Livro de janeiro: “Orbital”, da Samantha Harvey

O primeiro livro do calendário oficial do nosso clube de leitura será Orbital, da Samantha Harvey, publicado no Brasil pela DBA editora:

Capa do livro “Orbital”, de Samantha Harvey, publicado no Brasil pela DBA editora.

Quatrocentos quilômetros acima da Terra, quatro homens e duas mulheres — dos Estados Unidos, do Japão, da Inglaterra, da Itália e da Rússia — compartilham a estação espacial internacional. Em um período de vinte e quatro horas, a uma velocidade de vinte e oito mil quilômetros por hora, eles dão dezesseis voltas ao redor do planeta.

Cada órbita é um capítulo breve deste tour de force de beleza contemplativa: da calculada rotina espacial de cada um dos astronautas e cosmonautas — os exames de sangue diários, os experimentos científicos —, das implicações emocionais com aqueles que deixaram na Terra — a morte de um familiar, um casamento sem amor — e dos diálogos mais ou menos reveladores entre eles, Orbital extrai indagação filosófica e instantes de arrebatamento.

Com uma pesquisa profunda e um repertório poético transbordante, Samantha Harvey lança sobre o planeta e a humanidade — tão poderosos, tão frágeis — um olhar afetuoso: um astronauta é “um animal que não apenas testemunha as coisas, mas ama o que testemunha”.

Tive a oportunidade de lê-lo ano passado e foi uma leituras das mais agradáveis. Será um prazer relê-lo e conversar a respeito com a comunidade do Manual do Usuário.

O clube de leitura promove dois debates para cada livro lido:

  • Uma conversa por áudio (e/ou vídeo, a critério dos participantes), entre quem assina o blog. A de Orbital será no dia 7/2 (um sábado), das 10h ao meio-dia.
  • Aqui no blog, em um post publicado no mesmo dia 7/2. Os comentários ficarão abertos por 30 dias.

Aos assinantes, o link para a sala do debate por áudio e vídeo será enviado pela newsletters, algumas horas antes do início.

Boa leitura!

iOS 26 ainda patina para ganhar espaço entre usuários de iPhone  cultofmac.com

Ed Hardy encontrou um dado interessantíssimo nos números do StatCounter:

[…] Cerca de quatro meses após o lançamento [do iOS 26], em meados de setembro, apenas ~15% dos usuários de iPhone têm alguma versão do novo sistema instalada. Isso segundo dados de janeiro de 2026 da StatCounter. Em vez disso, a maioria dos usuários permanece em versões anteriores.

A título comparativo, em janeiro de 2025, cerca de 63% dos usuários de iPhone tinham alguma versão do iOS 18 instalada.

A curva de adoção do iOS 26 é atípica, e por uma larga margem. Anos anteriores (2023, 2022) entregaram números mais parecidos com os de 2024, do iOS 18.

Agradeço a todos os amigos que seguem firmes no iOS 18. Eu não resisti e atualizei o meu e, embora ache o Liquid Glass do iOS o menos pior entre todos os dispositivos com que tive contato, ainda assim é a versão mais esquisita desde que comecei a usar iPhone, há mais de uma década.

Espero que esses números acendam um alerta no departamento de design da Apple.

Atualização (17h10): É possível, embora não confirmado, que uma alteração no “user-agent” do Safari esteja causando distorções nos números do StatCounter. Outras fontes, porém, reforçam a suspeita de adoção mais lenta do iOS 26, mesmo que numa intensidade menor.

Mais uma vez o Google ameaça os 3 bilhões (!) de usuários do Gmail com recursos do Gemini (IA). Desta vez, a mudança é dramática: a caixa de entrada será “inteligente”, o que seria tentador se os modelos de IA fossem capazes de resumir certo e não fossem propensos a erros. Por ora, o novo Gmail está sendo liberado para estadunidenses que pagam os caros planos de IA do Google. A medida profilática é desativar todos os recursos de IA do Gmail: nas configurações, aba Geral, desmarque a opção Ativar os recursos inteligentes no Gmail, Chat e Meet. De nada!

Pedidos e promessas para 2026

No início de 2025, publiquei neste Manual um “combinado” para o ano que se iniciava. Gostei da experiência, por isso a repito agora, em 2026.

Na verdade, o “combinado” estava mais para uma reflexão com base na pesquisa junto à audiência, que costumo rodar no fim do ano. Mudei o título para refletir melhor o conteúdo. O espírito do post segue o mesmo.

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Profissão: criador de conteúdo

Tremo na base quando alguém me pergunta o que eu faço. O que eu faço? Não sei. Costumo responder “sou jornalista”, definição que está longe de me descrever, apenas para matar o assunto.

“Tenho um blog” é outra resposta a que recorro quando a carga de paciência está cheia. A ela sucedem-se perguntas inevitáveis, como “mas você consegue viver só disso?”, e comentários do tipo “eu já tive um blog, ganhava uns trocados com AdSense”.

A fundação da Célere embolou ainda mais o meio-campo. “Tenho uma pequena agência que presta serviços de tecnologia para jornais digitais.” Correto, mas cansei só de escrever. E, sendo bem pedante, isso não é “o que eu faço”, é “onde eu trabalho”. Parte do tempo. Porque tem o blog ainda.

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[…] O que aprendemos ao longo deste último ano, em especial do ponto de vista do consumidor, é que eles não estão comprando [computadores] por causa de IA. Na verdade, acho que a IA provavelmente os confunde mais do que os ajuda a entender um resultado específico.

Homem branco, com barba por fazer e sorrindo.Kevin Terwilliger
Líder de produtos da Dell

Surpreende que a primeira fabricante a mandar a real sobre “PCs com IA” seja a Dell, parceria de primeira hora da Microsoft na iniciativa dos notebooks Copilot+.

Note, porém, que a citação completa sinaliza que a Dell não vai parar de investir em IA, apenas que a tecnologia deve deixar de ser o carro-chefe do marketing. Ela começa assim: “Estamos muito focados em oferecer recursos de IA de um dispositivo — na verdade, tudo o que estamos anunciando [na CES] tem uma NPU nele —, mas o que aprendemos…”

Sua vida digital não é sua: a batalha oculta pela liberdade do software  fsf.org

Sou muito simpático ao software livre. (E lamento não usar mais softwares do tipo.) No blog da Free Software Foundation, Jason Self reforça a importância das quatro liberdades do FOSS em face do aprendizado de máquina — que, neste contexto, se confunde com o que chamam por aí de “inteligência artificial”. Ele o define assim:

[…] software que não apenas segue instruções, mas aprende e toma decisões autônomas. É um novo e poderoso tipo de código, e se tornou a caixa preta mais profunda já criada.

O texto apresenta a IA como uma ameaça para revisitar as bases do movimento. O que é sempre bom e, vez ou outra (como neste caso), revela histórias desconhecidas do público (ou a mim, pelo menos). É por uma dessas, a da criação do conceito de software livre, que trouxe este link para cá:

No Laboratório de Inteligência Artificial do MIT, um programador chamado Richard Stallman ficou frustrado com uma nova impressora a laser da Xerox que vivia emperrando. Sua solução era simples: modificar o programa para notificar automaticamente os usuários na rede sobre o congestionamento, economizando tempo e frustração de todos. O problema era que ele não tinha permissão; o código-fonte do programa era um segredo. Embora um programador em outra universidade tivesse o código, ele estava vinculado a um acordo de confidencialidade e se recusou a compartilhá-lo. Isso não foi apenas um inconveniente; foi uma crise ética em miniatura. Um problema prático se tornou impossível de resolver, não por razões técnicas, e definitivamente não porque era melhor assim. Uma barreira foi colocada intencionalmente para negar aos usuários o controle sobre o software que eles usavam.

Esse momento de frustração acendeu a centelha para o movimento do software livre.

Na próxima vez que a minha impressora emperrar, encararei a situação com um pouco mais de animação. Forçando um pouco a barra, ela tem um quê de sagrado, pois reproduzem o momento da criação do software livre. Amém!

Pessoas que usam um mouse da Logitech no macOS passaram algumas horas com as funcionalidades limitadas. Um certificado expirado dos apps Logitech Options+ e G HUB causou a confusão. A falha, ridícula, pelo menos serviu para as pessoas descobrirem utilitários alternativos melhores para este fim. (O melhor software, porém, é nenhum software; mouse bom se garante sem essas coisas, hehehe!)

Doppi, o player mais legal para seus arquivos de música

Botão de “play” branco contra um fundo azul arroxeado.

Na minha primeira aventura no retorno aos arquivos de música (*.mp3, *.flac), em 2023, mencionei um aplicativo para iOS, o Doppi. Foi ele o escolhido para me acompanhar na segunda tentativa, desta vez bem-sucedida.

Por isso, achei que valia dar maior destaque ao app (“o player mais legal para seus arquivos de música”). Além de ótimo, nesse intervalo ele ganhou novos recursos sensacionais:

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CEOs da tecnologia: Os funcionários PRECISAM estar no escritório. Não dá para fazer o trabalho remotamente.

Também CEOs da tecnologia: A maioria dos funcionários pode ser substituída por IA. Hospedada remotamente.

Dell e Microsoft, gênios do marketing

Lembra quando a Warner Bros. mudou o home do seu streaming de HBO Max para Max e, menos de um ano depois para HBO Max de volta? Ou quando a pessoa mais rica do mundo provou que dinheiro não tem relação com inteligência e jogou a marca “Twitter” no lixo? Gênios do marketing!

Talvez seja o capitalismo tardio, talvez efeito colateral de novas drogas rolando entre os manda-chuvas das empresas mais poderosas do mundo. Ou apenas estupidez mesmo. Fato é que a prática está se espalhando, e rápido.

No início de 2025, a Dell reformulou sua linha de notebooks e aposentou nomenclaturas tradicionais, incluindo a XPS, talvez a mais lembrada após a MacBook, da Apple. O objetivo era simplificar. Ninguém entendeu nada.

Corta para 2026 e a Dell anunciou na CES, para a surpresa de ninguém, que voltará a usar a marca XPS.

Correndo por fora, temos a Microsoft. Ao acessar o site office.com, deparamo-nos com esta pérola (destaque meu):

Bem-vindo ao aplicativo do Microsoft 365 Copilot

O aplicativo Microsoft 365 Copilot (anteriormente Office) permite que você crie, compartilhe e colabore em um só lugar com seus aplicativos favoritos, agora incluindo o Copilot.*

Imagine só, trocar a marca que é sinônimo de aplicativos básicos de produtividade há três décadas por… Copilot, um gerador de lero-lero que geral não gosta e quando usa, só o faz obrigado pelo empregador.

Bom para nós. Quanto menos associarmos softwares críticos a marcas comerciais das big techs, melhor. Vida longa ao Microsoft 365 Copilot — ou qualquer outro nome ruim que Word, Excel e cia. venham a ter no futuro.

Começamos o ano com duas novidades legais no Lerama, nosso índice/diretório de blogs e newsletters brasileiras:

  • A visualização padrão agora é em cartões em vez de lista (que, aliás, continua disponível). Desse modo, em especial com o seletor “Simplificado” ativado, dá para ver mais posts no mesmo espaço de tela.
  • O menu principal ganhou um novo link, o “Aleatório”. É isso mesmo que você está imaginando: clique nele para cair em um post aleatório das publicações do Lerama que saiu nos últimos 30 dias.

Arquivos Office no BentoPDF; inscrições no YouTube personalizáveis no Miniflux

Dois serviços do PC do Manual receberam novidades legais nas últimas semanas. Essas versões já estão ativas no nosso servidor.

O BentoPDF, canivete-suíço de ações em arquivos *.pdf, ganhou “a maior atualização” até agora.

O recurso carro-chefe da versão 1.15.1 é o suporte a arquivos do Office. E não apenas do Microsoft 365; o sistema também converte para *.pdf arquivos no OpenDocument Format (LibreOffice), *.pages (Apple Pages), *.pub, *.vsd, *.psd (Photoshop), *.rtf e csv. Ufa!

No sentido contrário (*.pdf para Office), por ora há suporte apenas para arquivos do Word e Excel.

Outros formatos de arquivos foram adicionados, com destaque para e-books e imagens.

O BentoPDF processa os arquivos localmente, no dispositivo da pessoa que o acessa. Isso garante a privacidade dos arquivos processados pela ferramenta.

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A outra boa novidade é do Miniflux, agregador de feeds RSS exclusivo para assinantes.

A versão 2.2.15 melhorou o suporte a feeds do YouTube. Agora, ao cadastrar o feed de um canal de lá, o Miniflux apresenta quatro opções de inscrição:

  • Channel: Todos os vídeos.
  • Videos only: Apenas vídeos longos, sem Shorts ou ao vivo.
  • Short videos: Apenas vídeos curtos/Shorts.
  • Live streams: Apenas vídeos ao vivo.
Print da lista de opções de feeds na inscrição em um canal do YouTube.
Adeus, Shorts!

É possível fazer isso de outras formas, editando diretamente a URL do feed. O Thiago mostrou como no Órbita, ano passado. A opção com um clique do Miniflux, porém, é bem mais intuitiva e expande a oferta de se livrar dos Shorts a um público maior/menos técnico.

2025 foi um ano desastroso para o Windows 11  windowscentral.com

Zac Bowden cometeu um textão afirmando que os fãs de Windows (definição do autor) entubaram um “2025 desastroso para o Windows 11”. Faz uns anos que não uso Windows, mal toquei na versão 11, por isso li com atenção redobrada.

Tenho certeza que você consegue adivinhar o problema mais óbvio do Windows 11 em 2025:

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Novo ano, novo tema

Estava trabalhando em uma revisão do tema do Manual para coincidir com a nossa vindoura migração do WordPress para o ClassicPress. Não aguentei e a implementei aqui no blog estando no WordPress mesmo. (O ClassicPress está previsto para entrar em cena em março.)

Uma das novidades é este “mini-blog” de bastidores apartado da capa do blog principal. Para quem acompanha via feed RSS, nada muda. A distinção é apenas estrutural.

A nova versão do tema dez, a 4.0, traz outras novidades legais que pretendo explorar bastante. (Eu sigo a linha do “pride versioning”, que prevê major releases quando a pessoa está orgulhosa do que fez.)

Do que é perceptível aos leitores no dez 4.0, destaco são três:

  • Um novo formato de post, link, que usarei para comentar textos de outros autores. A inspiração disto é o blog de notas do Jim Nielsen. Vou “furar” o recesso e publicar o primeiro deste tipo na próxima segunda (5).
  • Agora, todos os posts de links do dia aparecem na capa. Até ontem, apenas o último era exibido e, para ver os demais, era preciso acessar o arquivo.
  • Vários pequenos ajustes no visual a fim de simplificá-lo. O menu principal ficou mais enxuto e ganhou uma extensão na forma da página “Mais”. As margens e espaçamentos entre os elementos ficaram mais consistentes e fiz uso maior de bordas tracejadas para separá-los visualmente.

Além de informações mais granulares dos bastidores do site, coisa que antes ficava restrita ao diário de bordo da newsletter, replicarei aqui, também, as novidades do PC do Manual.

A primeira do ano, aliás, é o teste do Readeck, uma alternativa FOSS, gratuita e moderna do finado Pocket, Instapaper, ReadWise Reader e afins — um app do tipo “para ler depois”. Se você já for assinante, envie um e-mail pedindo suas credenciais de acesso. Se não, que tal começar 2026 ajudando o Manual?