Na China, usar VPN pode dar ruim

por Shūmiàn 书面

As regras não são muito claras e o uso de VPN — sistema para forjar um IP de outro país — na China é algo bastante comum, sobretudo entre pessoas com mais recursos financeiros. Mas o caso de um programador da província de Hebei, vizinha a Pequim, chamou atenção depois que ele entrou na mira do governo por ter usado o recurso para realizar seu trabalho.

De acordo com o China Digital Times, o programador foi multado por uso de VPN para atender um cliente no exterior, usando plataformas indisponíveis para o público chinês, como o Zoom. O trabalhador foi multado em um total de mais de US$144 mil, uma soma de três anos (2019-2022) de seu salário mais uma multa.

Principal forma de furar o Grande Firewall chinês, a VPN tem se mostrado cada vez mais instável na China, como contamos aqui. O caso do trabalhador não é o único envolvido em apurações. Contamos recentemente a história de uma mulher que foi surpreendida ao ter a polícia à sua porta para prender o marido: ele usava secretamente o serviço para manter um site no exterior com críticas a Pequim.

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https://www.youtube.com/watch?v=wEVaHobjbPw

O Google lançou, nesta quarta (4), o Android 14. A princípio, apenas os celulares Pixel (do 4 5G em diante, nunca vendidos no Brasil) recebem o sistema. De outras fabricantes, “até o fim do ano”.

A exemplo do iOS 17, o Android 14 também traz poucas novidades, todas incrementais. Há um pouco de IA gerativa (papéis de parede criados a partir de frases), boas novidades em acessibilidade e coisas que o iOS já fazia, como localização aproximada para apps e PIN de seis dígitos — fiquei intrigado com essa. Via Google (em inglês).

TV conectada vira espaço de vigilância para publicidade segmentada

Esta matéria do Brazil Journal, escrita por Josette Goulart, traz dados fascinantes do mercado de TVs conectadas.

Segundo o Kantar Ibope, 60% dos domicílios brasileiros já conta com uma TV conectada. A Samsung estima que 74% do tempo de uso da TV é gasto com streaming e apenas 26% com TV linear. Mais que isso, 1/3 das TVs só acessam streaming.

A Samsung trouxe ao Brasil, há dois anos, sua divisão de anúncios para extrair receita dos 15 milhões de TVs que a fabricante tem no país. Os anúncios aparecem na tela inicial e no Samsung TV Plus, um app/canal de streaming gratuito.

Segundo a reportagem:

[…] a empresa consegue saber até mesmo se o televisor estava ligado quando determinada propaganda passou no intervalo do Fantástico, na Globo, ou do Programa do Ratinho, no SBT. (Ou seja, nem mesmo a medição da audiência da TV será a mesma daqui para a frente.)

Por enquanto, é possível escapar dessa vigilância assustadora usando caixinhas de streaming — ainda que, na maioria dos casos, troca-se uma empresa bisbilhoteira por outra.

No futuro, não é loucura imaginar que a receita com publicidade cubra os custos de um chip 5G e o consumo de dados para streaming.

Entendo que as palavras “nova rede social” não emanem os melhores sentimentos nas pessoas, mas tenho curtido passear pela Posts.cv. Com foco em design, ela tem uma energia diferente, mais focada e leve, sem o risco de topar com as discussões vazias ou assuntos exasperados que dominam outros locais de socialização no digital. Nem criei conta lá; só entro, vejo os destaques e fecho.

Apple culpa Instagram e outros apps por superaquecimento do iPhone 15 Pro/Pro Max

Algumas pessoas que adquiriram o iPhone 15 Pro/Pro Max no lançamento estão reclamando que os aparelhos esquentam muito.

A Apple divulgou um comunicado reconhecendo o problema e dizendo que ele decorre de três fatores:

  1. Maior atividade em segundo plano em um dispositivo novo;
  2. “Uma falha” que será corrigida no iOS 17.1; e
  3. Aplicativos de terceiros mal comportados, como Instagram, Uber e o jogo Asphalt 9.

Este cara no YouTube mostrou um iPhone 15 Pro Max e um iPhone 14 Pro Max esquentarem um bocado apenas com o Instagram aberto.

A Meta, dona do Instagram, liberou uma atualização (302) que, em tese, corrige o problema.

Os “sintomas” são similares ao sentidos pelo meu celular, um singelo iPhone SE (2022), que descobri eram culpa do WhatsApp (outro app da Meta). Comentei o problema neste vídeo. Via Forbes (em inglês).

Letterboxd, rede social de filmes, é vendida

A ótima Letterboxd, uma rede social para cinéfilos criada na Nova Zelândia, foi vendida à Tiny, uma espécie de holding de pequenos negócios digitais com sede no Canadá.

O valor não foi divulgado. Em seu site, a Tiny diz que paga entre US$ 1 milhão e US$ 300 milhões por pequenos negócios digitais. O New York Times ouviu de uma fonte próxima ao negócio que a venda avaliou o Letterboxd em +US$ 50 milhões.

Os dois co-fundadores continuarão à frente do negócio e mantiveram uma fatia dele. A Tiny promete que nada mudará no Letterboxd, nem o modelo de negócio, baseado em anúncios e assinaturas.

Eu e muita gente descobrirmos a Letterboxd durante a pandemia, período em que a base de usuários disparou para 10 milhões de pessoas. A rede é bem aconchegante e emana uma energia boa, diferente da de redes mais comerciais, que focam em crescimento acima de tudo.

Fica a esperança de que as promessas feitas agora de fato se cumpram e que as mudanças sejam para melhor. Via New York Times (em inglês).

A quem ainda está no Twitter, ou X, a nova política de privacidade do serviço começou a valer nesta sexta (29). Ela prevê a coleta de dados biométricos, histórico profissional e de formação dos usuários, além do uso de mensagens diretas (DMs) não criptografadas. Todo o conteúdo passa a poder ser usado para treinar modelos de inteligência artificial.