiros rumores de que Elon Musk poderia comprar o Twitter, no início de 2022.
Sinto que, até pouco tempo atrás, protocolos abertos eram quase uma excentricidade. Hoje ainda são poucos que se aventuram nesse universo — o Mastodon, talvez o projeto de maior sucesso do tipo, tem ~2 milhões de usuários ativos —, mas ganhamos espaço no mainstream, uma barreira dificílima de transpor.
Seria ótimo se soluções do tipo — para redes sociais, mensageiros instantâneos e tantas outras aplicações — fossem dominantes, mas me darei por satisfeito se elas apenas se sustentarem como alternativas viáveis às comerciais.
Qual tendência do mundo da tecnologia mais te preocupa para 2024? Por quê?
O domínio da inteligência artificial no mundo do trabalho.
Arrisco dizer que, em 2024, o ritmo de inovação não será tão intenso quanto foi em 2023. Em vez disso, é provável que o novo ano seja de racionalização e “pé no chão”, de separar o que é realmente útil daquilo que é apenas curioso.
O “realmente útil” da minha previsão é o que me preocupa, porque o termo enseja uma questão vital: útil para quem?
Há mais de um século, novas tecnologias prometem futuros utópicos aos trabalhadores, de menos trabalho, mais lazer e a distribuição da riqueza excedente gerada pelas inovações. Na prática, até agora, essas promessas não se realizaram. Ao contrário: temos mais gente trabalhando mais do que antes e a riqueza ainda mais concentrada nas mãos de poucos.
Nada indica que com a IA será diferente. De inédito, apenas o perfil de profissional afetado — talvez pela primeira vez, os trabalhadores intelectuais, criativos.
A ver como essas disputas serão travadas.