Zenfone Selfie: 13 megapixels e flash duplo na câmera frontal.

[Review] Zenfone Selfie, que grande câmera frontal você tem


3/11/15 às 10h14

Em 2015, a Asus dobrou a aposta no mercado móvel brasileiro. Como? Aumentando a quantidade de smartphones disponíveis. Além do carro-chefe, o Zenfone 2, trouxe modelos para diferentes faixas de preço e com destaques peculiares. Um dos mais curiosos é o Zenfone Selfie, com uma enorme câmera frontal ladeada por um flash em dois tons.

O Zenfone Selfie tem, ainda, outras características únicas, como ser o primeiro Zenfone com SoC não Intel — no caso, ele vem equipado com um Snapdragon 615, da Qualcomm. Tantas diferenças fazem dele um bom smartphone? Recebi da assesoria da Asus um na agradável cor rosa para responder a essa pergunta.

Quase um Zenfone 2

Zenfone Selfie cor-de-rosa.

Se você ignorar a câmera frontal, o Zenfone Selfie é praticamente o Zenfone 2. Ele é levemente mais alto, 0,01 mm mais grosso e apresenta um acabamento em plástico liso. A oferta de cores também difere — branco, “azul Tifani” e “rosa Penélope”, esses últimos em tons pastéis bem próprios. Todas as demais características estéticas, do tamanho exagerado ao posicionamento ruim dos botões, são idênticas às do irmão mais velho.

Os dois projetos também compartilham muitas partes internas. A tela é rigorosamente a mesma, a bateria tem igual capacidade (3000 mAh), a câmera principal apresenta especificações idênticas, ambos vêm com 32 GB de memória interna e até no peso eles não se distinguem, com 170g cada.

O que motiva alguém a optar por um e não pelo outro? Basicamente, câmera e poder computacional. O Zenfone 2 é um brutamontes, com 4 GB de RAM e um SoC Intel de ponta; o Zenfone Selfie vem com um SoC intermediário da Qualcomm (ainda que bem esperto) e “apenas” 3 GB de RAM. Os downgrades não chegam a afetar o desempenho. Durante meus testes usei diversos apps e a multitarefa sem surpresas. Para quem não roda jogos pesados, o Snapdragon 615 combinado com 3 GB de RAM dá conta do recado sem muito esforço e nem cobra tanto da bateria — consegui retornar para casa todos os dias com alguma carga restante.

Tela do CPU-Z.

O Android também é o mesmo: versão 5.0 com a carregada ZenUI por cima. Tem suas virtudes, uma ou outra mexida que torna o manuseio mais útil, mas é tanta coisa alterada e adicionada que desnorteia um pouco o usuário acostumado ao Android mais puro, ou aquele leigo sem tanta intimidade com smartphones. Já comentei isso no review do Zenfone 2 e reforço aqui: uma amenizada na personalização faria um bem enorme a esses smartphones.

Assim, basicamente todas as críticas e elogios feitos nos dois posts sobre o Zenfone 2 valem também para o Zenfone Selfie. Falemos, pois, do seu diferencial: a câmera de selfies.

(Super) Câmera para selfies

Zenfone Selfie.

Sabe a câmera principal do Zenfone 2? No Zenfone Selfie, a da frente do aparelho é quase igual a ela. Isso fica bem claro já ao tirá-lo da caixa. Enquanto outros smartphones reservam um buraco minúsculo acima da tela para abrigar a câmera frontal, neste aparelho ela se destaca: centralizada, enorme e com um flash (!) ao lado.

Há pequenas diferenças entre as duas câmeras. A de trás continua melhor: além de contar com o auxílio de um laser para focar com mais rapidez, ela tem lentes com abertura maior, f/2. Não que a frontal seja muito pior — a abertura das suas é f/2,21. Relembrando o básico da fotografia, quanto maior a abertura (menor o número após o “f/”), mais luz entra e menor é a profundidade de campo (fator que gera aquele desfoque nos elementos ao fundo). A lente frontal também é do tipo grande angular, com ângulo de 88º que permite capturar uma área maior. É um artifício que várias fabricantes vêm usando a fim de tornar desnecessário o pau de selfie na hora de enquadrar todo mundo na foto. E ainda há um modo panorama para selfies, que estende esse alcance a 140º.

Veja alguns exemplos:

Duas fotos, sem e com flash.
A grande vantagem: flash na câmera frontal.
Detalhe de selfie feita com o Zenfone Selfie.
Detalhe (crop de 100%), câmera frontal, foto noturna com luz artificial. f/2,1; 1/8s; ISO 800.
Selfie comum.
Selfie comum. f/2,1; 1/120s; ISO 120. Redimensionada para 742×989.
Selfie em grupo.
Enquadrando todo mundo. f/2,1; 1/120s; ISO 160. Redimensionada para 742×989.
Foto à noite com a câmera principal do Zenfone Selfie.
Com a câmera principal, à noite. f/2; 1/8s; ISO 1600. Redimensionada para 742×417.

Veja essas e outras fotos, em resolução natural, neste álbum no Flickr.

A câmera importa tanto assim?

Câmera frontal do Zenfone Selfie em ação.

Embora seja uma câmera decente, as que a Asus entrega em seus aparelhos nunca estiveram em pé de igualdade com as melhores do mercado. (O que é compreensível, já que a fabricante ainda não entregou um verdadeiro topo de linha.) Mas, estando ela na frente, aí sim se tem um diferencial, já que mesmo com a atenção dada pelas concorrentes a essa parte do smartphone, a maioria ainda se contenta com resoluções de 5 megapixels e soluções capengas, como deixar a tela branca no momento do disparo para simular um flash. Salvo outros projetos focados em selfie, como o Xperia C5 Ultra, da Sony, a Asus praticamente não tem concorrentes quando o assunto é câmera frontal.

O problema está em justificar a compra de um celular por causa de uma câmera frontal. Pelo peso social do termo “selfie” e o tanto que vemos delas em redes sociais, é de se imaginar que existam perfis em que essa câmera seja a parte mais importante de um celular. Para mim e, acredito, a maioria dos leitores do Manual do Usuário, não. É um lance legal e, com a ajuda do flash, fotos que antes seriam impossíveis passam a ser uma realidade. Mas é um aspecto tão circunstancial que não aguenta o peso de justificar uma compra.

Essa sensação de que não vale a pena aumenta ao vermos as etiquetas de preço. Na loja oficial da Asus, o Zenfone Selfie sai por R$ 1.349, mesmo preço do Zenfone 2 com metade do espaço interno (16 GB). Fora dali, porém, o Zenfone 2 de 32 GB pode ser comprado por menos — por exemplo, o mesmo valor, R$ 1.349 no Submarino, na data da publicação deste post. A decisão, no fim, se restringe à escolha entre desempenho (Zenfone 2) e câmera frontal (Zenfone Selfie). O que você prefere?

Revisão por Guilherme Teixeira.

  1. Embora a Asus diga que a abertura da lente na câmera frontal seja f/2,2, o Fotos do OS X diz ser f/2,1…

Colabore
Assine o Manual

Privacidade online é possível e este blog prova: aqui, você não é monitorado. A cobertura de tecnologia mais crítica do Brasil precisa do seu apoio.

Assine
a partir de R$ 9/mês

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

8 comentários

  1. UM BOM APARELHO, ATÉ CAIR DO SOFÁ, E TELA TRINCAR TODA.
    GORILLA GLASS 4? PIADA?
    ASSISTENCIA TECNICA SÓ EM SÃO PAULO.
    DISPLAY NINGUÉM TEM AINDA PRA TROCAR.

  2. Para mim uma boa câmera frontal não faz tanta diferença. O que me chamou a atenção nesse é que é o mesmo SoC do Moto X Play, mas com um preço apenas ligeiramente inferior, mas não muito. Considerando que o Zenfone 2 tá mais barato e tem um processador melhor, eu não vejo motivos para escolher este telefone.

  3. A selfie “Enquadrando todo mundo.” ficou ótima, entretanto, acho que ficava MUITO melhor quando o review seguia aquele padrão adotado no smartphone da fabricante BLU. Também senti muita falta de explicar as modificações e prints do sistemas (e abordar os pontos ruins).

  4. Realmente, as selfies ficaram ótimas, principalmente a da galera.
    Mas abrir mão de desempenho em troca de uma câmera de selfie bombada é demais para mim, rsrs