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Vocês estão reduzindo a dependência de software proprietário/estrangeiro? Como?

Depois da história do tarifaço do Trump, considerei até um cenário meio apocalíptico: e se o Brasil fosse embargado, o que aconteceria com os nossos dados? Afinal, somos bastante dependentes de softwares e serviços estadunidenses, inclusive quando se fala de sistemas operacionais.

Essa reflexão me fez considerar muito os meus usos, especialmente ao perceber que 8 em cada 10 softwares que eu usava pertenciam a empresas estadunidenses. De lá para cá, ainda que eu acredite que este cenário é completamente distante da realidade (ou não, considerando que o mundo vive de plot twists ultimamente), passei a diversificar as minhas escolas, optando por serviços brasileiros e de outros países e a adotar softwares que usam padrões abertos, que me permita acessar os dados mesmo sem tê-los em mãos.

Mas fiquei curioso: essa é uma preocupação de vocês? Vocês estão reduzindo essa dependência? Como?

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15 comentários

  1. Nunca escolhi software com base nesse criterio de ser ou não estadunidense, mas acho que isso vai se tornar cada vez mais importante do jeito que vão as coisas.

    Sempre escolhi ou rejeitei software com base nos níveis de bostificação, firulas, design viciante, bloat, ads e claro, se o código é aberto. Acho que só de fazer isso, já de brinde a gente acaba diminuindo dependências com big-techs EUA.

  2. Acho que um embargo seria até benéfico pro Brasil, a longo prazo. Única forma que eu vejo de o governo e empresas investirem pesado em soberania digital.

    É tecnicamente possivel criar essa soberania em tempos de paz, mas na real, não vão fazer isso. Isso é o tipo de coisa que governo/empresas só fazem quando a agua bate na bunda.

  3. Uma empresa que me deixa meio preocupado nessa questão é a Cloudflare. No meu caso, montei um homelab, estou hospedando bastante coisa legal como o immich e nextcloud, mas dependo do acesso de túnel da Cloudflare pra quase tudo.
    Vcs conhecem alguma alternativa?

    1. Eu não lembro de qual país é, mas muitos amigos estão usando Tailscale no lugar do Cloudflare. Fora esses dois, desconheço outros.

  4. Eu tenho um homelab, e a medida que vou melhorando as coisas nele, vou optando pelo selfhost e opções livres. Devagar e sempre. Não imponho ao resto da família, mas vou deixando eles curtirem as novas opções. O streaming do Jellyfin tem feito sucesso com coisas que não podem ser encontradas facilmente por aí.

  5. Essa suspensão de serviços digitais não acabou acontecendo com os russos?
    Será que tem algum texto, podcast ou vídeo sobre isso?

  6. Se um embargo desse nível realmente acontecesse, a preocupação com software seria quase irrelevante, pois provavelmente estaríamos lidando com a instabilidade no próprio acesso à internet, antes de qualquer outra coisa relacionada.
    Lidar com problemas somente quando eles ocorrerem é um mantra.

  7. Tenho essa preocupação desde quando me tornei usuário ativo (e ativista passivo) de software livre, lá no final da década de 90, com o Linux me permitindo usar um computador que não funcionava com Windows 95…

    Em novembro do ano passado, migrei meu site (e projetinhos relacionados, como meu blog ClassicPress, bots do Telegram, etc.) para a nuvem da Magalu (depois de experimentar AWS, Oracle e Google) e estou muito satisfeito. Eles tem um console de gerenciamento simples (e uma boa documentação) e só este mês (depois de 4 meses de uso), paguei pela primeira vez o valor de R$ 41,57 por uma VM básica (1 núcleo com 1 GB de RAM e 10 GB de disco) e um Block Storage de 10 GB. Os meses anteriores foram pagos com créditos recebidos por ter aceitado participar de duas entrevistas sobre meu uso da plataforma. Estou esperançoso de que ela realmente se estabeleça como opção de nuvem brasileira.

    Eles tem essa calculadora de preços (não estou sendo patrocinado, mas seria legal uma parceria do Manual com a Magalu). Fiquei surpreso ao ver a postagem do Ghedin falando da migração para nuvem da Oracle.

    https://magalu.cloud/calculadora/

  8. Seria uma discussão interessante tipo você listar alguns dos softwares que são cruciais para sua vida pessoal e trabalho, e a galera aqui vai respondendo com alternativas para cada um da lista.

    1. Eu já fiz algumas mudanças neste sentido. Migrei do Notion para Obsidian, reduzi a dependência do Google Docs salvando os arquivos em outros formatos, migrei para o Proton Mail, entre outras coisas.

      A minha maior preocupação, hoje, é o fato de usar Mac, iPad e iPhone. Não tão dependente do ecossistema como no passado. Mas ainda uso justamente por conta da integração e toda aquela coisa boa que veio com o Apple Silicon, que já me salvou durante o trabalho quando passei 8h sem ter uma tomada por perto.

      Creio que essa tem sido a parte mais difícil até o momento. Especialmente porque o suporte das destros de Linux aos notebooks com ARM ainda é bem fraco.

    1. Pior que eu conheço duas pessoas que pagam provedores de e-mail brasileiro desde a época da discada até os dias atuais, hahahaha. Inclusive, pagam consciente que estão pagando, porque recebem até a fatura em casa com o código de barras.

    2. Pior que eu cheguei a tentar, kkkk. Durou 1 dia!! Aí pedi reembolso e até isso foi enrolado, levou meses. Mas pelo menos aceitaram o cancelamento e nem foi proporcional, foi inteiro.

  9. Definitivamente estou nessa onda também. A gente não pode esquecer da escala coletiva, que exige mobilização coletiva, de longo prazo, etc, mas sim, eu faço coisas em escala individual que são possíveis e efetivas nas minhas condições de espaço, tempo, etc, e mesmo sabendo que é um grão de areia a mais para contribuir, eu faço isso sabendo que “Muitos pequenos riachos fazem um grande rio”. Então fui no ecossistema linux, achei distros e programas que me permitiram substituir o windows, gostei das implicações teóricas e práticas do movimento FOSS (entre elas que se houver um boicote, nós só copiamos os programas), passei a comprar coisas da Aliexpress e Shoppe em vez da Amazon ou outras quando mais barato (e é bem mais barato que mercado livre), 99, etc. Sabendo que 99 também é uma distorção etc, precisamos fazer um negócio sob controle do país, dos trabalhadores, etc, mas é melhor que dar mais grana para a oligarquia norteamericana.