O batismo por analogia em dois níveis do GNU nano

O povo do software livre é cheio de gracinhas na hora de batizar suas criações. Estão aí o GNU (GNU’s Not Unix) e o Wine (Wine Is Not an Emulator) de provas.

No Mastodon, Simon Tatham contou a história do nano e seu batismo por analogia duplo:

O editor de texto GNU nano recebeu seu nome por analogia inspirado em um editor anterior (não livre) com uma interface muito semelhante, chamado pico. O nome faz um trocadilho com prefixos do Sistema Internacional de Unidades: “Tipo o pico, mas um pouco maior.”

O pico foi derivado do cliente de e-mail Pine [descontinuado]: é o editor embutido que o Pine usava para compor e-mails, que foi retirado e transformado em uma ferramenta independente. É uma abreviação de PIne COmposer, até onde eu sei.

E o Pine também foi batizado por analogia, a partir de um cliente de e-mail mais antigo chamado Elm. [São árvores em inglês, pinho e ulmeiro.]

Portanto, o nano tem dois níveis de “batismo de aplicativo por analogia a um anterior” em sua história. (Sem contar a etapa intermediária em que o Pine deu origem ao pico, porque esse não foi por analogia.)

Alguém consegue pensar em uma cadeia mais longa do que essa, envolvendo três ou mais níveis de batismo por analogia? Ou o nano é recordista?

Nas respostas, lembraram ainda do Micro, outro editor que se propõem ser um pouco mais completo que o GNU nano.

Short Trip é um passeio de bonde em um universo de gatos antropomórficos que, como…

Paisagem ilustrada, em preto e branco, com árvores e uma estação de bonde, e um gatinho vestido e de pé no centro da tela.

Short Trip é um passeio de bonde em um universo de gatos antropomórficos que, como o nome sugere, é bem curta. O que não significa que tenha sido rápido: Alexander Perrin gastou cinco anos (!) para concluir esta bela ilustração animada à mão. (Mais detalhes.) Os efeitos sonoros são agradáveis também. Se preferir, há uma versão que “adiciona um novo modo “programado” que integra o relógio do computador para criar um itinerário para o bonde” à venda no Steam.

Fedora Linux 42

Já está disponível a versão final do Fedora Linux 42, trazendo o Gnome 48 na edição Workstation e a nova baseada no KDE Plasma (versão 6.3.4), promovida neste ciclo ao mesmo status da Workstation. Apesar do mesmo status, a lógica dos nomes é diferente; o povo lá está ciente da confusão e afirma que “vamos resolver isso em algum momento”.

O Anaconda, instalador do Fedora, ganhou uma grande atualização que torna o particionador automático do disco mais esperto, traz a opção de reinstalar o sistema e lida melhor com “dual boot”. Por ora, o novo Anaconda só é padrão no Fedora Workstation (a edição com Gnome).

Ah, e uma falha de última hora acabou ficando:

Apenas inicializar o sistema direto do pen drive (“live media”) adiciona uma entrada inesperada ao boot loader UEFI, mesmo quando o Fedora Linux 42 não esteja instalado no computador local.

O transtorno é apenas cosmético, mas é bom saber de antemão. Aqui tem a orientação de como remover a entrada (em inglês).

Pinta 3.0

Logo do Pinta: pincel inclinado ao lado de uma bisnaga de tinta.

Saiu o Pinta 3.0, nova versão do editor de imagens levinho, tendo como destaque a migração para o GTK 4 e a Libadwaita — em outras palavras, a bem-vinda modernização do aplicativo para o Gnome.

Embora isso, por si só, já traga uma série de melhorias “de graça” ao Pinta, não é a única. Há novidades visíveis (novos ícones, menu, seletor de cores e camadas inteligentes) e por baixo dos panos (ajustes dinâmicos para diferentes tamanhos de e orientações de tela, suporte a gestos, mais velocidade e, espera-se, menos falhas).

O suporte a add-ins, que havia sido removido temporariamente na série 2.x, está de volta. Por ora, apenas dois fizeram a “passagem”, mas os desenvolvedores dizem que “é provável que mais sejam portados para esta versão e lançamentos futuros”.

A origem do Pinta remonta ao Paint.NET do Windows, ou seja, a proposta é ser um editor de imagens simples, mas nem tanto; o elo perdido entre o Paint e o Photoshop. O código é aberto e o app é compilado para Linux, macOS (agora com suporte a chips Apple), OpenBSD e Windows.

Em uma citação atribuída ao fundador do Spotify, Daniel Ek, durante uma reunião geral da empresa, ele diz: “Nosso único concorrente é o silêncio.” Ao que eu respondo: o inimigo do meu inimigo é meu amigo.

— Reuben Son.

No texto “Tempo de silêncio” (em inglês), Reuben explora a gênese, as reinterpretações e as quebras de paradigmas presentes na música ambiente — uma feliz coincidência à luz deste post que publiquei recentemente. Pontos extras pela abertura com uma citação de Clarice Lispector.

O Governo Federal continua se enroscando mais e mais no WhatsApp.

Por se tratarem de serviços de utilidade pública, faz sentido a adoção do aplicativo da Meta — de longe o mais popular do tipo no país. Ainda assim, fica aquele ~retrogosto ruim de ceder cada vez mais espaço ao WhatsApp em nosso dia a dia…

E, sim, estou ciente de que a assinatura do Manual tem, entre seus benefícios, o ingresso em um grupo fechado no WhatsApp.