O Windows precisa de uma mudança de prioridades

O Windows precisa de uma mudança de prioridades (em inglês), no blog do Den Delimarsky:

Precisamos de falar sobre as prioridades do Windows enquanto produto. E digo isto como alguém que quer que o Windows seja bem sucedido — é um ótimo sistema operacional que, apesar do que dizem seus detratores, continua a ser um dos melhores quando se trata de retrocompatibilidade e riqueza de funcionalidades. Eu posso — literalmente — rodar um jogo escrito para o Windows 95 no Windows 11 sem grandes problemas […] Não posso fazer isso em computadores com macOS ou Linux de forma confiável; no Windows, essa tarefa é ok. Dito isso, estou decepcionado por ver a direção que o sistema operacional tomou nos últimos tempos, e me parece uma falha estranha de prioridades, especialmente considerados os avanços por que passam outros produtos da Microsoft.

A inconsistência nos menus de contexto da bandeja do sistema (primeiro tópico) e o fato de o Edge não permitir a definição de uma página em branco como inicial exceto por uma gambiarra são alguns dos piores problemas apontados no texto — e em outros lugares.

Uber, 99, Rappi e iFood têm notas pífias em avaliação sobre trabalho decente no Brasil

Uber, 99, Rappi e iFood têm notas pífias em avaliação sobre trabalho decente no Brasil, por Tatiana Dias no The Intercept:

Nessa edição do relatório [da Fairwork], a primeira feita no Brasil, foram avaliadas seis empresas — e a nota máxima foi 2, colocando o país entre os piores lugares do mundo para os trabalhadores de plataformas.

Rappi, GetNinjas e Uber Eats zeraram — isso significa que não pontuaram absolutamente nada nos critérios de “trabalho decente”. O Uber atingiu a mísera nota 1. O iFood e a 99, as empresas melhor avaliadas, conseguiram uma risível nota 2 — e isso depois de se movimentarem, ao saberem da existência do ranking, para cumprir alguns dos critérios levantados pelos pesquisadores.

A íntegra do relatório pode ser baixada no site da Fairwork.

Abuso e assédio na blockchain

Abuso e assédio na blockchain (em inglês), no blog da Molly White:

“Como esta tecnologia será usada para abusar e assediar pessoas?” é um tipo de questionamento que com frequência não é feito, em especial porque a demografia das pessoas que estão sob maior risco de serem vítimas tende a ser subrepresentada na indústria. […]

No frenesí de atrair investimentos de risco e conquistar novos usuários e investidores para tecnologias baseadas em blockchain, esse questionamento, mais uma vez, não está sendo feito. Enquanto os proponentes da blockchain falam de um “futuro da web” baseado em livros-caixa públicos, anonimato e imutabilidade, nós que somos assediadas na internet observamos horrorizadas [tais características] como vetores óbvios para abuso e assédio sendo negligenciados, quando não vendidas como recursos.

“As eleições brasileiras são as mais importantes do mundo para a gente”, diz WhatsApp

“As eleições brasileiras são as mais importantes do mundo para a gente”, diz [Dario Durigan, head de políticas públicas do] WhatsApp, por Bruno Romani no Estadão:

“Os números da plataforma mostram que houve uma redução importante de viralidade. Outras pesquisas mostram que há um amadurecimento de usuários na forma de usar o WhatsApp. Então, há uma percepção crescente de ceticismo dos usuários com relação às mensagens que são mais encaminhadas ou que têm alguma indicação de mensagem viral. Isso tem sido apontado: o WhatsApp faz campanha para não compartilhar qualquer mensagem. Dentro disso, há uma série de iniciativas. Antes de 2020, havia um botão de atalho para encaminhar mensagens. Esse botão saiu e agora tem uma lupa para pesquisa na internet. É o incentivo reverso para que o usuário cheque a informação. Com os alertas e parceiros, como o TSE e checadores de fatos, há amadurecimento cultural e de uso da plataforma.”

A guerra cibernética paralela entre Rússia e Ucrânia

A guerra cibernética paralela entre Rússia e Ucrânia, por Shin Suzuki na BBC Brasil:

A ideia militar de desnortear o adversário vem servindo de base para ofensivas hackers nessa guerra. Derrubar a rede de celular e internet tem como objetivo instaurar pânico ao impedir que a população de um país sob ataque se comunique.

“O objetivo é criar confusão, é fazer com que as pessoas se sintam perdidas. Disparar em massa desinformação é parte de uma guerra psicológica, para minimizar as chances de os ucranianos terem uma reação”, afirma Luca Belli.

O aplicativo de caronas de Araraquara

Dias atrás, alguns leitores me mandaram a notícia Bibi Mob, uma espécie de “Uber estatal” lançado pela prefeitura de Araraquara (SP) que promete repassar 95% do valor da corrida aos motoristas. A iniciativa não é nova, é bem-vinda e tem algumas nuances que a notícia compartilhada não contempla, mas que não escapou ao olhar sempre atento do Rafael Grohmann, professor da Unisinos e coordenador do Laboratório de Pesquisa DigiLabour e do projeto Fairwork.

O aplicativo de Araraquara e a soberania digital, por Rafael Grohmann no blog da editora Boitempo:

O aplicativo Bibi Mob não foi construído nem pela prefeitura de Araraquara nem pela cooperativa de motoristas, mas por uma empresa, com CEO e direito a início na região de San Francisco e tudo — em linha com a ideologia do Vale do Silício. Isso se situa em um contexto de pressão cada vez maior por trabalho decente, em que tem surgido uma série de lobbies, “fair washing” e estratégias de relações públicas por parte das plataformas — grandes e pequenas — para que se posicionem discursivamente como mais “justas” e “transparentes”. Tem até aparecido empresas dizendo que são plataformas cooperativas quando, na verdade, não são. Ou seja, é preciso que se tenha calma ao analisar as iniciativas emergentes — distante da pressa por circulação de conteúdos e cliques.

Astrologia genética

Astrologia genética, por Natalia Pasternak n’O Globo (talvez tenha paywall):

E por que as aspas [em “terras ancestrais”]? Porque os testes não podem ser levados a sério. Não há como, empregando a metodologia dessas empresas, aferir com precisão a ancestralidade de alguém. 99,9% do nosso genoma é igual ao de qualquer outro ser humano. O que essas empresas fazem é pegar essa pequena fração de diferença, e comparar com bancos de dados. Usam-se regiões do genoma onde se sabe que existem variações de um indivíduo para outro, e essas regiões são comparadas a pedaços de DNA de de origem geográfica conhecida. Isso quer dizer que os bancos de dados contêm amostras de genomas “típicos” da Itália, ou da Espanha, etc. Mas como saber se as amostras de referência são mesmo típicas? Primeiro problema: o banco de dados é autorreportado, são os doadores que se declaram isso ou aquilo. Não há como checar se aquele 0,1% de DNA variável realmente representa o que se vê num país. Então, a interpretação de “DNA originário da Irlanda” é no máximo, uma aproximação: o que permite é dizer é que o DNA do cliente é parecido com o de irlandeses que contribuíram para aquele banco de dados específico.

O ecossistema de NFTs é um completo desastre

Para quem lê este Manual do Usuário não há nada novo no artigo de Edward Ongweso Jr., na Vice, a respeito do “completo desastre” que é o ecossistema de NFTs, mas vale pescar alguns eventos recentes que explicitam esse desastre. Dois trechos de lá me chamaram a atenção:

Tomemos a OpenSea, o marketplace de NFTs mais popular. Semana passada, a OpenSea limitou o número de vezes que os usuários poderiam cunhar NFTs gratuitamente em sua plataforma, porque mais de 80% dos que foram criados com a ferramenta “eram obras plagiadas, colecções falsas e spam”. Ela reverteu a decisão em 24 horas, porém, graças à choradeira de criadores de projetos NFT.

Do outro lado do balcão, artistas têm sofrido com a apropriação indevida e ilegal de seus trabalhos para a criação de coleções de NFTs:

Para os artistas do DeviantArt, que hospeda mais de 500 milhões de peças de arte digital, o problema ficou tão grave que a plataforma implementou um sistema de alerta de fraudes que procura por NFTs de cópias de obras na blockchain Ethereum. O DeviantArt emitiu 80 mil alertas desde agosto de 2021, duplicou esse número entre outubro e novembro, e viu um novo aumento de 300% entre novembro e meados de dezembro.

Criador do Termo quer o jogo aberto, mas não descarta venda

Criador do Termo quer o jogo aberto, mas não descarta venda, por Bruna Arimathea no Estadão:

Embora [Fernando] Serboncini diga que não tinha intenção de viralizar, não foi isso o que aconteceu. Com mais de 400 mil acessos diários, o Termo foi para as redes sociais antes mesmo do seu criador preparar o site para os seguidores no Twitter: “quando eu publiquei a primeira coisa sobre o jogo, já tinham muitos tuítes falando sobre o Termo. Cheguei atrasado”, brinca, em entrevista ao Estadão.

Agora, após a compra do irmão americano pela divisão de games do jornal The New York Times, Serboncini fala sobre o futuro do jogo no Brasil e as diferenças que a versão em português pode guardar para os usuários por aqui. Confira trechos da entrevista:

Meta reconhece danos, mas mantém no Facebook rede brasileira de extrema-direita

Meta reconhece danos, mas mantém no Facebook rede brasileira de extrema-direita, por Ethel Rudnitzki, Laís Martins, Débora Ely e João Barbosa, no Aos Fatos:

Um documento interno de funcionários do Facebook, atual Meta, de março de 2021, recomendava a derrubada ou a redução do alcance da rede de extrema-direita Ordem Dourada do Brasil, mas, cerca de um ano depois, ela continua ativa na plataforma. Segundo o relatório, a rede é composta por perfis, páginas e grupos que atuam de forma coordenada para disseminar conteúdos que a empresa via como desinformativos e antidemocráticos.

Em defesa da web monótona

Em defesa da web monótona (em inglês), no blog do Bastian Rieck:

Acho que sites monótonos como o meu são possíveis para mais pessoas. É menos resultado do número esperado de visitantes, mas sim resultado do seu propósito. Se seu site tem um propósito bem definido, talvez a tecnologia monótona possa ser uma boa para você. Um excelente exemplo do que eu tenho em mente é o lichess.org. O site tem um único propósito: fazê-lo jogar xadrez com outras pessoas. Isso adere à filosofia Unix de “faça uma coisa bem”.

Sertanejos dominam o rádio, que turbina cachês e chega aonde internet é precária

Sertanejos dominam o rádio, que turbina cachês e chega aonde internet é precária, por Lucas Brêda na Folha de S.Paulo:

Nos últimos dias, um trecho de uma entrevista da empresária Kamila Fialho, que tem no currículo trabalhos com Anitta e Kevin o Chris, pipocou na internet. “Eu pago para tocar uma música na rádio e eles compram a rádio”, ela disse ao programa “Podcast de Música”, do YouTube, fazendo referência a artistas da música sertaneja. Mesmo exagerada, a provocação de Fialho tem algum respaldo na realidade.

Gênero mais consumido do Brasil em qualquer plataforma, o sertanejo tem uma presença ainda maior nas rádios, que são capazes de render cachês mais altos e dar fama nacional a uma música ou artista. No streaming, o ritmo também é protagonista, mas ali divide os holofotes com outros estilos, que criam alternativas para crescer sem depender das FMs.

Melodrama de Kwai: app rival do TikTok espalha vídeos caseiros com reviravoltas e lições de moral

Melodrama de Kwai: app rival do TikTok espalha vídeos caseiros com reviravoltas e lições de moral, por Rodrigo Ortega no G1.

Produções amadoras como essa, com dois minutos em que cabem reviravoltas, atuações carregadas e sempre uma lição de moral, fazem sucesso no app de vídeos curtos Kwai. A empresa ficou gigante na China com estes conteúdos populares e exagerados, e replica a estratégia no Brasil.

[…]

À primeira vista, a chave parece ser o gosto latino pelo melodrama. Mas a estratégia é chinesa. O Kwai cresceu em cidades menores e rurais da China. Nas metrópoles ele é considerado pouco refinado. Em vez de celebridades, mirou pessoas comuns. Hoje a empresa vale US$ 220 bilhões.

Eles vão pelo mundo atrás de criadores menos visados, passam o modelo de vídeos chineses, dão apoio, pagam por resultado de audiência e buscam um retorno massivo. A mecânica do app é bem parecida à do rival chinês TikTok, mas o público é diferente.

O Kwai já tem 45,4 milhões de usuários no Brasil. Esta página reúne os vídeos do Telekwai, o projeto citado acima de tropicalização dos vídeos melosos chineses para o mercado brasileiro. São surreais.

A ascensão do trabalho performático

A ascensão do trabalho performático (em inglês), na The Economist:

O teatro sempre foi uma parte importante do ambiente de trabalho. A comunicação aberta é um pré-requisito para trabalho remoto bem sucedido. Mas a prevalência do trabalho performático é má notícia — não apenas para os George Costanzas do mundo, que não podem mais se desligar verdadeiramente, mas também para os funcionários que têm que estar em dia com as tarefas reais, uma vez terminado o espetáculo. Por extensão, também é ruim para a produtividade. Por que, então, isso persiste?

Uber enfrenta um concorrente improvável no Brasil: o app de táxi do governo

Uber enfrenta um concorrente improvável no Brasil: o app de táxi do governo (em inglês), por Charlotte Peet no Rest of World:

Martins Delcourt faz parte de um número crescente de brasileiros que estão abandonando a Uber em prol dos táxis, que agora estão ficando mais baratos e fáceis de encontrar. De acordo com a Sindicato dos Taxistas Autônomos da cidade do Rio, a demanda pelos serviços do Taxi.Rio, que agora opera em várias cidades do Brasil, aumentou em 60% no final de 2021. O Taxi.Rio ganhou cerca de 38.000 usuários mensais em 2021, de acordo com dados oficiais da prefeitura.

No aplicativo Taxi.Rio, a mordida que a prefeitura dá no faturamento dos motoristas é de 5%. Nos apps comerciais, a das empresas pode chegar a 30%.

É uma pena que esses apps sejam tão negligenciados. O Taxi.Rio, que agora pode ser usado por outras cidades interessadas na tecnologia e que parece ser dos melhores, tem uma nota baixíssima na App Store (2,8) e muitas reclamações ali e na Play Store. Baixei o URBS Taxi Curitiba (2,2 na App Store) e o estado é abismal. Não faz login nem completa o cadastro. Veja o estado do formulário de cadastro. É pedir muito um app minimamente funcional?