WisePlus ressurge vendendo smartphones da Xiaomi, mas…

A WisePlus está de volta. A empresa, que ficou famosa com a promessa de produzir e comercializar smartphones com o sistema Windows. A operação era frágil e o plano, insustentável, como demonstramos nesta investigação exclusiva. Agora, a WisePlus voltou com um novo plano envolvendo smartphones chineses. Outra vez, há suspeitas de que tem algo errado na história.

Na página oficial da empresa no Facebook, a WisePlus anunciou, nesta segunda-feira (18), a abertura da sua nova loja com smartphones da Xiaomi.

Post da WisePlus no Facebook.
Post da WisePlus no Facebook anuncia smartphones da Xiaomi à venda. Imagem: WisePlus/Reprodução.

Atualização (às 16h30): a página da WisePlus no Facebook ficou inacessível após a publicação desta matéria. O domínio do site da empresa, no momento, redireciona para este post, do blog de Anderson Figueiredo, que diz ter trabalhado na criação da plataforma de e-commerce da WisePlus.

A Xiaomi é uma fabricante de smartphones e outros gadgets com boa reputação devido aos preços baixos cobrados por produtos muito bons — ou seja, pelo seu custo-benefício. A empresa, que na época tinha o brasileiro Hugo Barra como vice-presidente de expansão internacional, tentou uma investida no Brasil em 2015, mas por uma série de fatores, em especial o modelo de comercialização exclusivamente pelo canal online, não se firmou no país. O Manual do Usuário deu, com exclusividade, a notícia de que a Xiaomi estava de saída do Brasil.

(É uma curiosa coincidência que os objetos de dois furos do Manual do Usuário se encontrem em uma nova pauta.)

Ilustração com uma mãozinha depositando uma moeda em uma caixa com o logo do Manual do Usuário em uma das faces, segurada por dois pares de mãos. Ao redor, moedas com um cifrão no meio flutuando. Fundo alaranjado.

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No post em que anuncia a abertura da loja, a WisePlus cita dois aparelhos da Xiaomi: o Redmi 5A, vendido por R$ 649, e o Mi 5X, sem preço, mas que, segundo relatos (o site estava fora do ar durante a apuração), estaria abaixo de R$ 1 mil.

O Redmi 5A foi lançado há poucos dias na China e tem configurações intermediárias. O preço, mesmo assim, está um pouco abaixo do que concorrentes estabelecidos no mercado brasileiro cobram por aparelhos equivalentes, caso da linha Moto G5, da Motorola, que começa perto dos R$ 800.

O caso do Mi 5X é mais problemático. Trata-se de uma variação do Xiaomi A1, o primeiro smartphone da marca com o Android do Google — para ser preciso, com Android One, o programa que leva o sistema “puro” para aparelhos de outras fabricantes. Como o Google não tem presença na China, por lá todos os aparelhos com Android rodam “sabores” diferentes do sistema, modificações que trocam o Google Play e os apps da empresa por equivalentes locais. O A1 é comercializado em outros mercados, com destaque para a Índia.

Nos fóruns de suporte da Xiaomi, mais de uma pessoa pediu pela “ROM global” do Mi 5X, ou seja, por uma versão do Android que possa ser usada fora da China sem inconvenientes. Há pouca esperança de que isso aconteça porque, na prática, a Xiaomi já tem uma resposta oficial para essa demanda, que é o Xiaomi A1 com Android do Google.

Foto de divulgação do Xiaomi A1 em duas cores.
Xiaomi A1, a versão internacional do Mi 5X. Foto: Xiaomi/Divulgação.

Questionados nos comentários do Facebook, a WisePlus garante que a ROM global “Vem em inglês. Mas com suporte a global posteriormente”, o que é, no mínimo, estranho, pois não há respaldo da própria Xiaomi.

Outro sinal de alerta está na Anatel. Os aparelhos que são supostamente comercializados pela WisePlus não têm homologação na agência, uma exigência para que qualquer produto que emita ondas eletromagnéticas possa ser vendido no Brasil.

A pilha de sinais fica ainda maior. De acordo com o TecMundo, que teria entrado em contato com a WisePlus, a empresa alega ter um estoque “grande” a partir de uma parceria com a GearBest, uma loja de eletrônicos chinesa que importa para o Brasil. A vantagem, pois, seria a entrega mais rápida, já que os produtos partiriam daqui em vez do outro lado do mundo.

O site também notou que foi dado baixa no CNPJ da WisePlus.

O amadorismo da operação da WisePlus ficou evidente na primeira investida da empresa, quando havia a promessa (delirante?) de fabricar smartphones com Windows em um momento em que nem a própria Microsoft corria esse risco. Com tantos indícios de que algo está profundamente errado com essa relação com a Xiaomi, o que levaria alguém a crer (fora a ingenuidade) que dessa vez é diferente?

O Manual do Usuário entrou em contato com a assessoria global da Xiaomi para perguntar se eles têm conhecimento da WisePlus, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria.

Agradecimentos ao Lucas Braga pela ajuda no sistema da Anatel. Valeu!

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9 comentários

  1. A Xiaomi não estava ciente disso. Ela não deu aval para ninguém usar o nome dela para propaganda. Apesar de esperançoso eu sabia que tinha algo errado.

  2. Ainda que fosse verdade continuaria a importar. Onde já se viu Mi Band por mais de R$ 100,00? Paguei na minha míseros 62 reais e 35 dias pra chegar até a minha humilde residência.

    1. É que tem a questão do imposto, né. Comprando da China você meio que não paga isso. A comparação é injusta — e desconfio que alguns pagariam essa diferença para receber em 7 dias em vez de 35.

      1. Tem toda razão, Ghedin! A espera por um produto do outro lado mundo provoca uma grande ansiedade. E avaliar a necessidade pode realmente fazer com que paguemos os impostos só pra ter o gadget mais rápido.

        Mas no caso da Wiseplus…melhor deixar quieto… :)

  3. Acessem o meuwiseplus.com eu trabalhei lá e entrego todo o jogo neste post que redireciona o site deles, eu era desenvolvedor.

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