Bizarro o papel da mídia nesses casos. Na faculdade de psicologia, lemos um texto sobre os “amoladores de faca”, conceito citado no início da reportagem.
Essa é a ideia de que os canais de rádio, TV e agora portais de notícia on-line alimentam o papel de amolar o instrumento que corta, mata e mutila dia após dia as minorias e oprimidos do sistema que, por projeto político muito bem articulado, decidiu por excluir.
4 comentários
Enquanto ainda na nossa cultura tivemos este problema de “divisão de genero”, tanto o problema das mulheres (e próximos que as defendem) sendo vítimas, quanto também o problema da violência contra trans, gays e demais.
Mas focando na questão do feminicídio.
Tenho pensado aqui o quanto destes crimes são passionais. E eles são bem problemáticos de serem computados. Porque vejam: se uma mulher vai para uma Delegacia da Mulher (que são poucas), lida com uma burocracia e também falta de profissionais (fonte: ajudo uma DDM), E como nas polícias / guardas, parte de seus quadros tem ainda uma cultura machista enrustida; é difícil ver uma priorização de atividades de prevenção. Porque não é só Guarda Maria da Penha que vai resolver. Mas sim investigações ágeis, com foco também – nisso acho que vocês vão me chamar de louco mas chego lá – em apoio psiquiátrico ao agressor.
Calma. Eu não tou falando DEPOIS de uma morte, de um assassinato. Mas sim no primeiro sinal de abuso que um homem for cometer. Ou seja, uma ameaça, violência física ou uso de poder para se impor.
Isso registrado em uma DDM, o ideal é que investigadores já chamem o agressor para um depoimento, e em seguida já o encaminhem para uma avaliação PSICOLÓGIA E/OU PSIQUIÁTRICA- e claro, ALIADO A TODAS AS MEDIDAS PROTETIVAS POSSÍVEIS ÀS MULHERES (Troca de moradia, proteção legal, apoio fianceiro se caso, etc…). Porque tipo, você não desmotiva uma pessoa de cometer um crime só falando “não cometa crimes senão será preso” – cadeias não estão lotadas a toa e leis para muitos não é nada. Só ver que em muitos dos casos que ganham mídia de feminicídio, não é que o homem “anunciou que vai matar” do nada, mas sim os sinais anteriores (discussões, abusos, etc) podem indicar um risco maior, dado a possível escalada.
E a imprensa que poderia justamente ajudar nesta questão de orientar sobre como uma mulher pode ir a DDM denunciar agressões, faz muito pouco.
Nisso aí teorizo também o problema de genero, retornando a este ponto: está muito “enraizado” o conceito de “homem = violento, provedor e protetor; mulher=delicada e do lar (e não existem outros generos)”. E isso também é aceito por muitas mulheres. Não sei se existe pesquisa disso, e mesmo assim se a pesquisa seria útil. Mas imagino que é muito algo já aculturado e de difícil troca sem um esforço forçado. Ou seja, não que só lei vai mudar, mas sim algo que faça mudar esta visão. (E sinceramente acho que só debochar não muda. Não adianta rir dos tais “legionários” sendo alvo de abelhadas.) A imprensa dá valor a mulheres fortes em certos aspectos, mas – aí talvez preciso ver melhor – ao mesmo tempo ignora mulheres que são independentes em tudo ou que buscam se proteger contra quem as abusam.
Mulheres sendo dupla vítima (além de serem alvos de algo, também são culpadas pela agressão que sofreram) são casos mais antigos que nunca. E olha que temos um exemplo recente como o da menina que o juíz julgou a conduta dela em um evento, como se ela fosse a culpada de um estupro que ocorreu no evento. Ou o caso do juiz que em um primeiro momento permitiu o casamento de uma menina de 12 anos com um maior, e depois que descobriram os podres do juiz, ele refez a condenação e condendou (além de descobrirem que provavelmente o próprio juiz também já abusou no passado).
Sinto que a transição cultural que esperavamos ter nestes tempos não ocorreu tão rápido e fácil quando deveria. Pessoas “sentiram nostalgia” como se o passado e as falhas dela fossem parte de uma verdade que não deveria ser mexida.
Temos muito o que mudar. Começando em nós mesmos. E perdão qualquer má colocação minha aqui.
É por essas e outras que tenho me abstraído de acompanhar o noticiário. Tudo dá gatilho pra ansiedade e depressão
foi surreal ver a galera culpando a mãe. estamos em mundo maluco demais!!
é deprimente demais a cobertura desse caso e a reação reacionária e misógina. dessas coisas que tiram um pouco a esperança da gente