Pessoa de sexo não identificado, com cabelo roxo e pele azul, segurando uma xícara de café com vários ícones em alusão ao Manual do Usuário na fumaça e um celular na outra mão. Embaixo, o texto: “Apoie o Manual pelo preço de um cafezinho”.

Amazon Prime terá primeiro aumento da mensalidade no Brasil

A Amazon anunciou o primeiro reajuste no preço do Prime no Brasil. A partir de 20 de maio, a mensalidade passará de R$ 9,90 para R$ 14,90 (+50,5%) e o plano anual, de R$ 89 para 119 (+33,7%). Para quem já é assinante, o reajuste do plano mensal começa a valer em 24 de junho.

O aumento, nota a Folha de S.Paulo, acontece em um momento de fragilidade da companhia, que reportou prejuízo de US$ 3,8 bilhões no último trimestre, o que fez as ações da empresa na Nasdaq caírem +10%. Via Folha de S.Paulo.

Sobre o suporte ao formato EPUB no Kindle

A Amazon atualizou uma página de suporte do Kindle que, agora, informa que o serviço de documentos pessoais consegue lidar com e-books em EPUB, o formato mais popular do mundo, até então sem compatibilidade com o e-reader mais popular do mundo.

Há relatos de que o serviço de documentos pessoais do Kindle já conseguia lidar com EPUB antes da alteração na página de suporte. (No último registro válido do Archive.org, de setembro de 2021, ainda não exibia a menção ao EPUB.)

Na página de suporte, a informação de que “[a] partir do final de 2022, os aplicativos do Serviço de documentos pessoais do Kindle serão compatíveis com o formato EPUB (*.epub)” aparece no tópico dos aplicativos, ou seja, não diz respeito ao envio por e-mail, que já traz o EPUB no rol de formatos compatíveis.

De qualquer maneira, não é como se a Amazon estivesse abraçando o EPUB. O serviço de documentos pessoais consiste em enviar um documento/arquivo à Amazon ou passá-lo via aplicativo para tê-lo disponível no Kindle. Nesse caminho, a Amazon converte o EPUB para um formato próprio. Se você conectar o Kindle com um cabo USB e arrastar arquivos EPUB, por exemplo, o Kindle não conseguirá abri-lo.

Outra mudança prevista para o final do ano é o fim do suporte a arquivos MOBI (*.azw, *.mobi) no serviço de documentos pessoais e a menção, da Amazon, de que ele “não é mais compatível com os recursos mais recentes do Kindle”. Via Amazon.

14% dos e-books Kindle mais vendidos no Brasil são histórias sensuais envolvendo um CEO

Um curioso fenômeno literário se manifesta no ranking brasileiro dos e-books Kindle pagos mais vendidos: a prevalência de histórias com CEO no título.

Levantamento do Manual do Usuário detectou que sete livros (ou 14% do total) mencionam o cargo executivo máximo em empresas no título, quase sempre em alusão a situações sensuais e/ou com outros termos inusitados recorrentes no ranking, como grávidas e babás virgens.

São livros baratos, com preços entre R$ 1,99 e R$ 5,99, e todos integram o Kindle Unlimited, o programa de assinatura de e-books da Amazon. E são bem avaliados, com notas acima de quatro estrelas (de um total de cinco) decorrentes de centenas ou milhares de avaliações.

Os livros são assinados por autores(as) diferentes, o que indica uma tendência. Eles parecem influenciados pela trilogia Cinquenta tons de cinza, o mega-sucesso de E.L James, mas não deixa de ser curiosa a fixação com CEO, um termo um tanto específico e que, no geral, só é lido nas páginas de negócios dos jornais e em publicações especializadas. Fetiche é uma coisa maluca.

Abaixo, a lista dos títulos, com a posição no ranking e autor(a), nesta terça (5):

  • #2. CEO Blackwolf: A vingança do lobo negro de Wall Street, de Lettie S.J.
  • #8. O filho que o CEO não conhecia, de Renata R. Corrêa.
  • #9. Grávida do CEO que não me ama, de Aline Pádua.
  • #13. O pai dos meus bebês é o CEO, de Aline Damasceno.
  • #18. A influencer que conquistou o CEO, de T. M. Kechichian.
  • #31. Apenas me ame: Um amor para o CEO, de Thais Oliveira.
  • #47. Coração rendido: A babá virgem e o CEO viúvo, de Kevin Attis.

Nos EUA, trabalhadores conseguem criar primeiro sindicato de funcionários da Amazon

Na sexta (1º), trabalhadores do centro de distribuição da Amazon de Staten Island, o único da cidade de Nova York e conhecido como JFK8, conseguiram votos suficientes para criar o primeiro sindicato de trabalhadores da Amazon — fora 2.654 votos a favor e 2.131 contrários.

A vitória foi apertada e a Amazon, que fez um lobby fortíssimo contra a sindicalização, lamentou o resultado em nota e disse que irá contestá-lo. Do seu lado, o Amazon Labor Union, nome do novo sindicato, já está mostrando a que veio: já pediu uma reunião com a Amazon para o início de maio. Via New York Times, Amazon, @amazonlabor/Twitter (todos em inglês).

Com “No ritmo do coração”, streaming fatura primeiro Oscar de melhor filme

No ritmo do coração (ou CODA, no original em inglês) arrebatou a estatueta do Oscar de melhor filme. Um feito histórico: foi a primeira vez que um filme lançado no streaming levou a principal categoria da premiação norte-americana. Mas… de qual streaming?

Resposta curta? Do Apple TV+. Em muitos países, como os Estados Unidos, Austrália, Alemanha e França, No ritmo do coração só está disponível no streaming da Apple. Mas em outros, não. No Brasil, por exemplo, ele está disponível no Prime Video, da Amazon, e pode ser alugado na Apple e no Google.

Isso acontece porque o filme não foi feito originalmente para o serviço da Apple; ele foi comprado por US$ 25 milhões após estrear no Festival de Sundance, em 2021. Só que antes disso, os direitos de distribuição internacional já vinham sendo negociados, o que criou tal situação, já que reverter esses acordos é complexo e, em alguns casos, inviável. Via Variety (2) (em inglês).

Atualização (16h15): O post foi editado para esclarecer que, para todos os efeitos, No ritmo do coração é um original Apple TV+, mesmo não estando em exibição no streaming da Apple em alguns países, como no Brasil.

Alphabet (Google), Amazon e Microsoft bateram recorde de aquisições em 2021

Alphabet (Google), Amazon e Microsoft abriram a carteira em 2021 para comprar outras empresas. Segundo levantamento da Dealogic, as empresas bateram recorde de aquisições no período. Foram 22 compras pela Alphabet, 29 pela Amazon e 55 pela Microsoft. De duas, uma: elas se anteciparam a uma postura mais rígida da FTC (o Cade dos Estados Unidos) contra aquisições ou estão desdenhando do poder da agência. Via CNBC (em inglês).

Um ano difícil para a big tech

O roteirista de 2021 caprichou: logo na largada, no dia 6 de janeiro, um bando de lunáticos, insuflados pelo próprio presidente dos Estados Unidos, invadiu o Capitólio numa tentativa explícita de golpe de estado. Não conseguiram, mas deixaram no caminho alguns mortos, centenas de feridos e o mundo atônito.

Twitch sofre vazamento enorme, incluindo “folha de pagamento” de streamers

A Twitch, plataforma de streaming da Amazon focada em games, sofreu um enorme vazamento na noite desta terça (5). Um arquivo de 125 GB foi disponibilizado no 4chan. Ele contém todo o código-fonte dos aplicativos da Twitch, o site inteiro twitch.tv, códigos relacionados a ferramentas e serviços internos ligados à AWS, um concorrente da Amazon ao Steam e três anos de dados de pagamentos a criadores de conteúdo.

Pelo Twitter, a Twitch confirmou o vazamento e disse estar “trabalhando com urgência para entender a dimensão disso”.

A forma como o vazamento foi divulgado, com um “parte 1” atrelado, sugere que mais dados sigilosos poderão vir a tona. A pessoa ou grupo que divulgou o vazamento justificou-se, dizendo que a atitude visa “fomentar mais disrupção e competição no espaço do streaming de video game online”.

O vazamento já está rolando por aí. À BBC News, o streamer BBG Calc confirmou que seus dados de faturamento na Twitch batem com os do vazamento. No Brasil, o perfil do Twitter @beescoitu compilou os rendimentos dos 100 streamers da língua portuguesa mais populares. Via Video Games Chronicle (em inglês), BBC News (em inglês), @twitch/Twitter (em inglês), @beescoitu/Twitter.

Amazon anuncia robô doméstico de vigilância — porém com olhos fofinhos

A Amazon anunciou um punhado de novos produtos em um evento nesta terça (28). O principal foi o robô doméstico Astro — parece um aspirador de pó, mas ele não tem essa habilidade. O Astro faz vários truques comuns da Alexa (seu “rosto” é um Echo Show 10 colado em uma base com rodas, motores, câmeras e sensores). Sua velocidade é de até 1 metro por segundo e ele tem uma câmera do tipo periscópio e um pequeno compartimento de cargas na parte de trás. A própria Amazon admite que o Astro ainda é meio inútil, mas acredita que esse tipo de produto será comum nas casas norte-americanas dentro de uma década, por isso aposta nele desde já. Via Amazon (em inglês), The Verge (em inglês).

Quase ao mesmo tempo em que a Amazon falava do Astro, a Vice publicava documentos internos vazados da empresa em que engenheiros questionam a precisão da identificação de rostos do Astro e criticam a fragilidade do hardware e a “inteligência” do produto. Sem surpresa, um deles, que trabalhou no projeto, definiu o Astro como “um pesadelo de privacidade”. O privilégio de colocar um robô da Amazon que te persegue dentro de casa custa US$ 999 lá fora, apenas para “convidados”. Via Vice (em inglês).

De todas as bugigangas anunciadas, duas chegarão ao Brasil e já tiveram seus preços locais revelados: a segunda geração do Echo Show 81 (R$ 999, lançamento em 7 de outubro) e o novo Echo Show 151 (R$ 1.899, sem data de lançamento), uma espécie de monitor/quadro digital de 15,6″.

  1. Ao comprar por este link, o Manual do Usuário ganha uma comissão. O preço que você paga não se altera. De qualquer forma, o Manual do Usuário desaconselha a aquisição de quaisquer produtos com Alexa.

Amazon atualiza Kindle Paperwhite com tela maior e USB-C; Facebook lança um “tablet” para videochamadas

Semana cheia para consumidores interessados em dispositivos físicos de vigilância de grandes empresas de tecnologia.

A Amazon atualizou seu Kindle Paperwhite, agora em duas versões, ambas com telas (6,8″) e baterias maiores, entrada USB-C e, no caso da “Signature Edition”, carregamento sem fio e sensor de iluminação. Os preços no Brasil estão mais salgados. O Kindle Paperwhite básico encareceu 30% e agora sai por R$ 649. O Kindle Paperwhite Signature Edition custa R$ 849. Via Interfaces.

Lá fora, o Facebook lançou uma versão com bateria do Portal, seu dispositivo para videochamadas. O Portal Go, com tela de 10″, roda Android, mas não dá para chamá-lo de tablet — além de pesado (1,4 kg), o software é restrito a basicamente apps como WhatsApp, Facebook Messenger, Zoom e alguns outros do tipo para o mercado corporativo. Lá fora, sai por US$ 199. Via The Verge (em inglês).

Bezosismo

Neste excerto do livro recém-lançado Arriving today: From factory to front door (sem tradução no Brasil), Christopher Mims propõe que o modelo de trabalho nos centros de distribuição da Amazon, onde +750 mil funcionários humanos fazem tarefas repetitivas e enfadonhas, de pé, em turnos de 10 horas, com 30 minutos de almoço e dois intervalos de 15 minutos para irem ao banheiro, auxiliados por robôs e sempre vigiados e guiados pelo algoritmo, representa uma mudança tão profunda quanto as de Henry Ford e Frederick Winslow Taylor promoveram no início do século XX. Para Mims, Jeff Bezos deixará também este legado, ao lado da revolução do e-commerce e da corrida espacial na esfera privada: o Bezosismo. Via Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

Compre dos parceiros do Manual:

Manual do Usuário