“Como é viver (quase) livre da influência das big techs? Deixo um “(quase)” porque indiretamente sempre vem algo. Há uns bons meses expurguei isso de minha vida, praticamente. Depois da fase de migração, é algo que nem exige muita manutenção.”
(continua no link)
Bluesky, Mastodon, Telegram e RSS
Valeu, peguei algumas dicas e, individualmente falando, acho ótimo me proteger mais dos efeitos danosos das BigTechs.
Mas não podemos perder o horizonte maior e coletivo que é a crítica ao neoliberalismo e a relação das BigTechs com esse sistema político, econômico e ideológico. Temos que ter a habilidade de fazer cada vez mais essa relação.
As BigTechs estão a serviço do neoliberalismo! Se as críticas que nos propusermos a fazer não começar a apontar isso, vamos ficar enxugando gelo.
Verdade. Mas, como começaram já a apontar, talvez nem neoliberalismo seja mais. Parece uma regressão do capitalismo aos monopólios feudalistas, ou “tecnofeudalismo”.
Bem colocado, me deparei com esse conceito outro dia. Mas ainda preciso ler sobre. A princípio parece fazer muito sentido estarmos vivendo isso.
Coincidentemente, ontem li este perfil do Yanis Varoufakis, que usa esse mesmo argumento do “tecnofeudalismo” e até publicou um livro a respeito (e com esse título).
Sim, o livro dele tá repercutindo. Mas, na verdade, essa ideia de que o (neo)liberalismo é só uma fachada de liberdade e competição para trustes monopolistas irem se expandindo circula desde os anos 60.
Como sumarizou Peter Thiel, “Competição é para perdedores.” (ou seja, a elite de fato monopoliza).
Esse texto aqui faz uma excelente relação entre o neoliberalismo e o Vale do Silício. Foi isso que quis mencionar no comentário, sobre a importância de reflexões críticas que fazem essa associação. Segue uns trechos e o link.
“O projeto político da Uber mostrou uma consciência aguçada dos problemas que as cidades enfrentam e conseguiu se oferecer como solução, mesmo que seja uma solução ruim. O Uber se apresenta como uma alternativa a um sistema de transporte público em ruínas, uma indústria de táxis mal regulamentada, aumento da precariedade para trabalhadores de baixos salários e até mesmo uma resposta à profunda desigualdade racial. O terreno para o ataque da Uber às cidades foi preparado por um ataque de quatro décadas ao setor público.”
“As respostas orientadas pela tecnologia para os problemas da cidade propostas por empresas como a Uber podem parecer apolíticas, mas você argumenta que não é o caso. Pode explicar o seu argumento aqui? O que você acha problemático nas “soluções” da Uber?
KAFUI ATTOH
Um dos principais sucessos do Vale do Silício foi reformular os problemas urbanos como técnicos. A ideia de que a tecnologia oferece soluções livres da política não é nova. Na verdade, pode-se argumentar que o “solucionismo tecnológico” tem sido um dos principais pilares da governança neoliberal, mas atingiu novos patamares na última década e meia.”
https://jacobin.com.br/2023/10/os-fracassos-do-neoliberalismo-possibilitaram-que-a-uber-conquistasse-as-cidades/
Legal, Felipe. A ruína social do neoliberalismo é o terreno fértil não só para a exploração desses ubers aí, mas também para a ascensão de extremistas como esse Milei e outros que conhecemos bem, que conseguem canalizar a revolta por essa falência generalizada…
Enquanto as alternativas não forem simples de usar, traduzidas, e não requererem um tutorial para o uso simples, livrar-se da big tech será algo restrito a entusiastas mais dedicados.
Quem vive na correria do dia a dia não considera nem ouvir a indicação de algo que ofereça o menor atrito para implementação ou uso.
Penso o mesmo. Sempre faço o cálculo mental CxB onde custo é meu esforço. Eu quase nunca ligo meu notebook, só quando não consigo realizar algo no smartphone. Imagine realizar toda essa epopéia de configurar nos mínimos detalhes. Já me perdi várias vezes investindo esforço em coisas que eram só hobbies mas que pensava ser útil pra mim. Estou ficando velho.
Não achei legal chamar de mito, porque não é. Aliás, queria te parabenizar pela proeza!
Mas fica aquele gosto amargo de: se livrou completamente? A Big Tech está tão entranhada na infraestrutura da Internet fica bem difícil.
Teve uma jornalista do Gizmodo US que viveu uma semana com todas as Big Techs bloqueadas no nível da rede. Vários sites e serviços essenciais param de funcionar.
Aliás, vou postar aqui, apesar de ser antigo.
Valeu, coloquei um resumo no início do texto para clarificar essa história de mito.
Eu tinha lido esse artigo na época. Interessante. Mas minha experiência (que nem é assim uma “proeza”, esse é meu ponto) se concentrou naquilo que posso escolher.
Eu entendo o seu lado, pois já estive desse mesmo lado, e acho extremamente legal para quem quer aprender coisas novas, colocá-las em prática, etc.
Acredito que se você está em um momento da vida que esse tipo de atividade gera valor (configurar servidor, experimentar alternativas de softwares, etc), é extremamente válido fazer.
Entretanto, para outros, o que gera valor na vida é a conveniência de “pegar tudo pronto”, para gastar o seu tempo em outras atividades que sejam mais importantes para si (estar com os entes queridos; ler; relaxar; etc). Nesse grupo que me encaixo atualmente. Mas, prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.
Vou discordar de você, respeitosamente, em apenas um ponto de seu artigo, logo do início.
“(…) após ajeitar tudo, ele fica lá, meses e meses sem reiniciar. Raramente exige manutenção.”
Talvez você ainda não tenha ciência o suficiente dos riscos de se administrar um servidor aberto à rede, e por isso pense que raramente exige manutenção; se for esse o caso, é bastante ruim, pois pode estar expondo os dados e serviços que estão ali. Coisas como o unattended upgrades do Linux ajudam, mas não são tudo, e um servidor requer vigilância constante, alertas, etc.
Valeu pelo toque, mas tenho ciência sim.
Com “ajeitar tudo” me refero também a blindar o bicho. Recebo um logwatch diário. Vinham várias ataques. Fui arrumando e, hoje, semanas se passam sem nenhum registro que mereça intervenção. Mas assim que precisar, todos os alertas estão ligados.
Não, he he, não estou no momento em que ficar só fuçando no computador “agrega valor”. Fazia isso algumas décadas atrás.
As pessoas querem pegar o celular ou computador e sair usando, ninguém quer – ou tem tempo e paciência para – configurar um servidor.
E quando faltar energia elétrica? E se der pau no armazenamento? E se tudo isso acontecer enquanto vc estiver viajando em férias? Como vc vai subir as fotos?
Mais importante que uma solução doméstica é cobrar ética das big tech. O capitalismo cria necessidades e depois os consumidores é que são eticamente cobrados, por consumir. Assim não dá para ganhar nunca.
Pois é, não é “mito”. É uma solução pra poucos, em comparação com o contingente que usa, por exemplo, Google.
“As pessoas querem pegar o celular…”
Verdade. Mas o que fiz não serve para as “pessoas” em geral. Serve para quem pode fazer isso, como eu e muitas pessoas. Entre elas, muitas não fazem — conheço algumas — porque acreditam no mito de que isso é mais difícil do que é.
E as “pessoas” em geral também acreditam no mito de que seria difícil mesmo uma libertação parcial, por exemplo, parar de usar Gmail. Isso é extremamente fácil. Há alternativas gratuitas até superiores tecnicamente, como o Skiff.
“E quando faltar energia elétrica? E se der pau…”
As alternativas que achei não são domésticas, são serviços externos com praticamente a mesma disponibilidade de big techs.
Como solução, o ideal seria que não existissem. Isso é bem possível, já que antes de Reagan acabar com as leis antimonopólio, essas megacorporações eram proibidas. Mas, realisticamente, só vai acontecer depois que “antes de melhorar, vai piorar muito”.
Concordo que a culpa não está nos consumidores. O que escrevi é sobre o que eu fiz, e sobre a falsa ideia de que se libertar disso é tão difícil individualmente.
um trabalhador comum não quer ter que configurar um roteador pessoal pow. essa galera mais nerd/linux/open source/servidor vive numa realidade paralela.
Tem uma realidade paralela também onde a pessoa não percebe para quem o texto se dirige.
Grosseria é fod@.
Qual o nome do texto? “Mito da dificuldade de se libertar das big techs”, ou seja, que não há dificuldade em se libertar das big techs. Se não há dificuldade, qualquer pessoa poderia, facilmente, se ver livre.
Porém, não é isso, na verdade não é fácil, não é um mito, é efetivamente difícil porque exige conhecimentos que muitos não possuem, porque muitos sequer sabem usar um pc.
E sério, o Alberth está certo, essa galera vive em uma realidade paralela.
Msg diretamente da realidade paralela livre de big techs:
Perdão pela “grosseria”.
vc usa um servidor dedicado pra sincronizar o radicale ou roda no pc msm?
e a qualidade da câmera do seu celular, é perdida no lineage?
eu já tinha lido sobre o pcloud, mas pelas pesquisas que tinha feito, não tinha me passado muita segurança, pq o escolheu? pra fotos eu uso o ente.io
obs: curto muito seu blog.
Salve Will, valeu!
Uso o Radicale no VPS (Virtual Private Server) onde concentro tudo.
Meu cel é um Moto G7, a câmera não perde nada no Lineage — mas precisei instalar um outro app de câmera, porque o do Lineage tava meio bugado.
É, o site o pCloud não inspira muita confiança mesmo, mas nunca tive problema. Só não gosto porque não criptografa (essa opção é vendida à parte). Escolhi por causa do plano vitalício, que não é caro (comparado ao preço de um HD do mesmo tamanho).
pode falar depois um pouco de como configura o VPS? valores, o que vc tem lá relacionado a privacidade?
e pq escolheu o control D ao invés do nextcloud?
entendi, aqui eu assino o office devido as ferramentas do mesmo, e como vem 1TB no drive, acabo usando, mas uso junto o cryptomator, então pelo menos a MS não vê meus arquivos.
VPS é um servidor dedicado, não compartilhado. A Hostinger, por exemplo, é uma empresa em que o VPS mais simples sai mais barato do que muita hospedagem compartilhada. A desvantagem é que você tem controle total. É como montar um servidor em casa, com a exceção do SO, o cliente precisa configurar tudo. Mas é menos difícil do que se imagina. Se houver familiaridade com o terminal Linux, basta, e o restante se aprende no caminho.
Achei o Control D melhor que o NextDNS porque tem opções como bloquear servidores de anúncio, malware etc. Mais simples de usar também.
Fui ver o preço do Control D, acho que vou ficar no NextDNS msm hahaha. Contudo pelo que vi, o maior diferencial do ControlD é o fato dele ter Proxy junto.
O DNS é gratuito, basta colocar os IPs.