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Giselle Beiguelman: Críticas à experimentação com IA nas artes são fruto de ignorância tremenda diplomatique.org.br

Giselle Beiguelman é uma das mais importantes artistas em atividade no Brasil e provavelmente a artista mais relevante atuando na intersecção entre arte e tecnologias digitais. Para além das reflexões sempre muito interessantes dela a respeito da relação entre arte e IA, queria destacar o seguinte trecho:

Existia um ambiente online muito pulsante, que já era global, mas tinha uma particularidade que hoje se perdeu: escrevia-se muito, mas também se escutava. Eu, que não sabia quase nada, entrava em listas de discussão de programadores e fazia perguntas. Às quais vinham respostas e eu então configurava os parâmetros. Isso praticamente não existe mais. Nunca se falou tanto e se escutou tão pouco. Hoje as pessoas berram na internet – essa é uma das grandes mudanças.

A gente sempre alerta para os perigos da nostalgia por aqui, mas esse é um aspecto pelo qual sou sinceramente nostálgico: perdemos qualquer capacidade de diálogo na web plataformizada.

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  1. Não conheço mas simpatizei, sou a favor de ferramentas e experimentação, inclusive AI. Da pra odiar monopólio, querer sustentabilidade e ainda assim fazer uso de AI sem demonizar quem usa; ver problemas, ter atitudes incoerentes, fazer não o melhor mas o menos pior faz parte da nossa trajetória como ser humano nesse capitalismo tardio…

  2. 1 – outra coisa que achei interessante além deste trecho é os parágrafos finais: “Todo mundo deveria ter direito ao tempo de pensamento. Acho importante não abrir mão disso nem ter constrangimento em reconhecer que o tempo é, hoje, um privilégio. O problema não é ele existir; é ele não ser bem comum.”

    2 – sobre a questão da “web ser mais tolerante a escuta no passado”, há uma ponderação: parte da rede já era feita em bolhas sociais – foruns, áreas de comentários e similarea eram redes sociais, porém a função temática de tais funcionava como filtro, bolha de atenção e principalmente, forma de moderação.

    A escuta é uma parte da conversa, e conversa é o que mais se tinha. No entanto – e falo por experiência – não é que não tinha gente berrando para ser dono da razão, mas sim o fator do grupo já ser temático e uma pessoa inexperiente chegar em um destes grupos, a pessoa poderia ser alvo de preconceito, chacota… e isso acaba reproduzido nos sistemas de redes sociais atuais em maior escala nos tempos atuais.

    3 – o que venho pensando também é que toda dificuldade criada com novas tecnologias (incluso IAs no conceito atual) gera novas segregações sociais.