Excesso de inteligência

A chegada do ChatGPT, da OpenAI, em novembro de 2022, foi a largada de uma nova corrida do ouro.

Empresas na vanguarda do que se convencionou chamar “inteligência artificial” (IA), como Google e Meta, até então não arriscavam colocar chatbots não confiáveis e recursos de edição super poderosos nas mãos de qualquer pessoa.

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Um dos receios dos especialistas acerca da inteligência artificial (IA) é o antropomorfismo: a tendência que temos de “humanizar” o que não é humano.

Daí que, nesta quarta (27), na abertura do evento Connect, da Meta, Mark Zuckerberg anunciou 28 IAs com rostos de celebridades norte-americanas, como Snoop Dogg, Tom Brady e Paris Hilton, que “interpretam” personagens especialistas em certos domínios, como esportes, RPG e moda, e podem ser invocadas nos apps de mensagens da empresa. Eles têm até perfis no Facebook e Instagram! Via Meta (em inglês).

[A inteligência artificial] Requer o modelo de negócios de vigilância; é uma exacerbação do que vemos desde o final dos anos 1990 e o desenvolvimento da publicidade de vigilância. A IA é uma maneira, acho eu, de consolidar e expandir o modelo de negócios de vigilância. O diagrama de Venn é um círculo.

— Meredith Whittaker, presidente do Signal, no palco do evento de startups TechCrunch Disrupt, em São Francisco, Califórnia.

Via TechCrunch, @TechCrunch/YouTube (em inglês).

O Spotify vai “dublar” podcasts, com a ajuda de inteligência artificial para manter a voz dos apresentadores, em outros idiomas. O projeto começa com episódios de três podcasts em inglês, dublados para o espanhol e, depois, francês e alemão. Não deve demorar muito para estar ao alcance de qualquer pessoa interessada. Via Spotify (em inglês).

Em nova fase, Matrix quer fazer frente a WhatsApp e afins

O Matrix, padrão para troca de mensagens de maneira descentralizada e com criptografia de ponta a ponta, deu início a uma nova fase.

De acordo com um (longo) post no blog dos desenvolvedores, até então o objetivo era demonstrar a viabilidade do projeto. Agora, eles querem jogar pra valer e fazer frente a aplicativos comerciais centralizados, como iMessage, WhatsApp e Telegram.

Para isso, estão focando em quatro grandes áreas, com destaque para uma nova API, chamada Sliding Sync, que agiliza algumas ações básicas e triviais em soluções centralizadas, porém desafiadoras no modelo descentralizado.

Coisas como sincronizar o estado das conversas ao abrir o app e manter as conversas atualizadas de modo transparente ao usuário final, por exemplo.

Embora a nova abordagem do Matrix 2.0 ainda esteja longe de estar finalizada, já é possível usufruir do trabalho sob algumas condições:

  • Estar em um servidor que tenha a API Sliding Sync, como o dos desenvolvedores do protocolo (matrix.org); e
  • Usar o novo aplicativo Element X (Android, iOS), que usa exclusivamente a API Sliding Sync.

Tenho feito isso, e o resultado é digno de nota. O Element X ainda carece de alguns recursos, mas é bonito, tem uma interface limpa e está bem rápido.

Desde que abordei o Matrix neste Manual, temos migrado aos poucos os grupos do site para lá.

No último fim de semana, criei um “espaço” para nosso site. Funciona como uma espécie de “servidor” do Discord, com salas temáticas.

Se você já usa o Matrix ou quer dar uma olhada, conheça o nosso espaço (#manualdousuario:matrix.org).

AirTag para gatos, organizar fotos no celular e outros links legais

Toda semana, faço uma curadoria de links legais que encontro nas minhas andanças pela web. Quer mais? Acesse o arquivo.

A mesma galera do app Halide, para iOS, lançou o Orion, um monitor de câmeras para iPad com USB-C. Destaque para a apresentação do app (em inglês), toda oitentista (e de muito bom gosto!).

Diz a Meta que mudou o logo do Facebook (em inglês). Eu vi, vi de novo e não notei nada de diferente.

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Sempre é um bom dia para experimentar o Mastodon, mas hoje é um especial: foi lançada nesta quinta (21) a versão 4.2, com busca textual completa, melhorias no fluxo de cadastro e em outros detalhes que costumam afugentar curiosos. Via Mastodon (em inglês).

De todas as empresas ocidentais que tentam recriar aqui o modelo chinês do WeChat, de “super app”, o WhatsApp é o melhor posicionado para tornar isso realidade.

Nesta quarta (20), a Meta anunciou o “Flows”, uma ferramenta para grandes empresas — clientes da API Business do WhatsApp — que permite criar formulários personalizados para transações das mais diversas, de escolher o assento ao comprar uma passagem de avião a fazer reservas em restaurantes, sem contar o bom e velho varejo. Será que vinga?