Saiu a programação da CryptoRave 2025, evento anual que reúne, em 24 horas, uma série de atividades sobre segurança, criptografia, hacking, anonimato, privacidade e liberdade na rede. (E mais uma festa no final!)

Neste ano, a CryptoRave acontece nos dias 16 e 17 de maio, na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo (SP). A inscrição é gratuita e pode ser feita online ou no local (o link ao lado traz os detalhes, datas e horários).

Sem Instagram, sem privacidade

Ao nos transformarmos em divulgadores das nossas próprias vidas no digital, novos dilemas sociais emergem. (A essa altura não tão novos, mas ainda difíceis de lidar.)

Neste post solitário (é o primeiro e único do blog; em inglês), a pessoa reflete sobre a situação em que alguém publica fotos dela no Instagram e um terceiro, conhecido de ambas, fica sabendo da reunião delas:

Nos últimos meses, notei várias vezes como as pessoas sabem mais sobre a minha vida do que eu conto a elas ou do que provavelmente ouvem dos outros. Por exemplo: aonde viajamos no último fim de semana e com quem. Como elas sabem? Instagram. Uma postagem de um terceiro dessa viagem. Claro. Você não precisa estar no Instagram para estar no Instagram.

Como atender às expectativas de um público tão diverso, mesmo que composto por pessoas do seu convívio? Fotos de viagem ou de uma festa são interpretadas de maneiras diferentes por sua família, seus amigos, colegas de trabalho e chefe.

Acho eu que existem dois caminhos: ignorar as consequências (sociopatia?) ou “pasteurizar” o conteúdo para tentar agradar a todos (impossível, mas dá para chegar perto).

E, mesmo assim, não se escapa de outros dilemas:

Imagine um amigo com quem você foi foi viajar no fim de semana. Esse amigo conversa com outro amigo em comum. Esse amigo em comum poderia muito bem ido com vocês na viagem, já que você gosta dele, mas, devido a circunstâncias da vida, você não o convidou. Você provavelmente se sentiria desconfortável ao ver esse primeiro amigo falando sobre a viagem como se tivesse sido a melhor viagem de todas, onde todos se divertiram horrores e agora todos que estavam lá viraram melhores amigos para a vida toda.

No entanto, essa é a impressão que uma postagem ou história no Instagram geralmente evoca. É, provavelmente, o tipo de conteúdo que a maioria dos seguidores desse primeiro amigo adora ver. Exceto talvez por algumas pessoas que se perguntam por que você não as convidou para a viagem.

Ela propõe, como solução, uma nova etiqueta que desaprove postagens de reuniões sociais para além dos envolvidos. Em vez de um story para todos os seguidores no Instagram, restringir aos “melhores amigos” ou mesmo em um grupo no WhatsApp/Signal.

Dark Visitors ganha plano gratuito

O Dark Visitors, serviço de monitoramento e bloqueio de robôs de empresas de inteligência artificial, mencionado neste Manual em agosto de 2024, reformulou seus planos e, agora, oferece um gratuito bastante generoso, com um teto de 1 milhão de “eventos”.

Dá para usar no modo gratuito para sempre ou cadastrar o cartão e usufruir dos recursos pagos, sem pagar, desde que seu site não ultrapasse o teto de 1 milhão de eventos. Após isso, o custo é de US$ 0,00005 por evento.

Havia cancelado o uso do Dark Visitors aqui quando o período de testes expirou. Agora, reativei-o. É quase terapêutico ver o tráfego de não-humanos por aqui.

A era do vender-se em dobro

Mudanças comportamentais têm acontecido num ritmo tão veloz que padrões e premissas que eram comuns há uma ou duas décadas me escapam completamente. O artigo do W. David Marx me recordou de um deles: a aversão ao mainstream, ou a não ser um “vendido”.

Nas últimas três décadas, a cultura da juventude passou de um profundo ceticismo em relação ao comércio para uma defesa fervorosa do anti-anti-comércio, culminando em uma geração inteira de “criativos” que aproveitam o mercado comercial para… se envolver em ainda mais comércio.

Em qual momento virar vendedor no Instagram (leia-se: influencer) virou meta de vida, sonho de criança? Ou trabalhar na Globo e vestir a camisa com orgulho, ao melhor estilo Marcos Mion? Estaríamos traindo o movimento punk, véi? (Eu não lembrava do nível de insanidade desse vídeo. E, meu deus, “há 18 anos”…) Quando foi que o consumo totalizante de cultura enlatada, produzida em escala industrial (as “franquias”), sitiou o imaginário das massas?

Voltando ao artigo:

O tabu do século XX contra “vender-se” era, em sua essência, uma norma comunitária que recompensava jovens artistas que se concentravam na arte e punia aqueles que apropriavam a arte e a subcultura para o lucro vazio. Agora, a cultura é mais exemplificada por pessoas cujo objetivo parece ser o lucro vazio.

Hipóteses?

Relatório da moderação de comentários (abril de 2025)

Reparou que não tivemos relatório de moderação em março? Eu não esqueci. É que não tivemos ocorrências mesmo.

Não sei precisar os motivos. O volume de comentários está menor, o que pode ser um fator. Apesar disso, fevereiro teve ainda menos comentários e mesmo assim tivemos relatório, ainda que com apenas 1 (uma) ocorrência também.

De qualquer modo, fico contente que as conversas estejam amistosas. O Manual se propõe a ser um lugar legal na internet e, nessa missão, um ambiente amistoso e convidativo nos comentários é vital.

Parabéns a todos nós!

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End of 10: Troque o Windows 10 por uma distro Linux

O suporte ao Windows 10 termina no dia 14/10/2025, ou seja, daqui a alguns meses. Uma galera envolvida com distros Linux subiu o site End of 10 para ajudar aqueles que quiserem trocar o Windows pelo Linux em vez de seguir a orientação da Microsoft, que é descartar um computador funcional e comprar outro com Windows 11. O End of 10 reúne instruções e locais e eventos em que voluntários instalam uma distro Linux nos computadores de quem não tem familiaridade com o assunto.

Super iniciativa. Só falta agora traduzirmos o site para o português e cadastrarmos mais locais e eventos. (Até o momento, só tem um pessoal da USP de São Carlos na lista de locais.)

Entrevista com a pessoa da newsletter sol2070

Nota do editor: Uma série de entrevistas com pessoas que mantêm newsletters presentes no diretório de newsletters brasileiras. Leia as outras entrevistas.

Qual é a sua newsletter?

sol2070.

Fale um pouco de você.

Uso um nome de usuário para tentar manter privacidade e para poder falar de assuntos que eu não poderia publicamente. Mas posso dizer que sou um professor, com experiência editorial e em TI.

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Mulher loira de óculos escuros, segurando duas caixas de pizza, com outras pessoas alucinadas ao fundo. Imagem sintética, gerada por IA.
Imagem: InfoMoney/Reprodução.

O InfoMoney republicou uma nota da agência de notícias do Estadão informando que a cantora Lady Gaga distribuiu pizzas a fãs acampados em frente ao hotel onde ela está hospedada. (Link do Marreta para não dar visualizações.)

Até aí, tudo bem, é a expressão mais pura do jornalismo “Caetano estaciona seu carro no Leblon”.

Como nada é tão ruim que não possa piorar, alguém lá dentro achou que seria boa ideia gerar uma imagem, numa IA, da própria Lady Gaga entregando as pizzas em mãos aos fãs. Colocaram a legenda “Foto feita com IA/ ChatGPT”, quase ilegível no rodapé da “foto”.

A nota foi atualizada, agora sem a “foto”, na manhã desta sexta (2), quase 24h depois de ir ao ar. A Wayback Machine mantém o registro dessa vergonha.

Qual a diferença entre a “foto” que o InfoMoney publicou e oportunistas que geram imagens de Jesus feito de camarões nas redes sociais? Nenhuma. Ambos apostam na desinformação para tentar faturar uns trocados.

O InfoMoney publicou uma errata em que classificou o uso da imagem como “indevida” e que está “adotando medidas internas para evitar que situações como essa se repitam, incluindo treinamentos específicos sobre o uso ético da inteligência artificial e a checagem de imagens geradas por esse tipo de tecnologia em nossos processos editoriais”. No LinkedIn, Matheus Lombardi, CEO do InfoMoney e XP Educação, pediu desculpas pelo ocorrido.