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Qual o problema em comprar na Amazon?

Um leitor perguntou porque o Manual do Usuário dissuade seus leitores de comprarem na Amazon. Ótima pergunta para este Prime Day, a “Black Friday” exclusiva da Amazon.

Em resumo, é porque a Amazon é uma empresa monopolista que usa de táticas questionáveis e desleais para vender mais barato. Há algum tempo atrás, a Editora Elefante publicou um relato ilustrativo do poder de destruição da empresa de Jeff Bezos.

Nos Estados Unidos, seu país de origem, a Amazon está sendo investigada por monopólio em Washington D.C. Segundo o procurador-geral responsável pela denúncia, Karl Racine, a Amazon abusa do seu poder para elevar os preços em todo o mercado, impedindo fornecedores e rivais de cobrarem menos, e instrumentaliza o Prime para parecer que é (e ser!) mais barata que outras varejistas online. “O Prime, em outras palavras, é basicamente um esquema de lavagem de dinheiro”, diz Matt Stoller em sua didática explicação do caso.

Por fim, mas não menos importante, a Amazon fez a pessoa mais rica do planeta. Neste momento, segundo a revista Forbes, a fortuna de Jeff Bezos é avaliada em US$ 200,5 bilhões, ou pouco mais de R$ 1 trilhão. Não há justificativa no universo para tamanha concentração de riqueza e sobram motivos para contestar esse desvirtuamento e os efeitos nefastos que ele causa ao restante da humanidade.

Regra geral, sou contra bilionários e seus negócios. Nem sempre dá para escapar do que eles oferecem, como os descontos do Prime Day. Tudo bem se quiser aproveitá-los — não se culpe por isso, estamos em crise, o dinheiro está curto e há problemas mais imediatos que boicotar uma big tech. Por outro lado, sempre que for possível, dê preferência a negócios locais, pequenos e independentes. É isso o que defendemos aqui.

Alphabet, Amazon, Apple e Facebook lucraram US$ 154,6 bilhões em 2020

Gráfico em barras, com divisórias, mostrando a lucratividade de Alphabet, Amazon, Apple e Facebook de 2007 até 2020.
Dados: FactSet, documentos das empresas. Gráfico: Axios/Reprodução.

Desde 2018, a preocupação com o poder crescente e aparentemente sem limites da big tech tem aumentado. Apesar disso, o chamado “techlash” não se nota nos balanços trimestrais dessas empresas, como se nota por este levantamento da lucratividade das quatro mais criticadas — Alphabet, Amazon, Apple e Facebook. Em 2020, primeiro ano da pandemia, elas lucraram juntas US$ 154,6 bilhões. Via Axios (em inglês).

Em paralelo, a OCDE discute um imposto mínimo global para multinacionais, a fim de evitar uma corrida ao fundo do poço entre os países, que baixam os impostos locais do tipo a fim de atraírem as maiores empresas estrangeiras. Na última quinta (20), os Estados Unidos propuseram que a taxa seja de no mínimo 15% — lá, a taxa é de 21%, mas o presidente Joe Biden quer aumentá-la para 28%. A notícia foi bem recebida por outros países, como a Alemanha. Via Associated Press (em inglês), CNBC (em inglês).

Descoberto esquema gigantesco de reviews falsos na Amazon

O grupo de segurança digital Safety Detectives descobriu um esquema gigantesco de reviews falsos na Amazon perpetrado pelas próprias fabricantes. Eles encontraram um banco de dados de 7 GB na China exposto publicamente (por erros de permissão). Dentro dele, havia mais de 13 milhões de registros, cerca de 200 mil endereços de e-mail, supostamente de pessoas envolvidas do esquema, e os nomes das empresas participantes.

Essas pessoas compravam um produto na Amazon e, em seguida, escreviam um review elogioso, de cinco estrelas. Depois, elas enviavam uma mensagem à fabricante do produto com um link do review e eram reembolsadas por elas, via PayPal, no valor gasto na compra. Em outras palavras, trocavam um review positivo pelo produto em si.

Após a divulgação do esquema, os produtos de algumas marcas chinesas populares na Amazon e que constavam no banco de dados, como Aukey, MPow e Tacklife, sumiram do site da Amazon. Nenhuma dessas empresas se manifestou oficialmente sobre o ocorrido. Via Safety Detectives (em inglês), Xataka (em espanhol).

Cinco big techs faturaram US$ 1,2 trilhão em um ano

Nesta semana, as big techs norte-americanas divulgaram seus balanços trimestrais. Levantamento da Shira Ovide, do New York Times, constatou que Amazon, Apple, Alphabet (Google), Microsoft e Facebook faturaram US$ 1,2 trilhão em um ano, valor 25% superior ao mesmo período do ano retrasado, ou seja, imediatamente antes da pandemia começar. Em uma semana, as cinco vendem mais que o McDonald’s vende em um ano inteiro. Via New York Times (em inglês).

Você não acredita realmente no lance de urinar em garrafas, né? Se isso fosse verdade, ninguém trabalharia para nós.

— @AmazonNews, perfil oficial da Amazon no Twitter, em resposta a um congressista do Wisconsin. Exceto que fazer xixi em garrafas é, sim, uma prática (e bem documentada) comum entre entregadores que trabalham para a Amazon nos Estados Unidos. A Vice reuniu alguns relatos.

O legado de Jeff Bezos na Amazon / Os últimos lugares legais na internet

Apoie o Manual do Usuário: https://manualdousuario.net/apoie/ Edição 21#2 do Manual: https://manualdousuario.net/21-2/ Manual do Usuário em vídeo: https://www.youtube.com/c/manualusuariobr Nesta semana, Rodrigo Ghedin e Jacqueline Lafloufa começam o podcast falando de Jeff Bezos. O fundador da Amazon anunciou que em 2021 deixará o cargo de CEO para se dedicar às suas outras empreitadas, como a Blue Origin […]

Amazon oferece podcasts no Brasil

Dois meses após entrar no ramo de podcasts nos Estados Unidos, a Amazon repete o movimento no Brasil. A oferta de podcasts fica dentro do Amazon Music, ou seja, é similar ao Spotify. Outra semelhança é a presença de podcasts exclusivos. O primeiro — e único, mas não por muito tempo — é o A música do dia, em que o jornalista e músico Nelson Motta apresenta 101 músicas que marcaram sua vida. Via TechTudo.

Amazon é alvo de ação antitruste da União Europeia

A Comissão Europeia abriu um processo antitruste contra a Amazon nesta terça (10). São duas linhas de acusação. Em uma, o bloco acusa a Amazon de usar dados de vendas privados das lojas que vendem em seu marketplace para detectar campeões de vendas e criar versões próprias mais baratas. Na outra, alega que a Amazon favorece seus próprios produtos e os de parceiros que pagam a ela por soluções de logística.

Há quem argumente que essas atitudes da Amazon não diferem das de grandes redes de supermercados. Na justificativa do processo, a vice-presidente executiva da CE, Margrethe Vestager, disse que “devemos garantir que o papel duplo de plataformas com poder de mercado, como a Amazon, não distorça a competição”. Parece um caso mais controverso que outras investidas da União Europeia contra Big Techs norte-americanas. Via Comissão Europeia (em inglês), O Globo.

As Big Tech vão bem na pandemia, obrigado

Alphabet (Google), Amazon, Apple e Facebook divulgaram nesta quinta (29) seus balanços fiscais referentes ao terceiro trimestre fiscal (quarto, no caso da Apple) de 2020. Todas tiveram crescimento expressivo:

  • Alphabet faturou US$ 46,17 bilhões (aumento de 14% em relação ao ano anterior), com US$ 11,25 bilhões de lucro.
  • Amazon faturou US$ 96,15 bilhões (+37%), com US$ 6,3 bilhões de lucro.
  • Apple faturou US$ 64,7 bilhões (+1,1%), com US$ 12,7 bilhões de lucro.
  • Facebook faturou US$ 21,47 bilhões (+22%), com US$ 7,85 bilhões de lucro.

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