O grande diferencial do Allo, um app de bate-papo que ignora as boas práticas de privacidade vigentes, é um intruso na conversa, o Google Assistant. Ele participa ativamente do diálogo, fazendo buscas a pedido dos interlocutores e, o que é mais preocupante, sugerindo respostas pré-fabricadas.

O Facebook Messenger também trabalha com robôs, mas em conversas paralelas, ou seja, não os traz para as conversas que mantemos com outros seres humanos — ainda, pelo menos. Mas é bobagem acreditar que isso se deva a um princípio humanista no âmago de Mark Zuckerberg.

É uma decisão de negócios. O Google quer se tornar uma entidade única nas nossas vidas digitais; o Facebook ainda depende de terceiros. Isso não o impede, porém, de experimentar com bizarrices. A última é sugerir tópicos de conversação com base no que seus amigos fizeram (ou confessaram ao Facebook terem feito) recentemente.

O problema disso tudo é que terceirizamos traços que nos são, até agora, exclusivos. A escolha das palavras e sobre o que falar são coisas muito humanas. Queremos terceirizar isso? Se sim, estamos cientes do custo?

Evan Selinger, professor de filosofia do Instituto Rochester de Tecnologia, e Brett Frischmann, professor da Faculdade de Direito Cardozo, estão escrevendo um livro intitulado Ser Humano no Século XXI (tradução livre). Um pequeno excerto publicado no Medium responde, de maneira limitada, mas didática, essas perguntas:

Terceirizar, então, não afeta apenas como uma tarefa é realizada. Quando decidimos ou não por terceirizar, precisamos considerar se vale a pena abdicar da ação, responsabilidade, controle, intimidade e possivelmente conhecimento e habilidade. Se não, provavelmente deveríamos realizar essa tarefa nós mesmos.

A conversa por texto já é bastante pobre. Ela normatiza o discurso de uma forma sutil, mas poderosa. Percebe como conversar com pessoas distintas pelo WhatsApp oferece menos nuances, como se todas fossem mais ou menos parecidas? Que as particularidades de cada um se revelam com mais facilidade, de modo inescapável, até, quando o contato é pessoal em vez de mediado por texto escrito em uma tela? Se nem esse fragmento de humanidade nos apps de bate-papo estamos dispostos a resguardar, aí tudo bem querer que o Allo escolha as suas frases e que o Facebook determine o assunto da conversa.

Os melhores apps para Android (setembro de 2016)

por Emily Canto Nunes

Todo mês o Manual do Usuário lista os melhores apps para as plataformas mais populares. Você está na do Android — não deixe de conferir, também, a lista da Apple (iOS e macOS) e as dos meses anteriores.

Faltou algum app aí embaixo? Avise nos comentários. E se descobrir algum legal no decorrer do mês, não se esqueça de mandá-lo para cá. (mais…)

O Galaxy Note 7 ficará na história como um belo smartphone com uma falha catastrófica que o inviabilizou como produto. É raro, mas acontece. O que importa mais, agora que o caso se encerrou e que o custo financeiro já é mais ou menos sabido (até US$ 10 bilhões), é o que esse erro custará em termos não financeiros à Samsung.

Especialistas divergem sobre os efeitos a longo prazo, mas alguns já são sentidos. Primeiro, na cadeia produtiva e no desperdício de metais raros, obtidos a muito custo ─ pessoal e ambiental, inclusive. É bastante difícil reciclar smartphones e, de qualquer modo, uma parte considerável do impacto ocorre antes da fabricação. Para a Motherboard, toda essa história e a destinação dos aparelhos, apesar dos esforços históricos da Samsung, são uma “piada ambiental”.

O outro efeito já sentido é na percepção da marca. O uso do termo “Galaxy” em toda a linha, que até agora tinha um efeito aglomerante favorável ─ o prestígio dos dispositivos mais caros escorria para os mais baratos à exceção dos muito baratos, tipo Galaxy Pocket ─, passa a jogar contra.

Era no máximo engraçadinho ouvir alguém chamar um desses de “Galaxy 7” ou “Samsung S7”. Agora, essas distinções sutis passam a ser cruciais e corre-se o risco de que a destruição da reputação da marca “Galaxy Note” (RIP) alcance outros “Galaxy”. Já está acontecendo.

A Samsung instalou quiosques em alguns aeroportos, antes das salas de embarque, para permitir a troca do Galaxy Note 7 por outro smartphone e fazer a transferência de arquivos e dados pessoais rapidamente. Em alguns países, o dispositivo foi banido de voos mesmo desligado.

No retorno do post livre (sim, voltou pra valer), a discussão sobre idade foi a mais votada pelos leitores. Chamou-me a atenção, nela, os comentários de gente jovem reclamando de dores no corpo.

Eu também tenho as minhas, derivadas de anos usando computadores, nem todos seguindo aquelas velhas orientações de postura e outras boas práticas. Com o smartphone, que normalmente nem uso tanto, parece que as coisas pioraram. A mão direita é das partes que mais sofrem: primeiro com o mouse, depois o trackpad (a rolagem machuca o dorso) e, nos últimos anos, manuseando o celular.

Até pouco tempo atrás, problemas do tipo (LER/DORT) ficavam restritos a profissionais que lidavam com computadores o dia todo. Esse perfil se espalhou para outras áreas. O smartphone, tão ou até mais nocivo que a dupla teclado+mouse, está impregnado na sociedade. Piora: o contato com esses aparelhos começa cada vez mais cedo, quando criança, fase em que a estrutura óssea ainda está em formação e mais sensível a desvios como os ocasionados pelo uso desses dispositivos.

Ainda não atingi o ponto sem volta, mas em dias de trabalho mais intenso, quando vou dormir com o ombro ou a mão doendo, é difícil não pensar no ponto de ruptura. E desesperador. Se não puder mais escrever, o que farei?

Nesta ótima matéria do BuzzFeed sobre o tema (em inglês), Diane Cho, 26, diz que “um grande motivo que me fez querer mudar de carreira foi meu braço estava literalmente se destroçando. Meu corpo estava doendo.”

O que tem na sua mochila, Bruno Salutes?

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Acreditamos que a simplicidade é a expressão máxima da sofisticação. Com isso, trazemos a vocês nossas melhores soluções para carregar seus valores. Conheça as carteiras Chimp.

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Foto do Bruno Salutes.

Bruno Salutes é formato em Web Design, Marketing de Relacionamento e Gestão Comercial. Resolveu largar os números, os gráficos e o sufoco das grandes empresas e hoje é editor pleno do site AndroidPIT. O trabalho remoto e o contato diário com a tecnologia móvel é algo surpreendente, principalmente quando esse esforço se converte em uma forma de ajudar outros usuários de smartphones e tablets. Atualmente ele tenta, sem sucesso, se adequar aos aplicativos fitness.

(mais…)

/ano três

Reparou as novidades? O visual familiar, porém diferente? O punhado de matérias publicadas em pleno sábado? Tudo isso é por um motivo bem feliz: o Manual do Usuário completa, hoje, três anos no ar.

Vamos falar do que passou, como já é tradição, e também do que vem a seguir e das transformações pelas quais o site (e eu) vem passando. (mais…)

A Slow Web

por Jack Cheng

Com muita satisfação, trazemos a tradução do manifesto Slow Web de Jack Cheng, uma leitura que considero fundamental e que foi uma das bases para a concepção do Manual do Usuário. O texto é de 2012, mas continua atual. Espero que ele ecoe em você também.

Um dos melhores pontos para saborear uma tigela de lámen aqui em Nova York é o Minca, no East Village. O Minca é o tipo de lugar um pouquinho fora do caminho, o suficiente para, quando você está chegando lá, se perguntar se já passou por ele. Uma tigela de lámen no Minca não é servida tão bonita quanto em outros restaurantes de lámen na cidade, mas está sem dúvidas entre as mais saborosas. No Minca, eles têm uma qualidade de comida caseira. E o restaurante tem um ar caseiro. O Minca é um bom lugar para encontrar um amigo, sentar e conversar, comer e beber, e comer e conversar, e sentar e beber mais um pouco.

Da última vez que fui ao Minca, tive uma conversa especialmente prazerosa com Walter Chen. Ele é o CEO de uma empresa chamada iDoneThis, um serviço simples que te ajuda a catalogar as coisas que você realizou a cada dia. O iDoneThis envia um email diário no horário que você especificou e você simplesmente responde com a lista de coisas que fez naquele dia. Ele é útil para equipes que querem monitorar as coisas nas quais cada um está trabalhando e para indivíduos que apenas querem manter um registro diário.

Eu entrei em contato com Walter porque eu estava maravilhado por esse koan no rodapé dos email diários:

O iDoneThis é uma parte do movimento slow web. Depois que você nos responder, seu calendário não é atualizado instantaneamente. Mas descanse um pouco, e você encontrará um calendário atualizado ao acordar.

O iDoneThis é parte do movimento slow web. O Movimento Slow Web. Eu nunca tinha ouvido essa frase antes. Imediatamente comecei a pesquisar ─ ou seja, eu busquei no Google “Movimento Slow Web” ─ e o único resultado relevante foi um post em um blog de dois anos atrás. Se você fizer a busca novamente hoje, irá encontrar a nota do Walter no blog de sua empresa, que reflete muito do que ele me contou durante o jantar.

À medida que conversávamos, disse ao Walter que assim que eu vi “o movimento slow web”, atribui o meu próprio significado a ele. Porque é um grande nome, e todos os grandes nomes são como laços ─ eles são criados do mesmo tipo material das outras palavras, mas em seu arranjo particular eles se entrelaçam e se tornam uma junção para onde novas linhas se encaminham e de onde novas linhas se originam. Para mim, “A Slow Web” amarrou uma série de pensamentos que antes apenas vagavam em minha mente.

Slow Web e Slow Food

O Movimento Slow Web é bastante como o Movimento Slow Food, no que eles são ambos termos gerais que significam muitas coisas diferentes. O Slow Food começou em parte como uma reação à abertura do McDonald’s na Piazza di Spagna em Roma, então, desde sua origem, ele era definido pelo que ele não é. Não é fast food, e todos sabemos o que é fast food… certo?

Ainda assim, se você pede a um monte de pessoas para que descrevam as características do fast food, você certamente receberá um monte de respostas diferentes: é feito com ingredientes de baixa qualidade, tem muito açúcar, sal e gordura, é vendido por corporações multinacionais, é devorado rapidamente e em porções exageradamente grandes, é o McDonalds-TacoBell-Subway, embora o Subway invista muito dinheiro ao propagandear pães e ingredientes frescos, mas ainda assim é fast food, embora um fast food “saudável”.

Fast food tem uma característica “eu saberei quando ver” e a tem porque descreve algo maior do que todos os traços individuais. Fast food, e por consequência o Slow Food, descrevem um sentimento que temos em relação à comida.

A Slow Web funciona da mesma forma. Slow Web descreve um sentimento que temos quando consumimos certos tipos de coisas possibilitadas pela web, sejam produtos ou conteúdo. É a soma de suas partes, mas vamos começar descrevendo o que ela não é: a fast web.

A Fast Web

O que é a Fast Web? É a web fora de controle. A web “ah meu deus, tem tanta coisa que é impossível acompanhar tudo”. É a web “gaste seu tempo verificando umas vinte vezes ao dia”. É a web “entra por um ouvido e sai pelo outro”. A web projetada para apelar às mais básicas das nossas paletas intelectuais, o sal, o açúcar e a gordura dos conteúdos online. É a web de larga escala, rígida e rápida. É a web “crie um destino para bilhões de pessoas”. A web “você tem duzentas e vinte e seis novas atualizações”. Acompanhe ou suma daqui. Clique em mim. Curta-me. Tweet. Compartilhe-me. A Fast Web exige que você faça as coisas e que as faça agora. A Fast Web é um país das maravilhas cruel de coisas brilhantes e bonitas.

No tempo certo vs. Em tempo real

Um dos pontos centrais da Fast Web é essa noção do tempo real. Seu amigo ouve uma música e você fica sabendo. Quanto menor o espaço de tempo entre esses dois atos, mais próximo se está do tempo real.

Interações em tempo real acontecem assim que elas acontecem. As no tempo certo, por sua vez, acontecem quando você precisa que elas aconteçam. Algumas interações em tempo real, como as notícias de última hora sobre um terremoto, podem coincidir e serem também no tempo certo. Mas nem todas as interações no tempo certo são em tempo real. Eu diria que a maioria não é. E onde a Fast Web é construída em cima da ideia do tempo real, a Slow Web é construída em cima da ideia do tempo certo.

Um ótimo exemplo de produto da Slow Web é o Instapaper. Ele pega o processo de descobrir um artigo mais longo e lê-lo ali, na hora (em tempo real), e o desmonta, adiando o ato da leitura até mais tarde, quando nós temos mais tempo para ler (no tempo certo). Eu talvez esteja esticando minha analogia um pouco aqui, mas é como guardar uma refeição em potes no congelador para quando você estiver com fome, exceto que nesse caso, ela não perde tanto do sabor.

Da mesma forma, o iDoneThis pega uma interação bastante padrão de criar um item em uma base de dados e então devolvê-lo ─ uma que normalmente levaria menos de alguns segundos para ser executada ─ e a quebra em pedaços.

Um app típico pode funcionar dessa forma: existe um campo de texto para você digitar o que fez. Você digita e envia. O banco de dados é atualizado e quase instantaneamente você vê o texto exibido de volta para você. O iDoneThis pega esses dois últimos passos ─ a atualização e a revisão ─ e os estica de alguns milissegundos para a metade de um dia. O banco de dados é atualizado em algum momento da noite e o retorno do texto acontece na manhã seguinte, na sua caixa de entrada.

Beija-flor e lesma representando Fast Web e Slow Web.

Outro nome para isso é “baseado em turnos”, como em jogos baseados em turnos. Um jogo tradicional de Scrabble ou Imagem & Ação é relativamente dependente do tempo real: eles exigem duas ou mais pessoas no mesmo lugar com os mesmos desejo e disponibilidade para jogá-los. Desconstruir a experiência do tempo real nos dá coisas como Words With Friends e Draw Something. Uma atividade que de outra forma seria impraticável pode, agora, continuar de uma maneira mais no tempo certo para cada participante. O Instapaper é a leitura por turnos. O iDoneThis é o registro de atividades em turnos.

Mas a ideia do tempo certo por si só não faz algo Slow Web. O e-mail, afinal, é comunicação baseada em turnos e nossas caixas de entrada são provavelmente uma das maiores fontes de angústia da Fast Web. Aqueles jogos em turnos podem rapidamente se tornar exaustivos se temos muitos deles acontecendo ao mesmo tempo. O que falta a esses casos é um senso inerente de ritmo.

Ritmo vs Aleatoriedade

Imagine que eu te disse que tem uma nova série da HBO com duração de uma hora, entre as 21h e 22h toda quarta-feira. Uma vez que ela despertou seu interesse e que dá para acomodá-la em sua agenda, o ato de assisti-la se instaura. Torna-se uma dedicação à série. Agora imagine que eu te disse que tem uma nova série da HBO que às vezes dura uma hora, às vezes, meia hora, e em outras vezes duas horas, que pode ou não ir ao ar toda noite de terça, quarta e quinta-feira, entre as 18h e 23h. De repente, aquela dedicação não é mais em relação à série. É sobre a possibilidade de conseguir assistir à série ou não. “O que vem a seguir?” se torna “Quando terei mais?”

Na Fast Web, somos confrontados por essa proposição inúmeras vezes ao dia. A aleatoriedade e a frequência das atualizações em nossas caixas de entrada e em painéis de controle estimulam o mecanismo de gratificação em nossos cérebros. Embora isso possa nos dar um impulso quando vemos algo inesperadamente interessante, a dependência leva a uma suspensão, resultando em uma montanha russa de emoções positivas e negativas. O perigo dos ritmos instáveis é o excesso do substrato de gratificações.

Ritmos estáveis levam a resultados previsíveis; e ritmo é uma expressão de moderação. Apps como o iDoneThis têm essa moderação: você recebe seu lembrete por e-mail na mesma hora todos os dias e cada interação tem um nível de exigência similar. Ao contrário da sua caixa de entrada como um agregado, onde pode haver uma grande variedade de exigências: as newsletters que você pode olhar rapidamente e depois jogar fora, os e-mails pessoais que exigem respostas mais longas e tudo o que há entre esses dois extremos. A falta de moderação significa que algumas vezes você gasta poucos minutos olhando sua caixa de entrada e, em outras, gasta algumas horas.

Relógio com cartas no lugar dos números.

É por isso que a maioria dos sistemas de produtividade no e-mail se preocupa com uma forma de moderação: a padronização. Eles te encorajam a padronizar o tamanho e a exigência de cada interação (arquivar ou deletar as mensagens e seguir em frente, transferir as mensagens que exigem respostas mais longas para uma lista de tarefas, limitar respostas a três frases) e padronizar a frequência (limitar o ato de checar o email a X vezes por dia, em horários específicos).

Um bom exemplo de ritmo e moderação na prática é o lançamento do Wander1. Nas semanas anteriores ao lançamento do beta, Keenan e sua equipe pegaram o que seria a experiência de um primeiro contato em um outro site e a esticaram ao longo de quatro semanas, em algo parecido com um cronograma de lançamento. Cada semana tinha uma interação com uma exigência similar: indique um lugar, escolha uma foto, diga um motivo.

Print de uma das telas do Wander.

Outro serviço que faz isso bem é o Budge do Buster e da equipe da Habit Labs. O Budge é feito em torno de notificações que te lembram de fazer aquelas coisas diárias que melhoram sua vida de formas pequenas, mas significativas, como usar fio dental, meditar ou verificar seu peso. Quando você se inscreve, pode interagir com o Budge exclusivamente através de notificações. No passado, cheguei a passar semanas sem abrir o site ou o app, usando o serviço satisfatoriamente apenas respondendo às notificações enviadas no tempo certo que chegavam no meu smartphone.

Esta é uma distinção tremendamente importante entre a Slow Web e a Fast Web. A Fast Web é baseada no destino. A Slow Web é baseada na interação. A Fast Web é feita em torno de páginas iniciais, caixas de entrada e painéis. A Slow Web é feita em torno de notificações no tempo certo. Empresas de Fast Web frequentemente tentam aumentar o número de page views, uma vez que page views significam impressões de anúncios. Empresas de Slow Web tendem a priorizar a efetividade. Uma coisa maluca sobre o Budge: quanto melhor ele funciona, menos eu o uso. Assim que crio o hábito de usar fio dental, o meu cérebro assume o controle e eu não preciso mais das notificações. O Walter descreve bem essa crença no post que eu mencionei ali em cima:

Comportamentos mudam, não o crescimento. Mudança de comportamento é sobre melhorar as vidas dos outros, escala é para alimentar o ego. Crescer em escala depois de conseguir acertar no comportamento é mais fácil do que acertar na mudança de comportamento (e, dessa forma, ter uma chance de durabilidade) após crescer em escala.

Isso não significa que empresas de Slow Web não podem crescer. Isso apenas significa que elas colocam a efetividade à frente do crescimento. E a efetividade leva a um senso de gratidão ─ eu posso já ter criado o hábito de usar fio dental com o Budge, mas existem outras coisas nas quais eu posso melhorar e já tendo passado por isso antes, eu confio ainda mais na empresa.

Conhecimento vs. Informação

No tempo certo. Ritmo. Moderação. Essas características se encaixam no que considero a maior diferença entre Slow Web e Fast Web. A Fast Web é sobre informação. A Slow Web é sobre conhecimento. A informação passa por você; o conhecimento se dissolve em ti. E ser feito no tempo certo, com ritmo e moderação são essenciais para a memória e o aprendizado.

Representação visual do conhecimento vs. informação.

Mais uma vez, o iDoneThis serve como um bom exemplo. Depois de usá-lo por alguns dias, você começa a reparar no rodapé dos e-mails diários as coisas que você fez no passado, um dia ou uma semana atrás. É como uma versão contida do Timehop, um produto do Benny e do Jon que, depois que você o conecta às suas várias contas em redes sociais, te envia um ─ prepare-se ─ compilado diário de tudo que você fez em outros anos naquele exato dia.

Print do Timehop por e-mail.

Tanto o Timehop quanto o iDoneThis nos ajudam a lembrar e a refletir, e isso nos dá perspectiva. Isso nos sustenta no fluxo do tempo ou, talvez, nos eleva acima das copas das árvores. O iDoneThis é a única ferramenta de controle de tarefas que eu conheço que tem o potencial de ajudá-lo a perceber que você está trabalhando na coisa errada. A Fast Web deriva valor do que acabou de acontecer ou do que está prestes a acontecer. A Slow Web libera valor das profundezas do passado.

A Slow Web

No tempo certo, não em tempo real. Ritmo, não aleatoriedade. Moderação, não excesso. Conhecimento, não informação. Essas são algumas das muitas características da Slow Web. Não é tanto uma lista exaustiva, mas sim uma sensação de estar mais à vontade com os produtos e serviços web em nossas vidas.

Tal qual a Slow Food, a Slow Web se preocupa tanto com a produção quanto com o consumo. Nós, como indivíduos, podemos sempre definir nossas próprias diretrizes e limitar os efeitos da Fast Web, mas como eu espero ter ilustrado, existem várias considerações que os criadores dos produtos conectados à web podem fazer para nos ajudar. E talvez a Slow Web não seja bem um movimento ainda. Talvez ele ainda esteja cozinhando em fogo baixo. Mas eu realmente acredito que ela tem algo distintamente diverso na sensação que alguns desses produtos transmitem aos seus usuários e essa sensação se manifesta pela intenção dos seus criadores.

Empresas da Fast Web querem ser nossas amantes, querem estar ao nosso lado a todo o tempo, querem que gastemos cada momento de nossas vidas com elas, quando por vezes isso não é o que precisamos. Às vezes, o que realmente precisamos são de amigos com quem podemos nos encontrar uma vez a cada alguns meses para uma tigela de lámen em um restaurante no East Village. Amigos com quem podemos sentar e conversar e comer e beber e talvez aprender um pouco sobre nós mesmos no processo. E, no final da noite, levantarmos e seguir nossos caminhos separados, até a próxima vez.


Publicado originalmente no site de Jack Cheng em junho de 2012.

Tradução: Leon Cavalcanti Rocha.

  1. Nota do editor: O Wander e alguns outros apps citados no post, que é de 2012, não estão mais disponíveis. Para saber sobre o Wander, leia este post do Mashable.

Como o leitor enxerga o Manual do Usuário

por Gabriel Arruda

Nota do editor: Pedi ao Gabriel Arruda, que acompanha o Manual do Usuário desde o início, foi o primeiro assinante do site e já teve matérias publicadas aqui, para que comentasse como ele, representando os leitores, enxerga o Manual em seu terceiro aniversário. Obrigado, Gabriel! (mais…)

Como a imprensa enxerga o Manual do Usuário

por Paulo Higa

Nota do editor: Pedi ao Paulo Higa, amigo de longa data e editor do Tecnoblog, para que comentasse como ele, representando a imprensa de tecnologia brasileira, enxerga o Manual do Usuário no terceiro aniversário do site. Obrigado, Paulo! (mais…)

Muitos sites chegam à conclusão de que é preciso um formato adequado para dar vazão a posts curtos. The Atlantic (Notes), Fast Company (News), Vox (Notebooks, já abandonado) e até publicações bem mais novas como a Real Life (Dispatches) sentiram, em algum ponto, a necessidade disso.

Eu também. Não é de hoje que tento encaixar no Manual do Usuário um formato menos rígido e mais prolífico que os três ou quatro Grandes Posts Semanais. Todas as tentativas até agora fracassaram, mas não foram inúteis. Os erros do passado me ajudaram a formular esta nova.

As Notas são posts que levam não mais do que dois minutos para serem lidos, publicados integralmente na capa do site e, sempre que possível, fazendo referência a leituras externas que ecoaram em mim e que, acredito, você também gostará de ler. Eles não têm comentários, porque não é o intuito. Por ora, exibirão anúncios no final ─ encare como um teste. Ainda não sei qual será o volume, mas não deve ser muita coisa, não.

Espero que você goste!

Foto do topo: Thomas Huang/Flickr.

Post livre #57

Amanhã é o aniversário de três anos do Manual do Usuário, a semana foi puxada e fraca de novidades aqui e… bem, pensei um pouco e concluí: por que não trazer de volta o post livre?

A brincadeira de primeiro de abril em 2016 foi o fim dos posts livres, um post sem conteúdo que era publicado toda sexta apenas para abrir os comentários, onde falávamos sobre quaisquer coisas. Em seu lugar, entrou um fórum/canal no Disqus que tem movimento, mas pareceu-me, nos meses seguintes, algo diferente do que eram os posts livres.

Consideremos este de hoje um teste. Ele ficará aberto por 24 horas, ok? Então, é isso. Post livre aberto!

Os melhores apps para iOS e macOS (setembro de 2016)

Todo mês o Manual do Usuário lista os melhores apps para as plataformas mais populares. Você está na da Apple (nesta edição, só iOS!). Não deixe de conferir, também, as listas dos meses anteriores.

Faltou algum app aí embaixo? Avise nos comentários. E se descobrir algum legal no decorrer do mês, não se esqueça de mandá-lo para cá. (mais…)

Mostre a sua mesa de trabalho #19

Nesta seção do Manual do Usuário os leitores revelam o que têm e usam em suas mesas de trabalho para cumprir suas demandas.

Na edição de hoje veremos as mesas do Thiago Simionato e Filipe Machado. (Veja as outras já publicadas aqui.) As descrições a seguir são deles próprios, apenas com eventuais correções e adaptação de estilo. (mais…)

Manual do Usuário em vídeo

Com uns cinco anos de atraso, hoje publico meu primeiro vídeo. Assista: (mais…)

Pixel, o primeiro smartphone do Google, é um terminal para inteligência artificial

Confirmando o que já sabíamos, graças a vazamentos em baldes, o Google anunciou seus smartphones próprios, batizados Pixel e Pixel XL. Junto à dupla, a empresa também deu mais detalhes do Google Home, uma caixa de som Bluetooth inteligente; mostrou o Daydream View, óculos de realidade virtual que funcionarão com os Pixel; o Google Wifi, roteadores modulares que se conectam uns aos outros para ampliar o alcance da rede sem fio; e o Chromecast Ultra, agora com suporte a vídeo em 4K. (mais…)